Voos da CIA – Top Secret

A Amnistia Internacional, organização de defesa dos direitos humanos, acusou esta terça-feira os governos europeus de negarem o seu papel nas rendições e detenções secretas norte-americanas e pediu um inquérito «urgente» e «independente» ao assunto, escreve a Lusa.
«Os governos europeus encontram-se num estado de negação e têm vindo a evitar a verdade há demasiado tempo», escreve Amnistia num relatório intitulado «Estado de negação: O papel da Europa nas rendições e detenções secretas» publicado esta terça-feira.
A organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Londres denuncia a continuação do envolvimento da Europa naquele programa dos Estados Unidos: «O envolvimento da Europa nas rendições e nas detenções secretas contradiz de forma chocante as suas promessas de conduta responsável na luta contra o terrorismo».
Relatório aponta seis situações
O relatório aponta seis casos – envolvendo 13 indivíduos – e detalha o envolvimento dos Estados europeus nas rendições e detenções secretas: desde permitirem que voos da CIA dos circuitos das rendições utilizassem os aeroportos europeus, até albergarem centros de detenções secretas, ou o que chama de «locais negros».
Segundo a Amnistia, seis indivíduos detidos na Europa permanecem em detenção ilegal na base norte-americana de Guantanamo (Cuba) e outro está preso no Egipto depois de ter sido submetido a um julgamento injusto perante um tribunal militar. Todas as vítimas das rendições e detenções secretas entrevistadas pela Amnistia Internacional afirmaram terem sido torturadas ou maltratadas.
«As crescentes provas da parceria da Europa no programa norte-americano reforçam a urgência de medidas que previnam mais casos de cumplicidade», sustenta a Amnistia.
O caso dos «voos da CIA» iniciou-se em Novembro de 2005, quando o jornal norte-americano Washington Post revelou a existência de prisões secretas da CIA em vários pontos do Mundo, tendo rapidamente o assunto passado a ser, sobretudo, o transporte ilegal de prisioneiros suspeitos de terrorismo e os chamados «voos da CIA» que, segundo o Parlamento Europeu, foram uma prática corrente na Europa desde os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.
O Jornal de Notícias divulgou a 23 de Maio uma listagem, remetida ao deputado do PCP Jorge Machado pelo Ministério das Obras Públicas, que confirma que de Julho de 2005 até Dezembro de 2007 passaram por Portugal 56 voos que tinham como origem ou destino a base norte-americana de Guantanamo, em Cuba, onde os Estados Unidos mantêm encarcerados suspeitos de terrorismo.
In “Portugal Diário“
























































