Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.

Pensamento único: Oportunismo político

leave a comment »

Ministra acusa críticos dos exames de oportunismo político

Lurdes Rodrigues garante nada saber sobre o que sai nas provas nacionaisGoverno atribui melhores resultados ao trabalho feito nas escolas

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, classificou ontem as críticas aos exames nacionais que têm partido de algumas associações científicas de professores, em particular da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), como o “grau zero do oportunismo político”, defendendo que as melhorias já comprovadas – e eventualmente a verificar – nas notas dos exames resultam do “trabalho” feito nas escolas ao longo do ano.

Numa audiência na Comissão de Educação, no Parlamento, cujo tema era a violência escolar, a discussão sobre alegadas facilidades nas provas de Português e Físico-Química do secundário e Matemática do 6.º, 9.º e 12.º anos acabaram por preencher a maioria das quase quatro horas de reunião.

Pedro Duarte, do PSD, deu o mote, acusando o Governo de “obsessão facilitista”, dando como exemplos, além dos “exames muito fáceis”, o fim das provas globais do 9.º ano ou as alterações ao Estatuto do Aluno que substituiram a exclusão por faltas por testes de recuperação. Sobre as provas, considerou serem “um convite ao desleixo”, acusando ainda o Ministério de “reagir com agressividade para quem faz críticas”.

José Paulo Carvalho, do CDS, repetiu algumas das críticas feitas ao início da tarde por Paulo Portas, que, em conferência de imprensa, acusara a ministra de só se preocupar “em criar estatísticas felizes, que nada têm a ver com a preparação dos jovens”, desafiando a governante a aceitar uma proposta dos populares para que as provas passem a ser feitas com base num banco de questões predefinido. “Ou o desempenho dos alunos mudou completamente ou alguma outra coisa mudou”, disse José Paulo Carvalho.

O PCP e o Bloco de Esquerda mantiveram-se mais à margem da discussão mas, ainda assim, Ana Drago, do Bloco, disse à ministra que a suspeição se ficava a dever a “uma grande falta de credibilidade” da sua equipa.

Maria de Lurdes Rodrigues respondeu, considerando que a discussão sobre os exames “é uma questão de oportunismo político e não de facilitismo”, dirigindo as críticas mais duras ao deputado Pedro Duarte: “Para si, as estatísticas só são boas quando confirmam os seus preconceitos”, acusou. “É uma argumentação preguiçosa”.

A ministra voltou a afirmar nada ter a ver com o processo de elaboração das provas;”Nem me sei pronunicar sobre o nível de complexidade das prova”, disse. “São raras as pessoas, até podem ter um prémio Nobel, que o conseguem fazer”.

Contactados pelo DN, os sindicatos do sector reconheceram alguma razão aos argumentos da ministra, ao afirmarem que ainda não é possível fazer apreciações sobre as provas. Ao contrário das criticas de algumas associações de professores, João Dias da Silva, da Federação Nacional dos da Educação, destacou o facto de “os exames serem feitos por especialistas das várias áreas de saber, pelo que não cabe aos sindicatos pronunciarem-se sobre a qualidade das provas”. Ainda assim, João Dias da Silva espera que não tenham havido facilitismo, que deturpa a comparação entre vários anos.In Diário de Notícias

Escrito por Tollwut

Junho 26, 2008 às 5:52 pm

Deixe uma Resposta