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Mais uma Crítica: avaliação dos professores de Matias Alves

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Em 12 tópicos, José Matias Alves (JMA)  do Terrear, brindou-nos com umas notas sobre a avaliação dos professores e sintetiza algumas ideias sobre a regulação do 1º ciclo da avaliação dos professores.

Note-se que JMA exerce funções de membro do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores. Por conseguinte, não se tratam de ideias de quem não tem nada a ver com o assunto, mas sim de ideias ou teses que, ele próprio,presumo, defendeu ou defenderá no órgão em que tem assento. Ou seja, nesta matéria JMA nunca estará isento de responsabilidades, para o bem e para o mal.

Por isso mesmo, pelo facto de JMA ter responsabilidades directas na matéria, não posso deixar de reprovar as suas “notas” sobre avaliação dos professores. Algumas são demasiado genéricas que não merecem comentário. Outras merecem comentário e reprovação por serem erradas e até perigosas para os professores.

Vamos a isso:

1 – A obrigação de uma credível e consistente formação em avaliação de professores para avaliadores e avaliados (não esquecendo que quem “faz” a formação também é a relação formadores-formandos);

Comentário: A formação que se venha a realizar nunca será “consistente e credível” uma vez que o processo de avaliação já se iniciou e a formação ainda não. Logo, a formação sobre avaliação dos professores é uma estratégia que serve dois objectivos apenas: dar a ganhar muito dinheiro a alguns formadores e silenciar as críticas de intempestividade que têm sido feitas ao ao processo de avaliação.

2. o número de parâmetros deve poder ser substancialmente reduzido, devendo definir-se um número mínimo e permitir-se que as escolas escolham mais um nº y, em função do seu projecto e dinâmica.

Comentário: A implementar-se esta ideia – que o ME afastou por pressão dos sindicatos e por contrariar clamorosamente ao ECD – a avaliação dos professores seria uma completa balbúrdia. Uns a serem avaliados por alhos e outros por bogalhos; o mesmo professor a ser avaliado este ano lectivo pelos parâmetros xpto e, no próximo ano, pelos parâmetros kywz. Num sistema educativo de cariz totalitário como o português, em que não há liberdade de escolha nem da educação nem da escola; em que a carreira é única e o empregador detém o monopólio dos meios, seria inadmissível utilizarem-se parâmetros diferentes de escola para escola e, no limite, de professor para professor. Além de que o “projecto e dinâmica” -interessante expressão esta -das escolas é ensinar os alunos e não avaliar os professores, presumo.

4. A vantagem formadora de uma avaliação realizada por pares. Mas, para além da formação indispensável, é necessário gerar condições de confiança e caminhar no sentido de evitar que os avaliados sejam mais qualificados e competentes que os avaliadores.

Comentário: O caminho está feito e o ME cometeu um erro de palmatória ao permitir que possam ser os menos competentes a avaliar os mais competentes. Bastaria isto, para que o ME, o CCAP e JMA tirasem conclusões mais profundas sobre este processo de avaliação.

5. o número de aulas a observar deve ser acordado entre avaliador e avaliado, em função de critérios a definir pelo conselho pedagógico da escola ou agrupamento (subentendo-se que pode haver circunstâncias em que não faça sentido a sua existência, como o Conselho Pedagógico deveria poder decidir).

Comentário: É um erro o Conselho Pedagógico ter responsabilidades na avaliação dos professores, ou seja, dele próprio. O Conselho Pedagógico deve ter responsabilidades pedagógicas e de avaliação, no que respeita aos alunos. O CP não tem responsabilidade na avaliação dos funcionários auxiliares, administrativos, psicólogos nem do restante pessoal da escola. Porque há-de ter na avaliação dos professores? Também é um erro crasso a avaliação dos professores depender, no mesmo grau, do director da escola e do coordenador de departamento. A César o que é de César. Obviamente só se deve perder tempo, repito, perder tempo, a assistir a aulas de professores quando se justifique e não anualmente como está previsto.

8. Os resultados escolares dos alunos não devem ser considerados no 1º ciclo de avaliação de professores por manifesta ausência de condições de equidade e de operacionalidade. Isto significa que as ponderações previstas deveriam ser reformuladas e toda a minuciosa arquitectura que está a aprisionar as pessoas e os contextos.

Comentário: Os resultados escolares dos alunos NUNCA devem ser considerados na avaliação dos professores enquanto dependerem directamente dos professores. Há um claro e insanável conflito de interesses. Não é de gente séria presumir que as notas que os professores dão aos seus alunos não vão ser condicionadas pelo facto de entrarem, também elas, na avaliação dos professores.

11. Todo o processo avaliativo não pode esquecer os seus fins, não se podendo transformar no seu próprio fim, no típico processo burocrático de inversão de valores.

Comentário: Claro que o processo de avaliação está transformado no próprio fim; claro que haverá uma inversão de valores; claro que não há nenhuma organização humana no mundo, nenhum empresa ou instituição que perca mais tempo e mais dinheiro com a avaliação dos seus membros do que com a missão que tem a cumprir. Ou que deixe de cumprir devidamente a sua missão para avaliar os seus funcionários.
Escreva JMA: o ME com o falso argumento de melhorar a qualidade da educação (e até admito que a possa melhorar alguma coisa) vai gastar uma imensidão de recursos humanos e financeiros a avaliar os professores. Diria até que, se as melhorias de qualidade fossem tangíveis, o que duvido, por cada 100 euros que o Governo gastar na avaliação dos professores retirará 1 euro de melhoria nos resultados educativos. Ou menos. Veremos se não é assim.

Reitor

In “Educação S.A.

Escrito por Tollwut

Junho 28, 2008 às 11:21 am

Publicado em educação

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