O dinheiro do Patrão
Houve um tempo em que os trabalhadores eram obrigados a viver em barracas fornecidas pelos patrões e forçados a gastar o miserável salário que o patrão lhes pagava na mercearia e na taberna do patrão. Uma forma legal de preservar a escravatura, já que o trabalhador acabava a dever dinheiro ao patrão que assim ficava com o direito de o explorar cada vez mais. Avançou o século XX e muitos direitos foram conquistados pelos trabalhadores, mas também a sociedade evoluiu no sentido de uma maior humanismo, de um maior respeito pelo ser humano e pelos seus direitos. Este avanço civilizacional foi das maiores conquistas do homem.
Hoje, vemos os trabalhadores a viverem em casas compradas à empresa de construção do patrão, com dinheiro emprestado pelo banco do patrão, que lhes paga baixos salários, que gastam nos hipermercados do patrão. Como se não bastasse, a nova lei laboral que os Socretinos nos querem impor ainda vai permitir aos patrões pagarem-nos parte do salário em bens e não em dinheiro. Poderemos por isso vir a ser obrigados a receber o suor do nosso trabalho em seguros de saúde da seguradora do patrão ou em parafusos da empresa do patrão ou em leite da vaca do patrão. Isto é, podemos ver o nosso salário pago em bens que não queremos, em serviços que não desejamos. Será que o Banco do patrão também vai aceitar que eu pague a prestação da casa em batatas com que me pagou o patrão? Poderei pagar a comida no hipermercado do patrão com os cigarros com que me pagou o patrão? Será que não falta só acrescentarem o chicote para voltarmos aos tempos da escravatura?
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