CGTP contra diluição mensal de subsídio de férias e Natal

2009 Abril 4
  • Carvalho da Silva
O líder da CGTP disse este sábado que «as vozes do patronato que pedem a diluição no salário mensal dos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores, não augura nada de bom sobre a sua manutenção futura».
«Os patrões fizeram, agora, a descoberta da necessidade de se poder diluir o pagamento do subsídio de ferias e de Natal no ordenado mensal, mas isto, que parece uma bondade não passa de um veneno», afirmou, pondo a hipótese de ser uma estratégia para acabar com os dois subsídios.
O dirigente sindical falava em Guimarães no final da «Caminhada pelo direito ao emprego», que a União de Sindicatos de Braga e o Movimento dos Trabalhadores Desempregados hoje realizaram entre a vila de Pevidem e Guimarães.
A marcha, que percorreu sete quilómetros, contou com a presença do líder da CGTP, Carvalho da Silva, da eurodeputada do PCP Ilda Figueiredo e do coordenador da USB, Adão Mendes.
Para Carvalho da Silva, a ideia de diluir os subsídios de férias e de Natal no salário parte de patrões que começam a dizer, em face das facilidades que o actual Código de Trabalho lhes dá, de que não faz sentido pagar subsídios já que o ano tem, apenas, 12 meses e não 14.
«Em vez de se aumentar os salários e de melhorar o poder de compra de quem trabalha ilude-se as pessoas com propostas de aumento mensal através da diluição dos salários, numa óptica de acabar com eles», afirmou.
Disse que o Código em preparação sobre contribuições para a Segurança Social não traz medidas concretas contra a precariedade do trabalho, afirmando que a única coisa que vai acabar por prevalecer vai ser o aumento das contribuições dos trabalhadores para o sistema.
Governo fez cair «compromisso solene»
Evocou declarações recentes do primeiro-ministro José Sócrates e dos seus ministros sobre o Código de Trabalho, acusando o Governo de deixar cair uma medida que haviam anunciado na legislação para combater precariedade.
«Acabaram por adiar a diferenciação da taxa social única, em benefício das empresas com trabalho precário, deixando, poucos meses depois, cair um compromisso solene», lamentou.
Disse que o Governo tem andado a propalar a entrada em vigor de novas medidas sociais, mas frisou que o importante é apoiar directamente as empresas para garantir a sua manutenção e manter o emprego.
O líder da União dos Sindicatos de Braga insistiu, com dados do Instituto de Emprego, que a taxa de desemprego atinge já os 11,5 por cento no distrito, com 50 mil desempregados, a maioria dos quais no Vale do Ave onde a taxa chega aos 15,5%.
Adiantou que com os despedimentos e dispensas em curso nas grandes empresas têxteis da região, que chegam aos 100 por dia, o desemprego no Ave pode chegar aos 17%: «Todos os dias há reduções de postos de trabalho nas empresas», sublinhou.
3 Respostas leave one →
  1. 2009 Maio 28
    João Guilherme Barbedo marques hiperligação permanente

    Querem uma resposta?
    Eu a dou. Antes de tudo e para esclarecer: eu sempre fui trabalhador por conta de outrem.
    O subsídio de férias e o de natal não passa de um paternalismo do patrão e de uma confissão de incapacidade do trabalhador. O trabalhador pensa assim: nas férias e no Natal eu gasto mais; preciso receber mais e, portanto, tenho de pedir um subsídio, porque eu sou um incapaz e se receber antes eu gasto e depois não tenho. Tenho de fazer do meu patrão um “paizinho” que me vai dando o dinheiro e guardando algum para me dar quando eu vou para férias ou vai acontecer o Natal. ora bolas para os sindicatos que querem fazer de nós mentecaptos

  2. 2009 Julho 7

    Tu deverias dizer então ao teu patrão que recusavas os subsídios!!! Se ganhas assim tão bem…que bom para ti! Mas há os que ganham mal. Ganhasses tu 500 euros mensais e tivesses um filho na escola…a ver se o subsídio de férias não te dava um jeitão para as despesas do início do ano escolar! Quem fala de barriga cheia…tá-se bem! Ganhasse eu 1500 euros mensais e também dispensaria tal subsídio!

  3. 2009 Agosto 25

    Tou de acordo com a Leandra mas eu apenas ganho 460€ e tenho três filhos por isso imaginem a minha ginastica…claro que os subsidios fazem imensa falta mas o pior é que o meu patrão ainda me deve metade do subsidio de Natal do ano passado e o subsidio de férias inteiro deste ano e veremos se vai pagar as férias… isto está cumplicado! quem tiver muito dinheiro que reparta comigo pois preciso de dar o sustento e os estudos aos meus filhos!!!

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