Cravinho diz que proposta do BE para fim sigilo bancário já devia ter sido aprovada

O antigo ministro socialista João Cravinho considerou hoje «positiva» a proposta do BE para acabar com o sigilo bancário e defendeu que esta é uma medida que «já há muito devia ter sido tomada para efeitos da administração fiscal»

Cravinho diz que proposta do BE para fim sigilo bancário já devia ter sido aprovada

«Sobre a questão do levantamento do sigilo bancário sou particularmente favorável e já há muito que se devia ter feito isto para efeitos da administração fiscal, há muito que deviam ter sido tomadas medidas neste sentido, para efeitos de administração devidamente responsabilizados» , afirmou o antigo deputado do PS relativamente ao debate de quinta-feira no Parlamento, onde o Bloco de Esquerda vai apresentar um pacote de medidas de combate à corrupção e evasão fiscal.

O antigo governante socialista considerou ainda que a proposta do Bloco para o fim do segredo bancário é «positiva» e defendeu que no combate aos offshores os «pedidos de troca de informações» devem ser «precisos e específicos» visto que há paraísos fiscais «que modificaram as suas leis de modo a não terem informações a dar» quando tal lhes é solicitado.

Cravinho declarou que é favorável a que se «parem os paraísos fiscais» e referiu que uma política de combate aos mesmos deve estar assente em «três princípios» essenciais: «a automaticidade da informação à medida do que já acontece com a directiva sobre as poupanças nos países da União Europeia», «a negociação de uma convenção ao nível do Conselho Europeu» que torne a decisão «universal» e passar a «atacar os paraísos fiscais» a partir da principais capitais mundiais de onde «se congeminam as operações e os esquemas», Londres, Nova Iorque e Tóquio.

«Oitenta por cento das operações em offshores são feitas a partir das capitais dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Japão, é lá que se congeminam as operações e os esquemas e se de facto se quiser atacar o problema começa-se a partir de lá, o resto é atirar poeira para os olhos» , atirou.

«Os offshores estão em contradição absoluta com as regras de transparência e da responsabilização do mercado financeiro, só existem para os negar» , acrescentou João Cravinho.

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