Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


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A Europa Pedófila: Grande Lider Berlusconi

31 Maio 2009 – 00h30

Itália: Tribunal apreendeu centenas de imagens de festas privadas

Berlusconi trava fotos com menores

O primeiro-ministro de Itália, Silvio Berlusconi, conseguiu ontem bloquear a publicação de fotografias que o mostram junto a menores em topless durante uma festa de Ano Novo na sua casa da Sardenha.

Berlusconi invocou o direito à privacidade para impedir a revelação das imagens, captadas pelo fotógrafo Antonello Zappadu. Num texto de quatro páginas publicado no ‘Corriere della Sera’, o chefe do governo instou a Justiça a agir e acusou o fotógrafo de tentar “prejudicar a sua imagem”. Assegurou ainda que as fotos revelam “momentos de intimidade inteiramente lícitos e sem especial importância”.

Um juiz de Roma não tardou a agir e ordenou a apreensão de cerca de 700 fotografias. Mas a ordem judicial não impediu os jornais de descreverem as imagens. Trata-se, explica o ‘Corriere’, de fotografias captadas em dois eventos. O primeiro é uma recepção oferecida ao ex-primeiro-ministro checo Mirek Topolanek em Maio de 2008, numa mansão de Porto Rotondo. O segundo é a festa da última Passagem de Ano, realizada na casa de Berlusconi na Sardenha. Nela participou Noemi Letizia, a jovem de 18 anos que levou a mulher do primeiro-ministro, Veronica Lario, a pedir o divórcio.

As fotos mostram dezenas de jovens em biquíni ou topless, algumas delas no duche. Silvio Berlusconi surge junto delas com roupas de Verão, exibindo o seu eterno sorriso.

PORMENORES

FÉRIAS PARA REFUGIADOS

Silvio Berlusconi cometeu nova gaffe. Ao visitar na sexta-feira os refugiados do sismo de Abril em L’Aquila prometeu oferecer-lhes “férias na praia e cruzeiros no Mediterrâneo”.

ANIVERSÁRIO FATAL

A presença de Berlusconi na festa dos 18 anos da jovem Noemi Letizia foi a gota que fez transbordar o copo da paciência de Veronica Lario. A mulher do primeiro-ministro pediu o divórcio e acusou-o de “manter relações com menores”. Disse ainda que ele não está bom da cabeça.

F. J. Gonçalves com agências


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Grande Lider Zapatero Derrotado!

PP à frente do PSOE nas europeias

Hoje

Várias sondagens ontem divulgadas colocam o maior partido espanhol à frente do partido do Governo

A oposição espanhola de direita venceria as europeias se as eleições fossem hoje, com uma vantagem entre os dois e os quatro pontos percentuais.

Três sondagens, realizadas junto de mil pessoas entre os dias 25 e 28, apontam para níveis de abstenção recorde em Espanha, com uma taxa de participação entre 38% e 45%. Muito longe dos 60% atingidos nas europeias de 1987, 1994 e 1999.

A sondagem Metroscopia, realizada para o jornal El País, atribui ao Partido Socialista Operário Espanhol, PSOE, 39,3% e ao Partido Popular, PP, 43%.

Os outros dois estudos de opinião, Sigma Dos para o El Mundo e DYM para o ABC, dão uma diferença mais pequena, de apenas dois pontos entre PSOE e PP.

Um quarto inquérito, feito pelo Noxa e publicado pelo La Vanguardia, dá resultados mais favoráveis aos socialistas com 42,5% contra 40,9% para os populares, com uma taxa de participação superior, mais de 50%.


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Xutos & Pontapés censurados pelos programas de rádio

O tema chama-se «Sem Eira nem Beira» e é uma das faixas mais comentadas e cantadas na rua do último disco do grupo

O tema chama-se «Sem Eira nem Beira» e é uma das faixas mais comentadas e cantadas na rua do último disco do grupo
José Sena Goulão/Lusa

O tema chama-se ‘Sem Eira nem Beira’, mas não há ninguém que não o conheça por ‘Sr. Engenheiro’. É uma das faixas mais comentadas e cantadas na rua do último disco dos Xutos & Pontapés, lançado a 6 de Abril. Mas, nas rádios nacionais só passou uma vez, uma única vez. Foi na Antena 3.

Os dados são avançados pela editora da banda, a Universal Music, que pagou a uma empresa para monitorizar três músicas do novo álbum, para saber exactamente quantas vezes foram tocadas. ‘Quem É Quem’, o primeiro single do disco, passou mais de uma centena de vezes. E ‘Perfeito Vazio’, o segundo single a ser lançado, foi o único tema a conseguir um lugar numa Lista A das playlists das rádios nacionais (a lista que obriga a que a música tenha em média quatro passagens diárias), com 136 passagens, só na Mega FM.

Zé Pedro, guitarrista dos Xutos, avança com surpresa: “Parece um complô contra o tema, ou uma espécie de exclusão por poder ferir susceptibilidades. Acho estranho. Parece-me que a música podia ter sido aproveitada como notícia e transformar-se num hipe de rádio”, afirma. O músico diz manifestar-se contra o sistema de playlists, mas não critica nenhuma rádio por optar ou não por passar um tema dos Xutos. “Compreendo que, estando esta música a ferver, na boca de toda a gente, as direcções das rádios possam ter preferido não a passar por estar em cima da mesa como uma canção de contestação”, adianta Zé Pedro, frisando que para os Xutos o sucesso da música é claro. Durante os concertos da banda, o tema é o que tem provocado maior vibração junto do público, aquele com que as pessoas mais se identificam, e a sua procura na Internet tem ultrapassado todas as expectativas. “Sentimo-nos compensados, portanto”, afirma o guitarrista. A humorista Maria Rueff, que no seu programa “O Exame de Dona Rosete”, na TSF, fez uma rábula com o tema, afiança que “é muito estranho a música não passar nas rádios”, e considera pertinente que se investigue porquê.

Contactados pelo Expresso, os directores das maiores rádios nacionais refutam a ideia de qualquer tipo de censura, quer vinda do exterior quer criada internamente. António Mendes, director de programas da RFM, afirma que aquela é uma rádio musical que tem por objectivo tocar e fazer sucessos e que o boom do ‘Sr. Engenheiro’ nos jornais e televisões (recorde-se que o primeiro vídeo do tema passado pelo ‘Jornal Nacional’ da TVI foi para o ar a 15 de Abril) chegou a meio da fase de lançamento de “Perfeito Vazio”. António Mendes adianta, no entanto, que a canção “se trata de um fenómeno político e não de um fenómeno popular”. Nelson Cunha, director de programas da Mega FM, vai mais longe, explicando que a rádio “não está vocacionada para questões políticas, nem quer disso fazer bandeira. Os nossos princípios são de isenção musical e política”.

José Marinho fala em nome da Antena 3, a única rádio que passou a canção portuguesa mais polémica da última década. “Não fazia sentido sermos a única rádio a tocar o tema. Fazê-lo isoladamente podia não ter bons resultados para nós, ainda por cima quando o tema ainda nem tem suporte vídeo”, afirma. “Mas isso não significa que a canção esteja proscrita e que não venha a ser tocada num futuro próximo. Há três eleições a caminho e o tema é quente”, conclui.

Também Pedro Abrunhosa, que em 1995 fez furor com ‘Talvez F…”, música que se transformou num hino anti-Cavaco (era então primeiro-ministro em final de mandato, tal como Sócrates agora), não quis comentar o assunto. Recorde-se que as improvisações do músico à letra da canção, substituindo o “e eu e tu o que é que vamos fazer”, por “e eu e a Maria o que é que vamos fazer”, não fizeram com que o tema fosse excluído das rádios.

Comentário:


Portugal voltou aos tempos da censura. Agora é a editora e os directores de programas radiofónicos que cebsuram canção contra o Sr. Inginheiro.

Belo fascismo mascarado de democracia


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Roubalheira P.S. em Matosinhos

Pagos 23 mil euros a mais a adjuntos do presidente

Inspecção da IGAL considera despesas ilegais e envia caso para o Tribunal

00h26m

INÊS SCHRECK

A Câmara de Matosinhos pagou cerca de 23 mil euros em trabalho extraordinário a um chefe de gabinete do presidente e a dois adjuntos em 2006 e 2007. A IGAL considera as despesas nulas e vai participar o caso ao Tribunal.

As remunerações, num total de 22971,53 euros, respeitam a trabalho em dias de descanso/feriados de um ex-chefe do Gabinete de Apoio Pessoal (GAP) de Guilherme Pinto e de dois ex-adjuntos do mesmo gabinete. O primeiro recebeu, nos dois anos, 13421,26 euros em trabalho extraordinário. Um dos ex-adjuntos auferiu 8913,47, no mesmo período, e o outro 636,80 euros, em 2007.

Os pagamentos ao ex-chefe de gabinete do presidente da Câmara foram efectivados todos os meses, sendo que na maioria dos casos representaram um acréscimo de 714 euros ao salário mensal.

Os valores constam do relatório da inspecção ordinária sectorial da IGAL (Inspecção-Geral da Administração Local) a que o JN teve acesso. A acção inspectiva incidiu sobre as áreas de Urbanismo e de Pessoal no período entre Julho de 2004 e Junho de 2008.

O documento, datado de Abril, vai ser discutido amanhã na reunião privada do Executivo, a pedido da IGAL por se tratar de matéria sigilosa.

As autorizações para a realização do trabalho extraordinário, em 2006 e 2007, e para o respectivo pagamento foram sempre assinadas e despachadas pelo presidente da Câmara de Matosinhos.

Contactado pelo JN, Guilherme Pinto nega que estejam em causa actos ilegais e discorda da interpretação do inspector, alegando que há pareceres formais de outras regiões que indicam que esta é uma prática normal nas autarquias. “Quem trabalha tem direito a receber”, justificou o autarca, adiantando que a Câmara está a preparar uma resposta à IGAL nesta matéria e noutras que lhe foram desfavoráveis (ler textos na página seguinte). Tem um prazo de 15 dias.

Para concluir pela ilegalidade das remunerações, o inspector que assina o relatório, invoca, entre outros, o número 5 do artigo 74º da Lei das Autarquias Locais (169/99 de 18 de Setembro) que diz que “os membros dos gabinetes de apoio pessoal não podem beneficiar de quaisquer gratificações ou abonos suplementares não previstos na presente disposição, nomeadamente a título de trabalho extraordinário”.

Face àquela norma, que a IGAL entende ser de “sentido claro e unívoco”, “as aludidas despesas não eram permitidas por lei e, assim, os actos que as determinaram ou autorizaram são nulos”, pode ler-se no relatório da Inspecção- Geral da Administração Local.

Vai, por isso, participá-los ao Ministério Publico junto do Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) do Porto, “com vista à eventual interposição de acção administrativa especial para declaração das nulidades”.

Mas, para além da invalidade administrativa dos actos, a IGAL alerta que a violação das aludidas normas que regem as Autarquias Locais pode gerar “diversos tipos de responsabilidade, como a financeira, a tutelar, a disciplinar e a criminal”. Para apuramento da responsabilidade financeira, a informação vai ser participada ao Tribunal de Contas.

A IGAL analisou ainda questões relativas à estrutura orgânica e quadro de pessoal, incluindo a reintegração do pessoal do SMAS na Autarquia, mas não encontrou qualquer situação ilegal ou irregular.

A acção inspectiva também não encontrou ilegalidades ou irregularidades no que toca ao pessoal do quadro e de fora do quadro e salienta que o Município de Matosinhos “cumpriu a imposição legal de, em 2006, manter as despesas com pessoal ao nível de 2005″.


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Editora de Berlusconi recusa livro de Saramago

29-Mai-2009
José Saramago considera natural a recusa da editora de BerlusconiA editora italiana Einaudi, propriedade do primeiro ministro italiano, recusou-se a publicar a tradução italiana de “O Caderno”, de José Saramago, por conter duras críticas a Silvio Berlusconi. Saramago chama-lhe “delinquente, corrupto, um líder mafioso”. A Einaudi teve até hoje o exclusivo da publicação dos livros de Saramago em Itália, mas desta vez o seu livro ficará a cargo de outra editora.

A notícia é avançada pelo diário italiano “Corriere della Sera”. O livro mais recente de Saramago – O Caderno – que reúne vários textos publicados no seu blogue, não vai ser publicado pela editora que já tinha feito saír 20 títulos do prémio nobel em Itália. A razão é simples: a Eunadi é propriedade de Silvio Berlusconi e terá pedido a Saramago para eliminar algumas passagens do livro, algo que o escritor português recusou. A obra deverá agora ser publicada pela Bolatti Boringhieri, uma editora importante, mas pouco conhecida.

A Eunadi não publica o livro principalmente pelo artigo intitulado “Berlusconi e Companhia“, em que Saramago escreve: “Realmente, na terra da mafia e da camorra, que importância poderá ter o facto provado de o primeiro ministro ser um delinquente?” E prossegue: “Numa terra em que a justiça nunca gozou de boa reputação, que mais dá que o primeiro-ministro faça aprovar leis à medida dos seus interesse, protegendo-se contra qualquer tentativa de punição dos seus desmandos e abusos de autoridade?”

Um dos últimos textos de Saramago sobre Berlusconi chama-se “Suborno“, referindo-se ao caso em que o primeiro-ministro italiano terá subornado o advogado britânico David Mills para “se limpar”, tendo este advogado sido condenado a quatro anos e meio de prisão, sem que nada acontecesse a Berlusconi. Saramago termina desta forma o artigo: “Que uma vez digam e que se ouça em todo o mundo: “Demasiado abusaste de nós, Berlusc, a porta está ali, desaparece”. E se essa porta for a da prisão, então poderemos dizer que justiça terá sido feita. Finalmente.”

Reagindo à decisão da Eunadi, citado pela revista L’Espresso” José Saramago mostrou-se conformado. “Simplesmente acontece que a editora é propriedade de Silvio Berlusconi, compreendo, entendo muito bem que a editora não queira editar livros que atacam o proprietário, atacam ou criticam”. E acrescenta: “Isto não é nada dramático, é assim, até tenho a informação de que a Einaudi sofreu por se ter atrevido a publicar livros contra Silvio Berlusconi”. No entanto, é na própria obra que Saramago trata com ironia a editora. “Uma vez que estou publicado na Itália pela Einaudi, que é propriedade de Berlusconi, fi-lo ganhar algum dinheiro”, afirma o escritor.


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80 mil professores manifestam-se em Lisboa

Este é já o terceiro protesto deste ano lectivo

30 Maio 2009 – 19h12

Docentes contra políticas educativas

80 mil professores manifestam-se em Lisboa

Mário Nogueira, Secretário-Geral da FENPOF, discursou este sábado, em Lisboa, para cerca de 80 mil professores que chegaram de todo o País para participar na manifestação que ligou o Marquês de Pombal aos Restauradores. Na terceira acção nacional do sector desde 2006, o Porta-Voz da Plataforma Sindical dos Professores manifestou descontentamento com o “desrespeito” pelos docentes, e considerou a actual Legislatura “a mais difícil que há memória no Portugal democrático”.

“Grandiosa” foi a palavra utilizada por Mário Nogueira para sublinhar a importância destas manifestações e destacar a adesão dos professores que se opõem às políticas educativas do Governo. Os nomes do pimeiro-ministro, José Sócrates, e da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foram os principais alvos das críticas dos docentes que se revêem no papel de “alvos a abater” pelo “castigo” aplicado pelo Ministério da Educação. Mário Nogueira felicitou os que “sabem que têm razão” por não terem voltado as costas à luta, apesar de terem sido “desrespeitados e atacados” pelo Governo que “promove vínculos de emprego precários e instáveis”.

Mário Nogueira falou ainda da “intimidação” exercida no início da Legislatura e do “desrespeito” de Maria de Lurdes Rodrigues ao afirmar que “quando uma criança abandona a escola é porque já foi abandonada pelos seus professores”.

A Plataforma Sindical dos Professores prometeu não desistir da “luta” e pressionar o Ministério da Educação nos três processos negociais que vão decorrer e onde pretendem a revisão do Estatuto da Carreira de Docente, a substituição do modelo de avaliação vigente, e a aprovação das regras para a elaboração dos horários dos professores.

A terminar, foi ainda provada uma moção em que os professores consideram que a Escola foi “degradada”  pelo “desânimo e a revolta” instalados nos professores” e pela burocracia imposta no sector. Os professores acusam ainda o Ministério da Educação de ter criado “uma imagem socialmente negativa da classe docente”.

Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, Ilda Figueiredo, da CDU e Diogo Feio, do CDS-PP, também estiveram presentes na manifestação desta tarde.


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Professores: Protesto é “lição de dignidade”

Foram 80 mil os docentes que hoje voltaram à rua, num protesto que foi tido como “uma lição de dignidade” para o Ministério da Educação.

O porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores declarou hoje, no discurso da manifestação dos docentes em Lisboa, que o protesto é “uma lição de dignidade para quem há-de levar com mais lições”, referindo-se ao Ministério da Educação (ME).

Recordando declarações de responsáveis do ME que hoje admitiram não estarem preocupados com a manifestação, Mário Nogueira afirmou que o protesto significa uma “vitória dos professores” e que aquelas declarações “valem o desrespeito e desprezo” dos docentes.

Classificando a manifestação de “extraordinária” e calculando em 80 mil o número de participantes, Mário Nogueira criticou as políticas educativas do Governo, apelidando a ministra da Educação e o primeiro-ministro de “incompetentes”, “prepotentes” e “arrogantes”.

Voltando a não admitir que o Governo possa alcançar novamente uma maioria absoluta nas legislativas de Outubro, Mário Nogueira referiu-se a Maria de Lurdes Rodrigues e a José Sócrates como “gente que não sabe governar e que não legitima a maioria absoluta porque a transforma em ditadura de incompetência, prepotência e arrogância”.

O também dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof) criticou igualmente “a manipulação de números e de resultados” do programa Novas Oportunidades e das iniciativas ligadas à distribuição do computador Magalhães.

Lembrou o “cansaço” e o “desgaste” dos professores, mas sublinhou que o protesto de hoje superou qualquer cansaço, atraindo muitos milhares de docentes a Lisboa.

O porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores recordou que “a manifestação pode ser ainda muito importante na negociação de três pontos: continuação da revisão do estatuto da carreira docente, reforma do modelo de avaliação de desempenho e a negociação do despacho que estabelece a organização do ano lectivo”.

Apesar do cansaço, Mário Nogueira disse que é preciso continuar a negociar porque “o óptimo para eles (governo) é que os professores não voltassem a negociar”. “O bom era se não estivéssemos reunidos aqui hoje”, acrescentou o dirigente da Fenprof.

“Mas hoje queremos dizer adeus a um dos períodos mais negros da história da Educação em Portugal”, rematou.

As duas últimas manifestações nacionais de professores, a 08 de Março e 08 de Novembro do ano passado, reuniram em Lisboa 100 mil e 120 mil pessoas, respectivamente, segundo as estruturas sindicais.

Expresso


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Cavaco deve declarar que perdeu a confiança em Dias Loureiro, diz Miguel Portas

Miguel Portas. Foto de Paulete Matos

“A situação de Dias Loureiro ficou insustentável”, declarou Miguel Portas, em nome do Bloco de Esquerda, na noite desta terça-feira. O cabeça-de-lista às eleições europeias lançou o desafio ao presidente da República: “Sabemos que não pode demitir Dias Loureiro, mas pode e deve declarar que perdeu a confiança no seu conselheiro de Estado”. Miguel Portas afirmou ainda que Vítor Constâncio não tem mais condições políticas de continuar a ser responsável pela supervisão que nunca existiu.

Miguel Portas falou para as mais de cem pessoas que se reuniram num jantar de campanha em Tomar. Diante das declarações do ex-presidente do BPN Oliveira e Costa, que afirmou que Dias Loureiro mentiu aos deputados nos dois depoimentos que fez na Comissão de inquérito parlamentar, era inevitável que o dirigente bloquista abordasse o tema.

Miguel Portas salientou que “a limpeza na vida política” exige uma palavra do Presidente da República. “Qualquer silêncio do Presidente da República neste momento é evidentemente comprometedor. Nós sabemos que o BPN era um banco feito, construído e erguido à sombra do poder laranja; mas que o Presidente da República não prolongue por mais tempo uma declaração. O ruído do silêncio seria ensurdecedor”.

Relativamente ao governador do Banco de Portugal, o eurodeputado disse não acreditar que Vítor Constâncio continue a ter “condições políticas” para se manter como responsável pela supervisão da banca privada em Portugal, uma supervisão que nunca funcionou.

“Não é natural que o Banco de Portugal continue a ter como presidente um homem que está evidentemente com sérios problemas de credibilidade em função da história que se vai conhecendo, a cada novo depoimento que surge na comissão de inquérito da Assembleia da República”, sublinhou.

Francisco Louçã também abordou o tema, dizendo que Oliveira e Costa relatou histórias das arábias no Parlamento: “Entra a família real saudita, entra um embaixador el-Rachid, entra Kadafi; entra a Carlyle, um grupo que foi dirigido por um director da CIA que foi, aliás, embaixador dos EUA em Portugal. Entram todos os interesses mais penumbrosos que possam imaginar. Se somássemos todas as telenovelas, de todos os horários, de todos os canais de televisão e juntássemos tudo o que há de picante em todas elas, estavam resumidas na história do BPN.

Leia também:

Caso BPN: Oliveira e Costa acusa Dias Loureiro de mentir

Fonte: Esquerda.net


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“Proteger a democracia”

O”pequeno líder” socialista açoriano ambiciona, está visto, ser “grande líder” e já anda a apresentar publicamente “grandes ideias”. A última é obrigar os cidadãos, visto que a maior parte não o faz de livre vontade, a votar. Diz a Lusa que “Carlos César [defende] o voto obrigatório nas eleições em Portugal como forma de ‘proteger’ a democracia”. César pretende “proteger” a democracia …dos cidadãos. Como? Tirando-lhes liberdade. Tendo acorrido em massa às urnas no pós-25 de Abril, os cidadãos deixaram pouco a pouco de o fazer porque concluíram que não valia a pena. E quem os levou a tal conclusão foram políticos como Carlos César, que governa os Açores com uma “maioria absoluta” de… 20,8% (40 mil votos, em mais de 192 mil inscritos). Nas últimas eleições, 53% dos açorianos (essa sim, a maioria absoluta) fizeram um manguito a César e congéneres e ficaram em casa. São esses que ele quer agora obrigar, a bem ou a mal, a confiar nos políticos. Não lhe passa, claro, pela cabeça “proteger” a democracia dos políticos. Obrigando-os, por exemplo (seria um bom começo), a cumprir promessas eleitorais.

Fonte: J.N. por Manuel Pina


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Agricultores alemães exigem ajudas como as dadas aos bancos

“Banqueiros tiveram chapéu protector, agricultores têm buraco financeiro”, lia-se nos cartazes que os agricultores empunhavam em Frankfurt.

Milhares de agricultores alemães manifestaram-se contra a queda de preços dos produtos agrícolas e para exigir ao governo de Angela Merkel ajudas financeiras semelhantes às concedidas à banca e à indústria.

foto THOMAS LOHNES/AFP
Agricultores alemães exigem ajudas como as dadas aos bancos
Agricultores alemães exigem apoios

Os agricultores desfilaram pelo bairro dos bancos da Eça financeira alemã, e o presidente da respectiva confederação, Gerd Sonnleitner, fez-se fotografar junto ao edifício da Bolsa de Frankfurt com um porco vivo que tinha no lombo a inscrição “Banken haben Schwein gehabt” (os bancos tiveram porco, que na gíria alemã significa tiveram sorte).

Nos cartazes que os agricultores empunhavam, lia-se também “Banqueiros tiveram chapéu protector, agricultores têm buraco financeiro”, ou ainda “exigimos preços justos por trabalho duro”.

Tal como já havia feito em idêntica manifestação em Berlim, na segunda-feira, Sonnleitner afirmou que os agricultores alemães “precisam tanto de um pacote conjuntural, como outros profissionais ou como a indústria automobilística”.

Num comício eleitoral dos democratas-cristãos, na quinta-feira à noite, em Mainz, a chanceler Angela Merkel apelou aos consumidores para se solidarizarem com os agricultores.

“Não é possível que a águia mineral seja mais barata do que o leite”, observou a chanceler, que hoje à tarde receberá uma delegação de produtoras de leite, depois de estas terem feito uma vigília e uma greve de fome, diante da Chancelaria Federal, em Berlim, na semana passada.

A ministra da Agricultura, Ilse Aigner, anunciou na segunda-feira que o governo irá abrir linhas de crédito bonificado para os agricultores, e interceder junto de Bruxelas para que as ajudas directas que estes têm a receber no fim do ano sejam pagas antecipadamente.

Fonte: J.N.


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Sindicatos esperam mais de 50 mil professores na manifestação de sábado

29.05.2009 – 09h11 Lusa

A Plataforma Sindical espera mais de 50 mil professores na manifestação de sábado, admitindo, porém, que a adesão poderá chegar a valores próximos dos registados no protesto de 8 de Março de 2008, que reuniu em Lisboa 100 mil pessoas.
“Todos os indícios que temos vão no sentido de uma extraordinária manifestação, que contará com mais de 50 mil professores na rua, podendo mesmo aproximar-se dos níveis de participação do protesto de 8 de Março”, afirmou o porta-voz da plataforma que reúne os sindicatos do sector, Mário Nogueira, em declarações à agência Lusa.

As duas últimas manifestações nacionais de professores, a 8 de Março e 8 de Novembro do ano passado, reuniram em Lisboa 100 mil e 120 mil pessoas, respectivamente, segundo as estruturas sindicais.

Já Lucinda Manuela, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, recusou-se a adiantar números, mas diz que estarão presentes “milhares e milhares” de professores, numa “grande manifestação”.

“O descontentamento continua a ser muito grande e será uma grande manifestação. Mesmo que a adesão não seja igual à das manifestações anteriores, isso não significa que os professores não estão mobilizados. Significa que estão com muito trabalho com o final do ano lectivo e algum cansaço também”, afirmou.

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) admitiu também que os docentes estão “cansados e desanimados”, mas que não perderão a oportunidade de, em final de legislatura, fazer um balanço das políticas educativas do Governo socialista, sobre as quais existe um “profundo desacordo”.

“Também é tempo de pensar no futuro: os partidos políticos estão a preparar os programas eleitorais e têm de assumir compromissos e dizer quais são as suas prioridades para a área da Educação. Dizer também como vão corrigir as graves distorções e injustiças que existem hoje na carreira dos professores”, defendeu o sindicalista, lembrando que “será mais fácil negociar com um Governo que não tenha maioria absoluta”.

Lutas não acabaram

No entanto, para Mário Nogueira, isso não é sinal que a manifestação de sábado, entre o Marquês de Pombal e a Praça dos Restauradores, em Lisboa, signifique que acabaram as lutas contra a equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

Adianta que tudo depende de três negociações que se aproximam: a continuação da revisão do Estatuto da Carreira Docente, a revisão do modelo de avaliação de desempenho e a negociação do despacho que estabelece a organização do ano lectivo, que ditará, entre outras, as regras para a elaboração dos horários dos professores.

Quanto à FNE, Lucinda Manuela adianta que a federação vai sempre privilegiar a negociação em vez da luta, esperando encontrar no próximo Governo um parceiro disponível para processos negociais “sérios, verdadeiros, rigorosos e efectivos”.

“Este Ministério da Educação exigiu sempre que fossem os sindicatos a abdicar. Não abdicou um milímetro naquilo que foi sempre total e absolutamente rejeitado pelos professores: a divisão da carreira em categorias hierarquizadas, a existências de vagas no acesso a professor titular e as quotas para atribuição de ‘muito bom’ e ‘excelente’ na avaliação de desempenho”.
O protesto de sábado, convocado por todos os sindicatos do sector, tem como objectivo exigir a revisão “efectiva” do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão e substituição do actual modelo de avaliação de desempenho.

Fonte: publico


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Fernando Sobral- O bando dos quatro

O BPN ficará para a história como o banco que apagou a nitidez das nossas certezas sobre a democracia portuguesa. Pouco sobra de um monte de verdades e de mentiras que se vão acumulando à espera da incineração total. O BPN tornou-se o Frankenstein da democracia. O que diz Oliveira e Costa e o que não dizem Dias Loureiro ou Joaquim Coimbra são o Jekyll e o Hyde desta alucinação. O BPN é a tatuagem do País pós-1974 e os seus actores são figuras parecidas com a criança adorável de “O Exorcista”. Entre o bem e o mal deixou de existir uma fronteira neste país. Portugal não é um país normal. Mente-se e desmente-se. E o País, a começar pela justiça, fica parado, como se estivesse a ver uma telenovela. Como se o BPN fosse uma ficção muito bem contada. Não é. As declarações de Oliveira e Costa são apenas a ponta do icebergue, porque este, adivinha-se, é misterioso e sombrio como as profundezas do oceano. Oliveira e Costa não quer ser Calígula: assassinado, ninguém sabia quem lhe poderia suceder. E Cláudio foi escolhido porque a Guarda Pretoriana o encontrou atrás das cortinas. Aqui já não há cortinas. Dias Loureiro já não pode dizer que está atrás delas. Ou se demite de um cargo moral (Conselheiro de Estado) ou Cavaco Silva deve convidá-lo a partir, até porque nada mais pode fazer. Oliveira e Costa puxou da adaga e mostrou parte do que se esconde por detrás da cortina onde esteve o núcleo duro de Cavaco. A fragilidade do Presidente vem daí. Mas o BPN não é um “bando dos quatro”. É a bandalheira da nossa democracia.

Fonte: J. Neg.


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Os Dinheiros Para As Obras De Propaganda, Digo, De Modernização

Para José Sócrates desde sempre e agora para Vital Moreira o investimento público na modernização das escolas é um dos principais argumentos de propaganda e, no momento presente, da campanha eleitoral.

O problema é que esta propaganda é feita com base em dinheiros da UE e não em investimento directo do orçamento de Estado.

Basta ver as placas de licenciamento das obras:

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Retirado da A educação do meu umbigo


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Partido Socialista deixa cair Vítor Constâncio

Direcção da bancada parlamentar socialista já interiorizou ser impossível ilibar o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, face aos indícios da actuação negligente daquela instituição face ao que se passava no Banco Português de Negócios, obtidos pela comissão parlamentar de inquérito ao chamado ‘caso BPN’.

O PS já decidiu: vai deixar cair Vítor Constâncio. O relatório final da comissão parlamentar de inquérito ao BPN será crítico para com a actuação do governador do Banco de Portugal neste caso. E sê-lo-á com o consentimento da maioria socialista na comissão.

Face à acumulação de indícios na comissão de inquérito apontando para uma actuação negligente do banco central face ao Banco Português de Negócios, a direcção da bancada parlamentar socialista já percebeu que é impossível ilibar Constâncio. Isto por mais importante que seja a ligação histórica do governador ao PS (foi secretário-geral do partido de 1986 a 1989). “É impossível não criticarmos”, admitiu ontem ao DN um membro da direcção parlamentar socialista.

Resta agora saber as consequências políticas que terá sobre a continuidade de Constâncio como governador a aprovação de um relatório crítico da comissão de inquérito. Por lei, um processo de exoneração forçada é muito complexo, tendo que passar pelo Banco Central Europeu, que nos seus estatutos garante a independência dos chefes dos bancos centrais face aos respectivos governos. A nomeação ocorre por proposta do ministro das Finanças, em resolução do Conselho de Ministros.

Falhando o apoio do PS na comissão parlamentar de inquérito, isso significa que deixa de existir o apoio do respectivo Governo. Foi um governo do PS que nomeou Constâncio governador pela primeira vez (Fevereiro de 2000) e foi um Governo do PS (o actual) que o reconduziu (Maio de 2006). O consulado do ex-secretário-geral do PS à frente do banco central “apanhou” todo o processo de degradação do BPN, que levou à necessidade, inédita desde o período revolucionário, de o Governo nacionalizar o banco, para evitar a sua falência. O “buraco” no BPN está avaliado em 1800 milhões de euros.

A constatação, pelo PS, de que é impossível ilibar o governador de responsabilidades no caso, será, no conjunto das pressões para que Constâncio se demita, uma espécie de cereja no topo do bolo.

As vozes mais veementes defendendo que se deve demitir têm-se ouvido no CDS. Começando por Paulo Portas, líder do partido, e acabando em Nuno Melo, o coordenador dos deputados centristas na comissão de inquérito. Em Novembro do ano passado, face a exigências de Portas para que se demitisse, Constâncio respondeu: “Nada me pesa na consciência em termos de ter cometido qualquer acto, deliberado ou por omissão, para ter contribuído para esta situação.”

O PCP exige o mesmo. Anteontem o deputado Honório Novo, membro da comissão parlamentar de inquérito, afirmou que “Vítor Constâncio já tem matéria de facto e de conteúdo para ter pedido a sua demissão.” Fê-lo quando confrontado com o facto de o Banco de Portugal ter recusado enviar vários documentos requeridos pela Assembleia. “A punição para o crime de desobediência qualificada está definida no código penal com pena de prisão ou multa”, comentou o parlamentar comunista. O Bloco também há tinha pedido a demissão do governador. Constâncio disse ontem, no Parlamento, que a oposição lhe faz exigências de supervisão que transformariam o banco central numa espécie de “KGB e FBI juntos”.

Na oposição, o PSD foi, até agora, o único partido que não exigiu a Constâncio que se demitisse. Na verdade, dentro do PSD, só o ex-líder Luís Filipe Menezes se pronunciou nesse sentido. Em Março passado, num jantar promovido por um blogue do Porto, o presidente da câmara de Gaia disse que “há muito” que Constâncio se deveria ter demitido do cargo. “Não digo que tenha tido algo a ver [com o escândalo no BPN] mas Jorge Coelho também nada teve a ver com a queda da Ponte de Entre-os-Rios e demitiu-se quando ela aconteceu”, disse.

Já em Janeiro do ano passado, Menezes tinha pedido o mesmo – então ainda líder do PSD – por causa do escândalo à volta do BCP. “Queremos saber se o governador do Banco de Portugal há três anos sabia exactamente o mesmo que soube dias atrás quando tomou a iniciativa de inibir um conjunto de administradores do BCP. Se isso se vier a verificar nós vamos exigir que seja demitido, que seja afastado do seu cargo”, disse então.


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Guerra retorna a casa à Grã-Bretanha

A liberdade está a perder-se na Grã-Bretanha. A terra da Magna Carta é agora a terra das ordens secretas de silenciamento, dos julgamentos secretos e do aprisionamento. O governo irá em breve ter conhecimento de cada telefonema, de cada e-mail, de cada mensagem de texto.
Artigo de John Pilger, publicado em Informação Alternativa

A polícia pode atirar deliberadamente a matar sobre um homem inocente, mentir e esperar sair-se com a sua. Comunidades inteiras temem agora o estado. O Ministro dos Negócios Estrangeiros encobre rotineiramente alegações de tortura; o secretário da justiça impede rotineiramente a libertação de minutas críticas do governo tomadas quando o Iraque foi invadido ilegalmente. A ladainha é superficial; há muito mais.

Na verdade, há tanto mais que a erosão das liberdades liberais é sintomática de um estado criminal evoluído. O paraíso para os oligarcas russos, juntamente com a corrupção dos sistemas fiscal e bancário e dos outrora admirados serviços públicos, tais como os Correios, é uma das faces da moeda; a outra é a carnificina invisível das guerras coloniais falhadas. Historicamente, o padrão é familiar. Tal como os crimes coloniais na Argélia, no Vietname e no Afeganistão explodiram de retorno para os seus perpetradores – a França, os Estados Unidos e a União Soviética -, também os efeitos cancerígenos do cinismo da Grã-Bretanha no Iraque e no Afeganistão retornaram para casa.

O exemplo mais óbvio são as atrocidades bombistas em Londres em 7 de Julho de 2005; ninguém no mandarinato dos serviços de informações britânicos duvida que estas foram um presente de Blair. “Terrorismo” descreve apenas alguns actos de indivíduos e grupos, e não a violência constante e industrial das grandes potências. A supressão desta verdade é deixada para os media credíveis. Em 27 de Fevereiro, o correspondente de Washington do Guardian, Ewen MacAskill, ao relatar a declaração do Presidente Obama de que a América estava finalmente a deixar o Iraque, como se fosse verdade, escreveu: «Para o Iraque, o número de mortos é desconhecido, na ordem das dezenas de milhares, vítimas da guerra, de uma revolta nacionalista, de uma luta interna sectária e dos jihadistas atraídos pela presença dos EUA». Assim, os invasores anglo-americanos são apenas uma «presença» e não directamente responsáveis pelo “desconhecido” número de mortes iraquianas. Uma tal contorção do intelecto é impressionante.

Em Janeiro do ano passado, um relatório elaborado pela respeitada Opinion Research Business (ORB) reviu uma anterior avaliação das mortes no Iraque para 1.033.000. Isto seguiu-se a um estudo exaustivo e revisto por pares em 2006 pela mundialmente reputada Faculdade de Saúde Pública John Hopkins, nos EUA, publicado na revista The Lancet, que constatou que 655.000 iraquianos tinham morrido como resultado da invasão. Funcionários estadunidenses e britânicos imediatamente despacharam o relatório como “defeituoso” – um engano deliberado. Documentos do Ministério dos Negócios Estrangeiros obtidos ao abrigo da Lei de Liberdade de Informação revelaram um memorando escrito pelo principal consultor científico do governo, Sir Roy Anderson, no qual ele elogiou o relatório de The Lancet, descrevendo-o como «robusto e emprega métodos que são considerados como próximos das “melhores práticas” dadas [as condições] no Iraque». Um assessor do primeiro-ministro comentou: «A metodologia utilizada aqui não pode ser maculada, trata-se de uma forma experimentada e testada de medir a mortalidade em zonas de conflito». Falando alguns dias depois, um ministro dos Negócios Estrangeiros, Lord Triesman, disse: «A forma pela qual os dados são extrapoladas a partir de amostras para um resultado geral é um motivo de profunda preocupação».

O episódio ilustra a escala e o engano deste crime de estado. Les Roberts, co-autor do estudo da revista The Lancet, tem argumentado desde então que a Grã-Bretanha e a América podem ter causado no Iraque «um episódio mais mortífero do que o genocídio ruandês». Isto não é notícia. Também não o é uma referência crítica na campanha pelas liberdades organizada pelo colunista do Observer, Henry Porter. Numa conferência realizada em Londres em 28 de Fevereiro, Lord Goldsmith, procurador-geral de Blair, que notoriamente mudou de opinião e que aconselhou o governo de que a invasão era legal, quando não o era, foi um orador a favor da liberdade. Também o foi Timothy Garton Ash, um “intervencionista liberal”. Em 9 de Abril de 2003, pouco depois da carnificina ter começado no Iraque, um Garton Ash eufórico escreveu no The Guardian: «A América nunca foi o Grande Satã. Foi por vezes o Grande Gatsby: “Eles foram pessoas descuidadas, o Tom e a Daisy – quebravam coisas…”». Uma das funções da Grã-Bretanha «é continuar a lembrar ao Tom e à Daisy que eles agora têm promessas a cumprir». Menos frivolamente, ele louvou Blair pelo seu «forte instinto gladstoniano pela intervenção humanitária», e repetiu a propaganda do governo sobre Saddam Hussein. Em 2006, escreveu: «Agora nós enfrentamos o próximo grande teste do oeste após o Iraque: o Irão». (O itálico de “nós” é meu). Isto também adere precisamente à propaganda; David Milliband declarou o Irão uma «ameaça» possivelmente em preparação para a próxima guerra.

Como tantos do grupo dos mais papistas que o Papa do Novo Partido Trabalhista, Henry Porter celebrou Blair como um político quase místico que «se apresenta como um harmonizador de todos os interesses antagónicos na vida britânica, um conciliador de diferenças de classe e antipatias tribais, sintetizador de crenças antagónicas». Porter despachou como «disparate demoníaco» todas as análises dos ataques de 9/11 que sugeriram que existissem causas específicas: as consequências das acções violentas empreendidas pelos poderosos no Oriente Médio. Tal pensamento, escreveu, «corresponde exactamente aos pontos de vista de Osama bin Laden… com os que odeiam a América, isso é tudo o que existe – ódio». Este, obviamente, era o ponto de vista de Blair.

As liberdades estão a perder-se na Grã-Bretanha devido ao rápido crescimento do “estado de segurança nacional”. Esta forma de militarismo foi importada dos Estados Unidos pelo Novo Partido Trabalhista. Totalitária na essência, apoia-se na invocação do fantasma do medo para entrincheirar o executivo com mecanismos legais venais que diminuem progressivamente a democracia e a justiça. A “segurança” é tudo, como também o é a propaganda que promove guerras coloniais rapaces, mesmo como erros honestos. Afastem essa propaganda, e as guerras são expostos por aquilo que são, e o medo evapora-se. Afastem a reverência de muitos na elite liberal britânica para com o poder americano e ficam reduzidos a uma profunda mentalidade colonial de cruzado que encobre criminosos épicos como Blair. Processem esses criminosos e mudem o sistema que os cria e terão liberdade.

Fonte: site de John Pilger, jornalista, escritor, autor de diversos documentários cinematográficos.


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Bloco causa Terror no P.S.

Eleições europeias
Vital Moreira sempre com “generais” socialistas por perto
27.05.2009 – 16h43 Lusa

Os “generais” do PS estão agora a ter uma presença quase constante ao lado do seu cabeça de lista, Vital Moreira, quando o Bloco de Esquerda começa a fazer companhia ao PSD como alvo dos ataques.
Mais do que pela presença de escassas centenas de apoiantes, o comício de terça-feira à noite do PS em Vila Real foi significativo do ponto de vista político, porque representou um momento de viragem na campanha socialista.

Vital Moreira subiu à tribuna para dizer que Bloco de Esquerda e PCP são a mesma coisa no Parlamento Europeu.

Mas ao tentar colocá-los no mesmo saco o seu objectivo foi sobretudo lançar dúvidas sobre o real cariz político dos bloquistas, advertindo que eles se sentam em Estrasburgo numa bancada em que os comunistas europeus estão em larga maioria.

“É importante que tenhamos em mente que o Bloco de Esquerda, que presume autonomia face ao PCP – e uma alternativa face aos comunistas portugueses em matérias europeia e nacional – por opção própria, escolheu juntar-se ao PCP no mesmo grupo europeu”, advertiu Vital Moreira, deixando assim um recado aos eleitores socialistas que admitem agora votar no Bloco.

Mas este comício de Vila Real foi ainda marcado pela intervenção do dirigente socialista Pedro Silva Pereira, que, usando a ironia, lançou dúvidas sobre a capacidade política da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, e criticou directamente o cabeça de lista social-democrata, Paulo Rangel.

Vital Moreira e Paulo Rangel “são ambos juristas. O problema é que Portugal precisa na Europa não de um advogado de acusação, mas de um advogado de defesa dos interesses dos europeus e dos portugueses”, disse.

Nestes dias em que a caravana anda por regiões do interior (Trás-os-Montes, Beira Baixa e Beira Interior), o argumentário dos socialistas passa também por contrapor a defesa que o Governo diz fazer do investimento público e do Estado social com a posição alegadamente contrária do PSD.

“Como pode alguém do interior do país votar em quem é contra os investimentos em novas acessibilidades e em quem é contra o reforço da protecção social”, interrogou-se Silva Pereira, usando uma fórmula também já seguida por José Sócrates e o próprio Vital Moreira.

Desde o arranque da campanha em Coimbra (sábado passado), até ao dia de hoje no distrito da Guarda, Vital Moreira raramente esteve sozinho no palco dos comícios ou nas principais iniciativas da campanha.

José Sócrates aparece esta noite em Castelo Branco pela terceira vez, depois de na véspera Pedro Silva Pereira ter assinado o livro de presenças em Vila Real, e de o próprio presidente do PS, Almeida Santos, ter participado hoje em acções de rua em Seia e Guarda.
Apesar de todos estes sinais, em termos oficiais, nenhum dirigente socialista ainda assume que estas europeias podem constituir uma espécie de primeira volta das próximas eleições legislativas.