Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


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Os resultados das legislativas

Votantes
60,54%
Votantes: 5.658.757
Inscritos: 9.347.315
Partido Resultados Mandatos
PS

Partido Socialista

36,56%
2.068.635 votos

96 mandato(s) para o PS
PPD/PSD

Partido Social Democrata

29,09%
1.646.197 votos

78 mandato(s) para o PPD/PSD
CDS-PP

CDS - Partido Popular

10,46%
591.974 votos

21 mandato(s) para o CDS-PP
B.E.

Bloco de Esquerda

9,85%
557.109 votos

16 mandato(s) para o B.E.
PCP-PEV

CDU - Coligação Democrática Unitária

7,88%
446.174 votos

15 mandato(s) para o PCP-PEV
PCTP/MRPP

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses

0,93%
52.633 votos

0 mandato(s) para o PCTP/MRPP
MEP

Movimento Esperança Portugal

0,45%
25.338 votos

0 mandato(s) para o MEP
PND

Nova Democracia

0,38%
21.380 votos

0 mandato(s) para o PND
MMS

Movimento Mérito e Sociedade

0,29%
16.580 votos

0 mandato(s) para o MMS
PPM

Partido Popular Monárquico

0,27%
14.997 votos

0 mandato(s) para o PPM
P.N.R.

Partido Nacional Renovador

0,21%
11.614 votos

0 mandato(s) para o P.N.R.
MPT-P.H.

FEH - Frente Ecologia e Humanismo

0,21%
12.025 votos

0 mandato(s) para o MPT-P.H.
PPV

Portugal pro Vida

0,15%
8.485 votos

0 mandato(s) para o PPV
POUS

Partido Operário de Unidade Socialista

0,08%
4.320 votos

0 mandato(s) para o POUS
PTP

Partido Trabalhista Português

0,08%
4.789 votos

0 mandato(s) para o PTP
MPT

Partido da Terra

0,06%
3.241 votos

0 mandato(s) para o MPT
EM BRANCO

1.75%
98.992 votos
NULOS

1.31%
74.274 votos


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BE: Maioria absoluta seria «derrota imensa»

À elegante Rua de Santa Catarina, Louçã preferiu a proletária Cedofeita para uma arruada no Porto. Respondendo ao PS, disse que o Bloco não é «roupa velha» nem está «no canto da política»

Contra a maioria absoluta, marchar. É este o lema da campanha bloquista e nem um milímetro ao lado saem as declarações políticas de Francisco Louçã. Mas, com as sondagens a garantirem no papel que o PS perderá «o poder absoluto», o último dia é quase de festa antecipada. Louçã retomou esta tarde no Porto os ataques ao PS.

E respondeu a Vieira da Silva, que havia dito que o Bloco é «roupa velha», com um sound byte: «Nós não estamos no canto da política, estamos no centro da luta». O dia derradeiro está a ser passado no Porto, com uma incursão a Braga à hora de jantar. Porque, no Porto e em Braga, juntamente com Aveiro, «é que que se discute a maioria absoluta», segundo Louçã.

A arruada no Porto, esta tarde, percorreu a Rua da Cedofeita até à Praça Carlos Alberto. Uma artéria bem mais popular que a Rua de Santa Catarina, onde, no dia anterior, José Sócrates teve uma das mais concorridas acções desta campanha.

Na Cedofeita não se vêem lojas de roupa de marca, há sapatos a cinco euros e conjuntos de lingerie (da improvável marca ‘Caralino’) ao mesmo preço. Louçã e Miguel Portas revezaram-se nos beijinhos e cumprimentos.

A inevitável música ficou a cargo de dois tocadores de gaita de foles e outros tantos percussionistas. Com o colorido de alguns jovens bloquistas, a comitiva ganhou um aspecto pantomineiro. Louçã, visivelmente descontraído e bem disposto, demorou-se em conversas e não deixou escapar uma oportunidade de distribuir folhetos e sorrisos.

No final, mais circunspecto, Louçã disse aos jornalistas que se voltasse a repetir-se uma maioria absoluta do PS, no domingo, isso seria «uma derrota imensa para os trabalhadores» e para o Bloco também. Questionado sobre se ainda representa a extrema-esquerda, o líder da força que quer juntar «uma esquerda grande» admitiu que «também» a inclui.

Finda a arruada, que contou com João Semedo, João Teixeira Lopes e outros candidatos pelo Porto, a campanha bloquista rumou a Braga. Mais logo, de regresso ao Porto, Louçã subirá ao palco do Coliseu para o acto final.

manuel.a.magalhaes@sol.pt


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O Bloco de Esquerda já viu este filme

logo_bloco_de_esquerda01

O BE parece estar a reviver uma má história. Nas eleições de 2005, o PSD, enfraquecido pelos meses de governação de Santana Lopes, mal conseguiu enfrentar o PS, liderado pelo então recém-eleito José Sócrates. Perante a possibilidade de os socialistas alcançarem a sua primeira maioria absoluta, o BE concentrou todos os seus esforços no combate contra o PS. Hostilizar os socialistas era então, como agora, a palavra de ordem.
As palavras dos dirigentes do Bloco tentavam ferir um partido reanimado por Sócrates. E, ao mesmo tempo, serviam de resposta para os “acordos secretos” entre o BE e o PS, ventilados pelos sociais-democratas.
Estas eleições afiguram-se assim uma reconstituição das últimas legislativas. Embora desta vez o BE queira alcançar o terceiro lugar no pódio eleitoral e acredite vir a obter uma subida nas votações.

Vote Bloco de Esquerda para retirar a maioria ao PS.


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Louçã: “O que nos dá força é a coerência”

As prioridades pelas quais o Bloco de Esquerda se bate são as mesmas na sexta-feira, no domingo e as mesmas que continuará a ter na segunda-feira, assegurou Francisco Louçã: “O mesmo programa, as mesmas lutas. Uma esquerda forte, que merece a sua força, é uma esquerda de coerência, não pode deixar de ser nunca, nem por um minuto”. Cerca de 600 pessoas encheram o cine-teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, onde se realizou mais um comício do Bloco. Veja a galeria de fotos.

No dia em que José Sócrates pediu uma maioria “estrondosa” nas eleições de domingo, Louçã prometeu um contra-ataque para impedir a renovação da maioria absoluta do Partido Socialista.

Pegando na expressão usada por Sócrates, Louçã aproveitou para caracterizar as medidas dos 4 anos e meio do governo: “Estrondosa foi a política de Segurança Social, que não beneficiou os mais pobres, estrondoso é a perseguição e o ataque a quem trabalha e a quem já trabalhou, isso é estrondoso. Em Portugal já não há empregos, há contratos provisórios. Estrondoso”.

“Ainda querem mais?”, questionou.” Querem mais estrondo? Querem mais? Não, não, não queremos!”.

O coordenador do Bloco de Esquerda disse que a maioria absoluta significaria também a permanência das mesmas figuras que “já sabemos quem são”. E exemplificou com as alegadas negociações de cargos a troco de financiamento partidário que envolvem dirigentes socialistas, afirmando que elas são um exemplo da “irresponsabilidade absoluta” da maioria absoluta.

“Um antigo cabeça-de-lista do PS pelo círculo fora da Europa veio acusar José Lello, um dos dirigentes mais importantes do PS”, relatou Louçã, “que há quatro anos ele tinha recebido dinheiro de um mafioso que hoje está a ser julgado no Brasil, que lhe tinha entregue dinheiro para uma campanha eleitoral do qual não foram prestadas contas. José Lello dizia ‘a lei não nos obriga a prestar contas do dinheiro que recebemos porque é Brasil, não é Portugal’. Pensava eu que a lei se aplicava a todos”.

“Aos favorecimentos paga-se com favorecimentos”,prosseguiu Louçã, referindo-se ao facto de os dirigentes terem prometido cargos em troca de dinheiro: “Prometeram-lhe que no Brasil iria representar as Águas de Portugal, a PT, e deram-lhe o lugar de cônsul honorário, a representar a República portuguesa numa cidade perto do Rio de Janeiro, só que o protesto foi tão grande que tiveram de lhe retirar essa indicação”.

Louçã previu que domingo o Bloco vai ter mais de meio milhão de votos e vai duplicar as suas forças, e apelou à mobilização do eleitorado para a hora de “todas as decisões”, defendendo que “não há limites para o crescimento de uma esquerda responsável, da dignidade e dos trabalhadores”, recordando os tempos em que o Bloco tinha dois deputados, depois três e a seguir oito, sempre a ouvir dizer que a esquerda “tinha atingido o limite”.

Reafirmando a necessidade de derrotar a maioria absoluta do PS, Louçã citou Sérgio Godinho para dizer que o Bloco está em “maré alta”, e que “a liberdade está a passar por aqui”.

Antes de Louçã, a eurodeputada Marisa Matias explicara as armadilhas do chamado “voto útil”, que consiste em “votar num partido para que o outro não ganhe”, e que no domingo pode levar a que se reedite “o que vivemos nos últimos 18 anos, quando ou José Sócrates ou Manuela Ferreira Leite estiveram no governo”. E Marisa Matias aproveitou para recordar que o PP de Paulo Portas também passou pelo governo, coisa que este tenta fazer esquecer. “A obsessão de Paulo Portas agora é dizer que quer ficar à frente do Bloco e do PCP”, ironizou.

Pedro Filipe Soares, cabeça-de-lista pelo círculo de Aveiro, afirmou que José Sócrates prometeu um “choque tecnológico”, mas o que deu foi um “choque social”, que não rima com tecnologia, mas com desemprego e miséria.

O comício foi aberto por Fabian Filipe Figueiredo, de 20 anos, um jovem candidato, que observou que nos últimos dias os dirigentes dos partidos do centrão e do CDS têm multiplicado os ataques ao Bloco de Esquerda, mostrando que “o Bloco é um espectro que paira sobre eles.”


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“Sócrates é um perigoso radical de mercado”

O Bloco de Esquerda multiplicou os ataques ao governo de José Sócrates e à sua campanha, não querendo deixar qualquer dúvida aobre a possibilidade de vir a existir uma coligação Bloco-PS. “O verbo não é coligar, é derrotá-los, vencê-los”, disse o deputado Fernando Rosas. “Sócrates é um perigoso radical de mercado”, atirou Louçã. Veja as fotografias.

Discursando no salão da colectividade “Os Franceses”, no Barreiro, Francisco Louçã apontou os malefícios trazidos pela governação de Sócrates: “o Código do Trabalho, pior que o de Bagão Félix, subsídio de desemprego retirado aos trabalhadores, promoção do trabalho temporário, multiplicação dos falsos recibos verdes, desprezo da função pública, ataque aos trabalhadores, promoção da desigualdade, cultura da injustiça”.

Para o coordenador do Bloco de Esquerda, o governo sempre teve dois pesos e duas medidas: enquanto promovia a violência social, beneficiava os mais fortes. “Foi por arrogância e por ter dois pesos e duas medidas que eu nunca ouvi um ministro dizer que quando passou um administrador pela Caixa Geral de Depósitos por 18 meses e de lá saiu com 10 mil euros de pensão para toda a sua vida, nunca ouvi uma palavra contra este abuso, isto é dois pesos e duas medidas, uns privilegiados, outros perseguidos”, apontou, sob fortes aplausos.

Evocando a visita que realizara nesse mesmo dia à EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), Louçã insistiu na proposta de reforma integral ao fim de 39 anos de descontos, apontando o caso de milhares de trabalhadores que se vêem penalizados por terem começado a trabalhar aos 15 anos e só se poderem reformar depois de 51 anos de trabalho.

Para Louçã, a alternativa que se coloca, assim, nestas eleições é entre “a esquerda e maioria absoluta”. E mostrou-se convicto de que no domingo a esquerda ficará “mais forte” com a derrota da maioria absoluta.

Já Fernando Rosas, cabeça-de-lista por Setúbal, tinha insistido no diálogo com aqueles que ainda hesitam em quem votar, com medo da vitória da direita. “Mas será que é uma escolha digna de um homem livre e de uma mulher livre ter de optar entre morrer pela forca ou pela cadeira eléctrica?”, questionou.

Num inspirado discurso que empolgou os presentes, Rosas apontou que o crescimento do desemprego, da miséria e da fome não são erros acidentais e sim fruto de um modelo de desenvolvimento adoptado pelo governo. “Podemos fazer uma coligação com este governo?”, perguntou, para ouvir um sonoro “Não” da plateia. “Não podemos: o verbo não é coligar, é vencê-los, derrotá-los”

Já Mariana Aiveca tinha dado o mote dos ataques à governação de José Sócrates: “É uma vergonha que um governo de um partido que se diz socialista tenha feito uma reforma da Segurança Social em que quem perde são os trabalhadores.”

O comício foi aberto por Mário Durval, cabeça-de-lista à autarquia local.


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Louçã: Acordo com PS? A resposta tem três letras – Não.

“Àqueles que nos perguntam se vamos fazer acordo com o PS, a resposta tem três letras: NÃO”, reafirmou Francisco Louçã num comício que juntou mais de 600 pessoas na avenida Central de Braga na noite desta terça-feira. Louçã insistiu que o Bloco tem uma só palavra e que essa decisão responde aos professores, aos desempregados, aos reformados, aos jovens vítimas das políticas do governo de José Sócrates. Veja as fotos

Àqueles, como Morais Sarmento, que falam num “acordo secreto” do PS com o Bloco, o coordenador do Bloco de Esquerda responde que quem tem “pactos secretos, públicos e semi-públicos” são o PS e o PSD: “No Código do Trabalho estiveram de acordo, as leis da Justiça foram feitas pelos dois. Nas privatizações estiveram de acordo. Estiveram juntos a votar contra a proposta de lei do Bloco para garantir o direito de reforma integral ao fim de 40 anos de descontos”.

Ainda sobre a acusação do PSD de existir um acordo secreto entre PS e Bloco, Louçã recordou que ela já tinha sido feita por Pedro Santana Lopes em 2005, também nas vésperas das eleições. “Inventem mentiras novas”, desafiou. “Não mantenham sempre as velhas mentiras.”

Louçã classificou a campanha do PSD como um “cortejo triste” de quem está totalmente desesperado e sem ideias: “O PSD inventou escutas, quebras de protocolo, e vai saltitando de inventona em inventona, como se isso lhe pudesse animar a campanha, tão mal que isto está que hoje foi Pacheco Pereira que veio dizer que Cavaco Silva quer a derrota de Manuela Ferreira Leite”.

“O Bloco de Esquerda sairá das eleições com uma força que nunca teve, responsabilidades que nunca teve. É preciso contar com todos e com todas, a vossa palavra é que vai fazer a diferença”, concluiu o coordenador do Bloco de Esquerda.

Antes de Louçã, falou o cabeça-de-lista às legislativas do distrito, Pedro Soares, que defendeu o fim do monopólio do PS e do PSD sobre a bancada eleitoral de Braga. “Os deputados do PS eleitos por Braga viraram as costas para a emergência que vive o distrito e recusaram-se a votar as propostas de plano de emergência apresentados pelo Bloco”, acusou Pedro Soares, enumerando que há 60 mil desempregados no distrito e mais de 20 mil pessoas no limiar da pobreza. O Bloco de Esquerda, defendeu, quer levar os problemas do distrito à Assembleia da República com a eleição de uma representação parlamentar.

O comício, que contou com uma actuação de Fernando Tordo que empolgou os presentes, foi aberto por João Delgado, cabeça-de-lista para a autarquia bracarense, que defendeu que o voto útil em Braga é o que elege um vereador do Bloco, pondo fim à maioria absoluta do PS. “Mesquita Machado foi uma nódoa de 30 anos em Braga que é preciso acabar.”

Falou também a deputada Ana Drago, que defendeu que o país está farto de rotativismo PSD-PS, e que precisa de luta, justiça e solidariedade. Ana Drago relatou que cumpriu um programa de visitas às escolas de Viana do Castelo e encontrou um cenário desastroso, com inúmeras professoras que apesar da penalização pediram a reforma, por estarem cansadas de serem insultadas pelo governo PS. “Mas há outras que não desistem”, garantiu. E dedicou uma palavra aos professores que pensam votar útil em Manuela Ferreira Leite, recordando a passagem da actual Líder do PSD pelo Ministério da Educação e a política de privatização da saúde e da educação, que é “o programa escondido” do PSD.


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Pasmei com a maioria dada ao PSD nas intenções de voto dos ‘umbiguistas’.

Pasmei com a maioria dada ao PSD nas intenções de voto dos ‘umbiguistas’.

Dei-me ao trabalho de ler os comentários todos a este post, para ver se percebia..
As conclusões que tiro são as que já alguém por aí referiu: temos (nós, professores, nós, povo português), os governantes e as políticas que merecemos!

Muitos aqui justificam a sua opção pelo PSD como voto útil, a única forma de impedir a vitória do PS. Preparam-se até para festejar essa vitória! Vitória? A mim parece-me isso de uma ingenuidade inconcebível e infantil, uma crença inusitada em contos de fadas!!

PSD um mal menor?!!
Em que é que diferem as políticas, as ideologias, a prática governativa, do PSD e do PS de Sócrates?
Ou já se esqueceram dos mandatos de Cavaco Silva enquanto 1º ministro, da actuação de M. Ferreira Leite enquanto ministra da educação?

Iguais, em tudo, PS e PSD, da arrogância à prepotência, corrupção, jobs for the boys..

Acreditará alguém aqui que, a vencer as eleições, o PSD alterará uma vírgula no que respeita (pelo menos) à política educativa levada a cabo nos últimos 4 anos?

Não perceberão os meus amigos que eles esfregam as mãozinhas de contentes com a perspectiva? – o trabalho sujo feito, vitoriosa e bem implantada a política economicista que foi sempre, também, a dos governos PSD?

Quem é professor não vota PS – completamente de acordo. Quem é professor e não for nem amnésico nem masoquista, com toda a certeza, também não vota PSD!!!

Pôs-se aqui o fantasma da coligação PS-BE. Coligação que me repugna, e que tenho repetidamente ouvido rejeitada por dirigentes do Bloco.
Apesar disso, pensemos nos cenários possíveis:
PS com maioria absoluta
PSD com maioria absoluta
PS com maioria relativa, coligado com o PSD
PSD com maioria relativa, coligado com o CDS.
PS com maioria relativa coligado com o BE.

Qual das hipóteses, pensem, nos seria menos lesiva?

Quem, de todos os partidos com assento na AR, melhor e mais frequentemente tem apoiado a luta dos professores, levantado as questões mais pertinentes contra as políticas educativas deste governo?

Não me consta que PSDs tenham veemente levantado a voz em defesa das nossas reivindicações. Lembro-me, sim, é da deputada Ana Drago, questionando, criticando, enfrentando Mª L. Rodrigues.

“Se o PSD mantiver estas políticas, nós cá estaremos para continuar a luta”, diz-se por aí nos comentários..

Pois não me parece. Eu, pelo menos, não tenciono mexer uma mínima palha, sabendo que colegas de profissão optaram conscientemente por perpetuar as políticas fascizantes que nos têm vindo a impor nos últimos anos.

De resto, se de alguma coisa o PS tem sido sobejamente acusado, é de, dizendo-se socialista, optar por políticas de direita. Pensarão os caros simpatizantes do PSD que este vosso partido está à esquerda do outro??

Mais: se o PSD ganhar as eleições com os votos dos professores, que ilacções acham vocês, ‘cabecinhas pensadoras’, que eles vão tirar em relação à nossa classe?

Pois eu diria que as óbvias: “quanto mais lhes batermos..”
ou, parafraseando Guerra Junqueiro:
«Um povo (uma classe, acrescento..)imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;(…) »

P.S. retirado do Blogue ” A educação do meu umbigo


1 Comentário

“Autoritário, Crispado, Despótico, Irritado, Enervado, Detestando ser contrariado.”

Maça envenenada

“Autoritário, Crispado, Despótico, Irritado, Enervado, Detestando ser
contrariado.”

JOSÉ SÓCRATES SEGUNDO ANTÓNIO BARRETO!…
NÃO SE TRATA DE CARICATURA!…
É FOTOGRAFIA A PRETO E PRETO!…

‘Sócrates, o ditador’

por António Barreto

Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração.
Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas,
contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal, ao ponto de, com
zelo, se exceder.
Prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar.
Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido.
Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que
se pode governar sem políticos.

Onde estão os políticos socialistas ?

Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são
responsáveis pelo seu passado?
Uns saneados, outros afastados.
Uns reformaram-se da política, outros foram encostados.
Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão.
Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro.
Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas
empresas que dependem do Governo.
Manuel Alegre resiste, mas já não conta.
Medeiros Ferreira ensina e escreve.
Jaime Gama preside sem poderes.
João Cravinho emigrou.
Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção,
que o socialismo ainda existe.
António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão.
Almeida Santos justifica tudo.
Freitas do Amaral, “ofereceu-se, vendeu-se” e reformou-se !
Alberto Martins apagou-se.
Mário Soares ocupa-se da globalização.
Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores.
João Soares espera.
Helena Roseta foi à sua vida independente.
Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância.
O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado.
Os sindicalistas quase não existem.
O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga
pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do
governo e da luta contra o défice.
O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso
do que a meditação budista.

Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento
público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos
políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.

Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates.
Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião,
mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento.
Mas nada de essencial está em causa.

Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente.
As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura
diversão.
Não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada
têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o
primeiro-ministro.
É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais.

Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o
incomodou realmente.
Mas tratava-se, politicamente, de uma questão menor.
Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo
estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.

O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário, Crispado, Despótico,
Irritado, Enervado, Detestando ser contrariado.
Não admite perguntas que não estavam previstas ou antes combinadas.
Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber.
Tem os seus sermões preparados todos os dias.
Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de
informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação.
O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade,
nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na
teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob
seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um
funcionário que se exprimiu em privado.
O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive,
feito já de medo e apreensão.
A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de
cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa.
A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação.
As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm
de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e
sem oposição à altura, Sócrates trata de si.
Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns
interesses económicos, Sócrates governa.
Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de
secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas
últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do
Estado.
Nomeia e saneia a bel-prazer.

Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos.
É possível.
Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De
incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta
de carinho dos portugueses pela liberdade.


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Sócrates a Louçã: «Mas eu não o vi naquela vigília: ‘Queremos Manuela de volta!’»

Por Igor Costa
Antes de começar o debate com Francisco Louçã, José Sócrates chamou «maroto» ao adversário político, advertiu Judite de Sousa e parodiou com a manifestação de apoio a Manuela Moura Guedes. Os vídeos, divulgados pelo Correio da Manhã, circulam agora na internet

«Você é fã», perguntou ao líder bloquista, referindo-se à imprensa. «Mas eu não o vi naquela vigília: ‘Queremos Manuela de volta’», ironiza o secretário-geral do Partido Socialista, num vídeo divulgado pela edição online do Correio da Manhã.

A conversa começa em tom descontraído, com Sócrates a questionar Francisco Louçã sobre as férias. «Não fiz férias», responde o bloquista.

«Mas foi para o Algarve, seu maroto», retorque Sócrates.

O coordenador do Bloco explica então: «Só em Agosto é que fiz uns cinco ou seis comícios no Algarve».

José Sócrates fala então das vantagens de trabalhar nestas circunstâncias, pois permite conjugar labuta e lazer. Louçã não concorda em absoluto, e parece explicar as suas razões – nesse momento da gravação não se ouve a conversa

«Ler a imprensa toda? Eh pá…», responde então Sócrates, ouvindo-se apenas os risos que parecem ser de Judite de Sousa. O socialista confronta então o adversário: «Você é fã? Mas eu não o vi naquela vigília. ‘Queremos Manuela de volta!’».

As entrevistas e os debates

Depois disso, Sócrates pergunta se a conversa está a ser ouvida e prossegue, abordando a última pergunta de Judite de Sousa numa entrevista recente.

«Mas calhou no dia em que saiu o ranking do Correio da Manhã», justifica-se a jornalista. «O ranking de…?», questiona, atalhando, Francisco Louçã.

José Sócrates resolve então ironizar com o assunto e puxar dos galões: «Eu sou o sexto homem mais elegante do mundo. Vocês devem fazer aquela pergunta lá no Largo do Rato».

Os dois vídeos surgem com alguns cortes e, no último trecho, o socialista explica como quer que o debate decorra: «Oh Judite, desculpe dizer-lhe, mas vamos cumprir hoje as regras».

«Da outra vez também cumprimos», responde a moderadora. Sócrates concretiza: «Não, o Jerónimo infelizmente não, e eu até me arrependo de ter contribuído…».

A explicação de Judite de Sousa – «mas a última resposta era dele e depois foi sua» – parece não convencer o candidato do PS: «Pois… Sim… mas nós temos (…)», ouve-se, por fim.


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Bloco denuncia hipocrisia na inauguração do Hospital do Algarve

Hospital Central do Algarve, sátira do Bloco de EsquerdaNuma sátira ao eleitoralismo do Governo pelo frenesim de inaugurações fantasmas na região, o Bloco de Esquerda promoveu, no dia 11 de Setembro, uma “visita fracturante” ao novo Hospital Central do Algarve. Na acção participou Cecília Honório, cabeça de lista do Bloco às legislativas pelo círculo de Faro.

Hospital do Algarve, sátira do BlocoUma “equipa de investigadores internacionais” foi à procura dos 16 andares que compõem o edifício. Não encontrando a unidade “de ponta” anunciada pelo Governo, os médicos suspeitam de que, talvez, o hospital seja subterrâneo.

Foi com esta caricatura que o Bloco de Esquerda denunciou as inaugurações promovidas pelo Governo do Partido Socialista em período eleitoral e a “preocupante promiscuidade entre os sectores público e privado na saúde”.

Cecília Honório, cabeça de lista pelo círculo de Faro, lembrou que foram os sucessivos Governos do Poder Central que dotaram o Sistema Nacional de Saúde de um desinvestimento, cedendo a sua gestão aos privados, sem quaisquer benefícios para os utentes.

“A saúde é direito cada vez mais longe de estar assegurado” acrescentou a candidata, clarificando que e é por um serviço de saúde público e gratuito que o BE se debate.


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O despedimento que alegrou Louçã

Por Manuel Agostinho Magalhães

Sorriso de orelha a orelha, o líder do BE percorreu a baixa de Coimbra numa arruada, após de ter comentado o despedimento de Fernando Lima e reinvidicado ter sido ele que há um mês alertara para a «inventona»

À chegada a Coimbra, Francisco Louçã reagiu ao despedimento do assessor de comunicação de Cavaco Silva, congratulando-se com o desfecho e lembrando que há um mês chamara à atenção para o caso que levaria ao afastamento de Fernando Lima.

«Isto era uma inventona. O país não merece este tipo de manigâncias», comentaria mais à frente. «Foi por isso que me manifestei há um mês», referiu. Louçã falou no nome de Fernando Lima, bem antes de o DN ter publicado um mail interno do Público em que o assessor do Presidente da República era exposto como a fonte da denúncia anónima de Belém, sobre alegadas escutas aos serviços do Presidente da República.

Foi notória a boa disposição de Louçã, na arruada que percorreu esta tarde a Rua Visconde da Luz. Enquadrado por jovens do BE, foram pessoas bem mais velhas a maioria das que cumprimentou ou que se lhe dirigiram.

Um homem veio ter com ele para protestar pela posição bloquista no caso da falência do Banco Privado Português. Tinha perdido 200 mil euros de poupanças e estava zangado, prolongando o contacto por largos minutos.

Louçã reagiu. «Não me deixa falar, isto é um bocadinho desagradável», protestou, atirando o odioso da dívida para administração do banco.

A conversa terminaria a bem, com o líder do BE a anotar o nome e morada do interlocutor. «Mando-lhe com muito gosto daqui a uns dias o meu plano de salvação» para o banco, prometeu.

Louçã estava seguro de si e arriscou até responder a um comentário provocatório. «Você?», atirou, sarcástico a uma boca de um apoiante socialista – um habitué, segundo contaria o líder do BE, a interromper acções de rua em Coimbra. «Já sei que apoia o PS» ainda lhe disse, antes de seguir caminho. O socialista, encavacou.

Na arruada, Louçã foi acompanhado de perto pelo cabeça-de-lista José Manuel Pureza, por Marisa Matias, a eurodeputada eleita em Junho, e por Daniel Oliveira, actualmente comentador, mas até há dois anos membro da direcção bloquista.

Os deputados Helena Pinto e José Soeiro fizeram também o percurso ao lado do líder. Um sinal de união bloquista, em tempo de campanha.

Acção do Bloco que se preze tem de ter ataques ao Governo. «Hoje começa o contra-ataque ao PS», anunciou Louçã à comunicação social, trazendo à liça «toda a confusão» de ontem, gerada pelas declarações de Teixeira dos Santos e de Mário Soares, que levou um jornal na sua edição de hoje a titular que o PS tinha lançado o maior ataque de sempre contra o BE.

O apelo de Louçã dirigiu-se depois «a todos os eleitores socialistas», que queiram outras políticas, nomeadamente um imposto sobre as grandes fortunas. Esta noite, o apelo voltará a ouvir-se, no comício marcado para o Teatro Gil Vicente.

A recusa de Louçã, no sábado, em passar pelas peixeiras, no mercado de Alcobaça, também foi tema de perguntas dos jornalistas. O líder do BE disse querer «concentra-se no essencial».

Se o Bloco não gosta de dar espectáculo junto de peixeiras, ficou depois a saber-se que não morre de amores por tunas académicas. A arruada terminou antes da Praça da Portagem, por causa da presença de um grupo musical de estudantes com traje académico. Avisado pelos assessores, Louçã e os dirigentes bloquistas dispersaram. Os estudantes, distraídos pela música da banda de gaitas de foles que participou na arruada bloquista, nem tiveram tempo para perceber o que se passava.

manuel.a.magalhaes@sol.pt


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“Não há telhados de vidro no Bloco de Esquerda”

louçã1Em resposta à notícia do Expresso que dá conta que Francisco Louçã investiu dinheiro em Planos de Poupança Reforma, o coordenador do Bloco esclareceu que em 2008 transferiu essas verbas para certificados de reforma pública, e sublinhou que os deputados do Bloco deixam de lado os seus interesses pessoais em benefício do interesse público. “Não há telhados de vidro no Bloco de Esquerda” garantiu Louçã

Louçã frisou que o semanário fez “um favor” ao Bloco por ter confirmado que os dirigentes bloquistas deixam de lado os seus interesses pessoais em benefício do interesse público.

“Nenhum deles defende o seu interesse privado. Isto é que é grandeza. Todos os nossos deputados e deputadas têm poupanças pequeníssimas, de três mil euros, de cinco mil euros e pouco mais. Votaram todos com consciência contra o seu interesse privado e a favor do interesse público”, afirmou Louçã, referindo-se à posição do Bloco de eliminação dos benefícios fiscais dos PPRs, independentemente de algum bloquista investir ou não nesses mesmos PPRs. “O sistema público não deve financiar este benefício que vai directo para os bancos” acrescentou Louçã.

“Os PPR dão zero, só dão comissões aos bancos, e os bancos estão a levar o dinheiro das pessoas” prosseguiu Louçã, depois de esclarecer que em 2008 tranferiu o seu dinheiro do PPR para um sistema de certificados de reforma pública. “É por ter conhecimento de causa que eu falo. Eu não tenho de discutir o meu sistema financeiro, mas ainda bem que é conhecido, é um favor que me fazem. As pessoas ficaram a saber que a minha poupança de uma vida inteira são 30 mil euros” disse ainda Louçã, precisando que dá aulas na Universidade de forma gratuita, recebendo apenas o salário de deputado.

Confrontado com o facto de duas bloquistas terem acções de empresas privadas, também noticiado no Expresso, Louçã negou que Joana Amaral Dias tenha acções na EDP – tinha uma conta conjunta com a mãe e foi a mãe que comprou algumas acções da EDP –  e assumiu que “Ana Drago tem 200 acções da PT que valem mil euros”, facto que desvalorizou. “Eu defendo os transportes públicos, mas isso não me impede de ter um automóvel privado” rematou Louçã.

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Só uma grande votação no Bloco de Esquerda pode impedir esta tragédia do reedição do Bloco Centra

BEgreenO Bloco anda em busca de votos na área esquerda do PS. Em Sintra, Louçã citou um texto de Manuel Alegre, que hoje está ao lado de Sócrates. E Miguel Portas agitou o fantasma do Bloco Central

Francisco Louçã falou para os  apoiantes presentes no comício do Bloco de Esquerda em Sintra, mas também se dirigiu aos eleitores habituais do PS. O líder bloquista leu passagens do prefácio assinado por Manuel Alegre a um livro de António Arnaut, outro socialista, que também seria citado. A referência a Alegre teve mais significado, por ocorrer horas antes do histórico deputado, que já esteve em comícios com o Bloco, ser a estrela da mais importante acção de campanha de José Sócrates.

Alegre esteve presente em espírito no Centro Cultural Olga Cadaval, graças a Louçã. «O Estado não pode ser privatizado», leu Louçã. «Os serviços públicos não pode ser tratados como qualquer mercadoria», outra passagem do texto de prefácio ao livro de António Arnaut, sobre «Trinta anos de resistência do Serviço Nacional de Saúde».

Louçã disse que Alegre «tem razão». Se no PS de Sócrates continua «tudo na mesma», o Bloco lança pontes para outras «vozes na esquerda». As alusões vieram a propósito do que Louçã chama a «agenda escondida» do primeiro-ministro. Um plano que levará a privatizações na área da saúde e à destruição do Serviço Nacional de Saúde, criado por Arnaut.

«As parcerias público-privadas são o caminho para a privatização», defendeu Louçã. «Em Cascais não foi ainda posta uma pedra do novo hospital e o velho hospital já foi entregue», protestou. Louçã falou ainda do Hospital de Loures e disse que estes bens públicos «são oferecidos» ao grupo Espírito Santo e à Mota-Engil.

A privatização parcial da GALP, a Américo Amorim e José Eduardo dos Santos – «é um negócio escabroso» -, e a nacionalização «dos prejuízos» do BPN, foram exemplos dados por Louçã de um favorecimento de privados, numa «irresponsabilidade sem limites» do Governo, que assim agrava o défice público.

«O que vem pela frente é tormenta forte», disse. «Vamos ter uma crise orçamental». Louçã acusou o PS e o PSD de não querem discutir nesta campanha «como se vai fazer com 100 mil milhões de défice», valor previsto para o final do ano. O líder do BE desconfia que este ‘buraco’, equivalente ao «dobro do IRC», ou a «um quarto de todos os impostos pagos em Portugal» será tapado à custa dos cidadãos.

Bloco contra Bloco

Antes falou Miguel Portas, que interveio no comício em Sintra invocando também a sua condição de deputado municipal. «Só uma grande votação no Bloco de Esquerda pode impedir esta tragédia do reedição do Bloco Central», disse. Contra a pressão do voto útil no PS, avisou para um possível engano.

«Quem vota em José Sócrates para evitar a direita não sabe se não está a votar em Ferreira Leite», disse Portas, ignorando a promessa feita pela líder do PSD que não fará parte de um governo com o actual PS. «As pessoas querem que acabe o tempo dos dois [partidos] do meio», clamou.

Este foi o segundo comício comício do Bloco em assistência. A sala não dicou completa, mas nas câmaras de televisão funcionou o panal colocado estrategicamente para tapar as filas vazias. «É com todo o gosto que vejo esta sala em Sintra cheia», pôde dizer Rita Calvário, candidata nas listas por Lisboa.

Helena Pinto, também oradora, saudou os imigrantes que vivem no conselho e prometeu o empenho do BE em garantir políticas sociais para os desfavorecidos, como «aquelas mulheres que às cinco da manhã estão a apanhar o comboio para vir trabalhar para Lisboa» gritou, sob aplausos.

A campanha do Bloco seguiu para a Moita. Um regresso, em noite de festas tauromáquicas, depois de por lá ter passado, em arruada, na terça-feira.

Esta manhã, Louçã esteve em Alcobaça. A passagem pelo mercado teve um episódio curioso. Questionado pelos jornalistas por que não visitava a zona das peixeiras, o líder do BE afirmou que é ele «quem escolhe» as pessoas que contacta e que pretende evitar o «espectáculo».

manuel.a.magalhaes@sol.pt


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Louçã defende levantamento do sigilo bancário contra a corrupção

Francisco Louçã, num comício em Faro, apresentou as medidas que o Bloco propõe para uma transformação na justiça e destacou que no combate à criminalidade económica e à corrupção, “o levantamento do segredo bancário, que o Bloco de Esquerda sempre propôs, é o único princípio de uma verdade permanente contra a corrupção”.
No comício também actuaram os “Mercado Negro” e intervieram Cecília Honório, primeira candidata às legislativas pelo Algarve, e João Brandão, cabeça de lista à Câmara de Faro. Ver fotos.

Francisco Louçã começou por afirmar que “temos justiça, mas temos justiça mole e justiça demorada, justiça que muitas vezes não tem sequer meios para investigar”.

Salientando que é necessário dar à justiça os recursos “absolutamente essenciais”, se exige também que todos os agentes judiciários respondam por prazos, “a grande transformação da justiça deve ser organizada em torno dos prazos da decisão”, disse.

O coordenador do Bloco de Esquerda apresentou em seguida a proposta de um sistema que nunca houve em Portugal, de um defensor público. Louçã disse que o Ministério Público tem por função representar o Estado na acusação, mas para quem tem de responder num tribunal, “seja culpado ou inocente”, ou tem dinheiro para pagar um advogado ou fica dependente de uma defesa oficiosa, “que não tem a preocupação para responder pela justiça para essa pessoas”. Por isso, o Bloco propõe que se crie “uma carreira de advogado do Estado de defensores públicos, de tal modo que a balança da justiça esteja completamente equilibrada”. “Temos uma acusação pública que deve investigar e que deve acusar, deve perseguir o crime ou o delito, deve fazer cumprir a lei. E devemos ter a defesa, que garanta que os inocentes são protegidos e que toda a gente que é apresentada em tribunal tem a defesa que merece, para que todos estejam em igualdade perante a justiça”.

Por fim, Francisco Louçã falou do combate à corrupção, a propósito das notícias do julgamento do antigo tesoureiro do CDS e de um deputado do PSD, que teria comprado votos para uma eleição no seu partido.

Louçã destacou que é sempre possível investigar a corrupção, seguindo o rasto do dinheiro. “Se há corrupção num licenciamento, por exemplo, o dinheiro está em algum lugar”, disse Louçã, defendendo que o levantamento do sigilo bancário é uma medida essencial para investigar e combater a criminalidade económica e a corrupção.

Cecília Honório, prestou homenagem “a uma classe profissional que disse que medo não é com ela”: os professoras e as professoras. Denunciou depois que Manuela Ferreira Leite, no tempo do seu governo, inventou para as professoras e os professores a ‘lei da rolha’, quando os professores tinham de pedir autorização ao chefe para falar. “Mas Sócrates fez ainda mais”, disse, destacando a campanha lançada contra os professores “que eram uma cambada de privilegiados que não faziam nenhum”, sublinhando que o governo Sócrates os dividiu “em professores de primeira e segunda e inventou-lhes um modelo de avaliação sem nexo, sem sentido e sem capacidade de qualificar a Escola Pública”. Cecília Honório destacou então que o Bloco esteve na luta com os professores e que no parlamento apresentou um projecto para chumbar o modelo de avaliação que só não foi aprovado por um voto, “mas nós vamos conseguir, com uma esquerda grande que vai crescer” concluiu.

João Brandão salientou que não é só no poder central, mas também no poder local, que se esbanjam dinheiros públicos e se desprezam os transportes públicos, “a linha Lagos – Vila Real parece do século XIX”, disse. Depois de exemplificar com outros casos as políticas negativas que existem no poder local, como no central, salientou que os combates a nível local e central são complementares e concluiu, afirmando que “está na hora de fazer a luta toda”.


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As ligações politicamente perigosas das grandes empresas

Há empresas privadas que apoiam financeiramente um partido. Às vezes, não vá um qualquer outro Diabo tecê-las, distribuem dinheiro por dois e mesmo mais forças políticas. As ligações do PS e PSD a essas entidades estão também em jogo nas legislativas.

Jorge Coelho é, talvez, a face mais visível da questão. Ex-ministro de António Guterres, o socialista estendeu o tapete vermelho a José Sócrates, quando este ambicionou conquistar o lugar de líder do PS. Aquele que uma vez disse “quem se mete com o PS, leva”, é hoje o homem-forte de uma das maiores empresas portuguesas de construção civil, a Mota Engil. A entrega até 2042 do terminal de carga de contentores de Lisboa à empresa de Coelho levantou dúvidas políticas à oposição. A câmara da capital, liderada por socialistas, tal como o País, foi acusada de entregar de mão beijada a um antigo camarada um valor 407 milhões de euros. Mão beijada, entenda-se, dizia a oposição por o contrato ter sido por ajuste directo.

Mas a Mota Engil não é um exclusivo do PS. Apesar de Jorge Coelho ser a sua face, fonte do CDS garante a “O Diabo” que a empresa fez “um pequeno contributo” para financiar a campanha do CDS. Uma opção comum às grandes empresas que, em tempo eleitoral, decidem entregar quinhões diferenciados aos partidos.

O PS guarda, porém, mais trunfos na manga. A administração do Banco Comercial Português, agora Millennium, está do seu lado. O primeiro Vice-presidente da instituição é Armando Vara, velho amigo do actual primeiro-ministro, que chegou a ser colega de Governo de Sócrates, nos tempos em que António Guterres era chefe do executivo. Ao grupo juntava-se Joaquim Raposo, ora presidente da Câmara da Amadora e Edite Estrela, agora eurodeputada.

A calma imposta pelo governo PS ao BCP, banco antes liderado pelos conservadores Paulo Teixeira Pinto e Jardim Gonçalves, foi o resultado do exercício do poder socialista. O BCP debatia-se com graves problemas, que levaram os accionistas a pelejarem-se na praça pública. O acordo para instalar uma nova administração foi negociado entre os dois partidos do Bloco Central. Quando o PS assumiu influência da administração do BCP, um antigo ministro de Aníbal Cavaco Silva tomou a cadeira do poder do maior banco público: a Caixa Geral de Depósitos.

Aliás, as influências partidárias nos bancos não acabam aqui. Mira Amaral, ex-ministro do PSD, dirige o maior banco privado angolano em Portugal, o BIC. Fernando Ulrich, do BPI, é um simpatizante social-democrata. E Ricardo Espírito Santo, que se colocou várias vezes do lado das opiniões laranjas, tem agora sorrido aos socialistas, colando assim o “seu” BES ao lado dos do PS. Só Nuno Amado, do Santander Totta, se tem mantido fora das discussões políticas nacionais – mas, afinal, o seu banco é controlado a partir de Espanha.

Do outro lado da fronteira também chegou um dia a nomeação de Pina Moura, ex-ministro de Guterres, para a Mediacapital, quando a Prisa, empresa espanhola, adquiriu o canal de televisão TVI a Miguel Paes do Amaral. Os três canais portugueses têm, aliás, um alinhamento político suave mas definido. A SIC é liderada pelo antigo primeiro-ministro do PSD, Pinto Balsemão. A TVI está entregue à Prisa, próxima do PSOE, partido socialista espanhol, mas nos seus quadros intermédios pontificam ainda muitos directores e gestores escolhidos por Paes do Amaral: Isaias Gomes Teixeira ou Luís Nobre Guedes – e essa maioria é afecta ao CDS. Já a RTP é, na velha versão nacional, de quem a apanhar. A direcção da informação do canal está com José Alberto de Carvalho e Judite de Sousa. O primeiro sem expressão pública política, mas com uma guerra aberta com o PSD sobre a independência da estação.

Há nas empresas privadas mais amigos dos dois maiores partidos. A Compta, por exemplo, que lida com sistemas informáticos e largos e chorudos contratos com o Estado. Armindo Monteiro, o dono da empresa, admitiu já financiar as campanhas dos dois principais partidos, PSD e PS.

O PSD recebeu já dinheiros da empresa Somague. A confissão pública foi feita depois da campanha dos sociais-democratas, com Durão Barroso a concorrer a primeiro-ministro. A Somague é uma das cinco maiores empresas de construção portuguesa e depende, como as outras, das grandes obras públicas para sustentar os seus negócios. À época, o “Público” relatava que o PSD mal assumiu o poder, mandou suspender todas as obras de auto-estradas adjudicadas pelo PS, desejo expresso pela empresa durante a campanha eleitoral.

A Bragaparques é outra empresa que, em 2005, financiou com cerca de 20 mil euros a campanha do PSD em Lisboa. A detentora dos terrenos da antiga Feira Popular viu-se envolvida num processo judicial por tentativa de corrupção, quando tentou convencer José Sá Fernandes, o ex-vereador do Bloco de Esquerda, recorrendo a meios informais e pecuniários, a ser-lhe favorável em votações futuras.

Os sociais-democratas têm também figuras do passado interessadas nas obras futuras. O ex-ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, é hoje presidente da Lusoponte, que domina em exclusivo as travessias sobre o rio Tejo que sirvam a grande Lisboa. Ferreira do Amaral é um dos principais impulsionadores da mudança do Aeroporto da Ota para Alcochete e, por arrasto, da terceira travessia do Tejo, a construir-se entre o Barreiro e Chelas. Coincidência ou não, a nova ponte é aquela em que PSD e PS estão totalmente de acordo. Pode vir a ser construída pela Mota Engil – por causa da larga experiência da empresa nesse campo –, e gerida pela Lusoponte. Embora haja mais concorrentes à obra, como a Somague.


Por fim, os pequenos partidos.

O CDS tem em Pires de Lima, gestor da UNICER, um benemérito reconhecido. O gestor admitiu já entregar várias quantias de dinheiro aos partidos, entre os quais o “seu” CDS. Foi deputado pelos populares e chegou a ser falado com sucessor de Paulo Portas, até acontecer o fenómeno Ribeiro e Castro. Pires de Lima tem uma carreira brilhante no sector das bebidas engarrafadas, tendo resgatado a Compal de um caminho perigoso e ter conduzido a empresa a um sucesso seguro.

Também António Lobo Xavier, administrador da Sonae, admite contribuir pessoalmente para os fundos do CDS, partido ao qual pertence. Mas a Sonae, de Belmiro de Azevedo, não admite defesa de qualquer tendência política. Já o filho e provável sucessor de Belmiro, Paulo Azevedo,  declarou publicamente que sente “simpatia” pelo actual primeiro-ministro, José Sócrates.

Lóbi sem regulação

Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos da América, onde as empresas dão abertamente dinheiro aos partidos – e são escrutinadas por isso -, em Portugal as doações partem muitas vezes dos cofres pessoais dos gestores. Uma empresa raramente entrega dinheiro e se liga a um partido, mas é comum os empresários pagarem às cores por quem nutrem maior simpatia.

Documentos consultados por “O Diabo” no Tribunal de Contas não revelam a origem real das “doações” que os partidos sustentam ter recebido – quer para as campanhas eleitorais, quer para seu fundo maneio. A verdade é que, apesar de existir, a actividade de lóbi não está legalizada nem reconhecida em Portugal. A vida profissional de um ex-ministro é sempre mais frutuosa do que era antes de assumir uma pasta governativa. Assim o confessou Dias Loureiro, ex-ministro da Adminsitração Interna de Cavaco Silva, que foi administrador no grupo Banco Português de Negócios. O BPN era tido como “o banco do PSD”, porque no seu quadro dirigente pontificavam ex-ministros e ex-secretários de Estado da maioria cavaquista. A sua derrocada e subsequente nacionalização foi um duro golpe para os sociais-democratas, que temeram fortes consequências políticas. Mas a mudança de caras  –  com Paulo Rangel nas Europeias a fazer a despesa toda de tentar olvidar a Comissão de Inquérito ao BPN –, salvou o PSD de sofrer golpe político nas urnas.

Por fim, a esquerda radical. O PCP financia-se fortemente pelas quotas e por cativar parte do ordenado dos cargos electivos que os seus militantes ocupam. A sua maior receita pontual provém da festa promovida pelo jornal “Avante!”. E foi por causa dessa receita sem recibos que esteve para ser aprovada uma lei de financiamento que permitia aos partidos receber um milhão de Euros sem prestar contas da sua origem. A lei passou na Assembleia mas não passou por Cavaco, que a vetou.


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Foi “tudo abaixo” na passagem do PS no Seixal

Foram dez minutos de enorme confusão, com insultos, empurrões e pontapés. A equipa do programa “Vai Tudo Abaixo”, dos vídeos Sapo (ex-Sic Radical) – quatro homens e um megafone -, arrasou esta tarde com a passagem de José Sócrates no Seixal. Não houve arruada e quase ninguém ouviu o discurso mais curto da história desta campanha. E acabou com os humoristas Nuno (Jel) e Vasco Duarte (a dupla Neto e Falâncio) a caminho da esquadra.
Quando a caravana rosa desembarcou na Avenida Marginal do Seixal, já a equipa televisiva esperava: Neto e Falâncio com ‘look’ revolucionário, estilo anos 70, Neto com um megafone em punho e Falâncio armado com uma perigosa guitarra. Mais afastados, estavam o produtor de rastas e saia, enquanto o discreto operador de câmara se misturava com as televisões.

Rapidamente foram reconhecidos pelos jornalistas, mas não pelo ‘staff’ e seguranças socialistas, que os sinalizaram como factor de risco. A JS recebeu instruções para cercar os dois actores com bandeiras e gritos de de ordem, o corpo de segurança pessoal do primeiro-ministro posicionou-se para os neutralizar e só largos minutos depois chegou o núcleo duro com Sócrates no centro.

Neto e Falâncio estavam preparados. “Olhem as fábricas a fechar. Isto é bom para a luta. O desemprego a aumentar. A luta continua. Obrigada Sócrates pela precariedade”, gritava Neto no megafone, rompendo a barreira de som da JS, que à sua volta gritava “PS!PS!”

A confusão era enorme. Sócrates era levado para o palco e os actores corriam no meio da massa socialista, saltando canteiros, tentando chegar à frente do palco. Mas foram empurrados, insultados e até levaram alguns pontapés. Mas não se renderam.

“Está tudo gravado”, exultava o produtor, enquanto ajudava Neto a trepar para cima de uma paragem de autocarro, partindo-lhe a cobertura. Atirou-lhe o megafone – “a luta continua” -, no momento em que chegava um agente da PSP e quando Sócrates já abandonava o palco e o Seixal. Isto depois de ter elogiado a sua campanha. “Nós não fazemos provocações em lado nenhum, é uma campanha com elevação e tolerância, que não vai fazer provocação a lado nenhum”.

Contactado pelo PÚBLICO, Nuno Duarte (Jel) avisou: “Isto não pára por aqui. Também vamos ao PSD, ao CDS-PP, a todos. A luta é democrática!” Nuno Duarte adiantou ainda que o vídeo captados pelos próprios e pela equipa do Sapo vai ser montado ainda esta noite e que deve ser disponibilizado online amanhã de manhã.

Os Homens da Luta são uma das imagens de marca de “Vai Tudo Abaixo”, programa que se estreou na SIC Radical e que este Verão transitou para o Sapo. A intervenção na actualidade é o estilo de humor que Jel apelidou, em entrevista recente ao Ípsilon, “hiper-realismo”. “Uma coisa é eu fazer uma imitação do José Sócrates, outra é apanhar o José Sócrates à minha frente com o meu megafone. Tem muito mais força, força política”, sublinhava Jel na mesma entrevista.
Nestas acções, que os levaram desde a marcha da marijuana às manifestações das centrais sindicais, os humoristas já foram agredidos algumas vezes e também já foram identificados pelas autoridades.


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BE aponta contradições a Sócrates a bordo de helicóptero na Arrábida

BEA bordo de um helicóptero Agusta Westland 139, o líder do BE, Francisco Louçã, apontou hoje uma contradição a José Sócrates sobre a exploração dos recursos naturais do parque natural da Serra da Arrábida.
“Como ministro do Ambiente, em 2001, Sócrates deixou-se filmar em frente às pedreiras para contestar a exploração desregrada das pedreiras que continuaram com o seu Governo sem qualquer regra, anunciou mesmo que elas podiam ser expropriadas e que no mínimo deviam ser reguladas”, afirmou o líder bloquista aos jornalistas.

Em seguida, Louçã referiu que “ao assumir as rédeas da maioria absoluta”, o secretário-geral do PS, José Sócrates, “determinou a autorização para a alteração do plano de ordenamento da Serra da Arrábida” que levou à “duplicação da volumetria da exploração possível” daquela zona. “Havia uma autorização para explorar 16 milhões de metros cúbicos e isso foi multiplicado para 32 milhões, com isso a Secil, que podia extrair terra até 2021, passou a poder extrair até 2042″, acrescentou.

Numa viagem de helicóptero de cerca de uma hora, Francisco Louçã sobrevoou a área explorada pela Secil na Arrábida e também as pedreiras de Sesimbra, uma área que no seu conjunto disse ser equivalente a 320 campos de futebol. “É a exploração descontrolada de um bem público”, criticou, durante um voo em que esteve acompanhado pelo candidato do BE à Câmara de Setúbal, Albérico Afonso.

Já no aeródromo de Tires (local de partida do helicóptero), após ter sobrevoado a Arrábida, Louçã frisou referindo a sua preocupação com a “destruição” que transformou a Arrábida numa “paisagem lunar” nos locais mais explorados. O coordenador bloquista referiu aos jornalistas que há uns anos o BE levou a cabo uma acção a pé na Arrábida para alertar para os mesmos problemas, mas disse que desta vez optou por sobrevoar aquela área para mostrar uma visão “que só se pode ter do ar”.

O ambiente tem sido um tema frequente nas acções de campanha do partido, até pela suas preocupações ‘doutrinárias’ com a ecologia, tendo Francisco Louçã visitado no sábado, no último dia antes de começar a campanha oficial para as legislativas, a zona de Tancos para um passeio de barco. Com o castelo de Almourol quase ao seu lado, o líder bloquista alertou para os problemas da poluição e das descargas descontroladas no rio e nos seus afluentes daquela zona, o Almonda e o Zêzere, e exigiu uma posição mais firme do Governo português em relação a Espanha no cumprimento das directivas da União Europeia.
Contra o ‘extremismo’ na exploração de recursos naturais, Francisco Louçã tem manifestado também a sua oposição ao “extremismo de mercado”.Na segunda-feira à noite, num comício no Entroncamento, o líder do BE caracterizou pela primeira vez a acção do Governo socialista como “extremismo de mercado”, uma forma de responder ao secretário-geral do PS, José Sócrates, que costuma criticar “o extremismo” e o “radicalismo” das propostas do BE.


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Um casal desavindo

o Abismo

01h16m

Estou convencido de que os debates eleitorais entre candidatos pouco aquecem ou arrefecem, mas o espectáculo de dois indivíduos à caça de votos em grande plano tem virtualidades para dar algum ânimo ao habitual tédio televisivo. Vi apenas, numa pachorrenta noite de sábado sem futebol, aquele em que um homem satisfeito consigo mesmo discutia com uma mulher zangada. Pareceu-me uma cena da vida conjugal, cada um culpando o outro da ruptura da união de facto e do mau comportamento da prolífica descendência de problemas que ambos e os respectivos partidos geraram e deixaram ao país e andam hoje por aí à solta, entregues a si mesmos, e senti-me desconfortavelmente na pele de um consultor sentimental. Como sempre, houve de tudo: recriminações recíprocas, ressentimento, vitimização. Até caneladas por baixo da mesa, como aquela da “credibilidade académica” dela e a sua aljubarrótica constatação, com a suspensão do “Jornal Nacional” da TVI no horizonte, de que “Portugal não é uma província de Espanha”. A partilha de bens e de responsabilidades parentais de um casal desavindo nunca é coisa bonita de ver.

Manuel António Pina In J.N.