Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


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BE: Maioria absoluta seria «derrota imensa»

À elegante Rua de Santa Catarina, Louçã preferiu a proletária Cedofeita para uma arruada no Porto. Respondendo ao PS, disse que o Bloco não é «roupa velha» nem está «no canto da política»

Contra a maioria absoluta, marchar. É este o lema da campanha bloquista e nem um milímetro ao lado saem as declarações políticas de Francisco Louçã. Mas, com as sondagens a garantirem no papel que o PS perderá «o poder absoluto», o último dia é quase de festa antecipada. Louçã retomou esta tarde no Porto os ataques ao PS.

E respondeu a Vieira da Silva, que havia dito que o Bloco é «roupa velha», com um sound byte: «Nós não estamos no canto da política, estamos no centro da luta». O dia derradeiro está a ser passado no Porto, com uma incursão a Braga à hora de jantar. Porque, no Porto e em Braga, juntamente com Aveiro, «é que que se discute a maioria absoluta», segundo Louçã.

A arruada no Porto, esta tarde, percorreu a Rua da Cedofeita até à Praça Carlos Alberto. Uma artéria bem mais popular que a Rua de Santa Catarina, onde, no dia anterior, José Sócrates teve uma das mais concorridas acções desta campanha.

Na Cedofeita não se vêem lojas de roupa de marca, há sapatos a cinco euros e conjuntos de lingerie (da improvável marca ‘Caralino’) ao mesmo preço. Louçã e Miguel Portas revezaram-se nos beijinhos e cumprimentos.

A inevitável música ficou a cargo de dois tocadores de gaita de foles e outros tantos percussionistas. Com o colorido de alguns jovens bloquistas, a comitiva ganhou um aspecto pantomineiro. Louçã, visivelmente descontraído e bem disposto, demorou-se em conversas e não deixou escapar uma oportunidade de distribuir folhetos e sorrisos.

No final, mais circunspecto, Louçã disse aos jornalistas que se voltasse a repetir-se uma maioria absoluta do PS, no domingo, isso seria «uma derrota imensa para os trabalhadores» e para o Bloco também. Questionado sobre se ainda representa a extrema-esquerda, o líder da força que quer juntar «uma esquerda grande» admitiu que «também» a inclui.

Finda a arruada, que contou com João Semedo, João Teixeira Lopes e outros candidatos pelo Porto, a campanha bloquista rumou a Braga. Mais logo, de regresso ao Porto, Louçã subirá ao palco do Coliseu para o acto final.

manuel.a.magalhaes@sol.pt


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O Bloco de Esquerda já viu este filme

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O BE parece estar a reviver uma má história. Nas eleições de 2005, o PSD, enfraquecido pelos meses de governação de Santana Lopes, mal conseguiu enfrentar o PS, liderado pelo então recém-eleito José Sócrates. Perante a possibilidade de os socialistas alcançarem a sua primeira maioria absoluta, o BE concentrou todos os seus esforços no combate contra o PS. Hostilizar os socialistas era então, como agora, a palavra de ordem.
As palavras dos dirigentes do Bloco tentavam ferir um partido reanimado por Sócrates. E, ao mesmo tempo, serviam de resposta para os “acordos secretos” entre o BE e o PS, ventilados pelos sociais-democratas.
Estas eleições afiguram-se assim uma reconstituição das últimas legislativas. Embora desta vez o BE queira alcançar o terceiro lugar no pódio eleitoral e acredite vir a obter uma subida nas votações.

Vote Bloco de Esquerda para retirar a maioria ao PS.


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Louçã: “O que nos dá força é a coerência”

As prioridades pelas quais o Bloco de Esquerda se bate são as mesmas na sexta-feira, no domingo e as mesmas que continuará a ter na segunda-feira, assegurou Francisco Louçã: “O mesmo programa, as mesmas lutas. Uma esquerda forte, que merece a sua força, é uma esquerda de coerência, não pode deixar de ser nunca, nem por um minuto”. Cerca de 600 pessoas encheram o cine-teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, onde se realizou mais um comício do Bloco. Veja a galeria de fotos.

No dia em que José Sócrates pediu uma maioria “estrondosa” nas eleições de domingo, Louçã prometeu um contra-ataque para impedir a renovação da maioria absoluta do Partido Socialista.

Pegando na expressão usada por Sócrates, Louçã aproveitou para caracterizar as medidas dos 4 anos e meio do governo: “Estrondosa foi a política de Segurança Social, que não beneficiou os mais pobres, estrondoso é a perseguição e o ataque a quem trabalha e a quem já trabalhou, isso é estrondoso. Em Portugal já não há empregos, há contratos provisórios. Estrondoso”.

“Ainda querem mais?”, questionou.” Querem mais estrondo? Querem mais? Não, não, não queremos!”.

O coordenador do Bloco de Esquerda disse que a maioria absoluta significaria também a permanência das mesmas figuras que “já sabemos quem são”. E exemplificou com as alegadas negociações de cargos a troco de financiamento partidário que envolvem dirigentes socialistas, afirmando que elas são um exemplo da “irresponsabilidade absoluta” da maioria absoluta.

“Um antigo cabeça-de-lista do PS pelo círculo fora da Europa veio acusar José Lello, um dos dirigentes mais importantes do PS”, relatou Louçã, “que há quatro anos ele tinha recebido dinheiro de um mafioso que hoje está a ser julgado no Brasil, que lhe tinha entregue dinheiro para uma campanha eleitoral do qual não foram prestadas contas. José Lello dizia ‘a lei não nos obriga a prestar contas do dinheiro que recebemos porque é Brasil, não é Portugal’. Pensava eu que a lei se aplicava a todos”.

“Aos favorecimentos paga-se com favorecimentos”,prosseguiu Louçã, referindo-se ao facto de os dirigentes terem prometido cargos em troca de dinheiro: “Prometeram-lhe que no Brasil iria representar as Águas de Portugal, a PT, e deram-lhe o lugar de cônsul honorário, a representar a República portuguesa numa cidade perto do Rio de Janeiro, só que o protesto foi tão grande que tiveram de lhe retirar essa indicação”.

Louçã previu que domingo o Bloco vai ter mais de meio milhão de votos e vai duplicar as suas forças, e apelou à mobilização do eleitorado para a hora de “todas as decisões”, defendendo que “não há limites para o crescimento de uma esquerda responsável, da dignidade e dos trabalhadores”, recordando os tempos em que o Bloco tinha dois deputados, depois três e a seguir oito, sempre a ouvir dizer que a esquerda “tinha atingido o limite”.

Reafirmando a necessidade de derrotar a maioria absoluta do PS, Louçã citou Sérgio Godinho para dizer que o Bloco está em “maré alta”, e que “a liberdade está a passar por aqui”.

Antes de Louçã, a eurodeputada Marisa Matias explicara as armadilhas do chamado “voto útil”, que consiste em “votar num partido para que o outro não ganhe”, e que no domingo pode levar a que se reedite “o que vivemos nos últimos 18 anos, quando ou José Sócrates ou Manuela Ferreira Leite estiveram no governo”. E Marisa Matias aproveitou para recordar que o PP de Paulo Portas também passou pelo governo, coisa que este tenta fazer esquecer. “A obsessão de Paulo Portas agora é dizer que quer ficar à frente do Bloco e do PCP”, ironizou.

Pedro Filipe Soares, cabeça-de-lista pelo círculo de Aveiro, afirmou que José Sócrates prometeu um “choque tecnológico”, mas o que deu foi um “choque social”, que não rima com tecnologia, mas com desemprego e miséria.

O comício foi aberto por Fabian Filipe Figueiredo, de 20 anos, um jovem candidato, que observou que nos últimos dias os dirigentes dos partidos do centrão e do CDS têm multiplicado os ataques ao Bloco de Esquerda, mostrando que “o Bloco é um espectro que paira sobre eles.”


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“Sócrates é um perigoso radical de mercado”

O Bloco de Esquerda multiplicou os ataques ao governo de José Sócrates e à sua campanha, não querendo deixar qualquer dúvida aobre a possibilidade de vir a existir uma coligação Bloco-PS. “O verbo não é coligar, é derrotá-los, vencê-los”, disse o deputado Fernando Rosas. “Sócrates é um perigoso radical de mercado”, atirou Louçã. Veja as fotografias.

Discursando no salão da colectividade “Os Franceses”, no Barreiro, Francisco Louçã apontou os malefícios trazidos pela governação de Sócrates: “o Código do Trabalho, pior que o de Bagão Félix, subsídio de desemprego retirado aos trabalhadores, promoção do trabalho temporário, multiplicação dos falsos recibos verdes, desprezo da função pública, ataque aos trabalhadores, promoção da desigualdade, cultura da injustiça”.

Para o coordenador do Bloco de Esquerda, o governo sempre teve dois pesos e duas medidas: enquanto promovia a violência social, beneficiava os mais fortes. “Foi por arrogância e por ter dois pesos e duas medidas que eu nunca ouvi um ministro dizer que quando passou um administrador pela Caixa Geral de Depósitos por 18 meses e de lá saiu com 10 mil euros de pensão para toda a sua vida, nunca ouvi uma palavra contra este abuso, isto é dois pesos e duas medidas, uns privilegiados, outros perseguidos”, apontou, sob fortes aplausos.

Evocando a visita que realizara nesse mesmo dia à EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), Louçã insistiu na proposta de reforma integral ao fim de 39 anos de descontos, apontando o caso de milhares de trabalhadores que se vêem penalizados por terem começado a trabalhar aos 15 anos e só se poderem reformar depois de 51 anos de trabalho.

Para Louçã, a alternativa que se coloca, assim, nestas eleições é entre “a esquerda e maioria absoluta”. E mostrou-se convicto de que no domingo a esquerda ficará “mais forte” com a derrota da maioria absoluta.

Já Fernando Rosas, cabeça-de-lista por Setúbal, tinha insistido no diálogo com aqueles que ainda hesitam em quem votar, com medo da vitória da direita. “Mas será que é uma escolha digna de um homem livre e de uma mulher livre ter de optar entre morrer pela forca ou pela cadeira eléctrica?”, questionou.

Num inspirado discurso que empolgou os presentes, Rosas apontou que o crescimento do desemprego, da miséria e da fome não são erros acidentais e sim fruto de um modelo de desenvolvimento adoptado pelo governo. “Podemos fazer uma coligação com este governo?”, perguntou, para ouvir um sonoro “Não” da plateia. “Não podemos: o verbo não é coligar, é vencê-los, derrotá-los”

Já Mariana Aiveca tinha dado o mote dos ataques à governação de José Sócrates: “É uma vergonha que um governo de um partido que se diz socialista tenha feito uma reforma da Segurança Social em que quem perde são os trabalhadores.”

O comício foi aberto por Mário Durval, cabeça-de-lista à autarquia local.


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Louçã: Acordo com PS? A resposta tem três letras – Não.

“Àqueles que nos perguntam se vamos fazer acordo com o PS, a resposta tem três letras: NÃO”, reafirmou Francisco Louçã num comício que juntou mais de 600 pessoas na avenida Central de Braga na noite desta terça-feira. Louçã insistiu que o Bloco tem uma só palavra e que essa decisão responde aos professores, aos desempregados, aos reformados, aos jovens vítimas das políticas do governo de José Sócrates. Veja as fotos

Àqueles, como Morais Sarmento, que falam num “acordo secreto” do PS com o Bloco, o coordenador do Bloco de Esquerda responde que quem tem “pactos secretos, públicos e semi-públicos” são o PS e o PSD: “No Código do Trabalho estiveram de acordo, as leis da Justiça foram feitas pelos dois. Nas privatizações estiveram de acordo. Estiveram juntos a votar contra a proposta de lei do Bloco para garantir o direito de reforma integral ao fim de 40 anos de descontos”.

Ainda sobre a acusação do PSD de existir um acordo secreto entre PS e Bloco, Louçã recordou que ela já tinha sido feita por Pedro Santana Lopes em 2005, também nas vésperas das eleições. “Inventem mentiras novas”, desafiou. “Não mantenham sempre as velhas mentiras.”

Louçã classificou a campanha do PSD como um “cortejo triste” de quem está totalmente desesperado e sem ideias: “O PSD inventou escutas, quebras de protocolo, e vai saltitando de inventona em inventona, como se isso lhe pudesse animar a campanha, tão mal que isto está que hoje foi Pacheco Pereira que veio dizer que Cavaco Silva quer a derrota de Manuela Ferreira Leite”.

“O Bloco de Esquerda sairá das eleições com uma força que nunca teve, responsabilidades que nunca teve. É preciso contar com todos e com todas, a vossa palavra é que vai fazer a diferença”, concluiu o coordenador do Bloco de Esquerda.

Antes de Louçã, falou o cabeça-de-lista às legislativas do distrito, Pedro Soares, que defendeu o fim do monopólio do PS e do PSD sobre a bancada eleitoral de Braga. “Os deputados do PS eleitos por Braga viraram as costas para a emergência que vive o distrito e recusaram-se a votar as propostas de plano de emergência apresentados pelo Bloco”, acusou Pedro Soares, enumerando que há 60 mil desempregados no distrito e mais de 20 mil pessoas no limiar da pobreza. O Bloco de Esquerda, defendeu, quer levar os problemas do distrito à Assembleia da República com a eleição de uma representação parlamentar.

O comício, que contou com uma actuação de Fernando Tordo que empolgou os presentes, foi aberto por João Delgado, cabeça-de-lista para a autarquia bracarense, que defendeu que o voto útil em Braga é o que elege um vereador do Bloco, pondo fim à maioria absoluta do PS. “Mesquita Machado foi uma nódoa de 30 anos em Braga que é preciso acabar.”

Falou também a deputada Ana Drago, que defendeu que o país está farto de rotativismo PSD-PS, e que precisa de luta, justiça e solidariedade. Ana Drago relatou que cumpriu um programa de visitas às escolas de Viana do Castelo e encontrou um cenário desastroso, com inúmeras professoras que apesar da penalização pediram a reforma, por estarem cansadas de serem insultadas pelo governo PS. “Mas há outras que não desistem”, garantiu. E dedicou uma palavra aos professores que pensam votar útil em Manuela Ferreira Leite, recordando a passagem da actual Líder do PSD pelo Ministério da Educação e a política de privatização da saúde e da educação, que é “o programa escondido” do PSD.