A política do conforto

Espada de Damocles


Poucas vezes se utiliza a palavra “conforto” na política portuguesa. Os dirigentes preferem usar, regularmente, expressões vagas como “modernização” e “mudança”. Que dizem tudo e não reflectem nada. Mas, na prática, a classe política preza o conforto como ideologia. No território balofo do chamado Bloco Central o menu filosófico de vida é exactamente esse: conforto. É esse conforto da classe dirigente que permite que este País iniba a discussão séria e que coloque de lado, democraticamente, todas as vozes que questionem. O conforto político português é uma espécie de pizza quatro estações: é feita para contentar os gostos do PS e do PSD. Olhe-se para o Tribunal Constitucional, de onde estão excluídas todas as franjas da sociedade que não integrem o Bloco Central. É assim que se aprofunda a chamada asfixia democrática que tanto preocupa o PSD quando não estão em causa os seus interesses. A indicação de mais uma jurista da área do PS para o TC mostra a visão que os partidos do Bloco Central têm do Estado: uma sandes dividida ao meio. A partidarização dos órgãos que deveriam ser independentes leva a que uma entidade anacrónica como o Governador Civil continue a existir. Ninguém mexe uma palha para que o cargo seja extinto. Porque é uma extensão da política de bondade partidária, como se viu agora: candidatos derrotados do PS às autarquias passaram a ser competentes Governadores Civis. A sociedade civil esvai-se nesta partilha partidária do Estado. E parece que todos estão distraídos

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