Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


Deixe o seu comentário

“A austeridade conduz ao desastre”

Joseph Stiglitz é conhecido pela sua postura crítica sobre as principais instituições financeiras internacionais, o pensamento único, a globalização e o monetarismo. Numa entrevista ao jornal francês Le Monde, falou sobre a sua análise da crise do euro.

"A austeridade conduz ao desastre". Entrevista a Joseph  Stiglitz ao jornal francês Le Monde, na qual falou sobre a sua análise  da crise do euro.

Joseph Stiglitz no Fórum Económico Mundial, em Davos, 2009. Foto World Economic Forum/Flikcr.

Joseph Stiglitz, 67 anos, Prémio Nobel de Economia em 2001, ex-conselheiro económico do presidente Bill Clinton (1995-1997) e ex-economista chefe do Banco Mundial (1997-2000), foi entrevistado por Virginie Malingre para o jornal francês Le Monde e falou sobre a sua análise da crise do euro.

Disse recentemente que o euro não teria futuro sem uma grande reforma. O que quis dizer com isso?

A Europa caminha na direcção errada. Ao adoptar a moeda única, os países membros da zona do euro renunciaram a dois instrumentos de política: as taxas de câmbio e as taxas de juro. Tinha que se encontrar alguma coisa que lhes permitisse adaptarem-se à conjuntura quando necessário. Tanto mais que Bruxelas não foi suficientemente longe na regulação dos mercados, achando que eles eram omnipotentes. Mas a União Europeia (UE) não previu nada nesse sentido. E agora quer um plano coordenado de austeridade. Se continuar nessa via, caminha para o desastre. Sabemos, desde a Grande Depressão dos anos 1930, que não é isto que se deve fazer.

Que deveria a Europa fazer?

Há várias possibilidades. Poderia, por exemplo, criar um fundo de solidariedade para a estabilidade, como criou um fundo de solidariedade para os novos membros. Esse fundo, que seria alimentado em tempos económicos mais favoráveis, permitiria ajudar os países com problemas quando estes surgissem. A Europa precisa de solidariedade, de empatia. Não de uma austeridade que vai fazer crescer o desemprego e causar depressão. Nos E.U., quando um Estado está em dificuldades, todos os outros se sentem envolvidos. Estamos todos no mesmo barco. Em primeiro lugar e antes de tudo, é a falta de solidariedade que ameaça a viabilidade do projecto europeu.

Defende uma espécie de federalismo?

Sim, de coesão. O problema é que os Estados-Membros não têm as mesmas convicções em termos de teoria económica. Nicolas Sarkozy fez bem em exercer pressão sobre (a chanceler alemã) Angela Merkel para a forçar a contribuir para a Grécia. Há muita gente na Alemanha a confiar totalmente nos mercados. Nessa lógica, os países que estão mal são os responsáveis por isso e devem desembaraçar-se sozinhos.

Não é o caso?

Não. O défice estrutural grego é inferior a 4%. É certo que o governo anterior, ajudado pela

Goldman Sachs, teve a sua parcela de responsabilidade. Mas foi em primeiro lugar a crise mundial, a conjuntura, que causou esta situação. Quanto à Espanha, era excedentária antes da crise e não pode ser acusada de falta de disciplina. Com certeza que devia ter sido mais prudente e teimpedido a formação da bolha imobiliária. Mas de certo modo foi o euro que a permitiu, proporcionando taxas de juros mais baixas do que aquelas a que Madrid teria acesso sem a moeda única. Hoje, estes países só podem sair da crise com a retoma do crescimento europeu. É por isso que devemos apoiar a economia através do investimento e não amarrando-a com planos de austeridade.

A queda do euro será então uma coisa boa?

É a melhor coisa que poderia acontecer à Europa. Vai beneficiar sobretudo a França e mais ainda a Alemanha. Mas a Grécia e a Espanha, para quem o turismo é uma importante fonte de receita, também serão beneficiárias.

No entanto, a senhora Merkel sabe que a solidariedade pode ser importante. Caso contrário, não teria havido reunificação alemã.

Sim. Mas, precisamente, foram precisos mais de dez anos para a Alemanha lidar com a reunificação. E, de certa forma, acho que os ex-alemães ocidentais sentem que já pagaram um preço elevado pela solidariedade europeia.

Acha que a viabilidade do euro está em risco?

Espero que não. É perfeitamente possível evitar o colapso da moeda única. Mas, se continuarmos assim, nada está excluído. Embora eu ache que o cenário mais provável é o da falta de pagamento. A taxa de desemprego dos jovens na Grécia aproxima-se dos 30%. Em Espanha, ultrapassa os 44%. Imagine a agitação social se o desemprego jovem alcançar os 50% ou 60%.

Chegará um momento em que Atenas, Madrid ou Lisboa colocarão seriamente a questão de saber se lhes interessa continuar com o plano de austeridade que lhes foi imposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e por Bruxelas. Ou se não preferem recuperar o controle da sua política monetária. Lembre-se do que aconteceu na Argentina.

O peso estava ligado ao dólar por uma taxa de câmbio fixa. Pensava-se que Buenos Aires não iria quebrar esse vínculo, que o custo seria excessivo. Mas os argentinos fizeram-no, desvalorizaram o peso, foi o caos como se tinha previsto. Mas, no fim de contas, beneficiaram largamente. Nos últimos seis anos, a Argentina tem crescido a uma taxa de 8,5% ao ano. E hoje há muita gente que pensa que a Argentina fez bem.


Deixe o seu comentário

Presidente alemão do IV REICH demite-se após declaração certeira

O presidente alemão anunciou esta tarde a resignação ao cargo. A decisão tem efeitos imadiatos e surge na sequência de declarações polémicas sobre a participação militar da Alemanha no Afeganistão.

Horst Koehler insinuou durante uma visita ao território afegão que a presença das tropas germânicas no país tinha como propósito a defesa de interesses económicos.

“Lamento que os meus comentários tenham conduzido a um erro de interpretação sobre uma questão importante e difícil”, disse na hora da despedida.

Tais acusações “não têm qualquer justificação e representam uma falta de respeito pelo mais alto cargo do Estado”, afirmou Koehler.

Numa recente entrevista à emissora pública de rádio Deutschlandfunk, à margem de uma visita ao contingente militar alemão no Afeganistão, Koehler afirmou que as missões militares deveriam também servir os interesses da Alemanha, provocando uma vaga de protestos.

O presidente democrata cristão afirmou mais tarde que tinha sido “mal interpretado” e que as suas palavras não se tinham referido à missão militar no Afeganistão, mas sim, por exemplo, à participação da marinha alemã na defesa das rotas marítimas contra piratas na costa da Somália.

A chanceler Angela Merkel foi repetidamente instada, na semana passada, a comentar a polémica em torno das declarações do presidente, mas remeteu-se ao silêncio.

Koehler, candidato apresentado pelos democratas cristãos e liberais à presidência da República, foi eleito pela primeira vez em maio de 2004, de forma indirecta, na Assembleia Federal, e cinco anos mais tarde foi reeleito para um mandato de mais cinco anos, que devia terminar em 2014.

Na Alemanha, as funções do presidente são sobretudo representativas, mas cebe-lhe também dar posse ao governo ou aceitar a sua demissão, e promulgar as leis.
Koehler ocupava o cargo desde 2004 e foi reeleito no ano passado. Depois da II Grande Guerra, é a primeira vez que um presidente resigna ao cargo na Alemanha.


18 Comentários

A Casa Real Espanhola custa quase 1/3 dos gastos da Presidência da República Portuguesa!!!

Presidenciais 2011

O Diário de Noticias publica  hoje os valores do custo da Casa Real Espanhola, da Casa Real Britânica, da Casa Real Sueca  e da Presidência da República Portuguesa.

Por incrivel que pareça o Orçamento da Presidência da República Portuguesa é de 20,7 milhões de euros.

O orçamento da Casa Real espanhola é de 8,9 milhões.

Os desgraçados portugueses gastam mais de 20 milhões com o funcionamento da Presidência da República .

Para Cavaco Silva fazer o quê?

Se compararmos o orçamento da casa Real do Reino Unido – de pouco mais de 48 milhões de euros e notarmos que a Rainha de Inglaterra é Chefe de Estado do Canadá e da Austrália, vemos a extensão do abuso, da enorme falta de senso e dos limites em Portugal.

Cavaco Silva contribui para a miséria dos portugueses com mais de 20 milhões de euros de  gastos.

Se somarmos a isto o facto de o Governador do banco de Portugal ganhar mais que o homólogo dos EUA vemos bem a falta de tato e de responsabilidade dos políticos portugueses.

Paga Zó Povinho!

O Rei de Espanha agiu agora para baixar o seu orçamento.

Cavaco Silva nem uma palavra.

Seria bom que esclarecesse os portugueses , publicamente, da necessidade de a Presidência da República Portuguesa gastar tanto.

Nomeadamente esclarecer para que necessita de tanto dinheiro; Onde o aplica; Porque não baixa o orçamento.

O Orçamento da Presidência da República Portuguesa não deveria ser superior a 3 milhões de euros e mesmo assim seria comparativamente muito superior ao espanhol.

Cavaco Silva e os seus serviço devem apertar o cinto, e dar o exemplo.

Publicada por josé maria martins


Deixe o seu comentário

Milhares de pessoas protestam contra plano de ajustes em Portugal

Sindicalista diz que público chegou a 300 mil.
Governo aumentará impostos e reduzirá ajudas sociais.

Milhares de funcionários públicos e assalariados do setor privado se manifestaram neste sábado contra as medidas de austeridade anunciadas pelo governo português para melhor a situação das finanças públicas.

“Basta!”, “Que o desemprego deixe de subir!”, “Não à austeridade!” e “Por uma estabilidade do emprego!” eram algumas das inscrições nas faixas exibidas entre diversas bandeiras sindicais.

Sindicato diz que foi a maior manifestação dos últimos anos. (Foto: Hugo Correia/Reuters)

Protesto em portugal

“Não queremos que a sociedade portuguesa caia na indiferença e se resigne”, declarou à AFP Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, principal confederação sindical do país, que convocou a manifestação.

Os funcionários e trabalhadores do setor privado chegaram em dezenas de ônibus de diferentes regiões e se reuniram no início da tarde em diferentes pontos da capital, antes de desfilarem juntos pelas ruas de Lisboa.

Eram cerca de 300.000, segundo Carvalho da Silva. Esta é, segundo o sindicato, a maior manifestação dos últimos anos, superando os 200.000 manifestantes que tomaram as ruas de Lisboa no dia 13 de março de 2009 para pedir melhores condições de trabalho.

A Polícia portuguesa se nega a revelar suas estimativas.

Os manifestantes expressaram sua oposição às medidas de ajuste do governo socialista que, depois de ter anunciado em fevereiro um primeiro programa de austeridade baseado essencialmente em uma redução dos gastos, apresentou, em maio, medidas que incluem uma alta generalizada dos impostos, a queda das ajudas sociais e o congelamento das contratações de funcionários.

O governo socialista, que se comprometeu a reduzir seu déficit de 9,4% do PIB em 2009 para 4,6% em 2011, justificou as novas medidas de austeridade com a necessidade urgente de sanear as finanças públicas frente ao risco de contágio da crise grega e à explosão das taxas de juros da dívida.


2 Comentários

Manifestação CGTP – Polícia armada agride manifestantes à bastonada

Por Frederico Pinheiro
Intervenção da polícia agrediu cerca de 15 pessoas há momentos na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa. Os agredidos integravam a manifestação de protesto convocada para hoje pela CGTP
Polícia armada  agride manifestantes à bastonada
Polícia armada agride manifestantes à bastonada

Segundo apurou o SOL a confusão começou devido a um desentendimento entre um cliente de um café e um eepregado desse mesmo estabelecimento que chamou de imediato a polícia.

Logo de seguida chegaram cerca de 20 polícias, incluindo elementos do corpo de intervenção, armados com acrabinas, para tentarem apaziguar os ânimos.

No entanto, no local encontravam-se centenas de pessoas que tinham participado na manifestação contra o governo, convocada pela CGTP do dia de hoje, e após algumas trocas verbais, a polícia começou a agredir manifestantes.

Os membros do corpo de intervenção da polícia começaram a agredir as pessoas presentes no local com bastões e alguns elementos da polícia à paisana agarraram em alguns manifestantes, atirarando-os para cima de esplanadas e contra as montras dos restaurantes.

Cerca de 20 minutos depois da confusão se ter instalado, a polícia chamou reforços de modo a ajudar as restantes forças políciais a se retirarem do local.

A maior parte dos polícias no local não se encontravam identificados.


2 Comentários

Fim das medidas anti-crise corta apoios a 186 mil pessoas e empresas

Com o fim das medidas, o Estado poupará 151,6 milhões de euros. A partir de 1 de Julho, parte dos apoios extraordinários criados para responder à crise económica e financeira são anulados, afectando a vida de 186.400 trabalhadores, desempregados e empresas.

Com o fim das medidas, o Estado poupará 151,6 milhões de euros. A  partir de 1 de Julho, parte dos apoios extraordinários criados para  responder à crise económica e financeira são anulados, afectando a vida  de 186.400 trabalhadores, desempregados e empresas. Helena André e José  Sócrates, foto Mário Cruz/Lusa.

Entre a crise social e o combate ao défice, o Governo escolheu o défice, tendo o Conselho de Ministros aprovado esta quinta-feira o fim destes apoios, incluindo o fim das medidas anti-crise no pacote de austeridade de combate ao défice.

A Ministra do Trabalho e Segurança Social, Helena André, frisou, no final da reunião, que a decisão de acabar com algumas medidas extraordinárias antes do final do ano mais não faz do que repor o regime que estava em vigor antes da crise económica. “Estamos a retirar medidas que eram temporárias e que se destinavam a responder a problemas de excepção e a reforçar outras medidas que já existiam no terreno”, disse a Ministra.

Só no caso dos incentivos ao emprego estão em causa 123,4 mil pessoas ou empresas que deixarão de poder aceder a apoios, ou seja metade do total de beneficiários que o Governo pretendia apoiar inicialmente (mais de 248 mil). Aqui se incluem apoios ao “lay-off”, redução dos descontos das empresas com trabalhadores com mais de 45 anos, requalificação de jovens licenciados em áreas de baixa empregabilidade e reforço da linha de crédito para desempregados que criem o próprio emprego.

Mas o número de afectados não fica por aqui. A estes há ainda que somar 63 mil desempregados e famílias que já não irão beneficiar dos apoios extraordinários e das majorações do subsídio de desemprego. Em causa está o prolongamento do subsídio social de desemprego por seis meses, a majoração em 10 por cento do subsídio pago aos desempregados com filhos, a redução do tempo mínimo de descontos necessário para ter direito ao subsídio (que era de 365 dias e passará aos 450 dias anteriormente exigidos pela lei) e ainda o fim do montante adicional do abono de família por conta das despesas de educação (e que desaparecerá entre o 2º e 5º escalão).

Embora o Governo não revele qual a execução financeira dos apoios, uma informação que será transmitida aos parceiros sociais no final de Junho, a Ministra do Trabalho anunciou que a retirada dos apoios agora decretado permitirá ao Estado poupar 151 milhões de euros.

Além dos apoios que acabam dentro de um mês, o Governo admite que ao longo deste ano poderá “descontinuar” outras medidas criadas para ajudar as empresas a responder à crise.

O Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, disse esta quinta-feira que o Executivo está a reavaliar todas as medidas e que, logo que se tornem desnecessárias, começará a retirá-las. “Estamos a fazer uma reavaliação de todo o conjunto das medidas que estão em vigor. Na área da Economia, por exemplo, esta avaliação está permanentemente em curso”, explicou, acrescentando que alguns apoios criados em 2008 e 2009 para apoiar os sectores mais expostos à crise já não fazem sentido e deu como exemplo os subsídios à formação dos trabalhadores do sector automóvel que também acabam a partir de 1 de Julho.


1 Comentário

Contenção salarial não chegou ao Ministério das Finanças

usura fiscal

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais nomeou uma jurista de 27 anos para o seu gabinete a ganhar mais do dobro dos juristas que já estão no quadro.

Mafalda Coelho Moreira foi nomeada por Sérgio Vasques no dia 6 de Maio e está a ganhar uma remuneração de 4088 euros por mês, mais IVA. Segundo o jornal “I”, o Ministério das Finanças justificou esta nomeação com a necessidade de “dar resposta atempada ao elevado volume de trabalho”, destacando o percurso profissional da contratada.

A nova jurista é sobrinha do presidente da Associação Comercial do Porto e segundo o Correio da Manhã, no ano passado auferiu rendimentos pouco acima dos mil euros mensais. Os juristas do Ministério estão incomodados com esta situação, uma vez que passam a ganhar metade da nova contratada por um período de um ano, “renovável sucessiva e automaticamente por iguais períodos de tempo”, segundo consta do despacho de nomeação assinado pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

Esta nomeação polémica evidencia a contradição entre o discurso da contenção salarial para a generalidade dos trabalhadores e as contratações a peso de ouro no Ministério de Teixeira dos Santos, que agora equiparou o salário desta licenciada em Direito pela Universidade Católica do Porto com um master em gestão para juristas, ao rendimento bruto anual correspondente a adjunto de gabinete.


1 Comentário

bloco central no aumento dos impostos

Passos põe na mão do Governo solução de inconstitucionalidade. CDS “atento”.

O PSD não vai travar a taxas adicionais de IRS no Parlamento, apesar de toda a polémica que a data da sua entrada em vigor e os pormenores técnicos da sua aplicação estão a gerar. “A administração fiscal e o Governo é que têm de nos pôr a coberto de qualquer problema de inconstitucionalidade”, disse ao DN Miguel Macedo, líder parlamentar social- -democrata.

Já ontem, o líder do PSD disse que a constitucionalidade da aplicação do aumento do IRS, questionada por sindicatos, “é uma questão técnica” e que a “intenção”, quando fechou o acordo com o Governo para o aumento extraordinário dos impostos, não foi que existisse retroactividade.

“Não sou constitucionalista, não quero substituir-me aos órgãos que devem pronunciar-se sobre a legalidade destas matérias”, frisou Pedro Passos Coelho, à saída de uma conferência no Instituto para a Promoção da América Latina.

O CDS também mantém reserva sobre esta matéria porque ainda não conhece a proposta de lei que sustenta o aumento do IRS. Mas Pedro Mota Soares, líder parlamentar do CDS, é muito claro sobre a eventual retroactividade das novas taxas, e deixa um aviso: “Estamos a aguardar com muita atenção a proposta de lei, mas nunca aceitaremos o aumento retroactivo dos impostos.”

Quanto ao facto de o ministro das Finanças ter anunciado que as taxas adicionais de IRS, de 1% e 1,5%, entram em vigor em 1 de Junho, quando o debate da proposta de lei só será debatida e votada a 2 do mesmo mês no Parlamento, Passos Coelho foi evasivo: “É uma proposta de lei, foi aprovada em Conselho de Ministros, e deverá também ter avaliação do Parlamento.”

Entretanto, o presidente do Tribunal Constitucional recordou ontem que, por norma, as leis fiscais não podem ser retroactivas, mas admitiu que podem existir excepções. “Em princípio, a Constituição pronuncia-se em sentido negativo em relação à retroactividade das leis fiscais”, referiu ainda Rui Moura Ramos.

Confrontado com a situação idêntica, decorrente da lei fiscal de 1983, que também teve efeitos retroactivos e o tribunal considerou constitucional, o juiz-conselheiro salientou que existem excepções. “Nessa altura também não existia expressamente na Constituição uma norma que dizia o que diz hoje, se bem que a situação pode ser vista em parâmetros semelhantes aos dessa”, salientou.


Deixe o seu comentário

coisinhas boas ,espanhuel – 31 da Armada

O “portunhol” de Sócrates é sobretudo uma manifestação da sua personalidade. Percebe-se ali o espírito de “desenrascanço”, um fura-vidas, uma enorme e algo autista confiança, a coragem, ousadia ou lata para enfrentar a elite económica e financeira de Espanha com tão parcos recursos..


Deixe o seu comentário

Suspeitos de afundarem finanças islandesas começam a ser detidos- e em Portugal?

07 MAI 10 às 00:29 TSF
Dois ex-directores do banco islandês Kaupthing, nacionalizado de urgência em 2008, foram presos esta quinta-feira. Mas a lista de possíveis detidos envolve mais de 125 personalidades, segundo a imprensa.
Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.
Os dois arriscam-se a uma pena de pelo menos oito anos de cadeia, bem como à confiscação de todos os bens a favor do Estado e ao pagamento de grandes indemnizações.
A imprensa islandesa avança que estas são as primeiras de uma longa lista de detenções de responsáveis pela ruína do país, na sequência do colapso bancário e financeiro da Islândia.
Na lista de possíveis detenções nos próximos dias e semanas estão mais de 125 personalidades da antiga elite política, bancária e financeira, com destaque para o ex-ministro da Banca, o ex-ministro das Finanças, dois antigos primeiros-ministros e o ex-governador do banco central.
A hipótese de cadeia e confiscação de bens paira também sobre uma dezena de antigos deputados, cerca de 40 gestores e administradores bancários, o antigo director da Banca, os responsáveis pela direcção-geral de Crédito e vários gestores de empresas que facilitaram a fuga de fortunas para o estrangeiro nos dias que antecederam a declaração da bancarrota.
Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a dez vezes o Produto Interno Bruto do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita.


2 Comentários

O PRINCÍPIO DO FIM DO EDUQUÊS?


Texto de Guilherme Valente publicado no “Público” de hoje (versão ligeiramente ampliada):

Demoraram, mas são boas notícias! Afinal o doutor Daniel Sampaio (tem nome e respeito-o) também é um crítico do eduquês (ver Pública, 16/5/10). Apesar de se tratar, como escreve DS, de um grupo de intelectuais, cujo nome não refere, que «´sabem`tudo sobre a escola», da «pressa crítica» que diz terem, do seu «discurso pessimista», do «narcisismo solitário e redutor das suas opiniões», «de se considerarem os únicos que têm razão», DS partilha, afinal, críticas que fazem ao eduquês. E isso é que importante! E vão aparecer mais. Não é novo na História. Pressinto que no final irá restar apenas a doutora Ana Benavente. Um mérito dela, talvez. «Sê tu próprio», exortava-se na Grécia Clássica.

O resto do que DS escreve, sem conseguir iludir quem conheça o pensamento e a acção do tal grupo de intelectuais cujos nomes DS omite, é irrelevante e será, porventura, do foro das afecções que os psicólogos costumam resolver. Os médicos não estão imunes à doença.

Apenas umas breves notas sobre contradições e erros mais gritantes:

DS afirma estar com os professores, mas umas linhas antes atribuíra a responsabilidade da indisciplina às «hesitações dos docentes» (com amigos assim…). Porém, em breve também nisso irá concordar connosco: na forma, no grau, na generalização como se manifesta, a indisciplina é um produto do eduquês. É mesmo um instrumento ao serviço do seu projecto insensato. Uma táctica que também não é nova na História. Esta é, digamos, a «causa formal». A «causa eficiente» é a desvalorização do papel do professor, a sua desautorização, o seu desprestígio aos olhos dos alunos, dos pais e da sociedade, perpretados pelo Ministério e os seus «especialistas» Tudo ligado à desvalorização relativista do conhecimento e da sua transmissão, ao facilitismo, enfim.

Como pode haver disciplina se defendem e impõem que se aprenda a brincar? Se vêem a indisciplina e, por isso, a suscitam, como revelação desejável de traumas e ressentimentos sociais? A verdade é que o sentido do bem e do mal, a inteligência, o sentimento e o juízo de justiça, não são qualidades sociais ou de riqueza, são qualidades humanas, que os pobres também têm. As crianças e os jovens não são insectos, como o eduquês as trata.

Estar ao lado dos professores é promover as condições para o ensino de qualidade que os realiza e dignifica. Pergunte-se aos professores.

E mais: não se percebe se DS reprova ou não a tolice ou o expediente das «competências»; se acha bem a «escola exigente, organizada e geradora de conhecimento e de progresso» (transmissora de conhecimento, precise-se).

Fala ainda na «exigente burocracia ministerial» – está a louvar ou a criticar a burocracia? — que «fez com que predominasse o pessimismo». Não se percebe aonde quer chegar. E — fantástico, mesmo que seja tão tarde — afirma que a «a escola deve garantir um mínimo de conhecimentos que possibilite aos jovens que não pretendem continuar a estudar a aprendizagem de um ofício que lhes permita um percurso de autonomia digna». Ora, os tais intelectuais «narcisistas» não se têm cansado de propor isso desde há muitos anos (DS esteve ausente no estrangeiro?), mas de modo muito claro e coerente: uma via técnica-profissional, com dignidade, qualidade e exigência iguais às da via de acesso ao ensino superior, oferecida aos jovens por iniciativa e com o apoio criterioso das escolas, a tempo de evitar o abandono, as retenções, ou os diplomas mentirosos que não correspondem a qualificação nenhuma. Uma via como existe, por exemplo, na Finlândia, sendo ali frequentada, aliás, pela maioria dos estudantes. A Finlândia, que gostam tanto de citar, mas citam quase sempre erradamente.

DS acusa esses intelectuais «redutores» de não apresentarem soluções. Não têm feito outra coisa se não sugerir soluções, desde logo mostrando o que é o eduquês . DS escreve como se fosse ele a ter proposto os exames sérios e universais e as vias técnico-profissionais, que agora diz defender.

E que soluções avança DS? Repare-se na solução que dá para a indisciplina: «A disciplina só será alcançada com um esforço conjunto dos professores, alunos, e pais». E o Ministério? Pensei que acrescentaria: colocando os alunos e os pais no mesmo plano dos professores… Como se os alunos fossem iguais aos professores, mas não.

Um ensino «que inclui», diz DS? Com 40% de abandono escolar? Ouvi o Senhor Primeiro Ministro falar em 30% (deve continuar a ser, portanto, mais de 40%), como se isso, tanto quanto percebi, fosse um êxito. E com que qualificações reais sai do sistema a maioria dos que não o abandonam? Não conheço hoje na Europa sistema de ensino que produza mais exclusão do que este do eduquês.

Atente-se na irresponsabilidade mais gritante: a aprendizagem da leitura e da escrita, os níveis de «iliteracia», palavra importada para evitar o termo português que toda a gente perceberia: analfabetismo funcional. Segundo o estudo comparativo mais recente, um estudo oficial, muito eduquês, aliás, na trapalhada nada inocente do seu conteúdo e da sua escrita iletrada, a percentagem de iliteracia (na verdade puro e simples analfabetismo, perguntem aos docentes) é em Portugal de 60%!!! Num País em que o analfabetismo é desde sempre a grande chaga, não seria a alfabetização real do País o grande desafio a empreender e a estar há muito vencido?

Continuo a pensar que o Primeiro-Ministro quis enfrentar o problema, como indica o facto de terem sido anunciadas algumas medidas acertadas, que há muito vínhamos propondo. Mas foram logo neutralizadas na sua concretização. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com a avaliação: inventou-se um modelo absurdo, impraticável. Provavelmente para distrair o País do essencial.

Fez-se muito, diz o doutor DS. Não fez. Fez-se apenas o que a mudança dos tempos impôs.

Não se aproveita nada? Não, não se aproveita nada. Quando não se consegue o mínimo, é preciso varrer tudo. Ou melhor, aproveita-se apenas a resistência de grandes professores, as suas práticas, o seu exemplo.

Grandes professores que resistem e continuam a salvar muitos alunos. Estive com Professores assim, recentemente, numa escola pública da Caparica, com professores e alunos que todos os dias enfrentam e vencem o delírio ou a insensatez do eduquês imposto pelo Ministério.

Tenho procurado explicar a natureza do eduquês, a essência do problema da educação em Portugal. Natureza que por ser impensável poucos compreenderam. E o eduquês pôde, assim, ocupar o sistema educativo, dominar as escolas de formação de professores, impor a ideologia e as teorias educativas que têm impedido a construção da escola que é imperativa para o progresso do País. Quando acabará o delírio ou a insensatez? Quem pára a besta?

Pessimista é quem desiste de lutar, quem se cala perante o mal, acabando, assim, por servi-lo. «Pessimistas», «redutores», «narcisistas», hoje os adjectivos são outros, mas o método velhíssimo. Argumentos, venham os argumentos e os factos.

Guilherme Valente

Posted by De Rerum Natura


Deixe o seu comentário

Incredibile: i prof non possono parlare male della scuola- tal como cá

Democrazia a rischio. Incredibile circolare dell’Ufficio scolastico regionale dell’Emilia Romagna. Secondo un testo inviato ai presidi, i prof non devono parlare male della scuola. In occasione della odierna, straordinaria assemblea dei lavoratori della scuola di Modena, preceduta da un corteo dalle dimensioni che non si vedevano da anni, i docenti assieme al personale Ata, chiamati dai sindacati uniti almeno in questa occasione, ha approvato una mozione contro il dirigente, di cui ha chiesto le dimissioni. ” – Video di Vincenzo Brancatisano, autore del libro inchiesta “Una vita da supplente”, Nuovi Mondi. Su facebook: “unavitadasupplente. http://www.vincenzobrancatisano.it, http://unavitadasupplentelibro.blogspot.com


3 Comentários

Redução de salários deve ser aplicada no público e no privado no topo das chefias

Redução de salários deve ser aplicada no público e no privado, diz Vítor Constâncio
O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, considerou que qualquer medida de redução de salários para diminuir o défice deve ser aplicada tanto ao sector público como ao privado

patriotismo

«A haver qualquer medida desse género, seja por uma via directa, seja por via de impostos, é evidente que tem de ser para todos», afirmou aos jornalistas, à margem de um jantar em sua homenagem no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa.

Vítor Constâncio, que a partir de 1 de Junho assume as funções de vice-presidente do Banco Central Europeu, defendeu que a evolução «do problema» dos desequilíbrios orçamentais e de dívida nos países membros da Zona Euro «requer alterações no sistema de vigilância e governação».

«Isso implicará alguma mudança não só nos mecanismos de vigilância, mas também alguma modificação no regime de sanções. O que se verificou nestes anos é que as várias instituições e regras previstas não funcionaram perfeitamente e algo vai ter que mudar», acrescentou.

Sobre a possibilidade de um ‘travão’ constitucional ao endividamento, Constâncio afirmou que este é «um problema político para cada país resolver no quadro das suas instituições».

«Mas várias soluções são possíveis. Todos os países membros são culpados pela actual situação, uns porque tiveram comportamentos menos adequados e outros porque não souberam exercer a vigilância prevista. Todos têm que aceitar reformas e a redução adicional da sua margem de autonomia», defendeu.

Questionado sobre se as medidas tomadas pelo Governo serão suficientes para a redução do défice, o governador do Banco de Portugal começou por realçar que a «execução orçamental até Abril está a correr bem».

«Se isso se confirmar, o cenário será um. Se daqui a alguns meses se verificar que a economia desacelera e que a execução orçamental já não se afigura tão positiva, a avaliação poderá ser outra», sublinhou.

Vítor Constâncio será substituído no Banco de Portugal por Carlos Costa.


Deixe o seu comentário

Governo corta nos prémios e progressões

Carteirista

Depois do congelamento dos salários em 2010, agora é a vez de as verbas destinadas às progressões facultativas e aos prémios de desempenho dos funcionários públicos sofrerem um corte de 40 por cento. Ao todo, os serviços e organismos públicos terão menos 19 milhões de euros para dar aos trabalhadores que se destacaram na avaliação de desempenho. Só as progressões obrigatórias escapam ao plano de austeridade do Governo e manterão as dotações previstas.

As medidas adicionais para conter a despesa pública foram anunciadas ontem pelo ministro das Finanças e fazem parte do decreto-lei de execução orçamental aprovado, mas entram em vigor de imediato. Também ontem, uma circular da Direcção-Geral do Orçamento foi enviada para todos os serviços dando conta das novas restrições a que estarão sujeitos.

Para este ano, o Governo tinha reservado 48,3 milhões de euros para premiar os funcionários públicos excelentes e para as progressões gestionárias e facultativas (que abrangem os trabalhadores com nota máxima na avaliação dos últimos dois anos, nota inferior à máxima nos três anos anteriores ou cinco notas positivas). Porém, dada a necessidade de reduzir as despesas, o executivo decidiu cativar 40 por cento desta verba, deixando apenas 29 milhões de euros disponíveis para estes fins e pondo em causa um processo que já estava a decorrer. Apenas os 51,6 milhões de euros para as progressões obrigatórias (que ocorrem sempre que os trabalhadores juntem dez pontos na avaliação) vão manter-se.

A austeridade vai obrigar o Governo a pôr na gaveta uma das principais mudanças que pôs em marcha na função pública: a possibilidade de os dirigentes decidirem premiar e promover os melhores trabalhadores. Teixeira dos Santos acaba por recuar face às garantias que deu no início do ano, quando disse que, apesar do congelamento dos salários, o Governo pretendia manter a atribuição de prémios aos funcionários públicos (no valor de um salário).

Mas os cortes na despesa não ficam por aqui. Ontem, o ministro das Finanças anunciou também a cativação de 20 por cento das verbas de todos os serviços públicos destinadas a comunicações, horas extraordinárias, subsídios de trabalho nocturno, representação dos serviços e assistência técnica. Com o investimento suportado pelo Orçamento do Estado acontecerá o mesmo.

O plano de contingência do Governo afectará ainda as receitas próprias dos serviços e fundos autónomos, onde se incluem as universidades, os institutos públicos, algumas inspecções e, como confirmou o Ministério das Finanças ao PÚBLICO, o Serviço Nacional de Saúde. Estes serviços serão obrigados a reservar, desde já, 20 por cento das receitas provenientes de taxas, multas e outras penalidades. Questionado sobre os montantes em causa, e que não poderão ser gastos, as Finanças responderam que se trata de “uma reserva que incide sobre uma receita à medida que vai sendo arrecadada, pelo que se torna, nesta fase, difícil antecipar o montante global”.

Ontem, foi ainda aprovado o novo instrumento de emissão de dívida pública, que será vendido a particulares, podendo estes beneficiar de taxas idênticas às praticadas nos Bilhetes do Tesouro e nas Obrigações do Tesouro.


Deixe o seu comentário

A metáfora e o tango – BAPTISTA-BASTOS

Tango

Não dei a mão ao Governo: dei a mão ao País”, disse Pedro Passos Coelho. É uma metáfora sorridente, destinada a justificar o conúbio deste PSD com o PS que por aí penosamente se move. A metáfora é uma forma de encantamento, e a dissimulação do que se não deseja abertamente dizer. Ao pretender salvar a pátria, deprimida e confusa, com um tropo linguístico, Passos coloca Sócrates num lugar errante e subalterno. Por seu turno, este, em Espanha, enche aquele de elogios, utilizando, também, uma metáfora, a do tango, para afirmar, ante uma plateia estupefacta, ter, agora, com quem dançar. Uma cena deprimente.

Sócrates já esvaziara de direcção e de sentido a sua política e a sua presunção. Mentiras, omissões, deambulações absurdas, uma certa pusilanimidade decisória tinham-lhe apagado o estilo e embaciado o retrato. Falou-se em arrogância o que, de facto, era falta de convicção, ausência de livros, ambiguidade ideológica. Está a descer rapidamente a rampa. Não sinto o mais escasso contentamento com dizer isto; pelo contrário.

Pedro Passos Coelho apercebeu-se da debilidade. E, igualmente, da oportunidade surgida das indecisões do adversário e do evidente mal-estar no PS. Até o cauteloso e matreiro Seguro, que sempre preferira expressar-se com frases evasivas e castos comentários, começou a protestar, no objectivo essencial de tomar lugar no proscénio. O PS anda numa deriva interminável e só agora o cândido moço desperta, com sobressalto. António José Seguro não passa, realmente, do rasto das coisas.

Quanto a Passos Coelho, ele sabe que não embarcou numa aventura perigosa. Se Sócrates cair, ele não se estatela porque desempenhou o bondoso papel de preferir a pátria ao partido. Acaso Sócrates sair vencedor destes imbróglios e surja aos olhos dos paisanos como a Fénix renascida, Passos Coelho desfrutará do lugar daquele que procedeu a grandes magnitudes e a decentíssimos comportamentos políticos.

José Sócrates talvez ainda se não tenha apercebido, ou apercebeu- -se e gosta da vaidade lisonjeada, de que está rodeado de sabujos, uma gente degradante, para quem o exercício de pensar é uma embaraçosa maçada. Basta assistir aos preopinantes que o defendem para aquilatarmos da natureza dos seus caracteres e da substância do que dizem. O caso da protelação do apoio a Manuel Alegre é uma pequena vingança de pequenos medíocres, sem aprumo nem grandeza, que chegam a espadeirar-se no insulto rasteiro.

O Governo é um descalabro, e o PS um partido enfermo pelo poder. Há uma corrosão acentuada na sociedade portuguesa. A impostura adquiriu carta de alforria: ninguém é culpado, ninguém é responsabilizado. Quem nos acode?


Deixe o seu comentário

Espanha vai rever todos os projectos de TGV

governo espanhol vai rever todos os projectos de TGV, garantindo apenas a conclusão, no final deste ano, da ligação de Madrid a Valência que, dentro em breve, entra na fase de testes.

<p>Governo de Zapatero adia projectos entre um ano e ano e  meio</p>

O anúncio foi feito no Parlamento, na quarta-feira, pelo ministro de Fomento, José Blanco, que apontou para um adiamento de entre um ano a ano e meio. A partir de agora, os técnicos analisarão o futuro dos diferentes projectos, à luz de uma severa política de austeridade com um corte de 3,2 mil milhões de euros este ano e uma redução idêntica em 2011.

“Há que rever a situação de todos os projectos e a programação dos investimentos previstos, embora as ligações ferroviárias continuem a ser uma prioridade”, disse hoje, ao PÚBLICO, um porta-voz do Ministério do Fomento. A mesma fonte assegurou que na revisão dos projectos serão considerados outros factores, como o impacto das ligações ferroviárias de alta velocidade no desenvolvimento económico das regiões, a singularidade ou a importancia de cada projecto. Nesta ponderação será também tida em conta a possibilidade de parcerias privadas que, neste momento, ainda não estão definidas. O Plano Extraordinário de Infraestruturas será financiado por capital privado mas ainda não foram definidas as obras afectadas.

“É cedo para concretizar os reajustamentos por projectos, mas a norma geral anunciada pelo ministro é a de que todas as actuações terão um atraso de entre um ano a ano e meio”, precisou o porta voz. Embora só dentro de semanas esteja terminado este processo de revisão, no Ministério de Fomento de Espanha reconhecem que o projecto de alta velocidade ferroviária se encontra em “stand by”. Alguns projectos poderão ser mesmo anulados. “Todas as obras, em todas as regiões, sofrerão atrasos de pelo memos um ano, todos os projectos serão reprogramados e alguns poderão ser anulados”, admitiu o titular de Fomento de Espanha perante os deputados. Por agora, está apenas confirmada a conclusão, no final do ano, da ligação da capital espanhola a València, que dentro em breve entrará em fase de testes. Do mesmo modo, já foi cancelada no final da semana passada, a escassas 24 horas do previsto, a cerimónia de colocação da primeira travessa na linha entre Madrid e Santander. Neste caso, é estudada a possibilidade de uma alteração do trajecto ou, mesmo, o seu adiamento.

São ainda desconhecidas as implicações da nova política de austeridade na ligação de alta velocidade entre a capital espanhola e Lisboa. Contudo, tudo indica que será abrangida pelo princípio genérico anunciado pelo ministro José Blanco de uma atraso entre 12 a 18 meses. Até porque, com os cortes orçamentais anunciados, diminui drasticamente a capacidade de licitação de obras.

Segundo o porta voz do Ministério do Fomento, o projecto encontra-se em várias fases. “Há um troço entre Cáceres e Badajoz que já foi adjudicado havendo algumas obras no terreno, há outros troços em fase de licitação e outros ainda só em projecto”, revelou. Pelo que é pouco provável que nenhum deles seja afectado pela malha da austeridade.


Deixe o seu comentário

Lula ataca “toda poderosa” Europa e Alemanha por demora a apoiar Grécia

por Lusa

O presidente brasileiro criticou hoje duramente a “toda poderosa” Europa, e especialmente a Alemanha, porque “demorou muito tempo” para ajudar a Grécia, com um modelo de decisão que “de colectivo, tem pouco”.

“Porque e que a Alemanha demorou tanto tempo para ajudar a Grécia? Como pode a toda poderosa Europa demorar três meses para resolver o problema a Grécia?”, questionou Lula da Silva, num seminário sobre a economia brasileira em Madrid.

“Só porque os países perderam o poder de fazer política monetária e dependem da decisão colectiva, que de colectiva não tem nada porque, ao fim ao cabo, quem tem mais dinheiro é que toma a decisão”, disse.

Um atraso, afirmou Lula da Silva, que “levou ao pânico” e que ajudou a espalhar os problemas a outros países.

O presidente do Brasil encerra hoje as jornadas “Brasil: Aliança para a nova economia global”, em Madrid, em que políticos e investidores vão discutir as oportunidades da economia brasileira.

“Estou a ver agora o Zapatero [primeiro ministro espanhol] a pagar por uma crise com a qual não teve nada que ver. E os responsáveis pela crise fazem de conta que não é nada com eles”, afirmou Lula da Silva.

“E países como Espanha e Portugal sofrem mais porque são menores, numa Europa de outros poderosos, mas fragilizada pela falta de seu controlo do sistema financeiro”, disse.

Num ataque ao atual sistema de governação global, Lula da Silva reclamou para o Brasil o direito a ser “um ator global”, tanto pela sua crescente importância – “pode ser a quinta economia em alguns anos” – como por não concordar com o actual sistema.

“A governação global de hoje representa o mundo político de 1945, mas não o mundo político de 2010. É preciso mudar. Ter em conta a existência de África, do Médio Oriente e todas as suas confusões, a América Latina, a Índia, o Japão”, disse.

“E nós estamos a brincar com isto há mais de sete anos, apesar de 140 países terem assinado a favor da reforma da ONU. Tudo porque quem já está sentado na cadeira não quer mudar”, disse.

Para Lula da Silva, a falta de actualização do sistema de governação global demonstra as suas fraquezas na crise económica que ainda perdura.

“Não é possível continuar assim. Não é possível numa crise económica como esta não ter uma instância multilateral que liderasse o debate. O G20 funcionou no primeiro momento, mas o poder de decisão do G20 é muito escasso. As pessoas não cumprem. Cada um vota pelo seu país e as pessoas não cumprem”, afirmou Lula da Silva.

“Qual é o organismo multilateral que evita paraísos fiscais, que garante a supervisão e regulação do sistema financeiro?”, questionou ainda.

Para o presidente brasileiro este é o momento para actuar porque “se o mundo continuar assim, haverá problemas sérios para todos”.

“Temo que as pessoas pensem que a crise acabou. Não acabou e não sabemos as consequências que vai ter”, disse.

“A crise está assim como o vulcão da Islândia, lançando uma bocadinho de cada vez para nos estragar as viagens”, afirmou.


Deixe o seu comentário

A DITADURA NAZI DO IV REICH -PERDEU A GUERRA MAS GANHA-A AGORA

Alemanha propõe corte de fundos estruturais a quem violar regras de estabilidade

A Alemanha vai propor que os Estados da zona euro que violem as regras da estabilidade deixem de receber temporariamente fundos estruturais, noticia hoje o matutino de economia Handelsblatt.

Nos casos mais graves, os países que não cumpram o Pacto de Estabilidade e Crescimento deverão mesmo perder o direito de voto no Conselho Europeu durante um ano, diz-se num documento de trabalho do Governo a que o jornal alemão teve acesso.

Trata-se de um plano em nove pontos que o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, e o ministro da economia, Rainer Bruederle, elaboraram em conjunto com a chanceler Angela Merkel para evitar futuras crises orçamentais nos países da moeda única, diz o mesmo jornal.

O plano, que deverá ser apresentado na sexta-feira, em Bruxelas, na primeira reunião do grupo de estudo de medidas anticrise da UE, liderado pelo presidente do Conselho Europeu, Hermann van Rompuy, prevê também que os planos de estabilidade dos países da zona euro sejam sujeitos a uma análise rigorosa e independente, escreve o Handelsblatt.

Tal análise deverá ser efectuada pelo Banco Central Europeu (BCE) ou por outra instituição credível, sem pôr em causa, no entanto, a soberania dos parlamentos nacionais, ressalva o documento.

Comissão já propôs exame prévio dos orçamentos nacionais

A Comissão Europeia propôs na quarta-feira passada um exame prévio dos orçamentos nacionais dos Estados-membros, antes de estes serem submetidos aos parlamentos nacionais.

Na ocasião, um porta-voz do Ministério das Finanças alemão sublinhou que “é preciso distinguir entre Estados que pedirem ajudas financeiras à União Europeia e Estados que não o fizeram”.

O plano esboçado em Berlim propõe ainda a adopção de um quadro legal que possibilite a insolvência ordenada de um determinado Estado-membro.

A introdução de um travão à dívida pública, através de uma emenda constitucional, com base no modelo já em vigor na Alemanha, não foi referida no documento, embora tenha sido sugerida por Wolfgang Schaeule nas reuniões dos ministros das Finanças do Eurogrupo e do ECOFIN, no princípio da semana, em Bruxelas.