
O presidente alemão anunciou esta tarde a resignação ao cargo. A decisão tem efeitos imadiatos e surge na sequência de declarações polémicas sobre a participação militar da Alemanha no Afeganistão.
Horst Koehler insinuou durante uma visita ao território afegão que a presença das tropas germânicas no país tinha como propósito a defesa de interesses económicos.
“Lamento que os meus comentários tenham conduzido a um erro de interpretação sobre uma questão importante e difícil”, disse na hora da despedida.
Tais acusações “não têm qualquer justificação e representam uma falta de respeito pelo mais alto cargo do Estado”, afirmou Koehler.
Numa recente entrevista à emissora pública de rádio Deutschlandfunk, à margem de uma visita ao contingente militar alemão no Afeganistão, Koehler afirmou que as missões militares deveriam também servir os interesses da Alemanha, provocando uma vaga de protestos.
O presidente democrata cristão afirmou mais tarde que tinha sido “mal interpretado” e que as suas palavras não se tinham referido à missão militar no Afeganistão, mas sim, por exemplo, à participação da marinha alemã na defesa das rotas marítimas contra piratas na costa da Somália.
A chanceler Angela Merkel foi repetidamente instada, na semana passada, a comentar a polémica em torno das declarações do presidente, mas remeteu-se ao silêncio.
Koehler, candidato apresentado pelos democratas cristãos e liberais à presidência da República, foi eleito pela primeira vez em maio de 2004, de forma indirecta, na Assembleia Federal, e cinco anos mais tarde foi reeleito para um mandato de mais cinco anos, que devia terminar em 2014.
Na Alemanha, as funções do presidente são sobretudo representativas, mas cebe-lhe também dar posse ao governo ou aceitar a sua demissão, e promulgar as leis.
Koehler ocupava o cargo desde 2004 e foi reeleito no ano passado. Depois da II Grande Guerra, é a primeira vez que um presidente resigna ao cargo na Alemanha.




































