Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


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‘Valores socialistas foram totalmente renegados por José Sócrates’, acusa Pureza

O líder da bancada parlamentar do BE, José Manuel Pureza, afirmou hoje que os «valores socialistas foram totalmente renegados pela direcção política de Sócrates» e que «Passos Coelho cada vez que fala do programa do PSD pede imediatamente desculpa».

Na sua primeira aparição na campanha nacional do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, cabeça de lista por Coimbra, condenou a «campanha de nevoeiro» dos grandes partidos, «que acima de tudo procura envolver em névoa a falta de referência aos programas dos partidos».

«Passos Coelho, de cada vez que fala do programa do PSD, pede imediatamente desculpa. Tem sido assim invariavelmente», condenou, referindo-se às prestações sociais para «malandros» e à questão do aborto.

Segundo Pureza, que falava num comício em Santarém, o «Eng. José Sócrates a única coisa que sabe dizer sobre as propostas do Partido Socialista é que está chocado com as propostas do PSD».

«O nevoeiro vai abrir mas sabemos que o que vem a seguir é uma enorme tempestade», disse.

Considerando que «esta campanha eleitoral é sobre calotes e credores», o líder da bancada parlamentar do BE defendeu que o «BPN é o grande calote que nós temos diante de nós».

«Temos que falar com todos os socialistas que estão profundamente desapontados e indignados com um Partido Socialista que está mais à direita do que nunca na sua história, para quem a cultura socialista, os valores socialistas foram totalmente renegados pela direcção política de José Sócrates», enfatizou.

Também o cabeça de lista por Santarém, José Gusmão, afirmou que pedir um empréstimo sabendo que não se pode pagar, «isso sim é comportamento de caloteiro, aquele que tem PS, PSD e CDS».

No almoço no Entroncamento, José Gusmão tinha deixado uma crítica ao facto de Fábio Coentrão ter estado hoje em campanha com José Sócrates, nas Caxinas.

«O PS, a única forma que tem de introduzir alguma coisa de esquerda nesta campanha, é chamando Fábio Coentrão», disse, com tom irónico já que o jogador do Benfica é lateral esquerdo.


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Revolução nos horários médicos

Os horários dos médicos vão sofrer uma alteração radical. Numa circular enviada a todos os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) recomenda a criação de equipas de médicos só para trabalhar nas urgências, a implementação do trabalho por turnos, o fim das horas extraordinárias e ainda a apresentação de escalas anuais com horários e previsões de folgas dos clínicos.

Esta directiva foi emitida a 13 de Maio, dias depois de o Governo ter assinado o acordo com a troika do BCE/UE/FMI, em que esta impõe a implementação de horários flexíveis para os médicos e o corte de, pelo menos, 10% nos custos com horas-extra em 2012 e outros 10% em 2013.

No documento, a ACSS frisa que as instruções tiveram a aprovação da ministra da Saúde. Estipula-se que «o serviço de urgência deverá ser assegurado, entre as 8h e as 20h, de segunda a sexta-feira, por equipas dedicadas». E que à noite, nos dias úteis, entre as 20h e as 8h, assim como aos fim-de-semana, sejam «equipas complementares» a assegurar a urgência – equipas estas constituídas por médicos dos vários serviços de especialidade, que se organizariam por turnos.

«Não é possível que os hospitais, especialmente os mais pequenos, possam aplicar esta norma de criação de equipas dedicadas ou fixas pois não têm profissionais em número suficiente para o fazer» – alerta Sérgio Esperança, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), acrescentando que os sindicatos foram surpreendidos com esta directiva que nunca esteve em negociação.

A mesma crítica vem do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). «Nada disto foi negociado e o que está aqui em causa é o trabalho por turnos, como têm os enfermeiros. É a destruição do trabalho de equipa dos médicos», defende Paulo Simões, cirurgião e dirigente daquele sindicato, lembrando que «ninguém quer trabalhar só nas urgências, pois são serviços com muito más condições».

Cortes de 30% no ordenado
Um dos objectivos da circular é acabar com as horas-extra, que são feitas sobretudo nas urgências e que em 2010 obrigaram o Estado a desembolsar 350 milhões de euros.

Ora, as equipas dedicadas receberiam um ordenado para assegurar as urgências, acabando com as horas-extra diurnas. À noite e aos fim-de-semana, o trabalho na urgência seria dividido pelos médicos dos outros serviços, fazendo cada um as 12 horas ‘de banco’ (já previstas na lei como incluídas no horário).

Os médicos dizem-se «muito preocupados» com as implicações na remuneração: «É uma machadada. Se os médicos já tinham um corte de 10% no ordenado, agora, com estas medidas, vão ter um corte 30% ou mais» – diz um médico de medicina interna. «Devia-se ter alterado primeiro o ordenado-base dos profissionais, que é uma vergonha» – argumenta outro clínico, sublinhando que o Estado aproveitou as horas-extra para ir compensando os médicos dos hospitais públicos com «péssimos ordenados». Segundo Paulo Simões (do SIM), «um assistente graduado e com 20 anos de carreira ganha 2.200 euros ilíquidos».

Outras das medidas da ACSS é forçar o funcionamento dos blocos operatórios e das consultas externas durante todo o dia e não apenas ate às 15h, como sucede em muitos hospitais. Para isso, é introduzido o «desfasamento» dos horários dos médicos – ou seja, em cada serviço, os respectivos profissionais têm de garantir que há sempre alguém a trabalhar, de forma a assegurar a cobertura assistencial entre as 8h e as 20h.

A determina ainda que seja feita «uma escala anual» para as urgências, com todos os médicos, e que os hospitais devem «registar a assiduidade» dos clínicos.


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Memorando da troika: Governo engana os portugueses

Para grande surpresa, o memorando da troikaque foi primeiro divulgado apenas em inglês e que o Aventar traduziu não é aquele que posteriormente foi assinado pelo governo na reunião do ECOFIN duas semanas depois. Existe uma segunda versão do documento e esta é que foi assinada pelo governo.

Diferenças:

  • Alterações menores (?) de calendário [Público]
  • «As empresas municipais e regionais passaram a ser mencionadas especificamente, ao contrário do que acontecia no documento original. Ainda que com prazos mais alargados, estas empresas a cargo das Câmaras Municipais e regiões autónomas vão ser sujeitas ao mesmo tratamento que as empresas tuteladas pela administração central.» [Expresso]
  • Concurso para nova licença UMTS/3G à qual não poderão concorrer os actuais operadores [Negócios]
  • As alterações à Taxa Social Única (TSU) têm de estar preparadas com um estudo a a concluído até Julho deste ano  o que significa, segundo Passos Coelho, que o governo já tenha decisões tomadas neste momento [ionline]
  • Alterados prazos para mudanças no regime de indemnizações por despedimentos [Público]
  • Alterações ao regime da contratação pública foram adiadas três meses [Negócios]

Como se tudo isto já não fosse mau, escreve o Negócios:

«Por outro lado, conforme consultado pelo Negócios, há erros significativos de tradução na versão portuguesa. O exemplo é quando se fala na necessidade de se baixar as tarifas de terminação móveis a tradução descreve-as como “taxas de rescisão móveis”.» [Negócios]

Não, isto não são «aperfeiçoamentos técnicos». São alterações sobre o que foi tornado público, usado no debate político e tomado como referência para os diversos partidos se pronunciarem quanto ao acordo (no caso, PSD e CDS).

Existir uma nova versão do documento e ninguém disso saber é o aspecto mais grave, já que demonstra falta de transparência  por parte do governo. Mas como se isso não chegasse, as diferenças são significativas.

O governo enganou  os portugueses por não ter tornado públicas estas alterações. E viciou o debate (com a TSU, por exemplo) lançando uma campanha de medo quanto à ao Estado Social quando é o próprio governo que já terá planos para a TSU, a apresentar já em Julho. Só falta saber quais e, já agora, antes das eleições, caso não seja pedir muito.

Já agora, uma curiosidade: «Em cerca de 20 discursos, esta foi a primeira vez que José Sócrates mencionou o memorando que o Governo assinou com a troika numa acção de campanha. (…) Na mesma altura, sabia-se em Lisboa que a afinal tinha havido não um, mas dois documentos assinados com a troika.» [TVI24]

Ver também: algumas das metas do memorando da troika a cumprir.


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Louçã apela a ‘voto útil’ no BE

“Queria falar do voto útil pois considero que Leiria é dos melhores locais para isso já que PS, PSD e CDS apresentam uma tripla de direita”, disse esta sexta-feira à noite o líder do BE.

Francisco Louçã passou a dizer que o voto útil “é um voto de esquerda ” e apelou a quem é socialista e votou Sócrates “que pense agora o que vai fazer a 5 de Junho”.

O líder bloquista disse ser necessário pensar o que se faz no país “nos próximos 13 anos em que Portugal vai estar a pagar o acordo agora assinado com a troika”.

Apelou mesmo a que se olhasse para as crianças que brincam na praça e se veja o futuro. Frisou que apesar da importância e de terem assinado o documento com a troika os líderes do PS,PSD e CDS agora tenham dúvidas. E perguntou : “Então não sabiam do que falavam? Será que a campanha tem de começar de novo para eles nos dizerem afinal do que falavam?”, disse Louçã.

O líder do BE passou a explicar que existem dois documentos assinados pelo governo português. “Um não traduzido para português mas que foi assinado em nome dos portugueses. Mas existem diferenças entre as versões de 3 e 17 de Maio e considerou assim espantoso que duas semanas depois os partidos venham com cara de caso dizer que não conheciam bem o texto”,disse.

E voltou a perguntar: “Já repararam que eles nunca falam do texto que assinaram. Um emigrante até pode pensar que “a troika é um grupo de rock que vem ao festival da Zambujeira do Mar!” O líder do BE apelou aos partidos que “não finjam que não sabem”.

Louçã diz que a grande diferença entre uma versão e outra é antecipar para Julho os cortes no subsídio de despedimento que querem facilitar.

Antes o actual deputado e cabeça de lista por Leiria, Heitor de Sousa, disse que o comício decorria numa altura em que se está a entrar na segunda parte da campanha e em que mais nenhum partido para além do BE apresentou propostas distritais.

Frisou ainda que os programas eleitorais do PS,PSD e CDS são “a fingir, pois mesmo que prometam o céu existe é um inferno que nos espera”.

Já Helena Pinto , actual deputada, veio falar no voto de 5 de Junho dizendo que “o BE quer resgatar a verdade em que vivemos”. Considera ter havido “opções contra as pessoas enquanto uns assinam de cruz um documento que facilita os despedimentos e acaba com a Segurança Social Pública”.

Disse que a palavra social na boca de Sócrates “ficou vazia pois ele já a vendeu há muito”. Para o BE “o verdadeiro resgate tem data marcada para 5 de Junho” e reafirmou a “necessidade de se renegociar a dívida”.

Márcia Cardoso – advogada há mais de um década e independente pelo BE nestas eleições – foi a primeira oradora para dizer ser confrontada diariamente com processos de insolvência que aumentam os despedimentos e apelou à assinatura de uma petição contra os precários.

O comício do BE em Leiria começou com a música do grupo ‘os chocalhos’ que foram aquecendo o ambiente até às declarações políticas. Curiosamente neste comício de Leiria as bandeiras eram apenas vermelhas e roxas o que contrasta com o colorido de outras iniciativas desta campanha para as legislativas de 5 de Junho


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Francisco Louçã: Contra um novo referendo ao aborto, ataca Pedro Passos Coelho

“Vou vencer as sondagens”.

Líder do Bloco de Esquerda acusa Sócrates de desleixo, injustiça e facilitismo. Diz que vai ganhar às sondagens no dia das eleições.

 

Correio da Manhã – Acusa José Sócrates de governar com “entusiasmo liberal”. Foi esse entusiasmo que levou o País ao estado actual?

Francisco Louçã – O entusiasmo liberal é a desregulação do sistema financeiro, com aquela velha máxima de que a banca se regula a si própria e depois tivemos uma catadupa de crises bancárias que o contribuinte, os depositantes, enfim, os portugueses pagaram. Nacionalizámos prejuízos. É o caso do BPN. Os portugueses todos juntos pagaram, com o BPN e com o BPP, 2250 milhões.

- Não compra a versão do ministro das Finanças de que existia um risco para o sistema bancário?

- Havia riscos sistémicos que tinham de ser protegidos antes e que têm de ser protegidos em qualquer caso. Mas a nacionalização daqueles prejuízos foi trazer o risco sistémico para o contribuinte. Havia outras formas de agir há muito tempo. Toda esta delinquência financeira que foi a liberalização de olhos fechados, digamos assim… no essencial, a outra face da moeda, é que este Governo foi um governo de favorecimento.

- Quer dizer que foi uma governação baseada em interesses?

- É uma coligação de interesses que governa a economia portuguesa.

- É a avaliação que faz destes anos de governação de José Sócrates?

- Houve fases muito diferentes, medidas positivas. O complemento solidário de idosos é uma boa medida, que ajuda a compensar as pensões mais baixas num sistema que é deficitário, que tem uma dívida interna para os seus pobres. Os milhões de portugueses que são pobres são sobretudo os idosos e as pensões são baixas. Mas a gestão financeira e económica, as Parcerias Público–Privadas, a quebra do investimento, o facilitismo fiscal, o descontrolo de desregulação do sistema bancário que deu crises como o BCP, como o BPN, como o Banco Privado, teve um custo enorme para os portugueses. Significou desleixo, incompetência, muita injustiça e muito facilitismo. E tem um preço, porque nos atrasámos e estamos numa situação muito mais difícil agora.

- Há pontos de vista comuns entre o memorando da troika e o programa do Bloco. O BE defende a suspensão imediata das Parcerias Público-Privadas (PPP) e a troika também…

- Há hoje quase um consenso, já ninguém se atrevia a propor novas PPP, o problema é a renegociação. Eu digo que nós não podemos pagar 5% quando a economia está a cair, mas também não podemos pagar 14% que é o que se paga nas PPP.

- O BE quer renegociar…

- O juro exorbitante da dívida interna, já para não falar dos 10 mil milhões a que eu me referia, do reforço das seis concessões das Scut, que o tribunal alega até serem ilegais e abusivas, tem um juro de tal modo brutal sobre a economia que nós temos de a resgatar. Temos de renegociar essa dívida para baixar o juro. Não podemos continuar a pagar concessões de auto-estradas ou hospitais a 12% ou a 14% de juros.

- Recusou-se a falar com a troika. Não passou para o eleitorado uma certa ideia de inutilidade do BE?

- Passou a ideia da inutilidade do PSD e do CDS, porque Portugal não tem três governos, não tem governos-sombra. Partidarizar um negócio, uma negociação desse tipo é degradar a imagem do País.

- As sondagens que temos conhecido colocam o Bloco de Esquerda abaixo do que obteve nas últimas eleições. Teme o voto útil à esquerda como parece estar a ocorrer?

- Eu aprendi muito com as sondagens e vou vencê-las, quero vencê–las, estão totalmente enganadas com o Bloco de Esquerda. Hoje, a disputa do BE é a indecisão.

- A questão de um possível referendo à Lei do Aborto foi trazida por Passos Coelho para a campanha eleitoral. Faz algum sentido agora?

- Eu defendi um valor que foi aprovado pelos portugueses neste referendo que escolheu que as mulheres não fossem criminalizadas. E um referendo é sobre questões desta natureza, não sobre a regulamentação da lei. Não há referendos por isso, com franqueza. Isso é de uma superficialidade política inaceitável.

- Mas não há espaço para melhorar a lei, para a alterar?

- Não tem nenhum sentido repor na sociedade portuguesa um debate a favor da criminalização das mulheres, isso não tem base nenhuma.

- A lei não pode ser modificada?

- A lei funciona bem, tem funcionado muitíssimo bem.

“JOSÉ SÓCRATES JÁ METEU O RABO ENTRE AS PERNAS”

CM – Explique lá melhor a história da carta do Governo que apresentou no debate com José Sócrates. Afinal, a carta existe, não existe?

Francisco Louçã - O engenheiro Sócrates já meteu o rabo entre as pernas, se me permite a expressão. Há dois memorandos. Há um que o Governo traduziu depois de ter sido abanado num debate eleitoral – e um segundo que não traduziu, anexo à carta de intenções escrita ao FMI. Foi isso que eu citei e diz que será apresentado em Outubro uma alteração da Segurança Social. Essa alteração, que está no texto que citei e que atrapalhou o primeiro-ministro, terá de ser uma redução substancial da contribuição patronal para a Segurança Social do trabalhador. O primeiro-ministro é que nunca quis explicar o seu compromisso com o FMI a este respeito.

- Estaria disponível para um acordo pós-eleitoral com um PS vitorioso?

- Não. O PS fez acordo com a troika. E tem um compromisso que é cortar as pensões. O Bloco de Esquerda tem um outro compromisso que é defender as pensões.

- Está fora de questão qualquer entendimento com o PS?

- Está fora de questão proteger uma política incompetente que leva Portugal à bancarrota. Nós queremos todos os compromissos para que se caminhe para um governo de esquerda. E queremos o Bloco de Esquerda tão forte nestas eleições que nos faça avançar nesse sentido. Mas tem de ser um combate contra a bancarrota.

- É um dos políticos mais veteranos da cena política nacional. Qual é o seu prazo de validade no BE?

- Isso o Bloco de Esquerda decide.

- E se o BE tiver uma votação inferior à que obteve nas últimas eleições. Coloca o seu lugar à disposição?

-Essa pergunta só respondo na noite das eleições. Não tem sentido porque não estou nestas eleições para ter um resultado inferior, mas para ter um resultado superior.

PERFIL

Francisco Louçã, 54 anos, é natural de Lisboa. Licenciou–se em Economia, no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, onde concluiu também o doutoramento. Actualmente, dirige um dos centros do investigação científica da escola, a Unidade de Estudos sobre a Complexidade na Economia. Fundador do BE em 1999, é coordenador do partido desde então.


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EUA a caminho da recessão

As Nações Unidas estimam que o PIB mundial crescerá menos em 2011 e 2012 do que em 2010. Paul Krugman fala que vivemos uma “fase inicial de uma terceira depressão nos Estados Unidos”.

A economia mundial vai crescer em 2011 apenas 3,1% e em 2012 um pouco mais, 3,5%, taxas de crescimento anuais inferiores ao crescimento verificado em 2010 que se terá cifrado em 3,6%.

O que esta sucessão significa é que a economia mundial vai abrandar. E pode até ficar muito mais abaixo: o crescimento pode sofrer reveses e descer abaixo de 2%! Quem o diz hoje são as Nações Unidas, que divulgaram o seu relatório sobre a situação e perspetivas para a economia mundial em 2011.

Este abrandamento é derivado de dois fatores: a permanência de problemas estruturais nas economias desenvolvidas que impedem uma descolagem económica efetiva e o abrandamento também nos países em desenvolvimento e economias emergentes que crescerão apenas 6% entre 2011 e 2012 abaixo dos 7% de 2010.

Um ponto percentual a menos no crescimento do mundo em desenvolvimento e emergente tem um efeito dominó no PIB mundial, pois desde o 4º trimestre de 2009 que essa parte do globo contribui com mais de 50% da expansão da economia mundial.

A ONU admite inclusive que uma nova recessão poderá bater à porta da Europa, Estados Unidos e Japão.

Facilitismo monetário e estagflação

O pessimismo, entretanto, regressou à academia americana. Ronald McKinnon, da Universidade de Stanford, afirma que a economia da primeira potência mundial já entrou em estagflação, o palavrão de economês que significa que a economia vive uma mistura de estagnação económica com inflação e alto desemprego.

McKinnon salienta que o índice de preços dos produtos acabados – excluindo serviços e preços da habitação – aumentou 6,8% em abril e que o desemprego atingiu os 9%. O professor de Standard alertou para um padrão similar ao dos anos 1970: “A estagflação derivou de uma política monetária facilitista conjugada com tentativas de desvalorizar o dólar, o que levou à saída massiva de dinheiro quente que desestabilizou os sistemas monetários dos parceiros comerciais da América. Ainda que a estagflação de hoje não seja idêntica, as parecenças são chocantes”.

Krugmam: uma terceira longa depressão

Paul Krugman vai mesmo mais longe. “Temo que estejamos a viver a fase inicial de uma terceira depressão”, afirma o professor de Princeton, esta semana, na sua coluna “The Conscience of a Liberal” publicada no The New York Times.

O Nobel de Economia alvitra que poderemos estar a atravessar um período similar ao da longa depressão do século XIX, entremeado por alguns períodos de retoma que nunca conseguiram reparar o estrago inicial e que acabaram em recaídas.

Krugmam cita o economista Brad DeLong, da Universidade de Berkeley, que escreveu, esta semana, um post sugestivamente intitulado: “Time to Panic”. A razão do pânico nos Estados Unidos: não houve fecho do fosso (entre o crescimento real efetivo e o crescimento potencial) nos últimos seis trimestres desde o final de 2009, depois de uma recuperação desde o pico da recessão em 2008.


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PS, PSD e CDS propõem “comissão administrativa” para o país, diz BE

Francisco Louçã acusou esta quinta-feira à noite PS, PSD e CDS de proporem uma “comissão administrativa” para gerir os destinos do país, em vez de um Governo.

O líder do Bloco de Esquerda (BE) falava num comício no auditório Incrível Almadense, em Almada. E acusava os “partidos da troika” – PS, PSD e CDS – de não irem “deixar pedra sobre pedra” e de conduzirem Portugal à bancarrota.

“Eles não escondem, dizem que o resultado desta política é mesmo a destruição da economia”, acusou o bloquista, referindo-se aos cortes nas pensões e nos salários, mas também às reduções na saúde e na educação.

“Sócrates nunca falará numa proposta”, afirmou, porque não tem “uma ideia” para o país. “Não o ouviremos dizer uma palavra” sobre saúde, Segurança Social ou investimento público”, acrescentou Francisco Louçã.

Continuando a fazer do primeiro-ministro o alvo das suas críticas, num dia passado no distrito de Setúbal, Louçã tinha também um recado para Paulo Portas. O coordenador do Bloco criticou o líder do CDS, que “assina o que não lê ou não se preocupa muito com aquilo que assina”, já que agora se insurge contra as privatizações, quando antes assinou um acordo que as prevê.

«Não se atreva a direita a fazer joguinhos políticos a partir do desrespeito em relação às pessoas», disse.

Segundo o coordenador do BE «a campanha estava quase vazia» mas «hoje alguma coisa se discutiu», apesar de ser «uma nuvem passageira» que vai logo desaparecer.

«Paulo Portas veio dizer que estava preocupado – vejam só, não tenho dúvidas nenhumas, preocupação sincera, profunda – com a fúria privatizadora que existe em Portugal», disse o bloquista, ironicamente.

E foi aí que Louçã utilizou o seu iPad para ler aquilo que figura na página 14, no ponto 3.31 «do memorando que Paulo Portas assinou: o Governo acelerará o programa de privatizações».

«Fúria privatizadora. Das duas, uma: ou o Dr. Paulo Portas assina o que não lê ou não se preocupa muito com aquilo que assina», criticou.

Mas o cabeça de lista por Lisboa disse perceber «porque é que a direita e o Governo não querem discutir este programa» e por isso «vai fazer-lhes um favor que é passar a ler todos os dias, sempre que for necessário, um trecho do programa que eles assinaram os três».

«Porque é bom que eles ouçam qualquer coisa e que nós saibamos o que é que eles estão a propor, o que é que querem fazer no dia 6 de Junho», sublinhou.

Perante a plateia, Louçã aproveitou para contar uma história. Falou então de um “velho contrabandista de porcos” que, mandado parar na fronteira, disse que não transportava mercadoria. Mas um “bicho” estava lá dentro. E rematou: “É mesmo assim que estão estes políticos. Quando lhe perguntamos pelo programa é ‘credo, um bicho’”!


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Bloco de Esquerda defende auditoria urgente à dívida pública

O Bloco de Esquerda defende a realização de uma auditoria urgente à dívida pública como forma de aferir a responsabilidade pela situação do país e como primeiro passo para a renegociação com os credores.

Em declarações à agência Lusa, o eurodeputado Miguel Portas considerou que “a realização de uma auditoria é a medida mais urgente que o país tem para enfrentar o problema da dívida pública”.

Promover uma investigação formal, como está a acontecer na Islândia e nos Estados Unidos é para Miguel Portas essencial para conhecer a “exacta composição da dívida, a sua evolução e para proceder ao apuramento de responsabilidades”.

O Bloco de Esquerda diz estar disposto a debater a melhor forma de realizar esta auditoria, considerando que há várias opções e que não é obrigatório que seja uma investigação parlamentar.

“Pode ser uma auditora externa ou pode ser internada, movida pelos próprios organismos do Estados. Nós temos um Tribunal de Contas que é reconhecido pela sua enorme competência”, afirmou Miguel Portas.

O membro do Banco Central da Islândia Gylfi Zoega defendeu que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado e bancos, e porque o fez.


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«Espelho meu, espelho meu, quem é mais desonesto do que eu», disse, em tom irónico, sobre PS e PSD.

O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, condenou quarta-feira o facto de Portugal ter passado de endividado a endividadíssimo com o pedido de ajuda externa, criticando o facto do empréstimo, a juros extorsionários, «não entrar na economia portuguesa».

No segundo comício do quarto dia de campanha, em Évora, Francisco Louçã centrou grande parte do seu discurso na explicação sobre o empréstimo que Portugal vai receber, decorrente do acordo assinado com a troika, o «contrato das letras pequeninas e dos números grandes».

Mas antes destas explicações, o líder do BE voltou a referir que «esta campanha eleitoral não ajuda o país».

«Espelho meu, espelho meu, quem é mais desonesto do que eu», disse, em tom irónico, sobre PS e PSD.

Louçã comentou ainda a forma como Pedro Passos Coelho cantou quarta-feira uma canção das Doce:

«Hoje apareceu também, como acontece sempre nestes grandes momentos de emergência nacional, aquilo que faz sempre falta no meio deste espectáculo: uma velha glória do cançonetismo dos anos 80 para poder ilustrar de alguma forma o que um candidato tem a dar ao país», criticou, implicitamente.

Mas Louçã foi mais explícito: «hoje veio Mário Soares dizer: José Sócrates com Paulo Portas, que dupla maravilhosa, que Governo encantador que aquilo seria».

Sobre a chegada da primeira tranche do empréstimo, o economista afirmou que «muitos dirão que é um alívio» já que «enquanto o pau vai e vem folgam as costas».

No entanto, Louçã explicou que aquilo que «o empréstimo faz é trocar os credores de Portugal», não entrando «na economia portuguesa».

«Não há um cêntimo deste dinheiro que vá para investimento público, para subsídios de desemprego, para recuperar abonos de família», sustentou.

«Começou hoje rios de dinheiro, charters de dinheiro, agora eles vão chegar. Recebem 78 [mil milhões de euros], não vêem os 78 porque eles vão para o sistema financeiro, não passa por vocês, não vos ajudará, mas a dívida é vossa e são 110 [mil milhões de euros]».

«Estavam endividados. Animem-se. Até não era mau. A dívida agora vai ser muito maior», disse, afirmando que de «endividados passamos a endividadíssimos».

Lusa/SOL


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A sociedade “não volta para trás” no caso do aborto, avisou Louça

O coordenador do BE criticou hoje Passos Coelho por querer reavaliar a lei do aborto, afirmando que ele “pode tirar o cavalinho da chuva” porque a sociedade “não volta para trás” e “não se fazem referendos para mudar regulamentos”.

Em declarações à Rádio Renascença, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu que a última lei do aborto aprovada pelo Parlamento – que despenaliza a Interrupção Voluntária da Gravidez até às dez semanas – pode “ter ido um pouco longe demais” e tem de ser reavaliada, não excluindo a possibilidade de realização de um novo referendo sobre a matéria.

No final de uma arruada em Benfica que marcou o arranque do quinto dia de campanha, Francisco Louçã foi questionado pelos jornalistas sobre esta posição de Passos Coelho.

“Isso foi de manhã, não foi? Eu não sei se à hora do almoço o Dr. Passos Coelho não estará já a corrigir o seu ponto de vista”, ironizou, acrescentando que “a campanha não pode ser feita desta impreparação”.

Segundo o coordenador do Bloco, “não se fazem referendos para mudar regulamentos” mas sim por “questões essenciais”.

“E em Portugal houve um referendo que fez uma escolha muito maioritária que foi que as mulheres não devem ser perseguidas, não devem ser humilhadas e presas como previa o código criminal por razões que têm que ver com a sua vida e com as suas escolhas”, sustentou.

Na óptica de Louça, “tudo o resto, o que tem a ver com a organização do serviço de saúde, com as pessoas que a ele recorrem, tem que ver com decisões práticas, concretas que vão sendo precisadas ao longo do tempo”.

“Mas um critério não pode ser abandonado: respeito pelas pessoas. E se o Dr. Passos Coelho quer lançar confusão na campanha, anunciando a alguns sectores ultra-minoritários da sociedade portuguesa que talvez se pudesse voltar ao tempo da perseguição: pode tirar o cavalinho da chuva”, disse, de forma peremptória.

O bloquista sublinhou o “enorme consenso que reage em nome da defesa das mulheres e em nome do seu respeito”.

“A sociedade portuguesa já é do século XXI e não volta para trás nessas questões”, declarou.

BE denuncia que contratos de auto-estradas são “ilegais”

O coordenador do BE disse ainda que o relatório preliminar do Tribunal de Contas confirma que o Governo reforçou com dez mil milhões de euros as concessionárias das auto-estradas, denunciando que estes contratos são “ilegais” e “têm indícios de crime”.

Francisco Louçã recordou a denúncia por si feita no arranque da campanha, de que “o Estado português tinha negociado à socapa nos últimos meses um reforço de apoio a concessionários de auto-estradas no valor de dez mil milhões de euros”, segundo o Tribunal de Contas.

“Isso provocou silêncio do Governo, com um ministro a dizer que as contas não estavam certas e eu estava errado. Foram hoje publicados alguns elementos essenciais do relatório preliminar do Tribunal de Contas que vai muito mais longe ainda”, sublinhou.

Segundo o líder bloquista, “são mesmo dez mil milhões do reforço do apoio, por cima dos contratos anteriores, aos concessionários das auto-estradas”.

“E além disso, diz o Tribunal de Contas num relatório preliminar que está concluído, que há contratos desses que foram renegociados de uma forma ilegal, sem cumprir a lei”, revelou.

Questionado pelos jornalistas sobre a mensagem que dirigia ao ministro António Mendonça, que disse refutou as acusações de Louçã, o deputado do BE afirmou que “isto não é um problema entre mim e o ministro António Mendonça”.

“É um problema entre o Bloco de Esquerda e o Eng. Sócrates”, declarou.

Assim, é José Sócrates que Louçã “quer ouvir responder, não é qualquer outro responsável do Governo porque isto trata-se de um enorme peso sobre os portugueses”, disse, acrescentando que “o Governo do Eng. Sócrates não é credível”.


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Quando a austeridade falha por Paul Krugman

Queixo-me muitas vezes, justificadamente, do estado actual da discussão económica nos EUA. A irresponsabilidade de certos políticos – por exemplo dos republicanos que defendem que o incumprimento no pagamento da dívida pública americana não seria tão grave como isso – é assustadora.

Mas pelo menos nos Estados Unidos os que defendem que aumentar as taxas de juros e cortar na despesa, apesar do nível altíssimo de desemprego, vai melhorar as coisas enfrentam a oposição da Reserva Federal e da administração Obama.

Na Europa, pelo contrário, são eles que mandam há mais de um ano, insistindo que a estabilidade da moeda e o equilíbrio orçamental são a resposta a todos os problemas. Por trás desta insistência estão algumas fantasias económicas, em particular a da fada da confiança – isto é, a convicção de que cortar na despesa vai de facto criar emprego, porque a austeridade vai criar confiança no sector privado.

Infelizmente, a fada da confiança está a fazer-se rogada e a discussão em torno da melhor maneira de lidar com esta realidade desagradável ameaça tornar a Europa o centro de uma nova crise financeira.

Depois da criação do euro, em 1999, verificou-se em vários países europeus anteriormente considerados de risco, e que enfrentavam por isso limites ao endividamento, enormes fluxos de entrada de capital. Afinal, pareciam pensar os investidores, se a Grécia, Portugal, a Irlanda e Espanha faziam parte de uma união monetária europeia, o que é que poderia correr mal?

A resposta a esta pergunta tornou-se, como é evidente, dolorosamente óbvia. O governo da Grécia, vendo-se em posição de pedir dinheiro emprestado a um custo apenas ligeiramente superior ao que a Alemanha tinha de pagar, endividou-se demasiado. Os governos da Irlanda e da Espanha não o fizeram (Portugal fica no meio), mas os seus bancos sim, e quando a bolha rebentou os contribuintes viram-se encurralados pelas dívidas dos bancos. O problema foi agravado pelo facto de o boom de 1999-2007 ter feito subir os preços e os custos nos países endividados a um nível muito superior ao dos dos seus vizinhos.

Que fazer? Os líderes europeus ofereceram empréstimos de emergência aos países em crise, mas apenas em troca de compromissos com programas de austeridade selvagens, feitos sobretudo de cortes da despesa. A objecção de que estes programas põem em causa os seus próprios objectivos – não só impõem efeitos negativos drásticos à economia, mas ao agravar a recessão reduzem a receita fiscal – foi ignorada. A austeridade acabaria por estimular a economia, dizia-se, porque aumentaria a confiança.

Ninguém adoptou a ideia da austeridade como estímulo da economia com mais convicção que Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu (BCE). Sob a sua liderança, o banco pregou o rigor financeiro como elixir universal a aplicar de imediato em toda a parte, incluindo em países como o Reino Unido e os Estados Unidos, onde o desemprego continua alto e que não estão a sofrer a pressão dos mercados financeiros.

No entanto, como já disse, a fada da confiança até agora ainda não apareceu. A crise económica nos países europeus com problemas de endividamento agravou-se, como seria de esperar, e a confiança, em vez de aumentar, está em queda livre. Tornou-se evidente que a Grécia, a Irlanda e Portugal não serão capazes de pagar as suas dívidas na totalidade, embora Espanha talvez se aguente.

Se quiser ser realista, a Europa tem de se preparar para aceitar uma redução da dívida, o que poderá ser feito através da ajuda das economias mais fortes e de perdões parciais impostos aos credores privados, que terão de se contentar com receber menos em troca de receber alguma coisa. Só que realismo é coisa que não parece abundar.

Por um lado, a Alemanha adoptou uma atitude dura em relação a qualquer ajuda aos vizinhos em dificuldades – isto apesar de uma das principais motivações do actual programa de resgates ser proteger os bancos alemães de perdas.

Por outro lado, o Banco Central Europeu está a comportar-se como se estivesse determinado a provocar uma crise financeira. Para começar, está a subir as taxas de juros, apesar do estado terrível de muitas economias europeias. Além disso, os responsáveis do BCE têm-se pronunciado contra a ideia de qualquer reestruturação da dívida – na realidade, a semana passada um dos membros do conselho de governadores sugeriu que mesmo uma restruturação pouco ambiciosa da dívida grega bastaria para o BCE deixar de aceitar os títulos da dívida grega como garantia em empréstimos aos bancos do país. Isto é equivalente a declarar que se os gregos pedirem qualquer reestruturação o BCE retira o apoio ao sistema bancário grego, completamente dependente dos seus empréstimos.

Se os bancos gregos caírem, a Grécia pode ser forçada a sair do euro – e é fácil ver como isto pode ser a primeira peça de um dominó que se estende a grande parte da Europa. Então que estará o BCE a pensar?

Estou convencido que isto é apenas falta de coragem para enfrentar o fracasso de uma fantasia. Parece-lhe tolo? Quem é que lhe disse que era o bom senso que governava o mundo?

Prémio Nobel da Economia

Jornal i/The New York Times


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Krugman “Portugal não vai conseguir pagar a dívida”

O Nobel da economia diz que também a Grécia e a Irlanda não serão capazes de pagar as suas dívidas.

“Tornou-se evidente que a Grécia, a Irlanda e Portugal não serão capazes de pagar as suas dívidas na totalidade, embora Espanha talvez se aguente”, escreve Paul Krugman num artigo de opinião do New York Times, publicado hoje pelo i.

O economista arrasa a política seguida pelo Banco Central Europeu, que insiste que a estabilidade da moeda e o equilíbrio orçamental são a resposta a todos os problemas financeiros que os países da Europa atravessam.

“Por trás desta insistência estão algumas fantasias económicas, em particular a da fada da confiança – isto é, a convicção de que cortar na despesa vai de facto criar emprego, porque a austeridade vai criar confiança no sector privado”, escreve Krugman. “Infelizmente, a fada da confiança está a fazer-se rogada e a discussão em torno da melhor maneira de lidar com esta realidade desagradável ameaça tornar a Europa o centro de uma nova crise financeira.”

Para Krugman, as condições do empréstimo à Grécia fizeram com que o país se endividasse demasiado: “Os líderes europeus ofereceram empréstimos de emergência aos países em crise, mas apenas em troca de compromissos com programas de austeridade selvagens, feitos sobretudo de cortes da despesa. A objecção de que estes programas põem em causa os seus próprios objectivos – não só impõem efeitos negativos drásticos à economia, mas ao agravar a recessão reduzem a receita fiscal -, foi ignorada.”

O economista diz que só há uma solução: “Como a fada da confiança até agora ainda não apareceu”, a crise tem-se agravado, “tornando-se evidente que a Grécia, Irlanda e Portugal não serão capazes de pagar as suas dívidas na totalidade”. “Se quiser ser realista, a Europa tem de se preparar para aceitar uma redução da dívida, o que poderá ser feito através da ajuda das economias mais fortes e de perdões parciais impostos aos credores privados, que terão de se contentar com receber menos em troca de receber alguma coisa. Só que realismo é coisa que não parece abundar”, sublinha.

Alemanha e BCE têm-se oposto a esta reestruturação da dívida, pondo em causa o próprio euro.”Se os bancos gregos caírem, a Grécia pode ser forçada a sair do euro – e é fácil ver como isto pode ser a primeira peça de um dominó que se estende a grande parte da Europa. Então que estará o BCE a pensar?”, questiona Krugman.

O Nobel da economia termina o texto com mais uma pergunta: “Estou convencido que isto é apenas falta de coragem para enfrentar o fracasso de uma fantasia. Parece-lhe tolo? Quem é que lhe disse que era o bom senso que governava o mundo?”


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Louçã fecha torneira da privatização das águas

O segundo dia de campanha arranca sob o signo do ambiente, com Francisco Louçã a recusar a privatização da Águas de Portugal e a pedir a “proteção de um bem público”, a água.

O plano inicial era começar o dia em Tróia. Mas de véspera o programa foi alterado.

Em vez do azul do oceano e do cheiro a maresia, a manhã do Bloco de Esquerda foi passada na Valorsul (estação de tratamento de resíduos sólidos urbanos, na Bobadela, nos arredores de Lisboa), sob um sol quente.

Mais abafado mesmo só no interior das instalações, quando elas foram percorridas e se visitou a incineradora.

Aos jornalistas, já no exterior, Francisco Louça realçou a importância da Valorsul, uma das grandes empresas de tratamento de resíduos urbanos, que anualmente trata e valoriza cerca de um milhão de toneladas de lixo.

A ação de campanha foi agendada à luz da “temática ambiental”, mas depressa se percebeu o dado que o Bloco queria lançar para discussão: a privatização da Águas de Portugal (AdP), uma proposta do programa do PSD, que o BE rejeita em defesa

de um “bem público”.

Não repetir erros

Lembrando que a Valorsul faz parte do grupo Águas de Portugal, o coordenador do Bloco afirmou: “O problema central dos próximos anos é saber se se aceita a privatização da AdP e, por arrastamento, do tratamento dos resíduos”.

De seguida, salientou que, com exceção da Inglaterra, nenhum país privatizou o sector das águas. E citou o caso de duas cidades (Paris e Londres, “do tamanho de Portugal”) que avançaram para a privatização, mas depois recuaram, para uma remunicipalização.

Louçã diz que privatizar as águas seria “seguir os piores erros, como José Sócrates propunha há uns anos e Pedro Passos Coelho propõe agora”.

De Passos a Sócrates

Como recordou Louçã no final da iniciativa, além da proposta figurar no programa do PSD, a mesma ideia esteve há uma década nos espíritos de José Sócrates, quando era ministro do Ambiente, e de Mário Lino, então à frente da AdP.

Mas a sombra tutelar do líder do PS esteve nesta manhã presente logo desde o início da visita.

Com efeito, junto à porta por onde entraram Louçã, a sua comitiva e jornalistas está uma placa que presta tributo ao ministro do Ambiente que inaugurou a estação da Valorsul. A fita foi cortada por Sócrates, em 14 de fevereiro de 2000.


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“Não desistam! Vamos à luta!”

Louçã recusa que maus resultados das sondagens lhe tirem a vontade de contactar as pessoas e divulgar as propostas para o País

“Uma árvore grande começa por ser uma pequena semente. Não desistam! Vamos à luta!”- incentivava o líder do BE dois idosos sentados um muro na Cova da Piedade, em Almada.

Francisco Louçã – na sua primeira arruada no período oficial de campanha -mergulhou hoje no coração de Almada, distrito de Setúbal, onde o BE tem neste momento dois deputados e cerca de 15 % dos votos.

O líder do BE reafirma que o “Povo é que vota a 5 de Junho” e recusa que os maus resultados das sondagens lhe tirem a vontade de contactar as pessoas e divulgar as propostas para o país.

Quando a Imprensa lhe pergunta se essa atitude é de optimismo Louçã recusa a ideia e diz que é “determinação”. Assegura que “até ao final da campanha o BE vai falar da dívida e da situação económica , ou seja do que afecta a vida dos portugueses”.


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Carta do Governo para a Troika – Em Português

Nestes últimos tempos não se tem falado de outra coisa senão do acordo com a Troika. Os partidos fazem acusações entre si, a comunicação social vai vivendo destes pequenos atritos e os pundits produzem os respectivos sound bites. Depois de analisarmos toda esta barragem de comunicação, conclui-se que a triste verdade é que ninguém parece estar interessado em deixar os portugueses pensarem por eles mesmos. Decidimos por isso avançar com a tradução da Carta do Governo, o Memorando de Política Económica e Financeira.

Para ajudar à navegação, lembrar que no famoso Memorando da Troika são referidos três documentos:

O documento MoU é o mais popular dos três e foi escrito pela Troika. O MEFP foi divulgado em simultâneo com o MoU e é a tal “carta” que Louçã citou no debate com Sócrates sobre a TSU (Taxa Social Única). É um documento oficial onde o Governo anuncia o que vai fazer a troco do apoio financeiro. Foi entregue à Troika e é referido por diversas vezes no MoU. O MEFP mostra o futuro agreste que nos espera, bem diferente das suaves comunicações que têm sido feitas sobre o “bom acordo” que foi alcançado.

Leia o memorandum do entendimento AQUI Ou em PDF AQUI

Retirado do Blogue aventar


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BE pede explicações sobre publicação do programa eleitoral do PS no blogue do MC

O Bloco de Esquerda pediu explicações à Entidade Reguladora da Comunicação Social sobre a publicação no blogue da cultura, do Ministério da Cultura, do programa eleitoral do Partido Socialista.

Em comunicado, o BE afirma que o blogue é «um órgão de informação do Ministério da Cultura, que está a ser usado para propaganda eleitoral do Partido Socialista» e nesse sentido pediu «esclarecimentos [à ERC] sobre o acompanhamento que faz dos suportes de comunicação detidos pelo Governo».

Para Catarina Martins, candidata a deputada nas listas do BE pelo círculo eleitoral do Porto e que assina o requerimento à ERC, «o blogue levanta algumas dúvidas (…), o que não levanta nenhuma dúvida mas sim questões graves de legitimidade é a publicação do programa eleitoral de um partido político num suporte de comunicação do Estado».

A 9 de Maio foi publicado pela ministra Gabriela Canavilhas no blogue – http://bloguedacultura.blogspot.com/2011/05/programa-eleitoral-legislativas-2011.html – um texto intitulado Programa Eleitoral Legislativas 2011.

Até ao momento não houve qualquer reacção por parte do Ministério da Cultura.

Lusa/SOL


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Sondagem da Intercampus para PÚBLICO e TVI PSD e PS perdem votos mas “laranjas” alargam vantagem

PS e PSD perdem pontos na quinta sondagem da Intercampus para o PÚBLICO e a TVI, mas os sociais-democratas conseguem alargar a sua vantagem sobre os socialistas. Dos 0,7% da passada segunda-feira, o PSD passou agora a ter uma margem de 1,6%. O empate técnico continua em cima da mesa.

Numa semana em que os candidatos tiveram dias de intensa pré-campanha eleitoral e que foi marcada pelas polémicas sobre a Taxa Social Única e o programa Novas Oportunidades (a recolha de opinião foi feita entre os dias 14 e 19), com os dois partidos a trocarem permanentemente acusações, PS e PSD perderam preferência de voto em relação à sondagem da passada segunda-feira.

Os socialistas foram os que mais recuaram: passaram de 35,4% para 34,1% (menos 1,3%). Já os sociais-democratas desceram de 36,1% para 35,7% (menos 0,4%).

As diferenças entre os dois partidos têm tido algumas variações nas sondagens já realizadas pela Intercampus para o PÚBLICO e a TVI. Na primeira sondagem (6 de Maio) os sociais-democratas tinham uma vantagem de 2,2%; na segunda (9 de Maio) baixaram para 1,1% e o PS conseguiu, na terceira recolha de opinião (13 de Maio), passar para a frente, com vantagem de 2,9%. O PSD recuperou logo a seguir (dia 16), ganhando por curtos 0,7%, e agora sobe para 1,6%.

Os dois partidos encontram-se ainda dentro do campo do empate técnico, já que a diferença entre si é inferior à margem de erro da sondagem, que é cerca de 3,07%.

O CDS-PP, que na última recolha de opinião caiu pela primeira vez, volta agora a recuperar, passando de 12,6% para 12,8%, mas ainda abaixo dos 13,4% obtidos a 13 de Maio.

Os votos de PSD e CDS-PP juntos continuam no campo de possibilitar uma maioria parlamentar, tendo subido de 48% para os 48,5%. Já os votos de centristas “casados” com os dos socialistas somam 46,9%.

Quem volta a subir, ainda que ligeiramente, é o BE. Os bloquistas, que cresceram na passada segunda-feira pela primeira vez, obtendo 6,2%, têm agora 6,8%. Já a CDU (PCP e Os Verdes) mantém a regularidade que tem mostrado ao longo das cinco sondagens da Intercampus e seguram os 7,5% de preferência de votos.

Os votos juntos dos partidos de esquerda (PS, CDU e BE) somam agora 48,4%, contra os 49,1% da última sondagem.

Quem sobe são os outros partidos, aqueles que não têm representação parlamentar, que passam de 2,2% para 3,2%.

Esta repartição dos votos leva em conta apenas os entrevistados que manifestaram a intenção de votar num dos partidos indicados.

A cair está o grupo dos que não sabem, ou não respondem em quem vão votar. Esse número é agora de 23,1%, contra os 23,9% de segunda-feira. A parcela que está no item nenhum (partido)/não votaria é de 17,8%, quando antes se situava nos 17,5%.

Praticamente na mesma está o número de eleitores que defende que deve ser o partido vencedor a governar o país (era 31,1% e é agora de 31%; já os que preferiam uma coligação de partidos passou de 55,4% para 56,4%.

Dos que defenderam um “casamento” para o Governo, 29,1% gostariam que a “troca de alianças” fosse entre PSD e CDS-PP (eram 30,1% na segunda-feira). Já 7,3% gostavam de ter um Governo entre o CDS e PS (eram 5,8%). Quinze por cento, o mesmo número que segunda-feira, defendem um Executivo PSD-PS-CDS, igual número dos que querem o PSD com o PS (eram 16,2%). Aumenta o número dos que defendem uma governação de esquerda (PS-PCP-BE): eram 12,5% e é agora 12,9%.

Já os que acham que o próximo Executivo vai governar melhor são menos, passando de 40,1% para 36,5%. Os que acham que vai governar igual são 40,3% (eram 35,5%) e os que defendem que vai governar pior são 9,9% (eram 8,7%).

Oito sondagens PÚBLICO/TVI
Esta é a quinta de uma série de oito sondagens regulares da Intercampus para o PÚBLICO e a TVI, feitas à população portuguesa sobre as eleições legislativas de 5 de Junho e que terão lugar até à véspera do fim da campanha eleitoral.


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Rehn: Países da Europa central e do norte “cansados” de apoiar resgates , e nós fartos de agiotagem e de compadrios para com os donos da banca

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários disse esta quinta-feira que o apoio aos resgates, por parte dos países do Norte e do Centro da Europa, está a desvanecer-se.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários admitiu hoje que países da Europa Central e do Norte – alguns dos maiores contribuintes dos pacotes de ajuda – estão a começar a ficar cansados de apoiar os resgates aos países em dificuldades. “Nós temos uma espécie de fadiga na Europa Central e do Norte – na Alemanha, na Finlândia, na Holanda, e em outros países – enquanto temos uma espécie de cansaço de reformas em alguns países da Europa do Sul”, adiantou Olli Rehn citado pela Bloomberg.

“A nossa principal tarefa é agora perceber como podemos criar pontes entre estas visões políticas distintas dentro da Europa” para que “não estejamos a debater-nos com numerosas linhas vermelhas que tornam as decisões impossíveis em tempos de crise”, acrescentou o responsável europeu, citado pela mesma fonte.

O comissário salientou ainda que até agora tem sido possível tomar decisões “nos momentos críticos” mas isso não pode ser tomado como garantido para o futuro.

O “cansaço” que fala o comissário europeu surge depois de, no espaço de um ano, a Zona Euro ter resgatado três países. Se, por um lado, no caso da Irlanda os últimos dados dão conta que o acordo estabelecido com a troika está a ser cumprido, e a segunda “tranche”- no valor de 3 mil milhões de euros – foi desbloqueada, no caso da Grécia não se pode considerar o mesmo.

Atenas enfrenta ainda sérias dificuldades e anunciou recentemente um novo plano de austeridade que, contará também, com um plano de privatizações. A população saiu à rua para contestar este novo “aperto” naquela que foi a segunda greve geral de 2011. Dada a situação helénica, alguns responsáveis da Zona Euro já admitem uma “reestruturação ligeira” da dívida de Atenas e assumem como difícil que o país consiga ir aos mercados financeiros no próximo ano para se financiar, como estava previsto no pacote de ajuda financeira estabelecido em Maio do ano passado.