Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


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O CCAP tira mais um coelho da cartola

Nas Recomendações nº 3, o CCAP tira mais um coelho da cartola e vai de sugerir que as escolas formulem e apliquem os padrões em que assentam as menções qualitativas. E em que é que a formulação desses padrões se deve basear? Nos famigerados decretos 240/2001 e 241/2001, que fixam os perfis e as competências do professor. São dois famigerados diplomas que seguem as orientações do igualmente famigerado e – graças a Deus! – defunto INAFOP, onde alguns dos sábios que integram o CCAP tiveram oportunidade de brilhar.
Ora leiam:
Neste sentido, competirá a cada escola formular e aplicar os padrões em que assentam as menções qualitativas,tendo em conta os princípios e recomendações apresentados neste documento, que se baseiam:
1. No conjunto de princípios e elementos de referência sistematizados no documento do CCAP sobre a organização do processo de avaliação;
2. No quadro orientador sobre as competências exigidas para a função docente, definido nos perfis geral e específico de desempenho profissional;
3. Nas finalidades e princípios da avaliação do desempenho docente;
4. Nos direitos e deveres profissionais constantes do Estatuto da Carreira Docente e demais normativos sobre esta matéria.

Mas o CCAP, embalado na retórica, vai ainda mais longe e sugere mesmo que a médio prazo se venham a estabelecer padrões nacionais. Claro está, “para além dos princípios agora formualdos”!

Ora leiam:

No entanto, seria desejável que a médio prazo, para além dos princípios agora formulados se venham a estabelecer padrões nacionais, face aos quais as escolas possam situar e aferir as suas decisões.


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Mais complicações para a Avaliação de Desempenho dos Professores – Os Domínios e Dimensões

“Vê a quais agradas, não a quantos”

Já não chegavam os parâmetros, os itens e os indicadores. Foi preciso inventarem as “dimensões” e os “domínios“:

A. Dimensão profissional, social e ética (dimensão transversal)
B. Dimensão de desenvolvimento do ensino e da aprendizagem
Domínio 1 Assiduidade e cumprimento do serviço lectivo
Domínio 2 Preparação e organização das actividades lectivas
Domínio 3 Realização das actividades lectivas
Domínio 4 Relação pedagógica com os alunos
Domínio 5 Avaliação das aprendizagens dos alunos
Domínio 6 Evolução dos resultados dos alunos, tendo em atenção o contexto socioeducativo
C. Dimensão de participação na escola e de relação com a comunidade
Domínio 7 Prevenção e redução do abandono escolar, tendo em atenção o contexto socioeducativo
Domínio 8 Participação na escola
Domínio 9 Participação nas estruturas de orientação educativa e nos órgãos de gestão da escola
Domínio 10 Relação com a comunidade
Domínio 11 Desenvolvimento de projectos de investigação, desenvolvimento e inovação educativa
D. Dimensão de desenvolvimento profissional ao longo da vida
Domínio 12 Formação contínua e desenvolvimento profissional

E os “componentes” e os “elementos” que surgem na página 10:

1.4. Cada dimensão – operacionalizada nos domínios referidos e seus componentes
– seja articulada com os objectivos individuais de desempenho, relacionando-os
com o projecto educativo de escola, os projectos curriculares de escola e de turma
e outros instrumentos de planeamento e orientação curricular e pedagógica;
1.5. Em cada domínio, o número de componentes seja limitado ao estritamente necessário,
visto que estes são elementos que servem para clarificar o sentido dos
domínios no quadro da respectiva dimensão
.

Mas, admitindo a hipótese de os avaliadores ainda não terem ficado xexés com esta dose, eis que os “professores” que constituem o CCAP ainda inventaram um “campo” nos instrumentos de registo. Para “anotar os factores situacionais” dizem eles (acho que queriam dizer “situacionistas”):

2.2. Nos instrumentos de registo se crie um campo para anotar os factores situacionais
e os aspectos essenciais que permitam descrever o contexto socioeducativo
em que o avaliado desenvolve a sua actividade
.

E genuflexão colectiva é de tal forma visível que os membros do CCAP criticam a utilização dos resultados escolares na avaliação dos professores, mas são incapazes de, em sete (7) recomendações, recomendarem à tutela deles, preto no branco, que não sejam consideradas na avaliação dos professores as notas que estes dão aos seus alunos.

Não esperava outra coisa destes sábios

Reitor