Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


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BE e PCP acertam alianças na sexta-feira

O PCP e o Bloco de Esquerda já têm uma data para oficializar uma eventual aliança entre os dois partidos: sexta-feira, dia 8, pelas 11 horas, na Assembleia da República.

O objectivo é apenas um e comum aos dois partidos: acabar com a política de direita que tem conduzido o país à recessão, dizem. E no domingo ficou preto no branco. Depois da reunião do Comité Central, os comunistas decidiram responder ao Bloco de Esquerda e não fechar portas a uma futura coligação pós-eleitoral. “Em relação ao BE, é preciso que clarifique os seus objectivos, mas não temos nenhum preconceito em considerar que existam portugueses também preocupados com a situação, dispostos a fazer um esforço para esse governo patriótico e de esquerda”, disse Jerónimo de Sousa. Até porque, esclareceu, “os patriotas e as pessoas sérias não estão só no PCP”.

O repto tinha sido lançado por Francisco Louçã que, na sexta-feira, defendeu uma “unidade à esquerda”, com “diálogos” com o PCP. O coordenador do BE vai propor à Convenção do partido, em Maio, uma moção estratégica onde clarifica que é preciso fazer uma “aproximação entre os distintos sectores da esquerda” e que o BE se tem “encontrado, na recusa da recessão, com o PCP, com sindicalistas, com trabalhadores e com activistas independentes”.

Declarações de intenções que podem não passar de palavras. Os dois partidos têm-se unido no parlamento em aprovações de projectos de ambos mas a estratégia política tem sido diferente. O último episódio da sintonia/dessintonia entre os dois partiu da apresentação de uma moção de censura ao governo. Jerónimo de Sousa falou na intenção de apresentar um texto de censura. Francisco Louçã apresentou-a. Uma decisão repentina que levou a que muitos analistas políticos a considerassem como mais uma guerra entre os dois partidos à esquerda do PS.

E é em relação ao PS que os dois se unem. Para já, tanto PCP como BE estão de acordo que um governo de esquerda não pode ter Sócrates numa coisa: a unidade de esquerda pode ser feita entre ambos os partidos – a que acresce o PEV pela coligação pré-eleitoral com o PCP -, independentes mas nunca com os socialistas de José Sócrates.

Ontem o PCP clarificou a estratégia a seguir nos próximos meses, preparando as eleições legislativas antecipadas de 5 de Junho e colocou o PS no mesmo saco que PSD e CDS. É preciso um governo, “para salvar o país e não um governo dito de salvação nacional que visa prosseguir a política de direita, juntando, de uma forma ou de outra, o PS, o PSD e o CDS-PP, precisamente aqueles que têm enterrado e querem continuar a enterrar o país”. Também Louçã tinha fechado a porta aos socialistas dias antes. Sobre o actual PS, leia-se com José Sócrates, não é possível ter “ilusões”.

Com a possibilidade de Portugal poder pedir ajuda externa para um resgate financeiro a dominar os últimos dias – e a colocar-se como o primeiro tema de campanha eleitoral com PS e PSD a cruzarem opiniões – os comunistas não têm dúvidas em não distinguir os dois partidos. “Apetece-me dizer que o que o PS e o PSD propõem é apenas a escolha da árvore em que o país pode ser enforcado. Nós não aceitamos nem FMI nem essa ajuda entre aspas que procura pôr em causa a nossa soberania”, disse Jerónimo de Sousa no final da reunião do Comité Central.

Para as eleições, o PCP vai novamente coligar-se com o PEV e vai realizar, no próximo dia 17 de Abril, um Encontro Nacional.


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Sobre o presente a “Múmia” nada comenta!

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, escusou-se hoje a fazer qualquer declaração sobre a actual situação política, não respondendo às perguntas dos jornalistas sobre a possibilidade de uma crise política.

Questionado se está preocupado com a actual situação política, Cavaco Silva limitou-se a responder aos jornalistas “muito boa tarde, meus senhores”.

Instado ainda a fazer um comentário “para tranquilizar os portugueses quanto à eminência de uma crise política”, o chefe de Estado voltou a não responder.

“Hoje é o dia em que homenageamos os mortos da guerra de África”, afirmou Cavaco Silva, que falava à saída da cerimónia de homenagem aos combatentes, que decorreu no Forte do Bom Sucesso, em Lisboa.


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rescaldo das eleições

No rescaldo das eleições que deram a vitória ao PSD, socialistas pedem reflexão, mas recusam mudanças na política do Governo. Presidente da República diz que o importante agora é que Durão Barroso seja reeleito como presidente da Comissão Europeia.No rescaldo das eleições que deram a vitória ao PSD, socialistas pedem reflexão, mas recusam mudanças na política do Governo. Presidente da República diz que o importante agora é que Durão Barroso seja reeleito como presidente da Comissão Europeia.

Silêncio absoluto sobre o resultado das europeias. Mas, pelo meio, uma crítica implícita a Vital Moreira e a todos os que, como Mário Soares, não queriam que lhe fosse renovado o mandato de presidente da Comissão Europeia. O Presidente da República foi ontem interpelado sobre as eleições de domingo e assim se pode sintetizar o seu comentário.

“O Presidente da República não comenta resultados de eleições, isso é matéria que compete aos analistas e eu não direi uma única palavra sobre os resultados”, afirmou Cavaco Silva. Mas acrescentando logo de seguida que “o mais importante para o interesse de Portugal é que o doutor Durão Barroso seja eleito como presidente da Comissão Europeia”. Porque fez “um excelente trabalho no seu primeiro mandato” e porque “só quem não conhece as competências da Comissão Europeia é que pode subestimar o que significa para Portugal, para os nosso interesses, ter um português como presidente da Comissão Europeia”. “Espero que, na sequência dos resultados que já são conhecidos nos 27 Estados membros, Durão Barroso seja escolhido para um novo mandato. Acho que será algo muito, muito valioso para Portugal.”

Cavaco não comentou, portanto, nem os resultados partidários nem a abstenção (62,9%) nem a explosão do número de votos brancos e nulos (passou de 134 mil em 2004 para 235 mil no domingo passado, ou seja, 6,6% dos votos expressos).

 4 anos de merda

O PS está a olhar com atenção para este números e ontem, em declarações ao DN, dois dirigentes, Edite Estrela e Augusto Santos Silva, concordaram em considerar que são votos que resultam de descontentamento com o Governo.

Sublinham, contudo, que é um voto que nas próximas legislativas tanto se pode manter onde está (nos brancos e nulos) como transferir-se para a oposição como até regressar ao PS, de onde pensam que vem a maior parte.

Se os socialistas viram crescer a direita (PSD e CDS juntos representam 40% dos votos, mais 7% do que obtiveram em 2004, então em coligação) não devem estar menos preocupados com o que aconteceu à sua esquerda. CDU e BE conseguiram, em conjunto, 21,4% dos votos. U m crescimento muito significativo face aos 14% que os dois partidos tiveram há quatro anos.

A leitura dos dados em cada distrito mostra que quer a CDU, quer o BE tiveram uma tendência generalizada de crescimento. A coligação entre PCP e PEV obteve a vitória em três distritos (Setúbal, Évora e Beja), o que é mais do que o PS pode dizer: os socialistas venceram apenas dois distritos (Portalegre e Lisboa).

A diferença está, no entanto, nos valores – onde a CDU cresceu dois ou três pontos percentuais, o BE duplicou e triplicou votações. Alguns exemplos. Em Portalegre, a CDU subiu de 15,5 para 17,9; o BE de 2,6 para 9,6. Em Coimbra, a CDU subiu de 5 para 7%, o Bloco de três para 9,8.

No Norte e Centro do País, bem como no Algarve (onde os bloquistas conseguem os melhores resultados), o BE ultrapassa a CDU na generalidade dos distritos. No Alentejo, os comunistas mantêm votações dez a vinte pontos acima do partido de Francisco Louçã. E também ganharam em Lisboa.

Os resultados, ao colocarem o PSD à frente, mas com o CDS-PP conseguindo um score dentro dos seus níveis habituais (8,3%), fazem também ressuscitar a ideia de “Aliança Democrática”, ou seja, de uma aliança de Governo entre o PSD e o CDS, como a do finais da década de 70 do século passado e como a de 2002 a 2005.

O PSD venceu mas com um resultado percentual muito distante da maioria absoluta. Dito de outra forma: colocou-se numa plataforma ascendente para regressar ao Governo, mas num quadro de maioria relativa. Nem Manuela Ferreira Leite nem Paulo Portas alguma vez negaram esta hipótese. Trabalharam juntos no Governo de Durão.

Fonte: D.N.