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Profissionais externos nas escolas?

Educação: Escolas precisam de profissionais externos para lidar com questões da diversidade – presidente do CNE

Lisboa, 29 Mai (Lusa) – Os professores não são suficientes para lidar com as questões da diversidade sócio-económica e cultural nas escolas, sendo necessário um trabalho articulado com outros profissionais, defendeu hoje o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Júlio Pedrosa.

“Toda a gente sabe que não [que os professores não são suficientes para resolver o problema da diversidade]. A diversidade é a diversidade das pessoas e dos seus contextos. Muito frequentemente a escola precisa de outros profissionais a trabalhar fora da escola nesses contextos”, afirmou Júlio Pedrosa, na abertura do seminário “A escola face à diversidade: percepções, práticas e perspectivas”, que decorre no CNE, em Lisboa.

“[As escolas precisam] de assistentes sociais a trabalharem com as famílias, de sistemas de saúde articulados com a escola, da segurança social a dialogar com a escola sistematicamente. Quando falo em outros profissionais é dentro da escola, seguramente, mas também fora, a trabalhar com as crianças, com as suas famílias e os seus contextos familiares, para que na escola possam ter melhores desempenhos”, acrescentou.

Para o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, presente na sessão de abertura do seminário, o que é preciso mudar nas escolas portuguesas “é a organização e a responsabilização pelo percurso de todos os alunos”.

“Não é aceitável que haja mecanismos simples a seleccionar ou a deixar para trás aqueles que revelam maior dificuldade no seu percurso escolar”, acrescentou.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de a diminuição de reprovações poder influenciar a política de excelência do ensino que o Ministério pretende implementar, o secretário de Estado Jorge Pedreira disse que “a questão não é fazer desaparecer os chumbos de forma administrativa”, mas sim fazer com que as escolas e os professores assumam a responsabilidade de tratar os casos mais difíceis, os problemas de aprendizagem, e através de mais trabalho e apoio, fazerem com que os alunos adquiram as competências e os conhecimentos necessários à transição”.

“Como a senhora ministra disse várias vezes, o que é fácil é reprovar”, afirmou Jorge Pedreira, realçando que “no último ano lectivo houve mais de trinta mil jovens que estavam claramente condenados ao abandono e que foram recuperados num esforço notável dos professores e das escolas através do alargamento dos cursos de educação e formação ao nível básico”.

O secretário de Estado destacou ainda o facto de no ensino secundário se ter registado, pela primeira vez em muitos anos, um aumento do número de alunos.

Ainda assim, Jorge Pedreira admitiu que não é realista esperar que todos os alunos do país possam ter como meta seguir um curso do ensino superior nas melhores universidades e com os melhores resultados.

“Isso não é possível, o que temos de garantir é que todos adquirem as competências e conhecimentos necessários à sua plena integração como cidadãos. Esse é o principal objectivo que devemos ter com respostas diversas que possam adequar-se também à diversidade dos alunos e das suas condições”, afirmou.

Entretanto, o presidente do CNE considerou que o problema da diversidade é o “grande desafio que a escola tem há muitos anos e é porventura aquele que precisa de maior atenção” e acrescentou que “se pusermos este problema como uma grande prioridade da agenda política, das práticas educativas, com certeza vamos fazer progressos”.

Júlio Pedrosa defendeu que existem em Portugal boas práticas na forma como se lida com a diversidade e apontou a heterogeneidade de contextos sócio-económicos dos alunos numa única turma como uma delas.

O presidente do CNE considerou ainda que é necessária “a adequação dos sistemas políticos, das práticas, das escolhas e das estratégias para responder aos alunos reais que a escola tem”.

Notícia da Lusa: