Catarse

Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.


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Black Cat

gatopretoby janruss

Black Cat

A ghost, though invisible, still is like a place
your sight can knock on, echoing; but here
within this thick black pelt, your strongest gaze
will be absorbed and utterly disappear:

just as a raving madman, when nothing else
can ease him, charges into his dark night
howling, pounds on the padded wall, and feels
the rage being taken in and pacified.

She seems to hide all looks that have ever fallen
into her, so that, like an audience,
she can look them over, menacing and sullen,
and curl to sleep with them. But all at once

as if awakened, she turns her face to yours;
and with a shock, you see yourself, tiny,
inside the golden amber of her eyeballs
suspended, like a prehistoric fly.

Rainer Maria Rilke



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” Eu não sou daqui…”

Pintura de Oxana Yambykh

«Não havia lâmpadas, barcos, silenciosas

flores de amendoeira.

Não havia nada.

É a tua pátria,

ouvi dizer uma voz, ao fundo da escada de pedra.

Sobressaltei-me.

Respondi cerrando os punhos,

voltando as costas,

eu não sou de aqui.

Sou do mar.

Sou das buganvílias,

das ilhas do amanhecer do mundo.»

José Agostinho Baptista, “Deserto”, in Quatro Luas


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Ary dos Santos ou a voz indomada e indomável

José Carlos Ary dos Santos morreu há vinte e cinco anos: de álcool, de desespero e de solidão. Tudo isso foi por ele procurado em êxtase, em euforia, em excesso. Tinha 46 anos e uma existência que, de certo modo, correspondeu às exigências e às lutas da época que lhe coube viver. E Ary nunca desistiu, nunca contornou obstáculos, cara a cara, frente a frente, pegou o toiro pelos cornos, como escreveu numa canção célebre. De facto, a “Tourada”, mais do que uma metáfora, era a grande analogia da sua vida.

Ele morava na Rua da Saudade, na encosta do Castelo de São Jorge, rés-do-chão de um prédio onde, em épocas distintas, havia sido residência de José Rodrigues Miguéis, o imenso romancista deploravelmente esquecido; de Alexandre O’Neill e de Fernando Tordo. Eu habitava mais abaixo, na Rua Norberto de Araújo, húmida e estreita, encostada à antiga muralha fernandina. Até lá, quase noventa degraus, que deitavam abaixo o coração mais empedernido – quanto mais o meu, estremecido e acelerado quase sempre.

Ocasionalmente, encontrávamo-nos, nas tascas, nos modestos restaurantes da zona, ele brincava com os meus três filhos, contava episódios mirabolantes à minha mulher, ríamo-nos com os seus desaforos, admirávamos a sua coragem tanto física como moral. Um ser tonitruante, narcísico, venenoso como uma cascavel, generoso, atento, cordial e afectuoso como o último dos cavalheiros. E um trabalhador infatigável. O Ary dos Santos possuía a moral proletária do trabalho; e a marca da sua aristocracia provinha, directamente, da grandeza de alma e da displicência com que esbanjava um talento tão magnífico como sumptuoso. Grande bebedor, grande pecador, grande blasfemo, grande destruidor de mitos e de aldrabices.

Conheci-o na redacção da revista “Eva”, dirigida por uma mulher distintíssima, Carolina Homem Christo, e onde trabalhava gente da estirpe de Carlos de Oliveira, Maria Judite de Carvalho, Rogério de Freitas e José Cardoso Pires. Ele fez umas entrevistas curtas e bizarras; eu, uns textos estranhíssimos sobre bruxas e ruas sem nome. Éramos uns miúdos, eu um pouco mais velho do que ele, e logo assim saíamos da revista avançávamos para A Brasileira do Chiado, centro do mundo e ponto de encontro de tudo o que era gente importante no jornalismo, nas artes, no teatro e na literatura.

Deixei de o ver porque, entretanto, eu encontrara colocação num jornal semanal, “Cartaz”, cujo chefe de redacção, Armindo Blanco, tinha tanto de talentoso como de mau feitio. Mais tarde, com ele voltei a trabalhar, n’”O Século Ilustrado”, um ou dois anos antes de Blanco viajar para o Brasil, onde morreu, nos anos de 90. O Ary dos Santos, entretanto, enveredara nos meios da publicidade, e reencontrei-o, algumas vezes, nos escritórios da agência “Êxito”, dirigida por Fernando d’Almeida, um craque naquela profissão. Eu escrevia pequenos textos, para arredondar a conta, ao fim do mês, e participei numa equipa constituída por Alves Redol, Daniel Filipe, Álvaro Guerra, Cardoso Pires, que mantinha uma rubrica, “Pequena Crónica do Banal”, diariamente apresentada na Rádio Renascença, como rubrica de um programa de duas horas, “Êxito”, que era patrocinado pelos anunciantes da agência. Parte dessas crónicas deram origem a um belo livro do Redol, “Histórias Afluentes”, e, remanejadas e reescritas, as minhas republiquei-as, em jornais, revistas e livros.

O Ary não era, apenas, um génio na publicidade (como, aliás, o O’Neill), foi o autor de letras extraordinárias, para fados e canções. As parcerias com Fernando Tordo (outro formidável autor e letras e de músicas, além de originalíssimo cantor) e com Carlos do Carmo deram resultados incomparáveis. E pertencem à selecta mais rigorosa da música popular portuguesa. Um dia, o Tordo, com a coragem e a dignidade ética que se lhe reconhecem, disse: “Os poemas do José Carlos têm uma importância muito maior, pela qualidade e pela profunda originalidade, do que os do Vinicius de Moraes.” E eu estou de acordo. Devíamos, cada um de nós, debruçarmo-nos, mais atentamente, sobre a natureza lírica e a efabulação poética dos poemas de Ary, e não somente nas daqueles expressamente escritos para ser cantados. E corarmos de vergonha por sermos cúmplices da conspiração de silêncio, ou pelo desdém atrevido e ignorante com que alguns medíocres preopinantes se referem ao grande poeta.

Quando morreu, a 18 de Janeiro de 1984, uma multidão comovida aguardava o esquife no Alto de São João. Ouviram-se gritos: “Viva Ary dos Santos!”, e uma floresta de punhos erguidos saudava o homem que escreva sobre o povo, as ruas e os bairros com o sentimento e a emoção de Cesário Verde. Matamos duas e três vezes aqueles de nós que se alevantaram sobre a média.

Chegamos, até, a cercá-los de infâmia. Não chega, porém, para os naufragar no oceano do esquecimento. Mais tarde ou mais cedo alguém fará a sua recuperação. No caso de José Carlos Ary dos Santos ele pagou bem caro o facto de ser militante comunista e de assumir bem alto a sua homossexualidade. Porém, as suas canções ainda se cantam e ainda se ouvem: falam de coisas simples e modestas como o amor, a grandeza do trabalho, a luta incansável por dias melhores, a natureza cívica dos bairros, a beleza dos amanheceres e o mistério insondável das noites de Lisboa.

Ele pertencia a essa estirpe de portugueses que, como diz Fernando Tordo, “era gente importante que desdenhava da sua importância”. Vinte e cinco anos depois, falta-nos o seu grito, a sua voz indomável, a sua presença livre e sem dono.

Baptista Bastos in J. Negócios

Soneto

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

José Carlos Ary dos Santos


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Esoteric Agenda 3/4 – LEGENDADO

ADVERTÊNCIA

Este documentário contém informações muito polémicas sobre toda a nossa realidade, tudo que você acreditou até agora. se você acha que não está preparado para descobrir os segredos da Matrix, recomendamos que não assista a esse vídeo.

Existe uma Agenda Esotérica atrás de cada faceta de nossa vida que até então acreditávamos estar desconexa.
Há uma facção da elite conduzindo a política social, economia, a política, as corporações, algumas ongs, e inclusiva as organizaçoes contra o stablishment.
esse vídeo expoe essa agenda…

Enfim, um documentário IMPRESCINDÍVEL para aqueles que buscam a verdade.

Publicado por deusmihifortis


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Amor I Love You

Deixa eu dizer que te amo

Deixa eu pensar em você

Isso me acalma, me acolhe a alma

Isso me ajuda a viver


Hoje contei pras paredes

Coisas do meu coração

Passeei no tempo, caminhei nas horas

Mais do que passo a paixão

É um espelho sem razão

Quer amor, fique aqui


Deixa eu dizer que te amo Deixa eu gostar de você

Isso me acalma, me acolhe a alma

Isso me ajuda a viver


Hoje contei pras paredes

Coisas do meu coração

Passeei no tempo, caminhei nas horas

Mais do que passo a paixão


É o espelho sem razão

Quer amor, fique aqui


Meu peito agora dispara

Vivo em constante alegria

É o amor que está aqui


Amor I Love You


-”Tinha suspirado… tinha beijado o papel devotamente.

Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades

E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas

Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido.

Sentia um acréscimo de estima por si mesma,

E parecia-lhe que entrava enfim

Numa existência superiormente interessante

Onde cada hora tinha o seu encanto diferente

Cada passo conduzia a um êxtase

E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações”


Amor I Love You


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Como se destroi um País: agricultura

Políticas Agrícolas da União Europeia

“Não consigo suportar esta situação. O tractor leva 100 litros de gasóleo, o que dá para um dia de trabalho. Ao fim do mês são mais 400 euros que gasto. Não queremos subsídios, porque esses foram criados para os grandes. Queremos que nos paguem o valor justo”, dizia um agricultor de Rio Mau, Vila Verde. Por todo o recinto trocavam-se experiências de dificuldades. Como os incentivos à aquisição de quotas leiteiras “que agora nada valem” ou histórias de vitelos recém-nascidos, vendidos a 50 euros. O panorama é negro por todos os ramos. “O vinho está de rastos. As cooperativas não pagam e os particulares pagam pouco, a 27 cêntimos o quilograma”.

“Esta situação não é mais suportável. Nos últimos dez anos, as políticas agrícolas foram no sentido de incentivar a deixar. As pessoas recebem para terem os campos parados. Por isso sofremos com a especulação dos preços aplicados aos cereais”, dizia José Manuel Lobato, dirigente da Associação de Defesa dos Agricultores do Distrito de Braga. Novas manifestações estão na forja.

Agricultores são poucos até para manifs, Jornal de Notícias (ler mais)


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Eu choro

by tolook.

Lágrimas rolam do meu olhar,
Saudade dos dias em que você sorria pra mim.
Saudade dos momentos bons que fortaleciam toda fé.
Em todas as canções de amor,
Parece que eu ouço o seu nome tocando ao fundo.
Eu choro,
Por lembrar que hoje você não virá até aqui
para sorrir pra mim.
Como dói dentro do peito,
Lembrar que tudo passou,
e você não quer mais voltar.
Parece um punhal entrando no coração.
Eu choro,
Você não tem idéia de como são amargas essas lágrimas,
De como são tristes as minhas noites.
Eu me sinto tão só.
Eu choro,
Pois te amo


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O rebanho , os infiltrados

Este silêncio


Há lobos que parecem ovelhas mas que em nenhum momento deixam de ser lobos!


Em silêncio vamos esperando …

E, no entanto, em cada esquina trocam-se palavras de insatisfação e de lamento …

Que medo é este que nos faz calar ?

Está alguém aí desse lado ?

Abram as janelas !!!

Recusem-se a interromper voluntariamente a força de dizer, para quem quiser ouvir, tudo o que pensam e sentem, mesmo que não tenham a certeza de que têm razão.

O futuro será sempre o resultado dos encontros e desencontros que tivermos a coragem de desenhar em cada momento de cada dia.

vieira da silva