A manipulação da opinião pública começou durante uma viagem do então Presidente da República, Jorge Sampaio, à Finlândia. Sem saber como explicar os excelentes resultados escolares dos alunos finlandeses, Sampaio ensaiou um explicação que não corresponde à verdade: os professores finlandeses trabalham 50 horas por semana. E logo o magote de jornalistas que o acompanhava deu eco às afirmações erradas sem as questionar e sem procurarem a informação correcta. Foi a partir daí que decidi deixar de comprar jornais e tenho cumprido a promessa até hoje. Foi o suficiente para toda a gente ficar a pensar que os professores finlandeses trabalhavam 50 horas por semana. Os pais ressabiados exultaram de contentes e o Governo aproveitou a oportunidade para lançar mais umas falsidades sobre os professores de modo a preparar a opinião pública para o grande ataque que estava para vir. O ME fez passar para os jornais a informação errada sobre o número anual de faltas dos professores, misturando as faltas de um tempo com as faltas de dia inteiro. Foi um monumental embuste. Como de costume, os jornalistas não investigaram e deram a informação como boa. Prestaram-se, mais uma vez, a serem os megafones do Governo. Daí para cá, salvo raras excepções, não têm feito outra coisa.
O que se passa, na verdade, nas escolas finlandesas? Exactamente o contrário do que se passa nas portuguesas:
1. Os professores finlandeses têm uma tarde livre para trabalharem em conjunto: planificam, trocam materiais e elaboram recursos didácticos de forma cooperativa.
2. Não têm exames nacionais.
3. Os resultados das avaliações externas das escolas não são tornados públicos e não há rankings de escolas.
4. Um em cada três alunos recebe aulas de apoio.
5. Na Finlândia, os professores são muito bem pagos e a profissão é socialmente muito valorizada.
6. Não existe um sistema formal de avaliação de desempenho dos professores.
7. O Ministério da Educação não tem poderes curriculares e pedagógicos sobre as escolas e o currículo nacional é mínimo.
8. A autonomia das escolas é grande e os planos de estudos incluem menos disciplinas do que em Portugal.
9. O número de aulas por semana é menor e as aulas têm 45 minutos.
10. E talvez o mais importante de tudo: não há pobres na Finlândia e as desigualdades sociais são mínimas. Ao contrário de Portugal que é o campeão da pobreza e das desigualdades da zona Euro.
Como se vê, é tudo ao contrário de Portugal.