A Festa do Crime violento
Depois de todo o folclore mediático de Agosto, este ano dedicado ao “Crime violento”, o mês aproxima-se do fim, terminam as férias, as nossas e a dos responsáveis pelo estado da sociedade em que vivemos. Uns para acusarem os que lá estão agora, como se fossem inocentes na mentira, outros para apresentar as soluções milagrosas que vão acabar com o crime. Uma grande festa em hora nobre, em que todos somos convidados. Discursos dos responsáveis acompanhados por imagens de operações policiais de encher o olho com todas as policias na rua para apreenderem um canivete e meia dúzia de condutores com uma cerveja a mais. Já me sinto muito mais seguro agora que acabou Agosto e os crimes vão sair dos cabeçalhos e voltar para as páginas interiores do Correio da manhã.
«Pinto Monteiro justificou a sua posição pelo facto de haver um “hiper garantismo concedido aos arguidos que colide com o direito das vítimas, com o prestígio das instituições e dificulta e impede muitas vezes o combate eficaz à criminalidade complexa“».
Como o Estado é incapaz de reconhecer as suas culpas, passa-as para todos nós culpando os nossos direitos. Uma forma simples de reforçar o poder e de nos retirar um pouco mais da nossa liberdade como cidadãos.
Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17

