A Festa do Crime violento

A Festa do Crime violento

A Festa da Segurança

Depois de todo o folclore mediático de Agosto, este ano dedicado ao “Crime violento”, o mês aproxima-se do fim, terminam as férias, as nossas e a dos responsáveis pelo estado da sociedade em que vivemos. Uns para acusarem os que lá estão agora, como se fossem inocentes na mentira, outros para apresentar as soluções milagrosas que vão acabar com o crime. Uma grande festa em hora nobre, em que todos somos convidados. Discursos dos responsáveis acompanhados por imagens de operações policiais de encher o olho com todas as policias na rua para apreenderem um canivete e meia dúzia de condutores com uma cerveja a mais. Já me sinto muito mais seguro agora que acabou Agosto e os crimes vão sair dos cabeçalhos e voltar para as páginas interiores do Correio da manhã.

«Pinto Monteiro justificou a sua posição pelo facto de haver um hiper garantismo concedido aos arguidos que colide com o direito das vítimas, com o prestígio das instituições e dificulta e impede muitas vezes o combate eficaz à criminalidade complexa“».

Como o Estado é incapaz de reconhecer as suas culpas, passa-as para todos nós culpando os nossos direitos. Uma forma simples de reforçar o poder e de nos retirar um pouco mais da nossa liberdade como cidadãos.

Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17

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Despedimentos e Precariedade

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses atribuiu nesta quarta feira os títulos de “Campeões da Precariedade” aos Hospitais Curry Cabral e Santa Maria, em Lisboa, num acto simbólico contra a precariedade laboral. Em conjunto, os dois hospitais têm cerca de 650 enfermeiros com contratos temporários. O sindicato denuncia a crescente precariedade num sector onde há evidente necessidade de mais profissionais.

“Atribuímos a medalha de campeão da precariedade ao Hospital Curry Cabral, porque tem 148 enfermeiros contratados, e ao Hospital de Santa Maria, que tinha 500 enfermeiros nessa situação em 2006”, explicou À imprensa Isabel Barbosa, da direcção-geral de Lisboa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Para denunciar a existência de “um grande ritmo de trabalho, que compromete a qualidade e a segurança dos serviços prestados”, assegurada com elevado número de trabalhadores precários, o sindicato promoveu nesta quarta feira uma “Caravana Olímpica da Enfermagem”, com atribuição de medalhas às instituições do distrito de Lisboa com piores desempenhos nesta matéria.

A “medalha da precariedade” foi também atribuída ao Hospital Júlio de Matos e à Administração Regional de Saúde de Lisboa, enquanto na modalidade “discriminação” a medalha foi atribuída ao Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, “porque discrimina os enfermeiros contratados no pagamento das horas suplementares de trabalho”. A Maternidade Alfredo da Costa assegurou o título de “campeã da prepotência”.

A iniciativa do sindicato pretende denunciar as más condições de trabalho dos enfermeiros e responder ao “grande desinvestimento do governo na área da Saúde”, como explicou Isabel Barbosa: “um grande nível de desemprego entre os jovens e de enfermeiros com vínculo precário contrasta com a necessidade de enfermeiros nos serviços”.