Uma das maiores tolices pedagógicas desta equipa ministerial foi a publicação do Anexo ao Decreto-Lei 200/2007 (1º concurso para professor titular), no qual se cria, à margem da lei, 4 departamentos para o 2º e 3º ciclos e para o ensino secundário.O que terá levado aquela gente a fazer uma tolice destas? No mega departamento das Expressões cabem coisas tão distintas com a educação especial, a música, a educação visual e a educação física. No de Matemáticas e Ciências Experimentais, cabem as Educações Tecnológicas, a Informática, a Física, a Matemática e até a Biologia. E assim por diante com os outros dois mega departamentos: Línguas e Ciências Sociais e Humanas. O legislador revelou uma clara e chocante insensibilidade face à importância dos saberes disciplinares. A que se deveu uma tal leviandade? Há mais de 3 anos que o país vive sob a síndrome da concentração. A justificação é meramente económica: pretende-se poupar uns euros, ainda que destruindo toda uma tradição pedagógica assente nos grupos disciplinares. A destruição dos grupos disciplinares como estrutura intermédia de organização pedagógica simboliza 3 coisas:
1. O desprezo pelos conteúdos disciplinares e pelo cânone dos vários ramos do conhecimento que estão na base dos grupos disciplinares.
2. A crescente infantilização do ensino, com a infiltração crescente no 3º CEB e no ensino secundário dos métodos de trabalho e esquemas organizativos adequados ao Pré-Escolar e ao 1º CEB.
3. A criação de condições para a aprovação de legislação favorável ao conceito de professor faz tudo e do professor generalista no 2º e 3º CEB.
Tudo isto são medidas que se integram no processo em curso de desprofissionalização docente.
É possível resistir a esta tolice? É. Com luta persistente e prolongada. À medida que os directores forem tomando conta das escolas, será cada vez mais difícil resistir à tolice, porque o ME vai servir-se deles para incrementar e aprofundar a desprofissionalização docente e a generalização do professor faz tudo.
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