Educação: Promulgação de decreto regulamentar vai permitir resolver problemas das escolas – secretário Estado Adjunto
01 de Janeiro de 2009, 20:41
Lisboa, 01 Jan (Lusa) – O secretário de Estado Adjunto e da Educação considerou hoje que a promulgação do decreto regulamentar que estabelece as regras para o primeiro ciclo de avaliação de professores “vai permitir resolver os problemas identificados pelos professores e escolas”.
Em declarações à agência Lusa, Jorge Pedreira congratulou-se com a promulgação do decreto regulamentar pelo Presidente da República, considerando que este “aprova algumas medidas de facilitação do processo de avaliação de desempenho para este ano lectivo”.
“O Governo ouviu, escutou as posições dos parceiros, entendeu que havia alguns problemas neste ano lectivo que tinham que ser resolvidos e tomou as medidas necessárias à sua solução”, disse Jorge Pedreira.
Acrescentou que o decreto agora promulgado permite, juntamente com outras medidas que já tinham sido aprovadas pelo Ministério da Educação, às escolas “resolver os problemas que já tinham sido identificados pelos professores e pelas escolas”, considerando que “já ninguém fala dos problemas que eram levantados para a execução e aplicação da avaliação de desempenho este ano”.
Agora, os problemas de que se fala são outros, como o da aplicação do Estatuto da Carreira Docente, referiu.
O Governo crê que neste sentido estão agora reunidas todas as condições para que as escolas iniciem a aplicação destas normas transitórias de avaliação de desempenho de acordo com o memorando de entendimento assinado com os sindicatos em Abril de 2008 e que previa a revisão do regime de avaliação de desempenho, acrescentou.
Num comunicado enviado hoje à agência Lusa, a Federação Nacional de Professores (FENPROF) desvalorizou a promulgação da proposta de avaliação e o líder da Federação prometeu que a luta dos professores vai continuar e até intensificar-se.
“Os professores, a partir de 05 de Janeiro, ao regressarem às escolas, continuarão a fazer o que deles se espera: a lutar, a manter suspensa a aplicação da avaliação do ME e, no dia 19 de Janeiro, juntarão ao objectivo da greve a exigência de suspensão desta avaliação”, lê-se no documento assinado pelo dirigente da FENPROF, Mário Nogueira.
Questionado sobre a posição da FENPROF, o secretário de Estado Adjunto e da Educação lamentou “profundamente” a posição da federação, considerando que apesar de os sindicatos terem “toda a autonomia para decidir a sua estratégia e combates, não podem apelar ao incumprimento da lei”.
“Se a FENPROF entende que deve continuar a lutar pela não aplicação da lei está a colocar-se numa posição de pura irresponsabilidade”, considerou Jorge Pedreira.
“Uma coisa é lutar pela alteração da lei, outra é lutar pela não aplicação de leis que estão legitimamente aprovadas e publicadas e isso é absolutamente inaceitável e é uma absoluta irresponsabilidade”, frisou o secretário de Estado.
Relativamente à publicação do decreto regulamentar agora promulgado pelo Presidente da República, Jorge Pedreira disse que será publicado “nos próximos dias”, havendo todas as condições para que seja publicado no início da “próxima semana”, uma vez que o Governo entende tratar-se de uma “matéria urgente”.
Relativamente à exigência da FENPROF da revisão do Estatuto da Carreira Docente e da eliminação da divisão da carreira entre professores e professores-titulares, da substituição do modelo de avaliação e da abolição de quotas para a atribuição das menções mais relevantes, Jorge Pedreira disse que o Governo aceitou abrir um processo negocial, que está ainda em aberto, para uma eventual revisão do Estatuto com base nas propostas dos sindicatos, considerando que o processo não está “terminado”.
Acrescentou que as mudanças introduzidas pelo Governo na organização da escola pública eram “necessárias e fundamentais” para o cumprimento da sua missão, que “é dar aos portugueses as melhores condições de aprendizagem e sucesso escolar”.
Relativamente a uma proposta de Lei do PSD que será votada dia 08 na Assembleia da República e que, segundo Mário Nogueira, caso seja aprovada suspenderá a avaliação de desempenho proposta pelo Ministério da Educação e pelo Governo, o secretário de Estado Adjunto e da Educação considerou tratar-se de uma proposta “absolutamente lamentável”.
“O que o PSD fez foi apresentar uma iniciativa legislativa para suspender um processo de avaliação de desempenho nos termos em que o Governo aprovou sem apresentar nenhuma solução alternativa”, disse, considerando que a atitude do PSD foi “de total irresponsabilidade e desqualifica o partido para assumir qualquer responsabilidade governativa”.
“O PSD excluiu-se da responsabilidade de apresentar qualquer alternativa, revelando que não tem qualquer ideia sobre o assunto a não ser que não quer que o Governo faça a avaliação de desempenho”, referiu, mostrando-se convicto de que o parlamento não aprovará uma “posição desse nível de irresponsabilidade”.
Sobre o facto de o líder da FENPROF não ter inviabilizado o recurso aos tribunais caso o texto do decreto agora promulgado contrarie quadros legais superiores que deverão ser respeitados, o secretário de Estado considerou tratarem-se de “ameaças frequentes” da FENPROF que “não inquietam minimamente” o Governo.
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