Janis Joplin – Cry baby
Toda a alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesmo é imortal.
Já se percebeu que o “professor dos afectos” é exímio na arte de bem aparecer na fotografia.
Qual Jesus de Nazaré, caminha sobre as águas do mar revolto da avaliação dos professores. Sempre à superfície, foi escrevendo dezenas de crónicas e postes. Acreditou, desacreditou, defendeu, contestou, analisou, teorizou, citou…
Ainda hoje estou para saber o que pensa ele sobre o assunto.
É contra ou é a favor deste modelo de avaliação dos professores? Acha que os professores devem lutar contra este modelo ou acha que devem baixar os braços?
Achará as duas coisas. Que os professores devem ter os braços semi-erguidos.
Se era a favor do modelo de avaliação, porque não o defendeu com clareza!
Se era contra o modelo, porque aceitou ele a designação governamental para o CCAP?
E colaborou empenhadamente, suponho, com a respectiva Presidente que publicou a primeira recomendação sem o ouvir e que, à primeira contrariedade, o abandonou assim como a todos os professores?
O “nazareno”ali dos lados de Gondomar (“valentina” terra) poderia ter sido útil aos professores. Bastava que dissesse de uma vez ao que vinha. Mas não foi. Mas não disse.
Sempre serviu o seu amo e, em plena véspera de Natal, referiu-se aos professores como “pobres coitados”.
Na véspera de Ano Novo, o defensor dos justos, atacou de novo:
Não. Nada disso. O que agora [ainda não] foi “re-decretado” não expurga os aspectos mais polémicos e perversos: quando muito, expurga os aspectos ilegais (misturar avaliação dos alunos com a avaliação dos próprios professores) e mantém as grelhas.
E, mesmo que as expurgações mal anunciadas pelo “nazareno” viessem a ocorrer, mesmo assim, mantinham-se os aspectos mais polémicos e perversos:
1 – Divisão artificial da carreira
2 – Avaliação por avaliadores menos habilitados e competentes que os avaliados
3 – Existência de quotas
4 – Excessiva burocracia e impraticabilidade do modelo e dos procedimentos
E continua “jesus”
“As questões que importa agora colocar são, a meu ver, as seguintes: faz sentido manter uma exigência de suspensão de algo que não existe? Agendar agora a revisão do ECD, por falta de objecto (avaliativo)? Têm os professores condições de vitória? Têm a capacidade de resiliência necessária para manter um longo conflito? Os direitos dos alunos conseguirão ser preservados (ou minimamente afectados), considerando que o primeiro dever profissional os deve ter como referência? Podem ter como aliados os pais e a opinião pública?
Qual a solidariedade deste “professor” com os professores?
Porque usa JMA um discurso que favorece apenas o ME?
Porque lança no seio dos professores – grupo do qual ele fazia parte até há bem pouco tempo – a dúvida subtil, a antecipação de obstáculos, o cenário da derrota?
Melhor propagandista não poderia ter o ME. E, ainda por cima, vestindo a pele de cordeiro: professor, ar sério, pessoa ponderada, pausada, reflectida, apaziguadora…
E veja-se a preocupação deste professor do ensino superior com os interesses dos alunos: quem, no país, tem dado mais provas de defesa dos interesses dos alunos senão os professores que até fizeram manifestações ao sábado?
JMA é um demagogo ao serviço da política socialista!
A quem interessam as reflexões de JMA sobre avaliação do desempenho dos professores?
“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.” (Mateus 7:15)

Em declarações ao “Diário de Notícias”, o secretário de Estado da Educação Jorge Pedreira avançou com a possibilidade de voltar atrás com duas das principais propostas apresentadas durante as negociações com a Plataforma Sindical.
Toda a notícia na
RTP.É verdade que são apenas tentativas, pressões e chantagens. O governo, ministério, ministra ou secretários de Estado podem retaliar como quiserem… Não podem é esquecer-se de que estão do outro lado da barricada. Depois não se queixem e assumam as responsabilidades!
Janeiro 3rd, 2009 <!–Fernando Rocha–>
Medina Carreira não é um homem (técnico e comunicador) qualquer. Para além de ter sido Ministro das Finanças, jurista, professor é um dos mais eminentes fiscalistas portugueses e, seguramente, o economista, que não o sendo (tanto quanto julgo), dos mais hábeis a dominar os números, as estatísticas, da nossa macro-economia. Mas Henrique Medina Carreira é, acima de tudo, um Homem de verdade e de coragem, que são qualidades que, por cá, neste tempo, fazem quase tanta falta como dinheiro, para investir rigorosamente, para criar riqueza e emprego (tendo consultado uma enciclopédia verifiquei que o currículo deste homem, em termos académicos, é ainda mais enciclopédico do que eu pensava; é diplomado em Engenharia Mecânica, licenciado em Ciências Pedagógicas e chegou a frequentar o curso de Ciências Económicas e Financeiras).
Ora é este homem com quem por razões ideológicas, digamos, poderei não estar sempre de acordo, que me habituei a ouvir e a muito respeitar, pela sua sabedoria, pelo acerto das suas críticas e pela forma frontal e pedagógica como o sabe dizer, que, com toda a clareza, nos diz que “o rei vai nú” (lendo-se como “rei”, se se quizer, Sócrates e este Poder/sistema, que nos governa).
Com a sua costumada frontalidade, num artigo de opinião (sob o sugestivo título “SURDO COMO UMA PORTA, TEIMOSO COMO UM BURRO!), que publicou no semanário “SOL”, de 11 de Outubro, do já pretérito ano, diz-nos:
“Legalmente, a actual legislatura acabará em 2009.” (leia-se final de) ”De facto, já terminou. O Governo abriu a campanha eleitoral …”
“A economia continua a ser o mais difícil dos nossos problemas. Irá manter um elevado nível de desemprego, um baixo poder de compra, um modesto ritmo de crescimento, uma insanável pobreza, um crescente temor do futuro, a irremediável nova emigração, as excessivas desigualdades e a periclitante protecção social.” …
“A ineficácia da política da ‘conversa’ é um facto: por isso vem agora o Governo, mais perto das eleições de 2009, anunciar um exorbitante conjunto de obras públicas … É o habitual e o desesperado recurso ao ‘betão’ keynesiano. Que nas actuais condições, agravará o futuro só para produzir um fogacho que fantasie o presente. Se a política da ‘conversa’ foi apenas um logro, a do excesso de ‘betão’ poderá ser uma perigosa aventura.”
E mais adiante diz-nos que os principais “partidos criam ilusões sobre a sua capacidade para melhorar o nível de vida dos portugueses. É apenas um embuste” (para, “no imediato, manter boas sondagens, preparar e ganhar eleições”). …
“Do ponto de vista económico, o Governo ‘armadilhou’ a legislatura de 2005-2009: porque atacou a ‘conjuntura’ com ‘conversa’; porque arquitectou um conjunto de obras cuja concretização integral empenharia longamente o nosso futuro; porque não preparou a ‘estrutura’ em função das necessidades de uma economia mais produtiva e mais competitiva. Concretiza-se assim um evidente fracasso …”
E, finalmente, não resisto a citar o final deste importante artigo, de grande mestria e muito elucidativo: “Portugal ficará outra vez entregue a si mesmo, sem sequer poder pretextar qualquer crise que disfarce as suas fraquezas. Não deve, por isso, manter-se a ilusão, pois os malabarismos nunca vencem as realidades. Sempre que assim se procede, aqui ou além, as coisas acabam mal.”
Esta noite, segundo dia deste Novo Ano, tivémos (os que como eu assistiram) o prazer (contraditório, porque diz verdades, que achamos que devem ser ditas, mas que assustam) de ver, na SIC NOTÍCIAS, Medina Carreira a ser entrevistado por Mário Crespo, onde registei, que, ele, contrariamente a Cavaco Silva, que, ontem na sua mensagem de Ano Novo, nos disse para do futuro não termos medo, o tem. Confesso, que tal como Medina Carreira, desde há uns tempos, que temo o futuro, o que em mim é um sentimento estranho, por ser optimista/voluntarista, por natureza. Só que, por mais que tente, não consigo acreditar, para os tempos mais próximos, num futuro melhor, para Portugal e para os portugueses. A propaganda do Governo não me convence, “cheira-me” a charlatanice, uma “banha da cobra” revestida de muito markting e falsa modernidade, destinada a confundir o vazio de ideias e a ausência de uma estratégia.
Registei, também, a referência deste nosso notável comunicador ao dizer, a propósito do caso “Gebális” (de que o “Correio da Manhã”, de ontem, conta mais uns elucidativos pormenores, de gastos em comezainas, à grande e à francesa, por parte desses administradores nomeados por Santana ou Carmona, para esta empresa municipal de Lisboa, para a gestão de Bairros Sociais), que “o País está a saque”. Por acaso li a notícia do “CM” e não consigo compreender tanto descaramento, tanta impunidade, mesmo em termos, administrativos. Como é possível imaginar, num Serviço Público ou numa Empresa Pública, utilização de cartões de crédito sem limites de gasto, em refeições ou noutras mordomias, que só passados anos se verificam ser fraudulentos, para além de excessivos ?!
Termino estas notas da entrevista de hoje à SIC, de Medina Carreira, com uma oportuníssima, mas chocante pergunta deste, a propósito dos deputados dos grandes partidos, que tirando, Manuel Alegre e pouco mais, não têm (não usam, por subserviência, quase canina, ao “sistema”, ao líder) liberdade de voto: “QUE DIFERENÇA HÁ ENTRE ESTES DEPUTADOS E OS DE SALAZAR ?” Reconheçamos que a pergunta é provocatória, mas, na prática, na prática daquela Assembleia, andará longe da verdade ? E porque será que, em democracia, temos um sistema político viciado e manipulado por caciques, maiores ou menores ?! …
Fernando Rocha in Mistura Grossa
Entrevista na TVI
Vejo em Medina Carreira, digamos assim, um solitão, mas porque a proposta que ele nos faz é simplesmente autoreprodutiva em matéria de empobrecimento geral da nossa população. Ele já aceita, nesta sua última entrevista dada a Mário Crespo, que não existam funcionários públicos a mais. Desta vez, o que ele nos traz é o peso percentual dos correspondentes gastos no PIB!