Os papa-educação

Duas figuras da educação indígena são curiosas de seguir: a sra. Margarida Moreira (DREN) e o piedoso Jorge Pedreira. A primeira, infamantemente ofendida por José Sócrates (fez parte da equipa de Santos Silva, ministro da educação dos “30 anos perdidos“) tem o vício do disparate, mas não virá daí mal ao mundo. Os funcionários partidários são imortais, passe a indigestão da sua utilidade. Existem para a falange e milagrosamente, depois de arruinarem tudo e todos, lá estarão prontos outra vez para novos atropelos à cidadania, em nome da nebulosa eleitoral dos interesses. O caso do sr. Pedreira é de outra índole. Governante sem boa fé, sem qualidade moral, enérgico de venalidades, agoniza entre a voz do dono e o emprego que precisa. A expiação do antigo e “perigoso” ex-sindicalista não explica (como também em Margarida Moreira) tudo. Mas não deixa de ser curioso o raminho de ex-sindicalistas (quase todos nunca trabalharam) que é incansável nas ameaças e no ataque a quem, livremente e com dedicação, trabalha. O sr. Pedreira ameaça, porque tem poder. Se estivesse no tempo do Estado Novo, tudo se esperaria de tão proeminente sujeito. Mas, felizmente, não está. Um dia (e que seja breve) sairá do lugar onde nunca devia ter estado. E depois, talvez, seja fulminado pela mesma “mortalha” com que brindou os docentes, os alunos e os cidadãos impolutos. Só que, nessa ocasião, ninguém se levantará em sua defesa. O epitáfio será cruel. Porque os deuses não dormem.

In O Almocreve das Petas

Presidentes dos conselhos executivos de 139 escolas do país vão pedir a suspensão do processo de avaliação de professores.

Santarém, 10 Jan (Lusa) — Os 139 presidentes de órgãos de gestão de escolas hoje reunidos em Santarém decidiram elaborar um manifesto, a entregar “pessoalmente” à ministra da Educação, contendo a sua posição sobre o modelo de avaliação dos professores.

Numa reunião em que chegou a ser “ponderada” a demissão em bloco de todos os presidentes de conselhos executivos (PCE) presentes, estes acabaram por decidir deixar essa discussão “para outra altura”, nomeadamente para o caso de a resposta ao seu manifesto não os deixar “mais tranquilos”.

Maria João Igreja, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, de Santarém, disse, no final da reunião, que se prolongou até cerca das 18:00, que os PCE decidiram “reforçar a posição do Conselho de Escolas, pedindo a suspensão do modelo de avaliação”.

Este pedido sustenta-se no facto de considerarem que “não é possível levar [este modelo] por diante, mesmo simplificado, porque recaiu nos conselhos executivos todo o trabalho e responsabilidade de o aplicar e porque foi retirada a componente científico-pedagógica, que retira a essência da sua função”, disse.

Os PCE hoje reunidos em Santarém, provenientes de escolas do Norte e Centro do país, decidiram marcar nova reunião para 07 de Fevereiro, no mesmo local, para abordar “outros temas”, esperando ter “mais adesão”.

“Este encontro foi muito importante para dividirmos dúvidas e dificuldades e partilharmos o que uns e outros sabem”, disse Maria João Igreja, assegurando que, mesmo não se tratando de um movimento organizado, estas reuniões devem continuar para que “cada um não fique no isolamento das suas escolas”.

Maria João Igreja disse não ser possível apontar ainda uma data para a entrega do manifesto, que terá de ser primeiro elaborado e ratificado por todos os PCE presentes na reunião.

Interrogada sobre se, perante as dificuldades apontadas, ponderam não aplicar o modelo de avaliação recentemente promulgado pelo Presidente da República, Maria João Igreja afirmou que, embora não concordem, vão avançar com o processo porque os PCE têm a “obrigação de cumprir e fazer cumprir a lei”.

“Nenhuma voz se pronunciou contra a avaliação. Todas a consideram essencial, pela credibilidade do ensino, mas não este modelo”, afirmou.

Fernando Trindade, da Escola Secundária da Mealhada, afirmou que em questão está, nomeadamente, a “exequibilidade” do processo, pelas tarefas que são incumbidas aos conselhos executivos (CE).

Como exemplo deu o prazo de 15 dias para os CE se pronunciarem sobre os objectivos pessoais traçados por cada professor.

“Numa escola com 180 ou 200 professores, é praticamente impossível analisar e negociar todos, mesmo delegando competências, o que levará a que muitos possam ser aceites tacitamente, o que é perder o rigor” do processo, afirmou.

MLL.

Lusa/fim

Renascença

Presidentes dos conselhos executivos de 139 escolas do país vão pedir a suspensão do processo de avaliação de professores.


A conclusão saiu esta tarde de um almoço que durou mais de seis horas e que juntou em Santarém os principais presidentes de órgãos de gestão das escolas.

João Ramos Pereira, presidente do agrupamento de escolas de Soure, em Coimbra, explica o documento que está a ser preparado para enviar a Maria de Lurdes Rodrigues.

“Vamos solicitar à senhora ministra a suspensão deste modelo – mesmo simplificado – porque entendemos que tem algumas deficiências na sua aplicação e cria algumas dificuldades”, disse.

CC/Cristina Nascimento

Às 17:00, ainda decorria a reunião de PCEs. Aprovada comissão para coordenar a contestação às políticas do ME


Às 17:00, fui informado que a reunião de PCEs, em Santarém, ainda decorria. Os PCEs estão à procura de uma posição consensual. Foram defendidas várias possibilidades. A hipótese da demissão em bloco tem ocupado a maior parte do tempo. Ao longo da tarde, os PCEs têm analisado as vantagens e as desvantagens desta opção. Mais consensual, foi a criação de uma comissão de trabalho com o objectivo de organizar formas de protesto e contestação às medidas do ME que mais confusão e contestação criaram nas escolas. Tenciono voltar a este assunto ainda esta noite. Continuo a pensar que a melhor opção seria o pedido de demissão em bloco. Estou em crer que essa opção foi defendida por muitos mas não obteve consenso.

Portugal tem de eliminar a Maçonaria

A Maçonaria é uma organização secreta, subversiva, que põe em causa os princípios do Estado de Direito.
O Estado de Direito significa liberdade, igualdade, imparcialidade, Justiça, desenvolvimento.
A Maçonaria é um clube, secreto, que mata o Estado.
A Maçonaria vive dos esquemas, do controlo anti-demcrático do Poder, baseada em solidariedades de “irmãos” que acabam por se traduzir em tráfico de influências, em assalto ao Estado, em corrupção, em injustiça, em subdesenvolvimento.
Nas altas esferas do Poder são colocados “irmãos” maçons, não porque são bons ou os individuos certos, mas porque através deles a maçonaria mantém o Poder.
O Povo, o cidadão indiferenciado, nada conhece destes grupos, destas associações, destas tríades.
O Povo vive vergado a esses grupos de “irmãos” – assim se denominam na Maçonaria os membros – que trabalham para a “organização” Maçonaria, sem a qual não têm prebendas, poder, tachos.
O Povo vota e pensa que manda alguma coisa.
Porém , o Povo comum nada manda.
Quem manda é a Maçonaria que, vestindo de avental e olhando para os seus símbolos, finalisticamente criados, ficticiamente criados, vai dividindo o Poder, dividindo os lucros dos chorudos negócios do Estado, ganhando imunidade, contra o Poder Democrático.
Os maçons abarbatam o Poder: Serviços Secretos, Justiça, Poder Bancário, Poder Empresarial, Poder da Comunicação Social, Forças Armadas, Forças de Segurança, Poder Político.
A vigarice, a fraude, o tráfico de droga, o tráfico de armas, os julgamentos martelados, ou benzidos como diz o Povo, repetem-se.
A vigarice vai reinando.
Povo Português, há que reagir.
Vamos alterar isto. Lutando pela Justiça, pela Liberdde, pela Democracia.
Para iso é necessário combater a Maçonaria, sem medo, desmascarar a sua estratégia, impedir os seus efeitos.

Combater sempre e sem medo.

Por Portugal!

Posto por José Maria Martins In  Blogue José Maria Martins

(IN)CONSCIÊNCIA TARDIA


O Ministério da Educação, consciente das dificuldades sentidas pelas escolas e pelos professores na aplicação do processo de avaliação de desempenho docente, aprovou um conjunto de medidas que introduzem alterações importantes nas condições de concretização do modelo. Com o objectivo de apoiar todos os intervenientes neste processo, é agora disponibilizada uma ferramenta de “Perguntas & Respostas”, à qual terão acesso de consulta todos os professores. As respostas disponíveis na aplicação são sistematicamente actualizadas, com base em questões apresentadas pela direcção executiva das escolas

In http://www.min-edu.pt/esclareceavaliacao/pr/home

NOTA: Nesta ligação há um conjunto de perguntas/respostas sobre a avaliação. Por exemplo, pode ler-se:

O acordo quanto aos objectivos individuais não requer a realização de entrevista ou o cumprimento de qualquer outra formalidade. Os objectivos são considerados tacitamente acordados, a menos que haja comunicação em contrário por parte do avaliador, no prazo de 10 dias após a apresentação pelo avaliado.

Os calendários aprovados pelo director/ presidente do conselho executivo devem prever o prazo para a entrega de objectivos individuais.

Nas situações em que esse prazo não seja cumprido, deve o presidente do conselho executivo/director notificar formalmente o professor desse incumprimento.

Nos termos da lei, quando exista falta de acordo, prevalece a posição do avaliador, isto é, o presidente do conselho executivo/director pode estabelecer os objectivos dos avaliados, tendo por referência o projecto educativo e o plano anual de actividades da escola.

IRONIA: Portanto, posso não entregar os objectivos, partindo do pressuposto de que a sua definição nunca poderia estar de acordo com o meu avaliador!

A proposta de suspensão do CDS foi aprovada mas Jaime Gama anunciou rejeição da proposta. E agora?

  • Guilherme Silva

Guilherme Silva, vice-presidente da Assembleia da República, defende que a proposta do CDS para a suspensão da avaliação dos professores, votada na polémica sessão parlamentar de sexta-feira, dia 5, foi aprovada na primeira votação. A notícia é avançada pela edição deste sábado doExpresso e dá conta que o anúncio de rejeição da proposta, feito por Jaime Gama, está «enferma de lapso», pois não levou em conta os votos divergentes de sete deputados do PS. Para Guilherme Silva é só fazer as contas: o PS tem sobre a oposição uma vantagem de seis deputados e houve seis socialistas que votaram ao lado da oposição, logo, os dois lados ficam empatados. Como houve mais um socialista que se absteve, o PS ficou com menos um voto. Ou seja, para o social-democrata, o «anúncio de rejeição está enferma de lapso, pois em conformidade com as regras, a votação por bancadas pressupõe em cada grupo parlamentar a totalidade dos seus deputados, e só deduzem os votos contrários ao sentido de voto da bancada».

Comentário

O folhetim nunca mais acaba. Cada novo episódio é mais uma mancha negra na credibilidade dos deputados do PS. Vale tudo. E agora? O que fazer para reabilitar o regime democrático? Não vejo como. Com deputados destes, não vejo luz ao fundo do túnel. E ainda assim, é preciso votar. A abstenção nas legislativas não ajuda a resolver o problema. É preciso derrotar esta classe política que rodeia e bajula José Sócrates. São um perigo para a democracia. Para aqueles, que como eu, não têm partido nem simpatizam com nenhum partido, a tarefa da escolha não é fácil. A minha sugestão continua a ser: não deixem de votar. Votem em todos os partidos menos no PS. O ideal será, distrito a distrito, tentarem saber qual é o partido melhor vocacionado para roubar deputados ao PS e votar nesse partido. É preciso salvar Portugal do PS de Sócrates. Antes que seja tarde demais.


Verdade Se Diga Que Só Mesmo Obrigando…

… porque em matéria de leitura onírica e má futurologia há autores bem mais apreciáveis:

Instituto do Emprego exige leitura de discurso de Sócrates

(…)

O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), organismo público na tutela do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS) , abriu um concurso de promoção para o preenchimento de 26 vagas de técnico administrativo principal em que um dos métodos de selecção é uma prova escrita onde os candidatos devem estudar um texto do primeiro-ministro, José Sócrates, sobre a iniciativa governamental Novas Oportunidades.

Se isto não é tentativa de lavagem ao cérebro com sabão de má qualidade, então é o quê?

socras

Professores da Escola Secundária Sá de Miranda, Braga, aprovaram, na quinta-feira, moção a confirmar a suspensão dos procedimentos de avaliação



Os professores da Escola Secundária Sá de Miranda, Braga, em conformidade com posições anteriormente assumidas – quer de rejeição do modelo de Avaliação do Desempenho Docente definido no Decreto-Regulamentar 2/2008, quer de suspensão de quaisquer procedimentos relacionados com a sua implementação – em reunião de 8 de Janeiro de 2009, reiteraram a sua decisão em não participar num processo que continuam a considerar inexequível, discriminatório e improdutivo.
Ampla e publicamente contestado por uma inegável maioria de professores, o referido modelo foi objecto de sucessivas remodelações regulamentadas pelo Governo, em diversa e recente legislação, que mais não visam que provar a sua aparente aplicabilidade.
Contudo, tais alterações, em nada alterando a substância do modelo, antes tornam mais clara a sua ineficácia enquanto promotor da melhoria dos desempenhos profissionais, minimizando a importância da componente científica e pedagógica na aferição do mérito docente e escamoteando o cariz formativo inerente a qualquer modelo de avaliação de professores.
Assim, os signatários reafirmaram a sua vontade e direito de serem avaliados por um modelo justo, exequível e consensual.
Consequentemente, deliberaram manter a suspensão do processo de avaliação tal como agora lhes é apresentado pela tutela.
Os professores signatários

Comentário
A resistência interna nas escolas foi dificultada com a publicação do decreto regulamentar 1-A/2009. Os PCEs estão entre a espada  a parede. As DREs sabem disso e apertam o cerco aos PCEs e estes fazem o mesmo aos professores. À medida que diminuem as condições que permitem continuar a resistência interna, torna-se mais pertinente o recurso à arma da greve e das manifestações. No dia 13 – dia nacional de reflexão nas escolas – os professores vão ter de escolher a estratégia: greves de um dia todos os meses ou uma greve de 5 dias (uma semana).
Vamos ver qual é a posição que os PCEs que reúnem, hoje, em Santarém, vão tomar.

OBJECTIVO INDIVIDUAL: NÃO TER MEDO!


NÃO HÁ PROCESSO DISCIPLINAR PELA NÃO ENTREGA DOS OBJECTIVOS INDIVIDUAIS!
A corroborar o que tem sido afirmado pelos sindicalistas, dirigentes dos movimentos e bloggers, este facto é reconhecido pelo especialista em Direito Administrativo e Constitucional, juiz conselheiro Guilherme da Fonseca, e pela já “famosa” directora regional do Norte.

[…]

O exercício da liberdade Para Margarida Moreira, qualquer professor tem a liberdade de optar em ser ou não avaliado.
“É um direito que assiste a qualquer professor”, diz a responsável. O docente fica, no entanto, sujeito às consequências inerentes ao processo que, segundo, a responsável da DREN, estão e sempre estiveram previstas na lei.
“Processo disciplinar não existe. As únicas coisas que conheço da lei — e não está em cima da mesa qualquer alteração nessa matéria — estão inscritas na legislação em vigor há muitos anos e já no anterior modelo. O tempo de serviço que não for avaliado não conta para a progressão na carreira, nem para concurso. São as duas únicas coisas que estão previstas na lei, mas não é de agora. Já quem não entregasse o relatório crítico no anterior modelo – que era muito mais ‘faz-de-conta’ – ou não fizesse prova que fez formação não podia progredir”, profere a directora regional de Educação.
[…]
T odo o texto no Correio do Minho [sublinhado nosso]

[…] o juiz conselheiro, Guilherme da Fonseca, referiu que os professores têm razão quando afirmam que não lhes pode ser aplicada qualquer sanção à luz do novo Estatuto Disciplinar dos funcionários públicos.

O especialista em Direito Administrativo e Constitucional considera que a recusa do sistema de avaliação, proposto pelo Ministério da Educação, até pode resultar num processo disciplinar, mas considera que dificilmente haverá lugar a uma condenação.Pela leitura que o juiz conselheiro faz da actual lei não há qualquer violação do dever de zelo ou de obediência que represente um ilícito disciplinar.

In TSF.

O que nos diz Sócrates quando fala?

 desemprego

Imagem do Kaos

Com módico interesse, acompanhei a entrevista de José Sócrates à SIC. Os entrevistadores, Ricardo Costa e José Gomes Ferreira, prepararam-se para uma chacina. Foram driblados. O primeiro-ministro é um exímio dialecta, e cultivou a arte de muito falar e pouco (ou nada) dizer. Costa está cada vez mais ancho de si próprio: sobra-lhe de vaidade o que lhe escasseia de fundamento.

Aquilo é tudo superficial, e a agressividade aparente oculta debilidades culturais e políticas. É pena. Na sua geração Ricardo Costa era, incomparavelmente, o melhor. Creio que se perdeu no fatal labirinto da egolatria. Quanto a José Gomes Ferreira, cujo nome constitui um decalque do nome de um dos maiores poetas portugueses de sempre, é uma espécie de “malthusiano” do jornalismo “económico”, e só consegue brilhar e acertar algumas quando tem pela frente homens da estaleca do prof. Medina Carreira e dr. Silva Lopes. Deus os ajude!

Passo ao lado o facto de eles falarem da “crise”, sem a enumeração do que, na realidade, é, hoje, a “esquerda popular” e ignorando que a finança cometeu um “mãos ao ar!” sobre a política. As modificações que afectam, hoje, toda a sociedade, inclusive de forma traumática, e a formidável tensão existente entre o global e o local, foram desprezadas. Como desprezadas foram as questões culturais. Com alegre displicência, José Sócrates manipulou e dirigiu a entrevista a seu bel-prazer. Costa não escondia a inquietação, e Gomes continuava a afirmar o desnecessário.

A fórmula está não só errada como ultrapassada. E Sócrates, espertíssimo, já sabe ao que vai. Chegou a ser pungente o incómodo e, até, o embaraço que habitaram os dois entrevistadores. Não me interessa minimamente que, em termos de audiência, o engenheiro tenha ganho ao dr. Cavaco: o primeiro é mais vivo; o segundo, um gélido espeque – e qualquer deles os símbolos do desinteresse.

A páginas tantas, o entrevistado discreteou sobre o PS como paradigma da diversidade de opiniões, e declarou-se muito amigo de Manuel Alegre, e afectuoso camarada de quem discorda. E até disse que a equipa encarregada de estruturar a sua moção para o Congresso que se avizinha é muito ampla, muito plural e, sobretudo, muito apostada em abordar as grandes questões de fundo: ideologia, política, cultura, sindicalismo, presume-se.

Acontece um porém: a indigitada equipa elaboradora da moção completa-se em dois nomes: Alberto Martins e Osvaldo de Castro, ex-apoiantes de Alegre nas presidenciais. Por outro lado, o poeta-deputado não foi ouvido nem achado, além do que está a ser objecto de piadas e de anedotas por parte daqueles que o patrocinaram. Ao contrário das afirmações de Sócrates, não há “unidade” nenhuma no PS. Nem nunca houve. Mas, agora, começa a manifestar-se um projecto pessoal de poder. E um poder autoritário. Os “removidos” são, também, os soaristas, ausentes da moção; assim como ninguém próximo de Jorge Coelho, que fabricou líderes e presidentes com a veemência de um tractor. Igualmente inexistentes na lista todos os responsáveis das federações. Mas há mais, muitos mais afastados.

Os recalcitrantes, ou suspeitos disso, são implacavelmente postos de lado. José Sócrates está a criar uma atmosfera de medo no partido, impondo decisões unilaterais e protegendo aqueles que lhe são afectos. Seria importante que estas questões fundamentais tivessem sido abordadas na entrevista de Costa & Gomes em comandita. Assim como o vazio político e, consequentemente, ideológico criado na sociedade portuguesa não apenas pela inexistência de oposição como pelo facto dominante de Sócrates aplicar o quero, posso e mando indiscriminadamente.

Não sei quando, mas torna-se cada vez mais clara a necessidade de uma nova arquitectura nos partidos. Em todos os partidos, sem excepção. Assim como uma urgente redefinição da Imprensa, cada vez mais preguiçosa, bocejante e amestrada.

APOSTILA – Gostaria de chamar a atenção dos meus Dilectos para o número 482, edição deste mês, de “Le Magazine Littéraire.” Entre um muito bem estruturado dossiê sobre Roland Barthes, a famosa publicação francesa inclui um importante debate entre dois escritores, Stéphane Audeguy e François Bégaudeau, sobre “Que faz a literatura da sua época?” É, de certo modo, o regresso ao velho problema do poder da literatura, da “neutralidade” da arte, e da sua função social. O conceito de que toda a literatura é política, ou reflecte mal-entendidos políticos, constitui o corpo fulcral deste excelente trabalho jornalístico. Através da literatura (e de toda a arte, afinal) poder-se-á tomar o pulso das épocas. Segundo Audeguy, “Escolher uma língua, escolher um terreno, escolher um tema, escolher um motivo – é político.” A ler atentamente

Baptista Bastos in J. Negócios

“QUE DIFERENÇA HÁ ENTRE O PARTIDO SOCIALISTA E A UNIÃO NACIONAL DE SALAZAR ?”

“QUE DIFERENÇA HÁ ENTRE O PARTIDO SOCIALISTA E A UNIÃO NACIONAL DE SALAZAR ?”

“O PS fez uma festa no dia em que vim embora”

«Jugulai» a senhora ministra!


8 de Janeiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto


Sei que muitos professores nos lêem. Ainda não temos os leitores do «Umbigo», mas lá chegaremos.
É para eles este texto.
Com todo o respeito, chegou a hora de «decapitar» a senhora ministra. «Jugulai-a» de vez! É agora ou nunca. Mesmo que hoje em dia já não seja ministra de nada, que simbolicamente tenha morrido há muito, a carcaça do simbólico cadáver, com o devido respeito, continua por aí. Envergonhada. Escondida. Inexistente. Fantasmagórica. Mas continua por aí.
É preciso, pois, dar a estocada final.
Chega de humilhações públicas. Chega de maus-tratos constantes. Chega de todo um programa que só visou partir a espinha da classe docente.
Não partiu, reforçou-a. Conseguindo transformar pequenas reuniões de professores em mega-manifestações de 25 mil pessoas. De 100 mil. De 120 mil. Conseguindo adesões de 90% a greves habitualmente pouco concorridas. Conseguindo unir uma classe tradicionalmente pouco activa.
Afinal, o que é que está em questão? Sinceramente, já não interessa. Foram anos a ouvir que «quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo de leite!» (Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16/11/2008); que «vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos» (Valter Lemos, Assembleia da República, 24/01/2008); que «caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil» (Jorge Pedreira, Novembro/2008); que “admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” (Maria de Lurdes Rodrigues, Junho/2006); que
«[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete (depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!» (Margarida Moreira – DREN, Viana do Castelo, 28/11/2008).
No que me diz respeito, estou completamente à vontade. Na blogosfera em geral, no meu blogue e no «5 Dias», já disse o que tinha a dizer sobre a senhora ministra, já fiz as críticas e já propus as alternativas. Percebo mais destas coisas do que a senhora ministra, que, à excepção dos anos em que fez o Curso do Magistério para poder ser professora primária com o 9.º ano, nunca entrou numa sala de aulas. Nunca teve trinta miúdos problemáticos à sua frente. Nunca se viu entregue à sua própria sorte. Nunca foi insultada olhos nos olhos.
A senhora ministra não aguentava uma semana.
Por isso é que digo que, chegados a este ponto, nada interessa. Mil propostas pode a senhora ministra fazer e mil propostas os professores recusarão. Pode a senhora ministra cobrir-se de ouro que os professores irão ver não mais do que latão.
É a guerra. A guerra total. E, por mais que digam, não há maneira de salvar a face das duas partes. Não há. Ou os professores ou a senhora ministra.
Quanto aos professores, nada têm a perder. Após uma campanha de intoxicação da opinião pública de quatro longos anos, os portugueses continuam a confiar muito mais nos professores (42%) do que nos políticos (7%). E os alunos confiam nos seus professores. É o que interessa. Podem ameaçar com processos disciplinares e com tudo o que quiserem – todos sabem que a lei nada prevê para quem não entregar os objectivos individuais.
Mas se os professores não têm nada a perder, já os senhores da governação estão aflitos. Há eleições daqui a cinco meses e aquela gente, que nunca fez mais nada na vida, não sabe viver sem o poder. Adoece. Definha. Morre.
O exemplo vem de cima e a melhor escola pública do país, a Infanta D. Maria, de Coimbra, voltou a reunir e voltou a decidir que o processo de avaliação vai continuar suspenso. As 458 escolas e agrupamentos que já tinham decidido a suspensão da avaliação irão certamente reafirmar a sua posição. Irão certamente manter a suspensão.
E no Sábado, na reunião dos Presidentes dos Conselhos Executivos, estou em crer que vai sair uma nova posição de força. De muita força. A demissão em bloco se necessário for. E os professores, acredito, sairão em socorro dos seus Presidentes.
Chegou a altura de acabar com isto de uma vez por todas. Antes que os alunos saiam prejudicados. Antes que isto se torne completamente ingovernável.
Os próximos dez dias serão decisivos. Os professores vencerão se não se amedrontarem. Se continuarem unidos. «Há momentos em que a única solução é desobedecer», disse em Abril de 74 aquele que nunca quis cargos. Nem poder. Nem dinheiro. E que pagou por isso. Sigam o seu exemplo.

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Publicado em cinco dias