Começa a confusão dos concursos…

Começam as datas tão desejadas a aproximar-se e as informações parece que me caem no colo… ensino-educacao

Quem me conhece, sabe bem que não sou pessoa de iniciar ou alimentar boatos, e é com esta informação presente que devem continuar a leitura deste texto.

Interpretando o que me disseram como um desabafo, de alguém que pelas 15 horas ainda não tinha almoçado, decidi aqui colocar parte do que me foi dito, não sem antes ter procurado ‘validar’ o teor da conversa.

Quando eu estava a tentar recolher uma informação para uma colega, relativamente à proposta de vagas na escola onde estou a leccionar, a chefe da secretaria pediu-me se seria possível falar comigo um pouco mais tarde, pois ainda não tinha almoçado, porque tinha acabado de chegar de uma reunião por causa dos concursos!!!

Apesar de ter ficado logo de orelhas no ar, e em pulgas para saber tudo o que fosse possível em relação ao teor da reunião, a senhora, parecendo adivinhar o que se passava na minha cabeça, continuou em tom de desabafo…

“Veja lá bem professor, desde as 10 da manhã para nos explicarem como é que vão ser OS CONCURSOS dos titulares e dos professores!”.

Desculpe?! Concursos?! Por acaso reparou que utilizou o plural?!…

Ah poizé bebé!!!…

Então é assim:

  • Janeiro – Concurso para os Titulares procurarem mudar de escola/agrupamento;
  • Fevereiro – Concurso para Professores procurarem mudar de escola/agrupamento, ou sendo QZP integrar um quadro de escola ou agrupamento, bem como para os contratados procurarem vincular a um quadro de escola/agrupamento.

Não perceberam?! Eu escrevo mais devagarinho…

A maravilhosa divisão da carreira em duas categorias parece que também irá ter reflexo nos concursos!!!

Eu realmente já tinha ficado a olhar de lado para o mapa de vagas afixado lá na escola, pois já tinha verificado que tinham feito uma divisão das vagas pelas categorias, mas não perdi o sono por causa de tal facto.

Infelizmente hoje, já não posso dizer que vá dormir tão descansado como tenho dormido nos últimos dias…

Reforço que sei bem que este é um assunto delicado nesta fase do ano, pois todos nós nos encontramos à espera de toda e qualquer informação sobre o assunto. Não tendo como intenção gerar confusão, apenas decidi partilhar algo que me pareceu ser verdadeiro.

Para finalizar, apenas deixo uma questão em suspenso: <ironic mode on> “Quem é que acredita que os sindicatos não sabem nada disto?!” <ironic mode off>

Sem mais comentários.

In O Trabalho Induca o Vinho Enstrói

Reunião da ministra com conselhos executivos terminou sem acordo

marialurdesrodrigueseoske7

Os representantes dos 139 conselhos executivos que sábado pediram a suspensão da avaliação de desempenho dos professores afastaram o cenário da demissão em bloco, apesar da sua reinvindicação não ter sido atendida no encontro desta quinta-feira com a ministra.

“Apresentámos o pedido de suspensão, mas a ministra mantém-se irredutível. Ouviu-nos, mas continua a assegurar que este modelo simplificado é para aplicar”, afirmou Maria do Rosário Gama, presidente do Conselho Executivo da Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra.

Perante a falta de acordo com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, os 139 presidentes de Conselhos Executivos voltarão a reunir a 7 de Fevereiro, provavelmente em Coimbra, onde esperam juntar ainda mais colegas à iniciativa.

No entanto, os responsáveis das escolas afastam a possibilidade de uma demissão em bloco, uma decisão que chegou a ser equacionada no encontro que decorreu no passado sábado em Santarém.

“A demissão em bloco de professores que foram eleitos pelos seus colegas para os representar não iria resolver qualquer problema. Seria antes uma traição aos professores que os elegeram”, acrescentou.

“À saída do encontro com a ministra da Educação, Maria do Rosário Gama sublinhou que este grupo “está ao lado dos professores”, ao contrário de presidentes de conselhos excutivos de outras escolas, cuja posição “não é coincidente” com a dos docentes que os elegeram.

Apesar de continuarem a reinvindicar a suspensão do processo, alegando que essa é a única solução para ultrapassar o “clima de intranquilidade que continua a viver-se nas escolas”, os presidentes dos conselhos executivos afirmam que pouco podem fazer para parar a aplicação do modelo.

“Por nós não podemos fazer muita coisa. Os professores é que podem. Nós teremos de fixar o calendário [da avaliação], mas os professores podem, ou não, entregar os seus objectivos individuais”, lembrou Rosário Gama.

Fonte: JN Online

Comentário:

Por muito respeito que tenha por estes membros de Conselhos Executivos, atirar a suspensão do processo para cima dos professores é pura cobardia.

Paulo Guinote não entrega os objectivos individuais e explica porquê

Hoje na minha escola, EB 2/3 Mouzinho da Silveira, na sequência de uma Reunião Geral de Professores, foi decidida uma votação (por voto secreto e não de braço no ar) em que 60 dos 79 votantes se pronunciaram pela não entrega dos Objectivos Individuais (4 a favor, 15 votos brancos ou declarando  não saber ainda a decisão a tomar), após debate sobre as várias vias de contestação ao modelo de avaliação do desempenho docente.

Não foi elaborada moção, por se ter chegado à conclusão consensual que este é um momento para tomadas de posição individuais, avaliando cada um(a) as suas razões para os seus actos.

Achei bem.

Deixo apenas aqui os fundamentos do meu voto contra a entrega dos OI e porque prefiro isso a adoptar uma das outras duas vias em presença (aceitar o simplex ou pedir a aplicação extensiva do modelo).

  • Não aceito o simplex por ele se ter tornado um simulacro de avaliação, mero pretexto eleitoralista e demagógico, de onde está ausente a componente essencial do trabalho de um docente.
  • Não acho, neste momento, válida a opção da aplicação extensiva do modelo, com tudo a que teria direito no sentido da implosão do modelo,  porque isso significaria aderir a um processo em que o meu desempenho neste pseudo-”ciclo de avaliação” se resumiria à análise do meu trabalho em menos de seis meses, em duas aulas e um porta-folhas mais ou menos volumoso. Ora, em minha opinião, não é assim que se consegue aferir da excelência – ou outra coisa quaquer – do trabalho de um docente que tem orgulho no que faz.

Por isto, e por outras razões que vos poupo de repetir, decidi não entregar os meus Objectivos Individuais no prazo que me for apresentado, independentemente das consequências que isso acarrete, embora garanta que resistirei por todos os meios contra qualquer tentativa de penalização disciplinar que agrave a não progressão na carreira.

Mesmo se sei que quem vai à guerra, dá e leva e essas coisas todas. Mas não há “lutas” (não gosto da terminologia guerreira, mas…) sem riscos. E ninguém pode ir para a guerra apenas depois de ter a garantia que ninguém dispara contra ele(a) ou que o fizer é de mansinho na direcção do dedo mindinho.

In A Educação do meu umbigo