Folclore ideológico – Fernando Sobral

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, abriu uma janela de oportunidade para a felicidade suprema dos portugueses: o trabalho gratuito. Descoberta a possibilidade de todos nós podermos ser concorrenciais no mercado global, ele conseguiu mesmo inovar ideologicamente, argumentando que o trabalho gratuito corresponde a uma “prática privilegiada de realização pessoal e social”.

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, abriu uma janela de oportunidade para a felicidade suprema dos portugueses: o trabalho gratuito. Descoberta a possibilidade de todos nós podermos ser concorrenciais no mercado global, ele conseguiu mesmo inovar ideologicamente, argumentando que o trabalho gratuito corresponde a uma “prática privilegiada de realização pessoal e social”. Não duvidamos: o trabalho voluntário e o comunitarismo deveriam ser promovidos em Portugal. Embora, neste caso, a ideia de Lemos é ter trabalho grátis em vez de prática remunerada. A descoberta de Valter Lemos é a maior desde a invenção da pólvora e, talvez, da criação dos servos da gleba. Valter Lemos, ao abrir a porta a todos os professores reformados, para que estes voltem a trabalhar gratuitamente, torna o altruísmo a nova ideologia do Estado. Num PS órfão de ideologia, desde que esqueceu o cooperativismo de António Sérgio, Valter Lemos deveria ser promovido a ideólogo oficial da agremiação. Claro que ele mostra como Hyde e Jekyll são os contínuos de serviço no Ministério. Por um lado o ME tem tornado a vida dos professores um verdadeiro inferno, tentando, aparentemente, correr com muitos deles e assim poupar as finanças do Estado. Agora quer que eles regressem. Mas sem encargos. Como conceito político é genial. Como estratégia empresarial merece o Nobel. Como ideal socialista nem Tony Blair se lembraria. Valter Lemos, depois desta ideia, deve ser promovido a ministro da Educação. No mínimo.

O Grande Teatro da Pedagogia


Imagem do KAOS

Sim, é verdade que tenho andado muito caladinho, e isso é sempre péssimo sinal, mas desenganem-se os farejadores de escândalos, porque, como cavalheiro que sou, desta vez, tenho estado a cumprir voto de silêncio, por respeito a uma pessoa, que muito admiro, e que é Dona Adelaide Monteiro, ex-Pinto de Sousa, abençoado ventre que concebeu sem pecado o (ainda) Primeiro-Ministro de Portugal.

O meu conhecimento de Dona Adelaide é bastante antigo, acho que ainda vem do tempo da casa da minha avó, Av. Almirante Reis, em que um dia tocou aquela saudosa campainha, e eu vim espreitar pelo ralo: eram duas simpáticas velhinhas, tipo a irmã do Cesariny, e, quando abri a porta, uma delas disse-me logo: “Sabe que o Mundo vai acabar?…”, e eu — a gente, nestas circunstâncias, nunca sabe que o é mais polido responder… — disse, “pois”, e imediatamente derivei para uma pequena palestra de astrofísica, sei lá, a de que de aqui a não sei quantos milhares de milhões de anos, o Sol, uma anã-laranja, da Classe G2, iria abandonar os arredores da Sequência Principal, e começar a derivar ainda mais para os extremos, deixando de consumir Hidrogénio e Hélio, e passando a devorar Carbono, e coisas ainda mais indigestas, tornando-se numa Gigante Vermelha, e expandindo o seu perímetro algures para entre a órbita da Terra e de Marte, o que queria dizer, mais coisa menos coisa, que era o mesmo que ficar a viver perto de um forno crematório, mas não do lado de fora da porta, mas mesmo de dentro…

Acho que a velha não gostou da minha história, sobretudo quando eu puxei a coisa para o lado político, e lhe disse, acintosamente, “claro que, nessa altura, a não ser que haja algum político filho da puta que se lembre de estender a idade de reforma indefinidamente, nem eu, nem as senhoras cá estaremos…”

Confesso que nunca compreendi a expressão que se lhe espelhou no rosto, e só alguns anos mais tarde me trouxe uma resposta elementar, tipo a Sovenco, onde foram sócios fundadores Sócrates, Vara, a Felgueiras, e um outro camelo, que vendia cartas de condução, e que constituiu explicação para toda a Metafísica Futura.

Mais tarde, sempre que mudava de casa, até à minha atual residência, no Palácio do Correio-Mor, aquela cara ia-me acompanhando, sempre com o mesmo discurso, “sabe que o Mundo vai acabar amanhã?…”, e eu lá lhe ia dando razão, de acordo com a teoria científica então mais na moda, e corremos tudo, juro, desde o Buraco de Ozono, ao Aquecimento Global, à Sida, ao Ebola, ao Tsunami, à Colisão do Cometa, do Asteróide e mesmo da Profecia Maia. Então, nos arredores de 2000, já era eu que a queria convencer a ela de que ia ser naquele ano, mas ela ficou muito indignada, porque isso eram “crenças papistas”, ou seja, o Mundo podia acabar em qualquer dia, exceto no preconizado pelas crendices cristãs!…

Como podem imaginar, este debate académico arrastou-se décadas, ela, no fundo, queria vender-me a revista, e eu dizia que não precisava da revista para nada, porque assinava a “Science et Vie”, a “National Geographic”, e a “American Scientific”, que sempre ficam uns furitos acima da “Sentinela“, uma espécie de programa da Bocarra Guimarães, em forma de folheto.

O salto quântico, enfim, deu-se quando eu identifiquei, numa daquelas simpáticas velhinhas, a mãe do “Engenheiro” Sócrates, tinha a Maioria Absoluta acabado de ser alcançada, e foi então que os papéis se inverteram: em vez de serem elas as melgas, passei eu a parasitá-las, e, quando elas se queriam ir embora, eu pedia-lhes para ficarem um bocadinho mais, até que me atrevi a perguntar a Dona Adelaide, “olhe lá, isso do Fim do Mundo tem alguma coisa a ver com o seu filho ser agora Primeiro-Ministro?…”

Nunca esquecerei a lágrima dolorosa, que se soltou do canto do olho daquela mãe: era uma resposta muda, e uma sentida confissão, de um coração que sofre.

Como eu a percebo: uma coisa era andar a lanzoar, a lanzoar, em redor de um Apocalipse abstrato, outra o ser o próprio fruto do seu ventre a vir incarnar a Bagunçada Final, e foi aí que o meu coração se apiedou dela. Passámos a estar mais tempo juntos, ela confessava-me que, no fundo, o Mundo ia acabar por causa do filho dela, mas não só, porque havia mais gente interessada no negócio, e eu, a sacar nabos da púcara, “… está, no fundo a querer dizer, sem dizer, que Maria de Lurdes Rodrigues também está metida nisso?….”, e ela só fazia que sim, que sim, com aquela cabeça de crente, e lá me dizia que pior do que a Lurdes era o Mariano, dos lindos olhos, que a andava a picar constantemente, mas o mal já vinha de trás, com aquele horror de Leonor Beleza, que tinha feito transfusões de sangue, coisa que é fatal para qualquer Jeová, quanto mais, com sangue contaminado. E dizia ela: “essa mulher foi o Anticristo que a promoveu!… Anda no Altar do Diabo, na Fundação Champalimaud, parece que foi o Pé de Cabra que lá a pôs!…”, e como eu a percebia, e passávamos ao Dias Loureiro, ao Vítor Constâncio, ao Pinto da Costa, ao Ferro Rodrigues, ao Carrilho, ao Paulo Pedroso, àqueles nomes todos da televisão, e eu a sacar informação, “portanto, tem a certeza de que vão todos estar lá, no dia do Fim?…”, “Sim, estarão”, respondia ela, “todos sentados num grande sofá cor-de-sangue, a assistirem ao “Equador”, a coisa mais cara que a TVI já produziu, quer dizer, se excluirmos as injeções de botox da Manela Boca Guedes…”, e eu, “aquilo fica-lhe muito feio, não fica?…, porque a boca agora está a meter-se toda para dentro, cheia de pregas, parece um buraquinho, deus me perdoe, parece aquela terceira visão que todos temos, entre as nádegas…”

O Mundo acabar assim ainda ia ser pior.

A semana passada, quando eu decidi enveredar pelo silêncio, as nossas confissões já estavam pelo “Freeport”: sim, era tudo verdade, já o serem todos meio-irmãos queria dizer que havia antepassados a fazer filhos por fora, uma vergonha, e que os primos eram todos iguais, aquela história dos dinheiros dos volfrâmios tinha sido toda inventada, e o dinheiro vinha todo das “off-shores”, das “luvas”, e das percentagens das comissões das Estações de Saneamento, que o Zé (o filho) e o Vara geriam, enfiando aquilo, muito disfarçadamente, através dos “sacos-azuis” das Autarquias-Rosa, para não dar muito nas vistas. E eu perguntava, “e era muito dinheiro?…”, e ela, “Era, sim: o meu meio-irmão, o Júlio, sempre que via as notas chegar, começavam a tremer-lhe as mãos, tanto que este povo horroroso, o povo português, que trata sempre mal quem tanto o acarinha, começou logo a espalhar que o meu irmão estava lelé da cuca, e tinha Parkinson, o que é completamente falso, ele não pode é ver maços de libras que fica logo cheio de arrepios e com os dedos a transpirar!…”

Quando uma mulher se abre assim, em confissões, eu seria um canalha em vir desbobiná-las aqui, não acham?, por isso tenho sido respeitoso e silencioso.

Depois fomos à história do prédio do Heron-Castilho, prédio de que eu gostava muito, aquele ar decadente, Art-Nouveau, com umas carrancas de estuque muitas francesas-de-portugal, e um belo dia, já tinham fechado a célebre cada de banho das mamadas, que ficava por cima da Loja das Meias do Edifício Castil, aquilo começou a crescer para cima, tudo em espelhados, com uma antena de metal horrorosa, no topo, parecia uma antena de televisão depois da passagem das botas chungosas das claques do Dragão, e ela confessou-me morar lá, com o filho, a ex-nora, que tinha partido, com um candeeiro, um braço ao Zé, no dia em que descobriu que ele gostava de “mulheres” musculadas, másculas, com testículos e tez venezuelana, a mãe do Hermann, e o Quique Flores, a quem — dizem as más-línguas dos seguranças — o filho dela andava agora de amores, ou, pelo menos, tentar.

“Pois o que consta é que vocês eram três mulheronas, a velha, española, dona do prédio, a Dona Adelaide, e aquela vossa amiga, nossa conhecida comum, e que vocês passavam as tardes nos Chás das Vicentinas, da Rua de São Bento…”, e ela ria, “… e que a Dona Adelaide a melgava todos os dias, todos os dias, com essa sua história do Fim do Mundo, do Fim do Mundo, que o melhor era mesmo vender-lhe o prédio inteiro, antes de que a Coisa estoirasse, sempre podia voltar para España e viver até ao Dia do Juízo, de perna traçada, ao som de zarzuelas, e a folhear revistas de toureiros sexy, com tendências homófilas…” e ela ria, e dizia-me, “ainda um dia me há de explicar quem lhe contou essa história toda!…”, e eu punha uma cara séria, e respondia, como o Cavaco: “Assunto de Estado, portanto, só lho revelaria em Fátima, aos pés da Senhora de Cara de Saloia, pela minha rica saúdinha!…”

Depois, fez-se um silêncio, e eu perguntei-lhe, “explique-me lá uma coisa… com essa coisas das sisas, das escrituras, das mais-valias, ninguém vai acreditar que um prédio daqueles tenha custado só 60 000 contos… Sim, eu percebo que tenha conseguido enganar a velha española, mas como é que depois enganou o Fisco Português?… É aí que entram as “off-shores” do seu meio-irmão?… Ou seja, vendia para fora, e depois recomeçava a vender, cá dentro, os andares isolados, cada um ao custo do prédio inteiro?… Dona Adelaide, ajude-me, pela alminha de Jeová, a que se me faça luz….”

Infelizmente, é nestes momentos que nós caímos da cama, porque, tocou o telemóvel, e, quando eu reconheci a voz pegajosa e bichenta, percebi logo que era o filho… Nem dez segundos decorreram, desde que ela lhe dissesse com quem estava a falar, para que, do outro lado, se ouvissem uns gritos estridentes, como deve ter ouvido o José Manuel Fernandes, do “Público”: era o Homem de Lata, a soltar a Mulher de Porcelana, que lá tem metida, dentro de si.

A velha fez-me uma careta, e disse que a conversa ia acabar já ali, e acabou. Mas acabou mesmo, e acho que para sempre.

Agora, um pouco mais a sério: o Caso “Freeport”, as vergonhosas posições do Procurador-Geral da República e da Dona Cândida, que já arquivou o “Caso do Diploma” — não que o caso fosse novidade: podem reler aqui, como sempre se fizeram licenciaturas, em Portugal, e como o “Diploma” de Sócrates era, afinal, só… mais um — e um Presidente da República que anda a jogar golfe e a papar missas em Fátima, em plena crise com repercussões internacionais, como esta, deixa, mais uma vez, visível que teremos de ser nós, Cidadãos, ofendidos no nosso orgulho de Nação quase milenária, a não cruzarmos os braços.

Meus amigos, esta cruzada é importante, e vamos ajudar a resolvê-la, para que os nossos sucessores não vejam em nós tão-só um cobarde povo de bananas, governado por um filho-da-puta, só deus saberá se não, como Chavez a sonhar perpetuar-se até 2049…

Obrigado, e boa noite.

(Pentatlo, no “Arrebenta-SOL“, no “A Sinistra Ministra“, no “Democracia em Portugal“, no “KLANDESTINO“, e em “The Braganza Mothers“)

In Kl@ndestino

Mário Soares: “Precisamos de um capitalismo ético”[!]


Imagem daqui

Já era sabido que o Mário Soares foi um traidor que não hesitou em pôr o Socialismo na gaveta. Durante a sua actividade de homem do Estado foi reconhecidamente um dos mais carismáticos políticos, no mau sentido, daqueles que diz que sim para um lado, diz que sim para o outro e no final faz o que lhe dá na real gana, sem se importar absolutamente nada em consultar o povo. Um verdadeiro “diplomata”, como muitos lhe chamaram (em minha casa sempre lhe ouvi chamar coisas bem diferentes!). Ora o homem, aproveitando a senilidade vem agora dizer, sem vergonha nenhuma, que “precisamos de um capitalismo ético“. E isto depois de proteger ainda que veladamente o delfim do PS, aproveitando para ir dando uma no cravo, outra na ferradura – sempre foi o seu forte – tratando o escândalo Freeport como um mero pretexto para se espalhar a “confusão”. Claro que o Marocas não seria ele quem iria deitar “uma acha sequer para essa fogueira, que se iniciou não se sabe como nem de onde partiu“; aliás para ele, que vem neste caso fazer o papel de mata borrão, as notícias são “contraditórias” e corre-se o grande perigo de se poder “pensar que a democracia também está em crise“…
Já não é de hoje, é já do tempo em que um pseudo-socialista enganava todo um povo acenando-lhe com bandeiras vermelhas de punhos fechados enquanto comprometia à socapa todo o futuro deste país levando-o a passos largos direito ao abismo da improdutividade que na altura se ocultava sob a capa da “Europa social” que depressa havia de descambar na UE neoliberal a desmandos dos EUA (aliás já na altura este senhor andava às ordens do CIA Carlucci!). Vem ele agora anunciar que a Democracia não está em crise e reafirmar que as instituições (leia-se da Justiça!) funcionam. A era dos políticos mentirosos começou à muito com este senhor. O Sócrates é apenas o refinamento da arte de ludibriar o povo, um discípulo brilhante na arte da mentira, cujo mestre de outros tempos se reveste de um certo ar intelectual ao sabor dos valores da sua época, enquanto este agora lhe basta albardar-se de Armani’s e fazer-se passar por modernaço inovador que insiste à custa de tudo e de todos em puxar a carroça à velocidade de TGV’s.
Seria pois fantástico, sintoma dos nossos conturbados tempos, ver um verdadeiro socialista a desejar um capitalismo ético, mas nós já sabemos muito bem e há muito tempo com quem estamos metidos e como tal em nada nos admiramos, apenas na cada vez maior falta de vergonha na cara (verdade seja dita, nunca teve muita!). Dizem que uma das coisas boas da idade é que ganhamos calo, perdemos a vergonha, no sentido de que nos tornamos mais ousados, já não temendo os juízos que os outros fazem de nós. Mas neste caso é mesmo deboche e sem vergonhice de quem há muito largou a pele da ideologia socialista e se enfiou numa outra pele, que muito bem lhe assenta, de burguês instalado e rendido aos encantos do capitalismo… ético? Onde já se viu um capitalismo ser ético? Seria o mesmo que um porco ser limpo. Será esta a nova ideologia dos que antes se diziam “socialistas” ou apenas sintoma da mais canalha senilidade?

Correio Sentimental: Um Texto Hilariante do Luís Costa


Hoje, resolvi dar resposta aos muiiiiiitos leitores que me têm escrito, colocando-me questões essenciais, cuja pertinência justifica a sua publicação e ampla divulgação em todas as salas de professores deste país (não pensem que vou dizer “à beira mar plantado”— sou avesso a clichés). Não divulgarei o nome dos leitores, pois, para além da indecência que isso seria, também não o poderia fazer — ainda que quisesse — uma vez que todas as cartas têm remetente anónimo. Vejam só!

LEITOR A– “Se eu não quiser ser avaliado pelo Simplex 2, corro o risco de contrair doenças graves como o cancro, a hepatite B, sida…”

DARDOMEU– De maneira nenhuma, amigo(a) leitor(a). Essas doenças não se contraem assim! O mesmo já não posso dizer da atitude inversa: pode provocar diarreia compulsiva, hemorroidite cerebral crónica e/ou estupidite profunda. Mas Deus concedeu-nos o direito ao livre arbítrio. Por isso…

LEITOR B– “Se quiser ter aulas assistidas, num contexto em que são raros os meus colegas que querem ser avaliados, tenho mais possibilidades de obter a menção de “Muito Bom” ou de “Excelente”?”

DARDOMEU– Matematicamente correcto, caro(a) colega. Diria mesmo mais: matematicamente correcto, segundo as leis das probabilidades. Contudo, tal atitude é, no meu entender e numa perspectiva moral, execrável, repugnante, réptil. É o equivalente a aproveitar-se de um funeral (ou algo semelhante) para assaltar a casa de um colega!

LEITOR C– “Devo sentir-me envergonhado(a) ou diminuído(a), por querer ser avaliado para mudar de escalão? É que estou mesmo a precisar de mais uns euritos para fazer face à crise global. Sei que há colegas que estão a dar o corpo ao manifesto, mas… eu não lhes encomendei o sermão!”

DARDOMEU– Caro(a) leitor(a), ser avaliado é uma prova da sua existência: “sou avaliado, logo existo”. Contudo, aconselho-o a fazer prova de vida, pois nem tudo o que existe está vivo. Basta ir a um cemitério para constatar empiricamente este fenómeno.

LEITOR D– “Na reunião geral de professores da minha escola, eu disse, alto e bom som, que não iria dar absolutamente nada para o peditório do Simplex 2 (até assinei e tudo). Depois, dormindo sobre o assunto — e eu sofro de roncopatia e apneia do sono — decidi que é melhor um pássaro na mão do que dois a voar. A verdade é que… mais tarde ou mais cedo… enfim, sabe como é… Acha que fiz bem?”

DARDOMEU– Quem sou eu para lhe responder a uma pergunta desse teor? Por amor de Deus… Por falar em Deus, lembrei-me das palavras que Marte dirigiu a Júpiter, no primeiro canto de “Os Lusíadas”, do nosso inigualável Luís Vaz de Camões:

«E tu, Padre de grande fortaleza,
Da determinação, que tens tomada,



Não tornes por detrás, pois é fraqueza
Desistir-se da cousa começada.»

GRANDE CAMÕES!!!

DGRHE/ME ESTÁ A ENGANAR AS ESCOLAS E OS PROFESSORES

SINDICATO DOS PROFESSORES DA REGIÃO CENTRO DEPARTAMENTO DE INFORMAÇÃO

inform@ção SPRC

ESCLARECIMENTO

ENTREGA DE OBJECTIVOS INDIVIDUAIS:

DGRHE/ME ESTÁ A ENGANAR AS ESCOLAS E OS PROFESSORES


A Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação (DGRHE/ME) está a enganar as escolas e os professores, ao informar, na sua página electrónica, que a primeira fase do processo de avaliação é a “Fixação dos objectivos individuais, por acordo entre o avaliado e o avaliador da Direcção Executiva”.

Basta ter em conta os quadros legais em vigor para concluirmos que se trata de uma gravíssima distorção da lei, que visa, não só, criar ainda mais equívocos junto dos professores, como, através do medo, semeado pela mentira, levar os professores a entregarem os objectivos individuais.

De facto, de acordo com o n.º 1 do Artigo 44.º do Estatuto da Carreira Docente aprovado pelo Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, constatamos que o processo de avaliação tem diversas fases, mas nenhuma delas corresponde à que é referida pela DGRHE/ME. Aliás, a fixação de objectivos individuais nem sequer é referida.

Se nos reportarmos ao Artigo 15.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, que tem como epígrafe “fases da avaliação”, verificamos que, das fases enunciadas, não consta a “fixação dos objectivos individuais” …verificamos, também, que a primeira fase do processo de avaliação é o preenchimento da ficha de auto-avaliação.

Portanto, é abusivo, por não corresponder à verdade, o que a DGRHE/ME está a informar na sua página electrónica. É lamentável, reprovável, inaceitável e anti-democrático este comportamento do Ministério da Educação, até desrespeitador das suas próprias leis, pelo que será denunciado e combatido pelos Professores e Educadores e pela FENPROF.

O Secretariado Nacional
da FENPROF



Caso pretenda contactar o SPRC deve fazê-lo através de sprc@sprc.pt

OBRIGADO!

Há quem tenha medo de falar no PS, diz histórico socialista

Os socialistas lisboetas estiveram, na noite de quarta-feira, a debater as três moções que no final do mês vão ser apresentadas no Congresso de Espinho. No Largo do Rato, um histórico do PS, Edmundo Pedro não poupou nas críticas e afirmou mesmo que no partido há quem tenha medo de falar, mas Augusto Santos Silva desviou as atenções para o exterior.

edm Ouça a entrevista clicando AQUI

Os autores das moções rivais de José Sócrates até quiseram discutir a situação interna do PS, mas embateram com a intransigência de Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares e um dos subscritores da proposta do actual líder socialista.

«Sou provavelmente a única pessoa interessada em não discutir numa sessão de debate aberta as questões de governança interna e de pequena ou micro escala de um partido político», disse.

Edmundo Pedro, histórico socialista, insistiu na critica à situação interna, alertando que há receio entre os militantes do PS.

«Verifiquei um total desinteresse, generalizado, notei outro fenómeno pessoas que estão no aparelho de Estado que me diziam ‘não posso pronunciar-me, porque tenho medo’, não é admissível no partido», adiantou.

Augusto Santos Silva desviou as atenções para a política em geral para dizer que os socialistas não pensam em coligações nem à direita nem à esquerda.

«Eu cá gosto é de malhar na direita e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS são das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheço e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chic», afirmou.

Em resposta às críticas internas, Augusto Santos Silva virou-se para fora.

OS TRAUMAS DA NOSSA JUSTIÇA

Freeport

Kaos



Pedro Lomba

Uma pessoa vê a entrevista de Judite de Sousa à procuradora Cândida Almeida na RTP sobre o caso Freeport e não acredita. É preciso a justiça portuguesa ter atingido um tal grau de desorientação para a senhora procuradora, responsável pelas investigações, proferir afirmações que acabaram por ficar em claro e que não podem, de modo algum, ficar em claro. É preciso o Ministério Público andar tão traumatizado com os seus falhanços nos processos mediáticos, para a senhora procuradora vir a público legitimar a ideia de que não há motivos para suspeitas sobre José Sócrates, dizendo mesmo compreender a reacção de vitimização do primeiro-ministro.

Vale a pena repetir que o licenciamento do Freeport levanta dúvidas inteiramente legítimas que não são efabulações gratuitas de quem visa perseguir José Sócrates. Aquilo que se sabe sobre o licenciamento do Freeport não tranquiliza ninguém. Há declarações contraditórias e falsas do primeiro-ministro, dois actos anormalmente urgentes praticados por um Governo de gestão (a declaração de impacto ambiental e a alteração à Zona de Protecção Especial do Tejo), uma carta rogatória da polícia inglesa que o identifica “sob investigação”, afirmações comprometedoras de um familiar que afirma ter agido como intermediário entre Sócrates e os promotores do Freeport e 20 suspeitos que intervieram no licenciamento a ser investigados. Não nos diga, Senhora Procuradora, que a culpa é nossa por exigirmos o esclarecimento cabal deste assunto.

Eu quero lá saber se José Sócrates é um bom ou mau primeiro-ministro, se estamos em ano de eleições, se há jornais que não gostam dele. O que eu quero saber, o que qualquer cidadão deve querer saber depois de avaliar os factos já conhecidos, é se o primeiro-ministro de Portugal usou ou não o seu poder enquanto ministro do ambiente para facilitar, por intermédio de um familiar e a troco de quaisquer contrapartidas, o licenciamento (em tempo record) do centro comercial do Freeport.

Perante isto, a senhora procuradora apressou-se a dizer à RTP que José Sócrates não é suspeito. Eu lamento, mas a procuradora Cândida Almeida não pode vir dizer que o tio de Sócrates é suspeito de ter recebido dinheiro para “influenciar o decisor”, mas já que sobre o “decisor” não recaem suspeitas nenhumas e que nem sequer “é peça marginal” do processo. Não pode vir dizer que negou uma investigação conjunta com a polícia inglesa porque “os sistemas jurídicos são diferentes”, quando é precisamente nestes casos de criminalidade transnacional que a cooperação entre polícias se impõe. Não pode vir dizer que está tudo bem com o primeiro-ministro porque não está e é evidente que não está. Isto não dignifica o Ministério Público e não dignifica Portugal.

In D. Notícias

O senhor Albino anuncia novo modelo de escola do 1ºCEB: aberta das 7:00 às 19:00 e com programa de 12 horas diárias


Algumas escolas do 1º CEB vão estar abertas das 7:00 às 19:00. Quem anuncia isto não é o ME, mas sim o presidente da CONFAP. A proposta anda há uma ano a ser negociada com o ME. Segundo o senhor Albino, o ME “mostrou disponibilidade para avançar com o modelo” (Fonte: Público de 4/2/09 ). E o modelo será assim: das 7:00 às 9:00, actividades lúdicas. Das 9:00 às 15:30, actividades lectivas. Das 15:30 às 17:30, AECs (Inglês, Educação Física e Música). Das 17:30 às 19:00, aquilo que o senhor Albino chama de actividades de apoio à família. E avisa, qual dono da educação pública portuguesa: “não aceitaremos propostas de mais inglês ou mais educação física. Haverá um júri responsável e as propostas poderão incluir canto coral ou folclore”. Será de presumir que o senhor Albino, do alto da sua pedagogia, venha a integrar o júri. E o senhor Albino, embalado, filosofa: “esta coisa de despejar matéria e depois esperar que os pais tenham literacia suficiente para ajudar os filhos a perceber as matérias tem de acabar, porque o mundo mudou e as escolas têm de se adaptar” (Fonte: Público, 4/3/09 ). Nunca ocorreu ao senhor Albino que encerrar crianças numa escola durante 12 horas por dia é uma clara violação dos direitos da criança. E ele ameaça: “no período das férias lectivas, as escolas deverão também assegurar actividades para as crianças”. Seguindo esta lógica de pensamento, os pais que trabalham por turnos devem exigir que a escola lhes preste apoio durante a noite. E por que não uma verdadeira escola a tempo inteiro que guarde as crianças durante 24 horas, dando, dessa forma, uma resposta completa às necessidades das famílias, da sociedade e da economia?