Protesto contra estatuto da carreira docente levou 200 professores para as ruas de Viseu

Cerca de 200 professores manifestaram-se hoje pelas ruas de Viseu contra o estatuto da carreira docente e o modelo de avaliação do desempenho, avisando o Governo de que “não vergam” às vontades do Ministério da Educação.

“O facto de, mesmo depois da simplificação do modelo de avaliação de desempenho e de o Ministério da Educação meter medo, 60 mil professores não terem entregado os objectivos pessoais e milhares continuarem a vir para a rua, prova que os professores não vergam”, afirmou Francisco Almeida, dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro.

Os professores estiveram reunidos em plenário durante toda a manhã e aprovaram uma moção que apela à “continuação da resistência das escolas e dos professores contra a aplicação do modelo de avaliação que o Ministério da Educação e o Governo, a qualquer custo, querem impor”.

Apelaram também à participação no cordão humano a realizar a 7 de Março em Lisboa, para o qual já se inscreveram mais de cem professores de Viseu.

Depois do plenário, no qual, segundo Francisco Almeida, participaram cerca de 400 professores, metade deles deslocou-se para o Governo Civil de Viseu. Pelas ruas gritavam as frases habituais: “Avaliação sim, mas esta não”, “Categoria só há uma, professor e mais nenhuma” e “Está na hora de a ministra ir embora”.

“Enquanto esta questão não for resolvida, vamos encontrar-nos com o senhor governador civil mais vezes”, garantiu Francisco Almeida ao microfone, em frente ao edifício do Governo Civil.

Segundo o dirigente sindical, hoje de manhã realizou-se também um plenário em Lamego (Norte do distrito de Viseu), seguido de manifestação até ao edifício da Câmara Municipal, que contou com a presença de 200 professores.

Hoje em Coimbra, num plenário com cerca de 250 docentes e educadores, promovido pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, advertiu que os professores podem voltar a endurecer os protestos durante o terceiro período de aulas.

“Vai estar tudo em cima da mesa, desde greves de uma hora até greves às avaliações, até ao final do ano (lectivo) e isso vão ser os professores a decidir”, avisou.

Mário Nogueira disse que na semana que começa a 20 de Abril, os professores serão consultados sobre que tipo de acções de protesto estão dispostos a encetar. “Se se mantiver esta situação, as acções que iremos fazer serão as que os professores quiserem e aí vai ser até ao limite”, disse.

No plenário, os docentes aprovaram por unanimidade uma moção a apelar à participação nas acções de luta, na qual se refere que os protestos “estão longe de ter terminado”.

A Fenprof irá editar o “Livro Negro” das políticas educativas do actual Governo, em Março ou Abril, anunciou ainda Mário Nogueira.

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A Plataforma Sindical já não existe?


1. A pergunta tem razão de ser. A morte da Plataforma Sindical ainda não foi enunciada mas há sinais de que está perto do fim. Que sinais?
2. Jorge Pedreira tem reunido com os sindicatos em separado. As negociações para a revisão do ECD são feitas com os sindicatos. Jorge Pedreira não voltou a reunir com a Plataforma.
3. Uma leitura das páginas web da FENPROF e da FNE mostra-nos o seguinte: A FENPROF apela à continuação da luta porque o “ME insiste na consolidação da divisão da carreira”. A FNE diz o contrário: “ME revela abertura para rever ECD”.
4. A FENPROF apela à participação dos professores no cordão humano a ligar a 5 de Outubro à Assembleia da República. É já no dia 7 de Março. A FNE não faz referência ao cordão humano nem apela à recusa da entrega dos objectivos individuais.
5. Apesar destas divergências, estou em crer que ninguém será capaz de anunciar a morte da Plataforma Sindical. Os professores reclamam a união dos sindicatos em torno da Plataforma. A FNE sabe que os professores não aceitam a divisão da carreira, seja com as categorias de professor e titular seja com outros nomes.

Críticos internos não votaram em Sócrates

Vários críticos internos admitem que não foram votar nas directas por não haver uma alternativa a José Sócrates. E atribuem os 25 mil votos conquistados pelo líder do PS à necessidade de se cerrar fileiras em véspera de eleições.

José Sócrates foi reeleito, na madrugada de ontem, com 96,43% dos votos. Um resultado idêntico ao de 2006 que é interpretado oficialmente como a prova da união em torno do líder, essencial para enfrentar o mais desgastante ciclo eleitoral da história da democracia portuguesa. Mas perto de 50 mil militantes ficaram em casa. É o caso de críticos como Ana Benavente, Henrique Neto, Manuel Alegre ou Medeiros Ferreira, que se queixam de falta de alternativas ao secretário-geral.

“Há muita gente que não foi votar e que está descontente com a liderança”, garante o histórico socialista Henrique Neto, que também sentiu que “não adiantava” ir votar em branco. Tal como Ana Benavente. “Não votei. Não votaria em José Sócrates e não havia alternativa”, revela, frontalmente.

Acusando o PS de conduzir o País com políticas de Centro-Direita, a ex-governante avisa: “Quando José Sócrates deixar a liderança, vai deixar o PS muito mau, porque perdeu a sua matiz de governo socialista. Vai deixar o PS completamente vazio”. Por isso, afirma que preferia que as directas tivessem tido uma alternativa ao secretário-geral. “Não necessariamente Manuel Alegre. Um candidato com um verdadeiro programa socialista”, aponta.

Alegre, que também não foi votar, era a alternativa que Henrique Neto queria. “Devia-se ter assumido como alternativa. Isso faria com que as pessoas que não concordam com a liderança fizessem ouvir a sua voz e também dava maior legitimidade e coerência ao seu discurso”, argumenta.

“Não fui votar porque achei que não era necessário”, revela também Medeiros Ferreira, embora admita que este não era o momento para surgirem alternativas. “Estamos num ciclo eleitoral em que não compete ao PS criar dificuldades a si próprio”, justifica. Daí que acredite que os 25 mil votos conquistados por José Sócrates se relacionem com a necessidade do partido se apresentar “forte para os actos eleitorais”.

João Soares, por seu lado, crê que o PS “está a viver uma situação de normalidade”. “O secretário-geral ganhou com toda a clareza mais um mandato”, afirma.

J.N.