O “Monopoly” português- Fernando Sobral

gatos-igiaisDurante a Grande Depressão os norte-americanos descobriram uma forma barata de se entreterem em casa: o “Monopoly” era um jogo que divertia e fazia esquecer a crise. Em Portugal há vários Monopólios disponíveis, cada qual capaz de entreter os indígenas, mas que têm em comum um facto: reforçam a presença da crise.

O que se vai descobrindo no BPN é, por si só, um jogo sem regras, exercido até à exaustão dos seus responsáveis, perante a apatia de toda a classe de supervisores. Daí subentende-se que, em Portugal, tudo é normal e desculpável. Mesmo depois de ser público. Já nada espanta num país que é um praticante exímio do porreirismo e do facilitismo. E onde a classe política continua a pensar que pode continuar a escorregar em sucessivas cascas de banana porque nada a pode levar a escorregar nas suas trapalhadas.

O exemplar caso do abate de sobreiros no , em Setúbal, fruto de uma decisão governamental tomada a um mês das eleições autárquicas de 2001 e horas antes de uma decisão do Tribunal Administrativo e as agora divulgadas relações entre o Vitória de Setúbal e o BPN, mostra como há um vírus instalado na sociedade portuguesa.

Há um “Monopoly” diferente em Portugal: quem tem conhecimentos ganha sempre o jogo. Isto é o contrário da sociedade democrática, liberal e defensora da concorrência leal que se pretendia. Há em Portugal um clube privado do “Monopoly”. Que vence sempre. E que permite pouca concorrência. Eça de Queiroz dizia que Portugal era um laranjal. Mas hoje parece mais uma teia.

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Estado “paga” a grupos bancários para investir no estrangeiro


Vinte anos a fomentar o “capitalismo popular” tiveram o efeito inverso. Os actuais benefícios fiscais estão a apoiar fundos de investimento, não de pequenos aforradores, mas de “grandes investidores” que os aplicam não no mercado nacional, mas no estrangeiro, concluiu uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças. A síntese é clara. “Os principais participantes são grandes investidores, a quase totalidade dos investimentos é efectuada fora do território nacional e a maioria dos fundos de investimento imobiliário são fechados”- isto é, não permitem a entrada a novos investidores – “e destinam-se a gerir patrimónios empresariais ou particulares”. O regime de subscrição particular (abaixo de cem subscritores) vinga em 88 por cento dos fundos e 96 por cento dos fundos fechados.
O
20 anos a engordar “VACAS”
É esta a Banca que os governos PS e PSD criaram para o nosso país.
Uma Banca corrupta e defensora apenas dos seus ganhos e privilégios, alimentada pela política vigente e por banqueiros corruptos, que se governam à conta do dinheiro de quem trabalha e que, em vez de servir para os interesses do país, serve para salvar os lucros dos corruptos
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O retrato de Dorian Gray (parte II)

https://i2.wp.com/img150.imageshack.us/img150/6262/augustosantossilvafk3.jpgHá uns anos, vi na TV um ministro da Educação responder ao fogo cerrado de críticas e queixas lançadas por estudantes – e a tudo responder com objectividade, serenidade e, sobretudo, elegância. Disse então para mim: «Aqui está um político como deve ser! Um gentleman, mesmo nos momentos difíceis!».

O seu nome era Augusto Santos Silva. Só que, alguns anos mais tarde e alguns primeiros-ministros depois, a imagem que vi na TV me aparece muito degradada, como o famoso retrato wildeano de Dorian Gray. A objectividade passou a dialéctica «engagée», a serenidade deu lugar à agressividade e a elegância, essa, foi pelo cano abaixo. Promovido de ministro da Educação ou da Cultura a ministro dos Assuntos Parlamentares, Santos Silva transformou-se, segundo a Oposição, num ministro da Propaganda.

E a Propaganda, sabe-se, não se compadece com paninhos quentes. Daí a linguagem utilizada por ele numa reunião no Largo do Rato e da qual o menos que os seus adversários dizem é que foi «caceteira». Sucede, porém, que aceito a explicação de Santos Silva: uma coisa é falar no Parlamento, outra falar numa reunião partidária. O nível da linguagem pode ir baixando, admitamo-lo. Irei mais longe: se Santos Silva, por hipótese, fosse falar a simpatizantes do bas-fond, bem que o seu discurso poderia ser do género «Olá, maralhal, aqui o bacano grama à bruta é ir às trombas da Direita, dá-me gozo cascar nesses gajos e nessas gajas que se dizem da esquerda mas não passam de fachos e reaças».

Nesse episódio da «malhação», a que, como se vê, não dou importância por aí além, o que me preocupa é o seguinte: segundo Santos Silva, o seu alvo seriam o PCP e o Bloco. Ora, como o PSD e o CDS já ficam à direita do PS, e se Santos Silva empurra também para aí o PCP e o BE, poderemos concluir o quê? Que à esquerda do PS é o vácuo absoluto, o caos cósmico? Que a vida à esquerda do PS é tão impossível como em Marte?

Olho de novo para o retrato de Dorian Gray: a imagem está mais degradada…

Sérgio Andrade in J.N.

Em defesa de Dias Loureiro

Em defesa de Dias Loureiro

Dias Loureiro diz que “não se lembra” de ter assinado os contratos para a compra ruinosa de duas empresas tecnológicas em Porto Rico que o “Expresso” revelou, e que só porque, na altura, não se lembrava é que declarou na Comissão de Inquérito ao BPN que nunca tinha ouvido falar do Excellence Assets Fund, parceiro no negócio. Por isso está, obviamente, de “consciência tranquila”. Compreendo-o perfeitamente; as pessoas esquecem-se, eu ainda ontem me esqueci de umas luvas (sem ironia) no café.

Diz William James que a memória é uma narrativa com que construímos o passado que, em cada momento, desejamos ou tememos; se alguém é culpado no caso, não é, pois, Dias Loureiro, é William James. Marc Augé assegura, por seu lado, que uma má memória rejuvenesce, e toda a gente viu o ar fresco e jovial que Dias Loureiro exibia durante a audição parlamentar. Alguns poderão ter pensado que teria feito uma plástica, mas o esquecimento é mais eficaz que o botox para eliminar as rugas, as do rosto como as da consciência. Ora se os filósofos e os antropólogos absolvem Dias Loureiro, quem somos nós para o condenar?

J.N.

E vai ao fundo, vai ao fundo sim Senhor


Ao fundo

Segundo os dados hoje divulgados pelo INE, a economia portuguesa decresceu dois por cento no quatro trimestre do ano passado face ao trimestre anterior, em que já tinha decrescido, e terminou 2008 em recessão técnica.
Ainda de acordo com o INE, no conjunto do ano passado o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português fixou-se nos zero por cento — estagnação — depois de ter crescido 1,9 por cento em 2007.
In “Publico

Mais um Tiro nas Finanças. Economia ao fundo.

Grupo Jerónimo Martins cria Fundação para estudar realidade portuguesa. António Barreto é o Presidente do CA


Depois de Champalimaud , é a vez de outro grande empresário português criar uma fundação para financiar estudos e realizar investigação. Dois casos num universos de milhares de empresários bilionários é muito pouco. É caso para perguntar: e Américo Amorim? E o homem da Sonae? Quando é que, à semelhança, de Soares dos Santos e Champalimaud , resolvem devolver aos portugueses, um pouco do muito que eles lhes deram a ganhar?
A fundação criada por Soares dos Santos , presidente do Grupo Jerónimo Martins, terá a presidi-la o investigador António Barreto e contará com um orçamento anual de cerca de 5 milhões de euros. O objectivo da Fundação Francisco Manuel dos Santos é a promoção de estudos sobre a realidade portuguesa, em particular, a educação e a justiça. A Fundação irá publicar, todos os anos, um Livro Branco sobre um tema relevante para a sociedade portuguesa. Soares dos Santos e o Grupo Jerónimo Martins estão de parabéns. Eu já comprava, habitualmente, no Pingo Doce. Agora, direi aos meus amigos para fazerem o mesmo.
Foto: Reserva Natural do Paúl do Boquilobo