Num almoço de empresários realizado na Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhola, o ex-Presidente da República explicou que os trabalhadores têm de ter a noção de que não estão a ser «aldrabados» nem que se lhes está a ser «enfiado o barrete».”
Necessidade de se falar verdade em tempo de crise? E quando não era tempo de crise, aí não havia necessidade e falar verdade? Aí podiam enganar os trabalhadores para não lhes aumentarem os salários e lhes retirar direitos enquanto eles se enchiam com lucros chorudos? Quando havia dinheiro, cuspiam nos trabalhadores e agora vêm pedir batatinhas. Importante era que os trabalhadores tivessem a noção que estão a ser aldrabados mais uma vez e que lhes estão a enfiar um enorme barrete. De onde vem esta crise e quem é responsável por ela? Quem vai acabar por ganhar fortunas com ela? Encontrem-se estas respostas e talvez se conclua que esta crise é uma falácia criada só para reduzir salários e postos de trabalho.
Tivessem os trabalhadores a coragem de quando chegam os despedimentos e as falências de se unirem, assumirem o controlo das empresas e gerirem eles o seu destino e talvez muitos pensassem melhor antes de atirar milhares e milhares para a miséria do desemprego. Se eles desistem está na hora de todos assumirmos a responsabilidade de lutarmos r trabalharmos pelo direito a termos um futuro.
“…tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de Mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar!”











