O Grande Barrete


Grande Barrete

“Jorge Sampaio apelou para a necessidade de se «falar verdade» em tempos de crise e considerou que os trabalhadores das empresas em dificuldades estarão na disposição de combinar estratégias com os patrões na falta de encomendas para que se mantenham os postos de trabalho.
Num almoço de empresários realizado na Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhola, o ex-Presidente da República explicou que os trabalhadores têm de ter a noção de que não estão a ser «aldrabados» nem que se lhes está a ser «enfiado o barrete».”

Necessidade de se falar verdade em tempo de crise? E quando não era tempo de crise, aí não havia necessidade e falar verdade? Aí podiam enganar os trabalhadores para não lhes aumentarem os salários e lhes retirar direitos enquanto eles se enchiam com lucros chorudos? Quando havia dinheiro, cuspiam nos trabalhadores e agora vêm pedir batatinhas. Importante era que os trabalhadores tivessem a noção que estão a ser aldrabados mais uma vez e que lhes estão a enfiar um enorme barrete. De onde vem esta crise e quem é responsável por ela? Quem vai acabar por ganhar fortunas com ela? Encontrem-se estas respostas e talvez se conclua que esta crise é uma falácia criada só para reduzir salários e postos de trabalho.
Tivessem os trabalhadores a coragem de quando chegam os despedimentos e as falências de se unirem, assumirem o controlo das empresas e gerirem eles o seu destino e talvez muitos pensassem melhor antes de atirar milhares e milhares para a miséria do desemprego. Se eles desistem está na hora de todos assumirmos a responsabilidade de lutarmos r trabalharmos pelo direito a termos um futuro.

Excerto do “FMI” de José Mário Branco:

“…tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de Mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar!”

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CGD premeia empresário com 62 milhões de euros

Manuel Fino. Montagem de Luis Branco sobre foto da Lusa

O deputado Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, acusou o governo de esbanjar dinheiro e de dar um prémio ao empresário Manuel Fino, pagando por acções da Cimpor que este deu para saldar uma dívida com o banco mais 62 milhões de euros do que estas valiam. No momento da transacção, as acções estavam cotadas a 3,79 euros, mas o banco estatal pagou 4,75 euros. A operação ruinosa para o Estado foi noticiada na segunda-feira pelo Jornal de Negócios. Na edição desta quinta-feira, o jornal classifica, em editorial, o caso como “escandaloso”, e diz que assim “se salvaram as grandes fortunas falidas do País”, acusando a Caixa de zelar pelos interesses… de Manuel Fino.

“O ministério das Finanças autoriza ou aceita a perda de cerca de 62 milhões de euros nesta operação, dado que as acções que foram pagas a 305 milhões de euros só valem cerca de 244 milhões?”, questionou Francisco Louçã, recordando que Manuel Fino pedira o empréstimo à Caixa “para especular em acções do BCP”.

“Com que critério numa época de tantas dificuldades se esbanja dinheiro desta forma? Como é que a Caixa se permite oferecer 62 milhões de euros a um empresário?”, interrogou.

Pior ainda, denunciou o deputado bloquista, a Caixa deu “um segundo prémio” ao empresário, porque deu ao empresário uma “opção de recompra” das acções que vendeu, a qualquer momento, nos próximos três anos.

“A Caixa aceitou conceder ao devedor a opção de recompra durante três anos, o que implica que assume o risco e permite a realização de mais valias em qualquer momento desse período”, critica um documento divulgado pelo Bloco.

Com esta operação, a Caixa fica na posse de 9,53% dos activos financeiros da cimenteira Cimpor.

Mas Manuel Fino detém ainda 10,57% do capital da empresa. O empresário é também o principal accionista da construtora Soares da Costa.

Tal como Manuel Fino, os maiores investidores do mercado de capitais nos últimos anos financiaram as suas operações especulativas recorrendo a empréstimos bancários garantido pelas acções que compraram; ora, com a desvalorização das acções, a estrutura financeira dos investidores fica abalada, e sabe-se de situações em que, se a dívida fosse executada, poderiam ocorrer falências.

O investidor Joe Berardo teve de renegociar nas últimas semanas empréstimos de cerca de 1000 milhões de euros usados para investir no BCP. Outros empresários que estarão a braços com o mesmo tipo de situação são Nuno Vasconcellos, da Ongoing, Joaquim Oliveira, da Controlinveste, João Rendeiro, da Privado Holding, Paulo Fernandes, e até Belmiro de Azevedo e Américo Amorim, segundo o semanário Expresso.

In Esquerda.net

Fosse para lá ela e o bininho…

Fosse para lá ela e o bininho…

Há alturas em que eu gostava de estar noutras escolas… Gostava de ver quem é que me obrigaria a sair da escola para brincar ao Carnaval… Essas, como tantas outras coisas, são coisas que os professores fazem por carolice e não por obrigação… ninguém pode obrigar professores a desfilarem na rua… Muito menos esse hipopótamo de merda que, em condições normais e nem me vou esticar muito, já devia ter levado com uma dúzia de ovos nos cornos…
Já agora… porque não a requisição civil dos professores?

E QUEM É QUE PROÍBE O MP?

E QUEM É QUE PROÍBE O MP?

É terrível constatar que o ambiente se torna irrespirável. Desde Margarida Moreira, passando por outros zelosos agentes menores de pequena e sintomática repressão. Nunca um Carnaval pode ser alvo de apertos porque é Carnaval e em milénios nunca ninguém ficou a salvo do armistício do correcto que representa. Depois não digam que esta choldra não anda a politizar-se e cheia de Kapos a fazer o pequeno trabalho sujo de reprimir a expressão livre das pessoas. Não me estou a recordar de uma tristeza de este teor, disposta a encher de cinzentismo e ruminância um pobre povo acuado e acossado com sobejos problemas. «O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Miguel, foi surpreendido ao início da tarde com um fax do Ministério Público no qual era dado um prazo à autarquia para retirar o conteúdo sobre o computador Magalhães, que fazia parte do “Monumento”, onde apareciam mulheres nuas. “Achamos que pela primeira vez após o 25 de Abril temos um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres”, lamentou o responsável, em declarações à Antena 1. “Fomos surpreendidos agora cerca da uma hora com um fax do Ministério Público assinado pela senhora delegada do 1.º juízo, a qual nos dá um prazo até às 15h30 para retirar o conteúdo do computador Magalhães”, explicou o autarca, citado pela mesma fonte. Carlos Miguel acrescentou que “o que existe é uma sátira ao computador Magalhães com um autocolante que se pressupõe que seja o ecrã”, pelo que não entende o pedido para o retirarem do Carnaval e entregaram mais tarde ao tribunal judicial.» Este zelo estremoso cheira a mofo. Quem assim assedia o direito à sátira está a reclamar por um banho lustral de reeducação democrática. Ao que nós chegamos!

Tribunal ordena retirada de imagens «pornográficas» de monumento

nem no tempo de salazar…

O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Miguel, foi surpreendido ao início da tarde com um fax do Ministério Público no qual era dado um prazo à autarquia para retirar o conteúdo sobre o computador Magalhães, que fazia parte do “Monumento”, e onde apareciam mulheres nuas no ecrã do portátil. “Achamos que pela primeira vez após o 25 de Abril temos um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres”, lamentou o responsável, em declarações à Antena 1.
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dias do fim lança um concurso até domingo de carnaval.
aceitamos, via mail, a melhor sátira em imagem (jpg, png, bmp, gif.) acerca do computador portáril português – magalhães.
é carnaval, ninguém leva a mal… sobretudo num país democrático.
as imagens vão sendo postadas e a partir de domingo abriremos um sistema de votação em que todos os visitantes poderão participar. a votação termina na terça-feira de carnaval!!!
participa! ajuda a rir. ajuda a construir o teu país!

M.E. NÃO ABDICA DA DIVISÃO DA CARREIRA DOCENTE

SINDICATO DOS PROFESSORES DA REGIÃO CENTRO DEPARTAMENTO DE INFORMAÇÃO

inform@ção SPRC

NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL

M.E. NÃO ABDICA DA DIVISÃO DA CARREIRA DOCENTE

FENPROF, ASSUMINDO A POSIÇÃO DOS PROFESSORES,

EXIGE A ELIMINAÇÃO DAS CATEGORIAS!

A FENPROF não chegou a qualquer acordo com o Ministério da Educação na segunda reunião realizada para alterar a actual estrutura da carreira docente.

A FENPROF reafirmou as vantagens da proposta que apresentou na reunião anterior – desenvolvimento de carreira exigente do início ao topo; modelo de avaliação rigoroso, formativo e centrado no trabalho desenvolvido na escola; diferenciação possível em qualquer momento da carreira, mas não sujeita a constrangimentos de natureza administrativa; qualificação de todo o corpo docente para a assunção de cargos e funções nas escolas, pelo facto de, o seu desempenho, ser parte relevante do conteúdo funcional da profissão; justa organização da carreira, tanto no que respeita aos anos de permanência em cada escalão, como aos impulsos indiciários propostos – mas, perante a intransigência do ME em reconhecer as vantagens desta proposta, a FENPROF informou estar em condições de apresentar uma nova proposta de estrutura desde que, previamente, por escrito, fossem assumidas as seguintes garantias:

1. Eliminação da divisão da carreira docente em categorias;

2. Progressão na carreira nunca dependente de vagas previamente definidas;

3. Progressão na carreira nunca dependente de menções qualitativas que se sujeitem a quotas.

Se fosse ultrapassada, em consenso, esta primeira fase, a FENPROF estaria em condições de apresentar uma nova proposta assente naqueles pressupostos.

O Ministério da Educação colocou as questões de forma semelhante, fazendo depender a apresentação de uma nova proposta de um “conjunto de condições prévias”, a primeira das quais a manutenção da divisão da carreira em categorias, de forma a que os professores titulares e apenas eles, para além da actividade lectiva, assumissem todas as funções de coordenação, avaliação e supervisão. Ou seja, o ME não abdica da actual organização fracturada da carreira, reafirmando que apenas um grupo de docentes acederá a esta categoria, logo, aos seus escalões de topo.

Sendo certo que o ME admitiu abdicar da fixação prévia de vagas, não ficou claro que a alternativa não seja tão ou mais restritiva do que esta dotação, na medida em que o ME não a concretizou e, pelo contrário, reafirmou que a categoria de “professores-titulares” seria constituída, apenas, pelo grupo de docentes necessário às escolas para o desempenho das já referidas funções.

Face à falta de consenso, desde logo pela profunda divergência em torno da divisão da carreira em categorias, mas, igualmente, por não estar em discussão o futuro modelo de avaliação de desempenho, o que prejudicou o debate, a reunião entrou num impasse do qual não foi possível sair, acabando por se agendar nova reunião para dia 3 de Março, a partir das 17.30 horas. Nessa reunião, estarão em discussão, simultaneamente, a estrutura da carreira e a avaliação de desempenho, aspectos que, necessariamente, se articulam.

O Secretariado Nacional da FENPROF

Sócrates diz que revoluciona “antiga escola”


O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou esta quarta-feira que está em curso uma “revolução” na antiga escola primária portuguesa. ‘Está a acontecer uma revolução na antiga escola primária. É a maior operação de requalificação da escola pública que há memória em Portugal’, declarou após inaugurar o Centro Escolar de Paredes, em Alenquer.
O primeiro-ministro afirmou que estão a ser distribuídos cerca de 30 mil computadores Magalhães pelos alunos, o que permitirá que todos tenham esta tecnologia no final do ano lectivo.

O
Nas escolas falta de tudo, aquecimento, papel, detergentes de limpeza, e para que haja telefone os professores dividem a conta ao fim do mês, porque não há verba para a assinatura, é desta revolução que este senhor fala? Ele pode dar computadores aos alunos mas depois esquece que as salas não têm condições para trabalhar com eles, porque não há tomadas suficientes ou internet nas salas de aula. É desta revolução que este senhor fala.

Um dia triste


UGT

lei laboral

Estas foram dois dos bonecos que aqui publiquei quando da imposição do novo Código de Trabalho. Quem o assinou, porque o assinaram, as lutas que nunca passaram de iníquos protestos, Entra hoje em vigor, (como se a anarquia nos despedimentos já não esteja estabelecido em nome da crise). Mais uma estocada nos nossos direitos, tristemente feita por um partido que se apelida de socialista e se proclama de esquerda. Torno a publicá-los hoje para assinalar a data.

“Há que dizer-se das coisas o somenos que elas são”


Mais de trinta anos de governos centristas, centrados na grande empresa de voltar a colocar nas mãos dos mesmos quase tudo o que Abril lhes tirou e fechar muitas das portas que Abril abriu, centrados na contabilidade e desprezando a economia, centrados nos favores e ignorando a justiça, trouxeram o país até ao lugar que tristemente ocupa, a cauda de uma Europa sem a chama de um verdadeiro projecto para os povos que a compõem.
Trinta anos de traições grosseiras e venais aos valores que antes (pelo menos alguns) diziam defender, a amálgama indiscernível em que se tornou aquilo a que a classe dominante chama pomposamente “ o arco da governação”, ajudou (propositadamente) a criar o mito do “eles são todos iguais” e a criar um gigantesco exército de gente que Brecht descreveu como “analfabetos políticos”. Estes, hoje, estão por toda a parte, atascados em futebol, jornais especializados em crimes e afogados em cerveja e vinho, regougando pelos cafés o seu ódio à política, aos políticos, sindicatos, partidos… e no tropeção a seguir, aos imigrantes, negros, ciganos, etc…
Este jogo do grande capital acabou por ficar um pouco fora de controlo dos próprios capitalistas. Muitos anos seguidos a cuidar da sua vidinha, empresas e fortunas cada dia mais obscenas, foram deixando para as coisas da governação, num primeiro passo, os seus quadros mais dispensáveis, depois, a cada eleição, “funcionários” cada vez mais baratos. Neste caso, infelizmente, barato quer dizer imprestável e pedestremente incompetente.
O país está nas mãos de vendidos, que passam a maior parte do tempo das suas inúteis passagens pelos gabinetes governamentais, fazendo contactos e preparando o caminho para os grandes cargos que irão ter no sector privado depois dos “serviços” prestados, enquanto algumas instituições da nossa economia e tecido empresarial foram tomadas de assalto por corruptos, em não poucos casos, vulgares bandidos.
Os anos de eleições, e este 2009 está recheado delas, são os anos de todas as promessas, todas as mentiras e da repetição já nauseante das fábulas com que se vão perpetuando no poder.
Cada vez mais, é tempo de, como dizia o Ary, “dizer-se das coisas o somenos que elas são”. É tempo de multiplicar por muitos os esforços para desmascarar os lobos que se nos irão, mais uma vez, apresentar disfarçados de “avozinhas”.

Interferências abusivas das DREs na vida das escolas. Como o excesso de controlo e burocracia matam a inovação pedagógica


Na Escola Secundária de xxxxxx, os docentes que acompanham alunos em visitas de estudo, além de deixarem planos de aula para substituições, têm que , na volta, recorrer a permutas ou compensações, para que a totalidade das aulas dadas, seja considerada equivalente ao número de aulas previstas. Este acréscimo é brutal para professores e alunos. Envio em anexo o ofício-circular da DREN, bem como o comentário que enderecei ao PCE.
Comentário
Esta panóplia de regulamentos e normativos e de interferências abusivas das DREs na vida das escolas provoca a morte dos projectos educativos e da inovação pedagógica. Fazem bem os professores que recusam ser pau para toda a obra e, ainda por cima, sem a mais pequena réstia de autonomia profissional.
Foto: Reserva Natural do Paúl do Boquilobo

O DISCURSO DO NADA


.064

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A VITÓRIA DE SÓCRATES é a metáfora do eucalipto: ele seca tudo à sua volta e conduz o partido como muito bem entende. A percentagem de 96,43 por cento dos votos não reflecte, em boa verdade, a imagem que o PS deseja expor. O PS dispõe de cerca de 73 mil militantes, mas apenas 29 mil votaram, por terem as quotas em dia. Há um manifesto desinteresse dos socialistas pelo destino do partido em que militam. Pode-se atribuir essa falta de comparência cívica a mil razões. As mais das vezes razões falaciosas. E as declarações jubilosas de altos dirigentes, em lufa-lufa de subserviência ao chefe, além de fastidiosas, ocultam o nó do problema. O PS é a imagem devolvida do País: desencanto, aborrecimento, ausência de convicções, desmotivação. São os próprios princípios que estão em causa. A absurda justaposição do slogan “socialismo moderno” com a lógica fatal do neoliberalismo mais assanhado conduziu a uma esterilidade ideológica e ética que estas eleições vieram sancionar. O volumoso resultado obtido por Sócrates não tem importância nenhuma. A ameaça dos acontecimentos, a carência de respostas sérias, o desprezo para com a história do partido, a falta de fidelidade descaracterizaram o PS. E José Sócrates não vive em autismo, não se move num universo virtual: simplesmente não sabe como resolver os inúmeros problemas da sociedade portuguesa. Os temas exclusivos que, no congresso, suscitaram o seu interesse, são indicadores do seu oportunismo ou da sua incompetência. Esqueceu o desemprego, o desajuste entre a realidade pungente, na qual estamos mergulhados, e a mudança das instituições; a falência dos bancos, a corrupção e a própria questão da liberdade. Sócrates tinha opções: não as tomou ou não as quis tomar. A sociedade pedia-lhe (e até lhe exigia) respostas. O método de pensamento que utilizou é-lhe habitual. Passa ao lado do que se lhe pedia, exigia ou perguntava. Sob a capa de falar de problemas “fracturantes”, nunca assumiu, com a coragem requerida, enfrentar os dilemas que o excedem, mas que são inseparáveis dos princípios elementares do nosso viver colectivo. Desconhecemos o que José Sócrates pensa da exaustão portuguesa, sovada pela agressividade das leis que promoveu e fez promulgar. Não sabemos dos seus projectos para Portugal, sobre o qual nos é inculcada a ideia de que materialmente não tem futuro.
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Parece que o secretário-geral do PS e primeiro-ministro somente obedece a forças cegas e brutais, impostas e garantidas pelos grandes interesses, que sobrepuseram o económico ao político. Apesar de tudo, presumi, um pouco ingenuamente, que José Sócrates iria inflectir o discurso para outros perímetros. Enganei-me. O homem não tem cura.
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Por Baptista-Bastos «DN» de 18 de Fevereiro de 2009.

Miguel Loureiro arrasa o novo modelo de gestão escolar. 10 razões para dizer não ao director


Dez razões para dizer não aos directores:
1. O facto de o Director poder ser um professor não Titular, sem as vivências e o conhecimento de campo, que o “espírito” do Professor Titular subentendia (isto é meritocracia pura!).



2. O facto de o Director nomear os Coordenadores de Departamento (que têm que ser Professores Titulares e estarem seguramente mais preparados que o “chefe”), que integram obrigatoriamente o Conselho Pedagógico e em que o menos “competente” é quem manda, com poderes para destituir quem ele nomeou.

3. O facto de haver uma “séria” e institucional interferência de pais e EE, autarcas e empresários (ou “notáveis”) na definição da “política educativa” e dos PEEs e Currículo das escolas, inseridos no órgão “MÁXIMO” (Conselho Geral), que é composto maioritariamente por não docentes e que tem a mesma operacionalidade das Assembleias de Escola, que funcionará, como antes, por voluntarismo e sobretudo com desmotivados na participação (com faltas de quorum consecutivas), sem competências pedagógicas ou didáticas, para não falar de EDUCAÇÃO.

4. O facto de abrir caminho a uma visão mais municipalizada das escolas e a eventuais tentativas de municipalização (partidarização) do Director.

5. O facto de dar uma machadada em todos os órgãos democraticamente eleitos e representativos dos pares, pelo reconhecimento das suas competências, profissionais e pessoais.

6. A dependência funcional e política dos Directores em pirâmide, começando pelo CG, passando pelas DREs e acabando no ME e para baixo, dependência pura, dos Coordenadores ao Director, que exercerão as suas funções por imposição.

7. O processo da escolha do Director, que nem é concurso, nem eleição, nem nada que se entenda, por 4 anos, mais 4 anos por recondução pelo CG, mais 4 anos da mesma forma que a primeira, mais 4 anos, novamente por recondução. No total 16 anos (como na antiga URSS).

8. Representação minoritária dos docentes no CG, sem que estejam previstas quaisquer reduções, nem para o Presidente se for professor e que é o representante do órgão máximo da escola.

9. Os representantes dos docentes e não docentes, são eleitos (único acto democrático, de 8 em 8 anos), enquanto todos os outros são por nomeação.

10.O Director pode ser demitido por todos os de cima da pirâmide, mas pode demitir para baixo.
Miguel Loureiro
Foto: Pintura de Salvador Dali