Rose Tattoo – I Wish

Alvaro Villarubia

Ivana Ford

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Por favor: Apenas uma escassa e módica ideia – Baptista Bastos

dorothea

Dois milhões de portugueses vão aumentar, este ano, o número daqueles que precisam de cuidados psiquiátricos. É um algarismo assustador. As causas dos desequilíbrios mentais residem no desemprego, na perda das habitações por incumprimento de compromissos com a banca, de separações devido à crise, as quais provocam ansiedade, angústia, depressão e abuso de álcool.

Por outro lado, 21% dos nossos miúdos vivem no limiar da pobreza. Os pais não dispõem do mínimo indispensável para suprir às mais rudimentares necessidades dos filhos. Caminhamos para que destino? E as indicações conhecidas advertem que as coisas caminham, rapidamente, para índices ainda mais perturbadores.

Com o número de desempregados a crescer e o encerramento (fraudulento ou não) de grandes, pequenas e médias empresas a impotência do Governo é notória. Instalou-se, impunemente, a cultura da imoralidade. Como referiu, e bem, Francisco van Zeller, constitui “uma vergonha” que empresas com lucro despeçam trabalhadores. Mas “vergonha” e “capitalismo” nunca estiveram associados. Não há que fugir desta verdade, historicamente convertida em axioma.

Estes e outros problemas dilemáticos passaram ao lado do discurso de José Sócrates, vencedor substancial (por único) do Congresso do PS. O reeleito sublinhou o projecto de defesa dos casamentos homossexuais, o que é bonito, mas oportunista, e não me parece, e a muitas mais pessoas, prioritário. Nem uma escassa e trémula voz de protesto se ouviu. Nem um militante socialista interpelou o chefe sobre a natureza das suas escolhas e a omissão da lista de problemas que afligem a sociedade portuguesa. No entanto, penso que José Sócrates deveria considerar a extensão dramática da crise como um dos primeiros elementos da situação, e tentar remediá-la – ou, pelo menos, fornecer um sinal de esperança, um aceno a quem desespera.

É difícil escamotear o mal-estar na sociedade portuguesa e no próprio PS. Não é só o reduzido número de votantes que deveria suscitar a apreensão dos dirigentes do PS: é, sobretudo, o número (96,43%, ou seja: 29 mil num universo de 73 mil militantes) sufragantes de Sócrates, que causa apreensão. Entre um e outro número emergem dúvidas e cismas: ou os socialistas estão completamente desinteressados do partido e do País, ou, então, cedem ao secretário-geral, de quem dizem mal pelas costas – e tudo vem a dar na mesma.

Os dois milhões de portugueses que precisam de atenções psiquiátricas incluem, obviamente, muitos socialistas. Estão, eles também, fartos de aldrabices, de jogos malabares, de promessas incumpridas – e desiludidos nas suas mais nobres e asseadas esperanças. Não me parece que os 96,43% dos 29 mil votos forneçam a Sócrates grandes motivos de tranquilidade. De tolo, não tem nada; e sabe muito bem o que comporta de falacioso o vistoso número da vitória.

Todos estes dados levam-nos a concluir que Sócrates não alcançará maioria absoluta nas próximas legislativas. Aliás, penso que não só não a merece como as lições históricas no-lo desaconselham. Com Cavaco, Portugal atingiu um grau de crispação extremamente doloroso. Foram dez infaustos anos, de que ainda nos não ressarcimos. E estes últimos quatro anos não recomendam nova dose. Sócrates agiu como muito bem quis. Não há memória de uma avançada contra o mundo do trabalho como esta, orientada por um “socialista” que fala em “esquerda moderna” beneficiando (como se tem visto recente claramente) o grande capital.

Não havia dinheiro para a saúde, para a educação, para a previdência, para apoio aos mais desfavorecidos. De repente, oceanos de euros apareceram para salvar… bancos. Desnecessário e supérfluo, afirmam grandes economistas. Tínhamos de proteger o bom-nome de Portugal no estrangeiro, afiançam os governantes. E acrescentam: a crise assim o obriga. Não é verdade, a acreditar nos depoimentos de outros especialistas.

O clima de intranquilidade em que vivemos não é favorável à reflexão. Porém, não devia apadrinhar a mentira, como tem sucedido. Um dia, um ministro afirma uma coisa; no outro dia vem o primeiro-ministro e diz outra. Para acalentar os corações aflitos, a seguir dizem-nos que não há previsão para a crise. Salta João Salgueiro: era previsível, declara.

Há uma espécie de esquizofrenia larvar no País. Vivemos asfixiados entre governantes desonestos e oposições sem tino nem rumo. Quem pode segurar um povo, acalmá-lo e serená-lo, quando uma pessoa com mais de 35 anos, se desempregada, nunca mais, ou dificilmente, encontra emprego? Que sociedade construíram o PS e o PSD? – uma sociedade de abstracções, com dirigentes que se julgam detentores da razão, e que sequer dispõem de uma ideia de seu: uma só, módica, escassa e modesta ideia.

APOSTILA – A maioria dos comentadores das televisões é medíocre, enfadonha, com um muito limitado leque de interesses culturais. Entre os mais lúcidos, manifesto especial preferência por Alfredo Barroso. Inteligente, culto, bem informado, expõe com elegância formal e defende as suas ideias com veemência cortês. Parece-me que a sua presença só é requisitada para o Frente-a-Frente, da SIC Notícias. Não é mau; mas é pouco. Barroso não integra aqueles que tais, enfatuados e inócuos, e, às vezes, com ilimitada paciência, escuta os mais atrozes dislates. Pergunta a minha malvada curiosidade: por que razões obscuras este homem não é chamado mais vezes?

in J.Neg.

Manuel Pinho diz que é preciso “ter fé”


O ministro da Economia Manuel Pinho reuniu-se hoje em Bruxelas com o seu congénere alemão, tendo no final afirmado que notou “abertura” da parte deste para tentar resolver o problema da Qimonda, defendendo que “é preciso ter fé”.

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Sim senhor ministro da Economia, vamos todos a Fátima, talvez aconteça um milagre.
Uns dizem não saber o que fazer outros dizem-nos para ter-mos fé, estamos bem arranjados estamos…

Com a alegria do Carnaval…

Com a alegria do Carnaval…

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Esta professora, com a alegria do Carnaval estampada no rosto, desfila no Carnaval da DREN. Em segundo plano, podem-se ver outras colegas alegremente engalanadas e contentes. Viva a democracia, a alegria e o ensino em Portugal… Enquanto numa parte do país é a censura que, por ordem do tribunal, obriga a cortar a crítica às fantochadas deste governo, na outra, são as ameaças e a chantagem que fazem com que essas mesmas fantochadas se tenham que concretizar… Na quarta-feira restarão as cinzas… e continuarão as touradas na praça pública.

Director de uma escola inglesa agredido barbaramente por um aluno


Foi assim que este professor ficou depois de ser agredido por um antigo aluno. Kieran Heakin, 57 anos, director de uma escola em Lancashire, Reino Unido, estava a jantar num restaurante indiano quando foi interpelado por um antigo aluno que o agrediu violentamente na face, no nariz e nos olhos, tendo-lhe partido vários ossos. O incidente aconteceu na terça-feira passada. Heikin teve de receber tratamento hospitalar e o agressor foi constituído arguido.
As políticas educativas que o governo de José Sócrates tem introduzido têm grandes semelhanças com as políticas de Gordon Brown: avaliação burocrática de desempenho dos professores, centralização pedagógica e curricular das escolas, municipalização das escolas, desprofissionalização dos professores, complacência para com a violência escolar e maior interferência dos pais nas questões curriculares e pedagógicas. Os resultados estão à vista. São maus. Lá como aqui.

Esta coisa é um ofício da DREN para a PCE de Paredes de Coura. Dois parágrafos curtos com 7 erros. Será isto uma versão pimba da novilíngua?


Olhem para este português . Esta coisa é o oficio que a directora regional de educação do Norte enviou à PCE do agrupamento de escolas de Paredes de Coura a ordenar a realização do desfile de Carnaval. No meu tempo de estudante, um aluno que escrevesse assim, chumbava na quarta classe.
“Sendo certo que muitos professores não se aceitam (sic), o uso dos alunos nesta atitude inaceitável (sic), acompanharemos de muito perto a defesa do bom nome da escola, dos professores e de toda uma população que muito tem orgulhado (sic) o nosso país pela valorização que à escola tem dado (sic).” Assinado: Margarida Moreira, directora regional de educação da região Norte.
Contem os erros de sintaxe: são, pelo menos, quatro num único parágrafo. Mas há mais. Olhem bem para mais este parágrafo:
“E na salvaguarda primeira das obrigações da escola – cumprir a sua missão de processos de socialização (sic) e de aprendizagem para os alunos (sic), razão central porque definiu as actividades de Carnaval (sic) nos documentos de acção educativa.”
Tomem lá mais três erros de sintaxe. Dona Margarida Moreira! Por favor, tenha um pouco de respeito pela Língua Portuguesa. Bem sei que a sua concepção de escola a limita à socialização, mas não ofenda a nossa língua comum com  frases destas. Está sempre a tempo de regressar à escola. Ainda há cursos nocturnos.

O raio-x do País – Fernando Sobral

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A sociedade portuguesa, às vezes, tem de tapar o nariz porque o perfume não abunda nestes dias conturbados. Do abismo onde o País mergulhou vêm à superfície casos como o do BPN, sinais de que o colete-de-forças social está a rebentar.


A sociedade portuguesa, às vezes, tem de tapar o nariz porque o perfume não abunda nestes dias conturbados. Do abismo onde o País mergulhou vêm à superfície casos como o do BPN, sinais de que o colete-de-forças social está a rebentar.

Há um círculo vicioso de corrupção e impunidade em Portugal. Já poucos duvidam disso. Mas ninguém ficaria tão espantado se o resto de Portugal tivesse forças para iludir o drama do desemprego, que caminha para dias mais negros, apesar da animação governamental.

Há um paradoxo muito simples: se o País está virado para o consumo e para a circulação financeira, o que acontecerá se a maioria deixar de ter dinheiro para adquirir? Essa é a ponta do icebergue nacional: o dinheiro circula, mas a dimensão da nossa indústria é ridícula (e quase toda ela multinacional), a aposta no mar ou na agricultura é patética.

Desde há séculos que, exceptuando alguns casos, a economia local é alérgica a criar riqueza. Prefere a especulação e esquece o investimento em sectores produtivos. O facilitismo não é apenas político, também é económico. Como se tudo não bastasse, o sistema político cola-se à nação de forma perversa, clientelista e parasitária. Vivemos neste enganador idílio há séculos, mas nunca como agora se percebeu que o sapato já não cabe no outrora delicado pezinho da Cinderella local.

Não é por acaso que o BPN é o raio-x do País. Ele, na sua dimensão, mostra por que Portugal continua a viver com saudades do tempo em que a pimenta e o ouro pagavam a falta de génio nacional.

J.Neg.

Mais uma Cabala ao Primeiro FAx

Escrituras no prédio onde Sócrates mora com valores divergentes

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Da autoria do primeiro FAx

Escritura da casa da Braancamp foi feita por 235 mil euros

O apartamento de José Sócrates em Lisboa, segundo consta da escritura notarial, foi adquirido pelo preço de 47 mil contos (235 mil euros). Dois anos antes desta venda, um apartamento idêntico no mesmo prédio (o 3º E) foi comprado por um emigrante português que estava isento do imposto de sisa por 70.200 contos (351 mil euros), ou seja, mais 50 por cento do que o valor declarado por Sócrates.

Estes valores referem-se aos apartamentos sem arrecadação, tendo o de Sócrates, o 3º A, uma área bruta de 183 metros quadrados e o 3º E de 175 metros quadrados. O actual primeiro-ministro pagou mais mil e quinhentos contos por uma arrecadação.

O valor pago pelo imigrante está muito mais próximo da tabela de preços que a mediadora imobiliária, no início dos anos noventa, entregava aos potenciais compradores. Neste documento, de que o PÚBLICO tem cópia, o preço que a Richard Ellis pedia pelo apartamento comprado pelo então ministro-adjunto do primeiro-ministro era de 78 mil contos (390 mil euros), igual ao do imóvel adquirido pelo emigrante português. Já depois de o PÚBLICO ter contactado o gabinete do primeiro-ministro, a Richard Ellis fez chegar ao público uma outra tabela, com a indicação de que estaria em vigor a partir de Março de 1994, e que fixava o valor de venda do apartamento onde vive o chefe do Governo em 60.650 mil contos (302.520 euros).

Respondendo ao PÚBLICO, José Sócrates garante que pagou o “valor que corresponde à tabela de preços praticada na altura pela agência imobiliária”, tendo liquidado o imposto de sisa correspondente, pelo que “qualquer insinuação no sentido do incumprimento das minhas obrigações fiscais só pode ser por mim considerada como caluniosa e difamatória” (ver caixa com respostas de Sócrates na íntegra).

Tomando como correctos os valores que constam das escrituras, Sócrates teve um desconto de 31 mil contos (155 mil euros), cerca de 40 por cento abaixo do preço inscrito na primeira tabela, enquanto o desconto do emigrante foi de 7.800 contos, cerca de 10 por cento sobre o preço pedido pela imobiliária. Face à segunda tabela a que o PÚBLICO teve acesso, então o abatimento de que Sócrates teria beneficiado foi superior a 22 por cento.

Pela compra do apartamento, que teve a escritura realizada em 1998, José Sócrates liquidou 4.700 contos de imposto de sisa (10 por cento do montante declarado na aquisição do apartamento). O emigrante, se não estivesse isento desse imposto, teria sido obrigado a pagar 7.020 contos, face à quantia que consta na escritura.

A discrepância de valores registada nas escrituras dos apartamentos do prédio da Rua Braancamp, próximo do Marquês de Pombal, em relação a qualquer das duas tabelas de preços de negociação não acontece apenas entre estas duas fracções. De acordo com os documentos consultados pelo PÚBLICO nas conservatórias do registo predial e em notários, a generalidade das transacções que contaram do lado vendedor com a empresa offshore Henron International N.V., com sede nas Antilhas Holandesas, foi feita por quantias muito abaixo das que constavam das tabelas utilizadas pela mediadora imobiliária Richard Ellis, mas também do valor declarado pelo emigrante que beneficiou de isenção de sisa (imposto substituído em 2003 pelo Imposto Municipal de Transacções).

Este empresário, que vive desde os 11 anos em Paris, adquiriu a sua habitação num ano de recessão, o que “conteve” os preços comerciais. A partir de 1995 iniciou-se a recuperação do mercado imobiliário, que em Portugal sofreu um impulso positivo em consequência da preparação da entrada para o Euro e da baixa das taxas de juro.

Além da excepção verificada na compra do emigrante, há um outro negócio realizado por valores idênticos: foi realizado em 2001, quando uma empresa também isenta de sisa comprou um apartamento semelhante e declarou, para efeitos fiscais, que a aquisição foi feita por 375 mil euros. Este imóvel tinha sido adquirido à Heron dois anos e meio antes por um particular que fizera a escritura por 220 mil euros.

Avaliação do fisco contraria diferenças nos preços

Como se explicam estas diferenças nos preços declarados nas transacções?

A consulta dos valores patrimoniais atribuídos pelas Finanças para efeitos tributários (sobretudo para a incidência do Imposto Municipal sobre Imóveis) não permite encontrar uma relação entre o valor a que os apartamentos foram registados e a avaliação fiscal.

Na revisão dos valores patrimoniais efectuada em 2006 pelos serviços fiscais, o apartamento de Sócrates aparece como um dos mais valiosos do prédio: 303.354 euros, mais do que os 235 mil por que foi registado. Já o apartamento do emigrante, comprado por 351 mil euros, e o que foi adquirido pela empresa isenta de sisa por 375 mil euros, viu ser-lhe fixado um valor patrimonial inferior ao do apartamento do actual primeiro-ministro: 294.423 euros.

Este é também o valor de avaliação que as Finanças atribuíram ao apartamento que a mãe de José Sócrates comprou no mesmo prédio em Maio de 1998 por um valor declarado de 250 mil euros. A compra foi feita a uma sociedade offshore, a Stolberg, que o tinha adquirido três anos antes à Heron por um valor declarado de 280 mil euros. Ou seja, de acordo com as escrituras, a Stolberg, que está a ser investigada no âmbito do caso Freeport (ver caixa na pág. 4), perdeu 30 mil euros com a transacção desse imóvel numa altura em que os preços do imobiliário subiam sustentadamente em Portugal.

O outro apartamento que tem um valor tributável igual ao de Sócrates é o 4º A. Este foi comprado por João Vale e Azevedo 33 dias antes do então ministro de António Guterres ter negociado o seu imóvel e por menos dois mil contos: 45 mil contos (225 mil euros). O preço de venda anunciado no primeiro prospecto da Richard Ellis para o apartamento de Vale e Azevedo era de 79.500 contos. Na segunda tabela surge com o valor de 61.625 contos. Na altura o ex-dirigente do Benfica realizou a transacção através de uma sociedade, a Imaved – Investimentos Imobiliários, proprietária, entre outros activos, da quinta de Almoçageme, a residência da família Vale e Azevedo. Quatro anos depois, Vale e Azevedo venderia essa fracção por 366 mil euros, ou seja, com uma mais-valia de 141 mil euros.

As transacções envolvendo a Imaved e este apartamento foram alvo de uma denúncia anónima entregue no 2º Bairro Fiscal, por suspeita de fuga ao fisco, mas o processo acabaria por ser arquivado.

O que dizem os intervenientes

“O valor escriturado na minha compra coincide com o valor pago à Heron e foi um pouco mais de 70 mil contos, pois beneficiei de um abatimento sobre o preço de venda”, declarou o emigrante que comprou o apartamento 3º E. Contactado pelo PÚBLICO por telefone para comentar a discrepância de preços, explicou que o negócio foi acordado com a mediadora imobiliária Richard Ellis, nunca tendo tido contactos com a Heron. E esclareceu que não realizaria a escritura por um valor inferior ao montante do negócio: “Não a aceitava, pois eram remessas de dinheiro proveniente do estrangeiro, eu não pagava sisa nem contribuições e tinha que provar onde aplicava o dinheiro que mandava para Portugal.”

O contrato celebrado em Dezembro de 1993 entre a offshore e o emigrante, refere que o comprador está isento de Imposto Municipal de Sisa, nos termos do Decreto-Lei 140-A/86 de 14 de Junho, pois à data do negócio tinha transferido para uma conta Poupança Emigrante um total de 53 mil contos. Nessa época os capitais não circulavam livremente na Europa, como hoje sucede, pelo que a movimentação de divisas entre países europeus carecia de justificação detalhada.

O empresário vizinho do PM, que se desloca a Portugal com alguma frequência, recusou tecer outros comentários, designadamente sobre a situação dos restantes proprietários de habitações no Edifício Castilho Heron e alegou que vive em França desde os onze anos, razão pela qual não sabe o que se passa em Portugal.

Já Pedro Seabra, que está à frente da imobiliária Richard Ellis, afirmou ao PÚBLICO, que “a nossa actuação resultou de um pedido da Heron para actuarmos enquanto agentes e negociadores do preço final”. Observou ainda que foi a Heron que celebrou directamente os contratos de compra e venda dos andares do Edifício Heron Castilho e que esta, “por ser inglesa e ter contabilidade organizada, tinha interesse em declarar tudo como deve ser”.

Seabra garantiu que não conhece “nenhuma transacção em que o preço pago fosse superior ao escriturado”, apesar de, inquirido pelo PÚBLICO, ter dito não poder “garantir que, sem o meu conhecimento, tenham existido transacções com outros preços acordados”. Aliás, adianta, os valores que estavam no prospecto de venda estavam um pouco inflacionados pelo que houve dificuldade em colocar todo o prédio, cuja componente de escritórios é superior à da habitação, admitindo que possa ter existido “alguma revisão do preço” (ver texto nestas páginas). Contudo quando lhe perguntámos se, para o mesmo piso, um andar semelhante e com preço inicial de comercialização igual, podia ter uma diferença de 50 por cento na escritura, respondeu: “Isso já me parece muito”.

Esta resposta foi dada antes do gabinete do primeiro-ministro ter recebido, na terça-feira à tarde, as perguntas enviadas pelo PÚBLICO (e que reproduzimos nestas páginas). Na quarta-feira, após novo contacto do PÚBLICO, a mediadora imobiliária fez pela primeira vez referência a uma segunda tabela de preços dos apartamentos e que teria começado a ser aplicada em Março de 1994. Mas mesmo tendo por base os novos preços, o valor descrito no contrato do primeiro-ministro fica mais de vinte por cento face à tabela revista. Confrontado pelo PÚBLICO sobre se existiria uma terceira tabela, Pedro Seabra informou que não, mas lembrou que a partir de 1995 a venda das habitações do Edificio Heron Castilho foi entregue a outros dois promotores, a SITSA, que vendeu as casas a Vale e Azevedo e ao primeiro-ministro, e a Luxor.

Quando o PÚBLICO contactou Isabel Tello, da SITSA, para obter uma declaração, também esta já tinha sido abordada pelo Gabinete de Sócrates, tendo declarado que o negócio realizado entre a Heron e o actual chefe de Governo fora “irrepreensível”. Disse que existia uma terceira tabela de preços, a que foi aplicada quando a promotora começou a trabalhar na comercialização dos apartamentos do Heron Castilho.

Acrescentou porém que essa tabela se encontrava num arquivo da empresa no Algarve e que nos próximos dias a iria reaver. Até ao fecho desta edição não nos fez chegar qualquer novo documento. Garantiu que “não existe nenhum valor escriturado, dos apartamentos vendidos por nós que não seja real”.

Empresa não comenta

Contactado pelo PÚBLICO, o advogado que representou a Heron nos contratos de compra e venda dos apartamentos do Edifício Castilho Heron, Frederico Pereira Coutinho, do gabinete Cuatrecasas, Gonçalves Pereira e Associados, remeteu uma explicação para a sede do grupo em Londres, pois o seu gabinete já não tem a Heron como cliente.

O PÚBLICO fez várias diligências, durante mais de uma semana, junto da Heron International, enviando múltiplos e-mails para Londres, já que a Heron International N.V. já não opera em Portugal, enviando perguntas por correio electrónico no sentido de obter um esclarecimento sobre as discrepâncias entre os valores escriturados nos contratos de venda de apartamentos idênticos. Até ontem não tinha surgido nenhuma resposta.

A existência de uma offshore para negociar a venda de imóveis é legal mas permitr pagar menos impostos sobre os resultados das vendas.

Publico

Comentário

Quanto mais se mexe na merd@ mais ela fede e cheira mal. Tudo cheira mal, o País vive na podridão. O País está putrefacto, em rápida decomposição, é um cadáver ambulante sem rumo , sem eira nem beira, andamos ao sabor de corruptos, aldrabões, mentirosos e profissionais de Marketing, onde só a imagem conta, embora por dentro sejam uns vampiros que sugam todas as energias dos portugueses e se alimentam deles.

Esta canalha deveria ser corrida.

O País está nauseabundo.

Acudam-nos antes que sejamos enterrados.

DIPLOMA DA EDUCAÇÃO SEXUAL APROVADO HOJE


O projecto-lei do PS para impor a inclusão obrigatória da educação sexual nos projectos educativos das escolas vai esta quinta-feira ser viabilizado por todas as bancadas parlamentares, apesar das «fragilidades» e «lacunas» do diploma apontadas pela oposição. Também hoje foi dado a conhecer um estudo que conclui que os Portugueses acham-se mais magros e mais altos do que são na realidade, a obra editada pela Faculdade de Medicina de Lisboa com o apoio dos Laboratórios Abbott, foi coordenada por Isabel do Carmo, directora do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria e docente daquela Faculdade.
O
Parece que estou a ver, professores de matemática a ensinarem outras geometrias e professores de português a dissecarem a “Ilha dos amores” ou a poesia erótica do Bocage.
Bem, pelo menos que faça com que os portugueses fiquem mais magros, deve ser essa uma das ideias que norteiam o Ministério da Educação, …ou desnorteiam.

DESCRITORES MARGINAIS

Aos colegas e companheiros de luta da ESMA:

Decorrendo das muitas horas de trabalho e angústia à volta do gigantesco trabalho efectuado durante o ano lectivo anterior em relação à definição dos Descritores para a Avaliação do Pessoal Docente, foram surgindo algumas reflexões satíricas em momentos de descompressão, decorrendo da necessidade de desanuviar o cansaço.

Dada a quantidade de matéria produzida e também as suas características, os “autores” decidiram fazer a sua compilação, e consideraram interessante bem como benéfico para a saúde mental de todos os colegas, a partilha deste pequeno documento que decidiram apelidar de “Descritores Marginais”.

Haveria certamente ainda assunto para muito mais, mas as limitações de tempo que a todos afectam ultimamente não permitiram um maior desenvolvimento.

É agora com prazer que vos desejamos um bom momento de hilaridade.

Os “Autores”

ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO DO ENSINO BÁSICO DE MATIAS AIRES

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE

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DESCRITORES MARGINAIS

A. Ocupação plena do horário do professor

A1 – Empenho para a rentabilização do tempo de almoço.

Nível 1

O professor almoça em casa e/ou no restaurante, dedicando totalmente esse tempo ao lazer e à família.

Nível 2

O professor almoça no restaurante com os seus colegas, tratando pontualmente de algum assunto relacionado com a escola.

Nível 3

O professor almoça no refeitório da escola, rentabilizando esse tempo para discutir assuntos relacionados com as tarefas da escola e/ou reunir com os seus pares.

Nível 4

O professor petisca no bar, mandando reservar previamente um croquete, uma sandes de queijo fresco e uma água, aproveitando para realizar as tarefas da escola em simultâneo.

Nível 5

O professor não almoça, mantendo-se no seu local de trabalho e em cumprimento do seu dever profissional em total abstinência.

A2 – Empenho para a rentabilização do tempo de transição entre as actividades lectivas.

Nível 1

O professor usa as instalações sanitárias de acordo com as suas necessidades, procedendo de igual forma em relação a chamadas particulares do seu telemóvel e ao consumo de géneros alimentícios, utilizando a sala de professores para actividades de lazer.

Nível 2

O professor usa as instalações sanitárias não mais do que uma vez em cada turno, procedendo de igual forma em relação a chamadas particulares do seu telemóvel e ao consumo de géneros alimentícios. Não usa a sala de professores para qualquer actividade de lazer.

Nível 3

O professor utiliza as instalações sanitárias mas rentabiliza esse tempo para terminar o consumo dos géneros alimentícios adquiridos no bar. Raramente faz chamadas particulares do seu telemóvel e não usa a sala de professores para qualquer actividade de lazer.

Nível 4

O professor utiliza as instalações sanitárias muito ocasionalmente e de forma célere, raramente faz chamadas particulares do seu telemóvel, não usa a sala de professores para qualquer actividade de lazer, consumindo pontualmente um copo de água.

Nível 5

O professor não desperdiça tempo na satisfação de qualquer necessidade fisiológica, não utiliza o seu telemóvel para chamadas particulares, embora o possa disponibilizar para contactos profissionais; não usa a sala de professores para qualquer actividade de lazer ou consumo de géneros alimentícios.

B. Relacionamento com a comunidade

B1 – Relacionamento com os alunos

Nível 1

O professor esconde-se atrás dos postes, caixotes do lixo, caixas de electricidade, dentro do lago, e afins de forma a evitar a todo o custo qualquer tipo de relacionamento com os alunos.

Nível 2

O professor circula de forma circunspecta pela escola, desmotivando qualquer aproximação por parte dos alunos.

Nível 3

O professor responde naturalmente às abordagens informais feitas pelos alunos, mantendo uma postura séria face aos assuntos tratados.

Nível 4

O professor demonstra uma preocupação para com os problemas pessoais dos alunos, levando-os a interagir e confidenciar os aspectos íntimos da sua vida pessoal. Apoia-os na resolução dos seus problemas, averiguando e procurando soluções junto de outros colegas, entidades e organismos especializados nas diversas problemáticas.

Nível 5

O professor corre atrás dos alunos, convivendo estreitamente com eles durante os tempos de transição entre as aulas, integrando-se perfeitamente nas suas actividades. Almoça com os alunos frequentemente no refeitório e/ou nos restaurantes das proximidades da escola. Convida-os para festas familiares e/ou frequenta com eles as discotecas nocturnas desfrutando da sua companhia.

B2 – Relacionamento com os encarregados de educação

Nível 1

O professor nunca está disponível para comunicar com os encarregados de educação fora do seu horário de atendimento.

Nível 2

O professor encontra-se disponível apenas durante o seu horário de atendimento, limitando o tempo destinado a cada encarregado de educação em quatro minutos e cinquenta e três s segundos.

Nível 3

O professor está disponível para comunicar com os encarregados de educação fora do seu horário de atendimento, em casos de comprovada urgência. Pontualmente, atende uma chamada telefónica de um encarregado de educação no intervalo entre aulas.

Nível 4

O professor estabelece uma relação estreita com os encarregados de educação. Elabora um mapa com vários percursos de forma a abranger todas as residências dos encarregados de educação da sua direcção de turma ao longo da semana. Cumpre o percurso estabelecido diariamente após a saída da escola e antes de se dirigir ao seu lar.

Nível 5

O professor estabelece uma relação de amizade com os encarregados de educação, relacionando-se com os mesmos diariamente, incluindo os fins-de-semana, e disponibilizando-se para adaptar as suas férias às necessidades daqueles.

B3 – Relacionamento com o órgão de gestão, vulgo o Director.

Nível 1

O professor não acolhe com agrado as sugestões de bases de dados propostas pelo órgão de gestão. Recolhe dados através de conversas com os intervenientes e procede ao registo de percentagens e elaboração de estatísticas utilizando a regra de três simples.

Nível 2

O professor acolhe pontualmente com agrado algumas bases de dados propostas pelo órgão de gestão da escola, utilizando-as com alguma dificuldade mas na tentativa de rentabilizar tempo, trabalho e recursos.

Nível 3

O professor acolhe com agrado as sugestões de bases de dados propostas pelo órgão de gestão.

Nível 4

O professor acolhe com bastante agrado as sugestões de bases de dados propostas pelo órgão de gestão, esforçando-se por não danificar as programações e tentando rentabilizar ao máximo os instrumentos postos ao seu dispor.

Nível 5

O professor trabalha alegremente com as bases de dados disponibilizadas pelo órgão de gestão, dando importantes contributos para melhorar as existentes e apresentando sugestões de novas bases, grelhas e outras operações em folha de cálculo para registo de todas as actividades escolares. Partilha com os seus pares o entusiasmo pelo registo digital sistemático de toda a informação da escola.

C. Realização do processo ensino-Aprendizagem

C1 – Utilização de equipamentos para o processo de ensino-aprendizagem

Nível 1

O professor recusa-se a usar qualquer equipamento que exceda o quadro preto já existente na sala de aula e um pau de giz.

Nível 2

O professor tenta utilizar o equipamento posto à sua disposição de forma adequada mas, devido á sua deficiente competência técnica, danifica com frequência o material, sentindo-se desencorajado para novas aventuras no mundo tecnológico.

Nível 3

O professor solicita o equipamento tecnológico das salas de aula de acordo com o ECD e a sua avaliação de desempenho. Conta sempre com um funcionamento, manutenção e actualização dos aparelhos adequado ao plano tecnológico, utilizando as TIC e o acesso à Internet em perfeitas condições e em todos os pavilhões escolares.

Nível 4

O professor utiliza os diversos equipamentos tecnológicos existentes na escola, envolvendo activamente os alunos no seu transporte para a sala de aula, bem como na sua montagem e arrumação. Utiliza os equipamentos de forma adequada promovendo a sua durabilidade e bom estado de funcionamento, tendo sempre em vista o próximo utilizador.

Nível 5

O professor transporta consigo todos os equipamentos necessários à sua prática lectiva diária: mala pessoal, pasta escolar, computador portátil, projector, leitor de CD/DVD, dicionários e/ou mapas e ficha tripla pessoal. Sempre que necessita de acesso à Internet, utiliza a sua banda larga pessoal. Durante os intervalos, coloca na sala que lhe foi atribuída o retroprojector e o respectivo ecrã, os quais repõe no final de cada aula. O professor anda angustiado ansiando a entrada em funcionamento dos quadros interactivos.

C2 – Apoio aos alunos

Nível 1

O Professor encontra-se em depressão precisando desesperadamente do apoio dos alunos.

Nível 2

O professor precisa do apoio dos alunos em momentos de crise, nomeadamente após a leitura dos mails institucionais.

Nível 3

O professor apoia os alunos dentro e fora da aula, isto é, na mediateca, bancos do jardim, no refeitório, sala de professores e /ou Dt, sala de alunos, bares, estando omnipresente e circulando na escola com um letreiro “Posso ajudar?”

Nível 4

O professor procede de forma idêntica ao anterior mas faz-se acompanhar de vários modelos de questões e respectivas respostas, sendo apenas necessário ao aluno escolher uma das opções.

Nível 5

O professor apoia total e completamente todos os alunos sem excepção e sem restrições de espaço ou tempo, quer através do telefone fixo como do móvel, e inclusive dando acesso à sua localização através de GPS. O professor não se recolhe no seu leito sem primeiramente consultar o mail, respondendo a todas as solicitações dos alunos. Eventualmente não terá oportunidade de sequer se recolher, para prevenir a hipótese de lhe escapar algum mail urgente.

C3- Realização de Actividades Extracurriculares

Nível 1

O professor não participa, não quer participar e tem raiva de quem participa em actividades curriculares e extracurriculares.

Nível 2

O professor participa compulsivamente numa actividade curricular ou extra-curricular, sempre com o nariz ao lado, ameaçando desistir a qualquer instante, abandonando os alunos à sua mercê.

Nível 3

O professor participa em algumas actividades curriculares ou extra-curriculares voluntariamente, sentando-se num lugar da primeira fila, e assistindo com muita atenção ao desenrolar da dita actividade, batendo palmas no final.

Nível 4

O professor participa e dinamiza mais de quinhentas actividades curriculares e extra-curriculares enquanto funcionário no activo, preenchendo entusiasticamente e atempadamente todos os formulários, grelhas, bases de dados e inquéritos relacionados com as mesmas.

Nível 5

O professar faz do seu projecto de vida a dinamização cultural, não só da escola mas de toda a comunidade e arredores, contribuindo assim para enriquecer PEE, PCE, PAA, PCT, CG, CP, CE, CT, CDT, DCSH, DL, DE, DMCE. Procede antecipadamente à reserva do seu lugar como professor voluntário, impedindo a escola de, após a sua aposentação, cair no marasmo cultural.