Eu acuso o Governo de ter duas caras perante o país


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«Eu acuso o Governo de ter duas caras perante o país», disse à agência Lusa Francisco Louçã, num comentário aos números do Instituto Nacional de Estatística (INE) e as previsões do Banco de Portugal hoje conhecidos.

«Estas duas caras do Governo, que diz que está preocupado com lágrimas de crocodilo sobre o desemprego, mas é o governo que está a fazer desemprego, que está a fazer precariedade, e a expulsar os trabalhadores dos seus direitos e do respeito que o trabalhador devia ter», acusou o líder do Bloco de Esquerda à margem da reunião com uma delegação da CGTP-IN na sede do partido em Lisboa.

Os números do INE, que colocam 18 por cento dos portugueses em risco de pobreza, e as previsões do Banco de Portugal, que apontam para uma recessão em Portugal com um crescimento negativo de 3,5 por cento em 2009 e de 0,6 por cento em 2010 são, para Louçã, a confirmação das desigualdades no país e dos piores desempenhos económicos a nível europeu, com ênfase para os dados do desemprego, que apontam para um aumento de 4 por cento nos próximos dois anos.

«É por isso que é tão grave aquilo que o governo está a fazer. E eu acuso o governo de ter duas caras perante o país, porque o mesmo governo que diz que não quer o Estado mínimo e quer responder à pobreza e às desigualdades é o mesmo governo que ontem decidiu expulsar 400 trabalhadores do Arsenal do Alfeite para a mobilidade, que é a antecâmara do despedimento», sublinhou o líder do Bloco.

De acordo com o INE a percentagem de portugueses em risco de pobreza manteve-se em 2007 nos 18 por cento, sem alterações em relação às estimativas de 2005 e 2006, mas que, acrescenta o organismo de estatística do Estado, poderia ser seis pontos percentuais superior se não fosse o efeito das medidas de ajuda social.

O Produto Interno Bruto (PIB) deverá contrair-se 3,5 por cento este ano, anunciou hoje o Banco de Portugal (BdP), mantendo a previsão que havia realizado em Abril, e apontando também para uma quebra de 0,6 por cento da actividade económica em 2010.

De acordo com o Boletim Económico de Verão, a economia portuguesa deverá continuar em recessão em 2010, com uma quebra de 0,6 por cento do PIB.

Esta previsão é mais negativa do que a avançada em Janeiro pelo BdP, que previa um ligeiro crescimento de 0,3 por cento em 2010.

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