Dirigente do PS diz que o partido vive sob uma “ditadura do silêncio” e que Sócrates quer accionar “o rebanho


Os sinos tocam a rebate no PS. O secretário-geral, José Sócrates, decidiu convocar o secretariado, a comissão nacional e o grupo parlamentar para contrariar a falta de diálogo no PS. Mas há quem discorde desta atitude e lamente que Sócrates só se lembre do partido quando está em dificuldades.

O ex-deputado socialista e actual membro da distrital do PS-Porto Pedro Baptista afirma que “o PS não é propriamente um rebanho que avança quando os sinos tocam a rebate só porque o líder está a passar por um momento difícil”.

Acusando Sócrates de desrespeitar os estatutos do partido ao não convocar dentro dos prazos fixados a comissão nacional do PS (“que não se reúne há nove meses”), Baptista pergunta: “Por alma de quem é que de repente querem pôr a funcionar as estruturas do partido, quando está meses sem se reunir, e ainda por cima convocando estruturas que não existem nos estatutos, como acontece, por exemplo, com o plenário de militantes da distrital do Porto?” “Isto é um paradoxo!”, diz, declarando que o partido “tem vivido numa ditadura do silêncio e agora, porque o líder tem um problema, carrega-se no botão e acciona-se o rebanho”.

Baptista classifica de “patéticos” os apelos do secretário-geral para reunir todos os órgãos directivos e frisa que “este não é o Partido Socialista Nacional Alemão”. Por fim, pede o funcionamento regular dos órgãos do PS e lamenta que Sócrates tenha apelado ao diálogo “apenas e só por se encontrar numa situação difícil”.

A mensagem de que o primeiro-ministro não quer desistir das suas funções foi sublinhada por António Vitorino, anteontem à noite, no programa Notas Soltas, da RTP1. “Sócrates não tem perfil de desistente, não vai abandonar o lugar, por muitas pressões que existam. Já tem uma boa endurance de resistência e vai reagir. É isso que vem aí, é a reacção dele”, afirmou. Vitorino descartou também a possibilidade de o Presidente da República, perante o desenvolvimento da divulgação das escutas do caso Face Oculta, avançar para a dissolução do Parlamento, argumentando com o facto de Cavaco Silva estar na “rampa de lançamento para as presidenciais” e para a sua “recandidatura”.

Por outro lado, Nuno Morais Sarmento, em declarações à Rádio Renascença, defendeu que o PSD não deve provocar uma crise política, uma vez que o “ciclo” do primeiro-ministro irá terminar com “uma derrota pessoal e feia”.

Para o presidente do conselho de jJurisdição nacional do PSD, Sócrates não será “derrotado” pelo seu “desempenho político”, mas pelo “comportamento da sua personalidade”: “A derrota será de José Sócrates e não do PS, será de José Sócrates e não do Governo, de modo que, também na derrota, vai ser a pessoa, e não o conjunto, que vai estar em causa. E pela primeira vez na história da democracia não vai ser o desempenho político do primeiro-ministro que vai estar em causa. Vai ser o desempenho de carácter e o comportamento da personalidade”, vaticinou.

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