Quando provas são eliminadas pelos amigos, resta-lhe a teoria da cabala


“Não temos, nem tivemos, um plano para controlar ou condicionar os órgãos de comunicação social em Portugal”, afirmou o chefe de Governo na curta declaração que fez em São Bento.

Para o primeiro-ministro as últimas notícias vindas a público sobre as escutas do processo Face Oculta são “um ataque pessoal”.

Na declaração, sem direito a perguntas dos jornalistas, José Sócrates afirmou que nada o vai desviar da governação do país. “Não será agora que qualquer solução de ataques e mentiras me fará desviar às minhas obrigações”.

O líder do executivo socialista defende que os ataques são feitos por quem não sabe “conviver com o julgamento democrático dos portugueses”.

Declaração do primeiro-ministro

1. Já não é a primeira vez que o País assiste a uma tentativa de substituição do debate político pelo ataque pessoal, pela insinuação e pela mentira pura e simples.

2. Perante isto entendo que chegou o momento de reafirmar aos Portugueses três verdades claras e fáceis de compreender:

* A primeira é que nunca, nem eu próprio, nem o Governo, demos qualquer orientação à PT, ou a qualquer dos seus administradores, para adquirir a TVI ou qualquer outra empresa de comunicação social. Isso, pura e simplesmente, não passa de uma falsidade. Como é uma falsidade que alguma vez eu ou o Governo, à data da minha primeira declaração sobre o assunto na Assembleia da República, tenhamos sido informados pela PT, sobre as suas intenções de adquirir a TVI.

* A segunda verdade, é que nem o Governo nem eu próprio, temos, nem tivemos, um plano para controlar ou condicionar os órgãos de comunicação social em Portugal. Esta ideia não é apenas rotundamente falsa, mas também infundada e até delirante.

* A terceira verdade, simples e clara, é que todos os portugueses são testemunhas de que temos em Portugal uma comunicação social livre, onde diariamente se exprimem, sem qualquer condicionamento, as mais diferentes e diversas correntes de opinião.

Esta é a verdade dos factos que nenhuma especulação poderá desmentir.

3. Mas a este propósito quero ainda dizer o seguinte:

* Como democrata, e, aliás, como qualquer pessoa que preze a decência e a lealdade na vida pública, condeno e repudio as violações do segredo de justiça e a divulgação criminosa de escutas. Faço-o não porque tema seja o que for quanto ao seu conteúdo. Não tenho absolutamente nada a temer. Mas faço-o porque esses crimes atentam contra as pessoas, contra o direito à privacidade e contra o funcionamento da justiça.

* Mas o que é especialmente condenável é a indignidade daqueles que tentam aproveitar-se destes crimes para lançarem ataques de carácter aos seus adversários políticos. Estes são os métodos de quem dá mostras de não saber aceitar a escolha e o resultado das eleições legislativas, de não saber conviver com o julgamento democrático dos portugueses. Esses são os que parecem ter-se desinteressado do País, para apenas se concentrarem no insulto como arma de ataque pessoal.

4. Mas quero ainda dizer aos Portugueses o seguinte:

* Não será agora, como não foi no passado, que uma qualquer sucessão de insultos, de rumores e de mentiras me fará desviar da responsabilidade que o povo me confiou. Como Primeiro-ministro, conduzirei o Governo, como é meu dever, no combate à crise económica, pela modernização do País, cumprindo o programa que venceu as eleições. Desta forma estaremos a contribuir para a elevação do debate político, que é tão necessária para o prestígio das instituições e para que a vida política se concentre nos reais problemas das pessoas e nos reais problemas do país.

* A nossa tarefa e a nossa agenda são claras: discussão e aprovação final do Orçamento do Estado sem o desvirtuar e respeitando a sua coerência. Apresentar e discutir um Programa de Estabilidade e Crescimento que reforce a confiança internacional na nossa economia, e que aposte claramente no crescimento económico, na criação de emprego e no equilíbrio das contas públicas.

* É nisto que o Governo está empenhado: empenhado em servir o País no quadro político que o eleitorado escolheu, cumprindo o programa que venceu as eleições. É isso que me move: contribuir para a estabilidade, defender o interesse nacional, assegurar a governação, conduzir o País para a recuperação económica.

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