Felícia Cabrita «É curioso como já existe uma espécie de contra-ataque em relação ao SOL»


A jornalista do SOL Felícia Cabrita foi ouvida no Parlamento a propósito das escutas que têm vindo a ser publicadas. Falando aos deputados sobre as reacções que o caso tem suscitado, Felícia Cabrita já disse que «é curioso como já existe uma espécie de contra-ataque em relação ao SOL»

«É curioso como já existe uma espécie de contra-ataque em relação ao SOL», começou por dizer Felícia Cabrita aos deputados.

As palavras que alguns dirigentes socialistas têm proferido a propósito do ‘Caso Face Oculta’ levam a jornalista a acreditar que o SOL, «para o PS é um jornal sem credibilidade».

Felícia Cabrita estranha ainda que os deputados não perguntem pelos accionistas de outros jornais – dois accionistas do SOL serão ouvidos no Parlamento – e, para a jornalista, tal sucede «porque os conhecem do avesso».

Sobre a tentativa de controlo dos media por parte do Governo, Felícia Cabrita mostrou-se convicta de que «havia uma tentativa de controlo da comunicação social e que quem está por detrás é o primeiro-ministro».

«Podemos verificar isso através do que foi acontecendo na TVI», exemplificou.

A jornalista referiu ainda o despacho de Pinto Monteiro hoje divulgado pela comunicação: «Não há aqui elementos suficientes para se abrir um inquérito?».

O plano inicial levaria dois anos a ser concretizado e passava inclusive pela criação de offshores para que o nome da Portugal Telecom não fosse envolvido.

Contudo, para um dos deputados do PS presentes na sessão, as notícias do SOL são uma interpretação que «os factos desmentem».

Questionada sobre alegadas pressões sobre jornalistas, Felícia Cabrita vincou não ser «pressionável» (apesar de já ter recebido ameaças e de ter havido um «plano sórdido» para denegrirem a sua imagem) deixando ainda claro que nunca foi pressionada por José Sócrates nem por elementos do seu gabinete.

Ainda assim, recordou a demissão de Joaquim Vieira da revista Grande Reportagem devido à investigação jornalística em torno do processo ‘Casa Pia’, e ainda «pressões a magistrados e ao Presidente da República» quando o nome de Paulo Pedroso foi envolvido.

Felícia Cabrita enumerou ainda diversas polémicas em que o nome de Sócrates tem sido envolvido (como o do aterro da Cova da Beira, da licenciatura, ou do Freeport) e foi taxativa: «Não fomos nós que lá pusemos o primeiro-ministro».

Confrontada pelos deputados do PS com a violação do segredo de justiça que a publicação das escutas constitui, Felícia Cabrita disse que «basta de hipocrisia», dizendo que no Parlamento também é cometido este crime, e lembrou a chamada de Oliveira Costa quando já era arguido no ‘Caso BPN’.

No final, Felícia Cabrita deixou ainda uma reflexão sobre o futuro da sua profissão, vaticinando o fim do jornalismo de investigação e do bom jornalismo, por falta de dinheiro para suportar os seus custos.

SOL

Jornalista do “Sol” diz que tentaram pressioná-la, mas não do gabinete de Sócrates

“Eu não sou pressionável e não tenho telhados de vidro. Já me conhecem “, disse a jornalista aos deputados da Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, no âmbito do processo sobre liberdade de expressão e alegada interferência do Governo na comunicação social.

Na audição a jornalista explicou que tem sido alvo de ataques pessoais que podem ser caracterizados como formas de pressão e que na sua opinião são “a forma mais vil de pressão sobre qualquer pessoa”.

“Arranjaram um plano sórdido para denegrir a minha imagem com a colocação de determinadas notícias sobre a minha pessoa insinuando relacionamentos com polícias e magistrados”, disse a jornalista adiantando que este procedimento voltou a ser colocado em prática quando surgiu o caso Freeport para pressioná-la novamente, assim como a magistrados.

Em declarações à Lusa no final da audição, Felícia Cabrita especificou que este tipo de pressão “é das mais infames que se pode assistir” sem terem em conta que “era casada e tinha uma filha”. “Não valia a pena virem com ameaças. No caso Casa Pia tentaram atropelar-me”, disse, adiantando que do ponto de vista político nunca recebeu um único telefonema.

Felícia Cabrita pergunta a deputados se são “racistas”

A jornalista do “Sol” Felícia Cabrita questionou há minutos os deputados socialistas presentes na comissão de Ética, Sociedade e Cultura sobre a possibilidade de o grupo parlamentar do PS ser “racista”. “Não percebo o porquê das perguntas sobre quem são os proprietários do “Sol”, juntou posteriormente.

As palavras da jornalista do “Sol”, uma das autoras das notícias sobre o alegado plano do governo para controlar a comunicação social, foram proferidas depois de ter distribuído algumas fotos de empresários angolanos que, segundo Felícia Cabrita, são os proprietários do semanário. E depois de criticar as suspeitas entretanto lançadas por socialistas como António Costa e Arons de Carvalho sobre a propriedade do “Sol”, lançou a pergunta. “Não sei se os senhores deputados são racistas”.

A reacção dos deputados do PS foi imediata, instando o presidente da comissão, Luís Nobre Guedes, a impedir este tipo de declarações. “Peço-lhe que evite este tipo de expressão insultuosa”, solicitou o deputado social-democrata, retomando então os trabalhos.

No início do terceiro dia de audições para avaliar o exercício da liberdade de expressão em Portugal, Felícia Cabrita já tinha afirmado não estar “habituada a discursos hipócritas”, criticando o “contra-ataque” de algguns responsáveis socialistas que “dizem que o “Sol” não é um jornal credível”.

E sobre a propriedade do jornal, explicou que “são empresário angolanos que felizmente libertaram o “Sol” da intenção do PS de liquidar o jornal”.

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