“Há uma manobra política para desviar da ‘Face Oculta'”


"Há uma manobra política para desviar da 'Face Oculta'"

Jornalista do ‘Sol’ acusa Sócrates de tentar controlar a comunicação social.

Felícia Cabrita avisou: “Não sou política.” Nem diplomata. Falou de racismo, de machismo e de salazarismo, de estrangulamento democrático. O PS esteve sempre em ponto de mira. “Já existe um contra-ataque ao jornal por não ter credibilidade para o PS” – e aqui falava das questões levantadas por membros do partido quanto à propriedade do jornal para o qual trabalha. “Há uma manobra política para desviar as atenções da “Face Oculta””, disse mais tarde ao DN.

Mas, antes, Felícia Cabrita levou aquilo que já é quase obrigatório nas audiências: um “brinde” (T-shirts, livros, etc.). No caso, o livro Massacres em África, da sua autoria – em resposta a uma tirada do deputado socialista Miguel Laranjeiro: “O Sol tem uma tese delirante e mirabolante.” Antes, distribuiu fotografias dos accionistas do Sol (ver texto abaixo). Depois, passou ao ataque em nome da liberdade de expressão que, claramente, sente ameaçada como nunca sentiu em “vinte e tal anos de carreira com prémios e reconhecimentos”, salvaguardou. Ao DN, quando contactada para esclarecer os cargos dos nomes (e caras) que mostrou na Assembleia da República, notou “o incómodo” dos deputados do PS quando aludiu às relações com Angola (na audiência questionou se haveria “racismo”, mas foi-lhe pedido, entre indignações audíveis, que moderasse a linguagem e não atentasse contra os deputados).

Voltando um pouco atrás, para explicar melhor o que já vai e virá a seguir: “Eu sou alvo de pressões, mas não sou pressionável – esses assuntos trato-os nos tribunais”; “cada vez que se refere o primeiro–ministro [nas investigações de alegadas irregularidades ou crimes], podia ser outro primeiro-ministro e não apenas este”; “nunca fui condenada, tenho a cartinha [currículo] limpa”. Ou seja, retirou carga pessoal ao assunto e situou- -se. Depois, disparou.

“Se não estivéssemos convictos da tentativa de controlo da comunicação social [afinal, o que está em discussão na Comissão de Ética] e de que quem está por trás é o primeiro-ministro, não saíam as notícias do Sol. Houve uma tentativa utilizando entidades públicas e bancos e podemos verificar isso pelo que se passou na TVI”, declarou sem rodeios. E falou num estrangulamento financeiro conduzido pelo BCP.

Sempre com a mira no PS – e olhando nos olhos os deputados rosa -, Felícia Cabrita disse mais. Bem mais. Caso da intenção de compra da TVI pela PT. “O primeiro-ministro sabia do negócio há três meses, não pensou é que ficasse concluído naquela altura conturbada”, acrescentou. Confrontada pelo PS, a jornalista esclareceu: “Nunca recebi qualquer tipo de pressão do primeiro-ministro ou de alguém que lhe seja próximo, mas se calhar deviam falar com o director [José António Saraiva estará terça-feira na AR].”

Para Felícia Cabrita, a génese deste comportamento do PS, sugerindo perseguição, vem desde que trabalhou no caso “Casa Pia” (tocou nomes socialistas). “Usaram a minha condição de mulher para me atribuírem inúmeros envolvimentos e relações íntimas com magistrados”, defendeu (aqui, João Semedo reparou “feminismo não é um lema, é uma causa” – daí o machismo na entrada do texto).

E deixou uma interrogação: “Num país em que até cartas de anónimos dão inquéritos e sabemos por conversas do primeiro- -ministro de tudo isto, o procurador-geral não abre um inquérito?”

por ANTÓNIO PEDRO PEREIRA

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