Rui Pedro Soares diz que fim do Jornal de Sexta já estava decidido


 anjinho

“É mentira de uma ponta à outra”, afirma Moniz ao PÚBLICO. Questionado sobre se conhecia a intenção de suspender a noticiário, o actual vice-presidente da Ongoing Media afirma que “essa questão foi-me colocada muitas vezes, mas a Prisa sabia que isso comigo nunca aconteceria”. E sublinha ter acreditado que a sua saída da TVI impediria a sua concretização: “Pelo contrário, acreditei que o sururu da minha saída traria bom senso àquelas cabeças e inibiria a suspensão do Jornal de Sexta”.

A afirmação de Rui Pedro Soares foi uma das poucas respostas que aceitou dar ao PÚBLICO sobre o negócio PT/TVI. Soares, que quarta-feira renunciou ao cargo de administrador executivo da PT, refugia-se no segredo profissional e no segredo de justiça para nada dizer sobre o negócio e sobre o teor das escutas publicadas no semanário Sol. “Não vou ser cúmplice dessa rapaziada que foge às ordens da justiça”, diz. Foi ele o autor da providência cautelar contra o jornal, considerando que a divulgação das conversas constitui um crime.

A sua intenção é não só punir os responsáveis por incorrerem, segundo afirma, no crime de desobediência, mas constituir-se assistente nos processos de violação do segredo de justiça abertos pela Procuradoria-Geral da República e pelo Ministério Público de Aveiro. “Conto dar um contributo importante à Justiça nesses processos”, justifica.

Confessando sentir-se “muito aliviado” desde que abandonou o cargo na PT, Rui Pedro Soares não se inibe, no entanto, de explicar os contornos dos negócios entre Figo e a Taguspark, de que era administrador não executivo. “O plano estratégico da Taguspark apontava para a internacionalização e decidiu avançar-se com uma campanha de promoção nos Estados Unidos e no Japão, em que pudéssemos dar uma imagem do país e da empresa. Precisávamos de rostos para a campanha e pensamos em três: Luís Figo, Mourinho e Cristiano Ronaldo. Decidimos avançar com Figo e Mourinho, mas este acabou por desistir já depois de assinado o contrato e ter recebido o primeiro pagamento, alegando razões pessoais e devolvendo o cheque”, relata.

Sem contrapartidas?

Quanto a Figo, foi assinado no final de Junho o contrato de imagem por três anos (com opção de saída para as duas partes) rondava o valor anual de 250 mil euros, “muito abaixo da sua tabela”, e incluía o vídeo, presenças em eventos promocionais e um roadshow anual num daqueles países. Pela mesma altura, mas à margem deste negócio, a Taguspark contratou a instalação de uma empresa de Figo, a Football Dream Factory (FDF), com vista à instalação da sua base de dados nos servidores da PT neste parque.

Segundo Rui Soares, este negócio só se concretizou por influência sua, uma vez que a FDF tinha uma proposta de um outro parque tecnológico, o Madan Parque (Almada). “Era importante para o Taguspark atrair um projecto com visibilidade mundial, com o Figo a protagonizar”, justifica, acrescentando que não conhece os pormenores dos contratos por não ser administrador executivo.

Sobre a relação entre estes negócios e o apoio que o ex-futebolista deu depois à campanha do PS, Rui Pedro Soares afirma nada saber, mas considera “um absurdo” pensar que seria uma contrapartida: “Figo não precisa disto, tem um património vastíssimo”, alega, dando a entender que não seria por dinheiro que o ex-jogador iria correr o risco de dar a cara por um candidato político. E lembra ser conhecida a sua proximidade ao PS: “Já apoiou a candidatura de Jorge Sampaio”.

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