Terceira via com fúrias


“Fúrias” de Gordon Brown entram na agenda política

Os alegados ataques de fúria e gestos de intimidação contra colaboradores atribuídos a Gordon Brown obrigaram o primeiro-ministro britânico a defender-se na televisão, garantindo que “nunca” bateu em ninguém

“Se fico zangado, fico zangado comigo mesmo”, disse ao Channel 4, sábado à noite. “Atiro jornais ao chão, ou qualquer coisa como isso”, mas “deixem-me explicar, de modo absolutamente claro, para que não fiquem mal entendidos: jamais, jamais bati em alguém na vida”. Um comunicado do gabinete de Brown diz que as alegações “não têm qualquer fundamento”.

As reacções são uma resposta à divulgação das supostas fúrias do chefe do governo, que incluiriam insultos e ameaças físicas. Entre outras alegações constantes do livro The End of the Party, do analista político Andrew Rawnsley, Brown é acusado de, em momentos de cólera, ter gritado com funcionários, agarrado um assessor pelo colarinho e esmurrado o banco de um carro levando um colaborador que o acompanhava a encolher-se com receio de ser atingido no rosto.

O autor escreve ontem no semanário “Observer”, com o qual colabora e que publicou excertos do livro, que “os eleitores devem conhecer toda a verdade sobre o carácter de Gordon Brown”. Em “The End of the Party” diz que o secretário do gabinete do chefe do Governo, Gus O’Donnell, um quadro superior, terá feito as suas próprias inquirições junto de funcionários e pedido a Brown para alterar o seu comportamento vulcânico, depois de constatar que as atitudes do primeiro-ministro assustavam os colaboradores. “Não é assim que se obtém o que se quer”, ter-lhe-á dito.

Discurso ofuscado

As referências ao temperamento de Brown dominavam ontem os noticiários britânicos e ofuscaram um discurso que o líder trabalhista tinha feito no sábado em Coventry, no qual prometeu empenhar-se na recuperação económica e pediu aos eleitores para renovarem a confiança no Partido Trabalhista, no poder desde 1997.

Várias figuras do governo e do partido saíram em defesa Brown, entre os quais um dos seus principais aliados, o ministro do Comércio, Peter Mandelson, segundo o qual o chefe do Governo é “muito exigente” mas “não maltrata” as pessoas. “Ele sabe o que quer fazer. Não gosta de receber um não como resposta”, disse em entrevista televisiva à BBC. “De alguma forma, sim, há um grau de impaciência nele, mas o que queriam, uma flor de estufa ao leme quando estamos a passar por tanta turbulência?”

Do lado conservador, até ontem à tarde só era conhecido o comentário do dirigente William Hague. “Não penso que [Brown] tenha mostrado que pode liderar uma equipa satisfeita e com sucesso, e se alguma destas alegações for verdadeira talvez isso seja parte da razão porque assim é”, disse à Sky TV.

Frequentemente descrito como austero, Brown tem vindo a procurar amenizar essa imagem, como mostra uma entrevista dada há uma semana em que falou da vida familiar. E segundo uma sondagem publicada também ontem pelo Times, essa estratégia estava a produzir efeitos: os trabalhistas surgem com 33 por cento das preferências de voto e reduziram no último mês de nove para seis pontos a desvantagem face aos conservadores.

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