Soares Carneiro sai da Portugal Telecom com indemnização


Pedro Cunha (arquivo)

Fernando Soares Carneiro renunciou à administração executiva da Portugal Telecom (PT), mas vai receber uma compensação por deixar o cargo antes do fim do mandato.

Soares Carneiro, era, tal como Rui Pedro Soares, um dos administradores da PT envolvidos na polémica das escutas que têm sido divulgadas pelo semanário Sol.

Esta é a primeira vez na história da PT que dois administradores abandonam a empresa, num espaço de dias, na sequência de uma polémica pública.

O PÚBLICO apurou que Soares Carneiro acordou com a empresa uma compensação por abandonar o cargo antes do final do mandato (2011). Regra geral, quando há renúncia, não há lugar a indemnizações, mas é prática corrente no mercado que as empresas e trabalhadores acordem uma compensação.

Já quando há destituição sem justa causa, o valor da compensação abrange todas as remunerações devidas (fixas e variáveis) pelo período correspondente ao final do mandato.

Ao contrário de Rui Pedro Soares, que é quadro da PT desde 2001 e permanecerá na empresa ainda que sem funções executivas, Soares Carneiro termina aqui a sua relação com o grupo de telecomunicações.

Na carta de renúncia de Fernando Soares Carneiro, a que o PÚBLICO, teve acesso, o ex-administrador garante que não abandona o cargo “para defender a honra hipoteticamente manchada”, mas sim porque se sente incapaz de “travar uma luta justa.”

“A minha honra profissional é um bem sólido, com quase 40 anos de prestigiada carreira, e a minha honra pessoal é algo que eu não dou azo a que seja discutido na praça pública”, sublinha Fernando Soares Carneiro.

“Os episódios em que me tentaram envolver recentemente em meios de comunicação social ainda não têm peso específico suficiente para fazer mossa. Trata-se de duas conversas telefónicas privadas e anódinas, uma com total justificação no relacionamento institucional da PT com o BCP e outra que, não fora ser composta por uma série de pequenas frases desgarradas e sem ligação, talvez pudesse ter uma interpretação plausível”, sustenta o gestor.

O antigo responsável pelos fundos de pensões da PT e tido como um dos homens do Governo na administração da empresa diz que lhe foi vedado o “acesso a uma versão menos manuseada dessa conversa” e critica o facto de o segredo de justiça “só funcionar para um lado.”

Explicando que foi para preservar a sua privacidade que se sentiu no “direito de tentar impedir” a divulgação pelo Sol daquelas que eram “conversas privadas”, Soares Carneiro defende que “nenhum dos episódios referidos, ou qualquer outro dos divulgados pela comunicação social” pode ligá-lo ao “falhado processo de aquisição da TVI pela PT”. “Processo “com o qual nada tive a ver”, sublinha ainda.

Dizendo-se incapaz de travar “uma luta justa”, Fernando Soares Carneiro considera que há que “ter a coragem de, sem grandes ruídos, mudar de rumo e assumir, mesmo sem qualquer culpa ou responsabilidade, que há guerras que não se devem travar, pois não são materializáveis”.

“Como disse uma grande filósofo e psicólogo do século passado – “nunca se ganha uma guerra contra fantasmas, nossos ou, especialmente, dos outros”. Ora, os meus fantasmas estão certamente controlados!”, conclui o ex-administrador da PT.

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