Escutas e SMS desmentem Vara sobre negócio PT/TVI


Escutas e SMS desmentem Vara sobre negócio PT/TVI

Almoço. Altos quadros da PT e do BCP falaram da TVI e da Cofina

Duas escutas e um SMS contradizem o que Armando Vara disse na Comissão de Ética do Parlamento em relação a um almoço que juntou altos quadros da PT e do Millennium BCP. O ex-administrador garantiu aos deputados que no encontro – onde também estiveram Zeinal Bava, Fernando Soares Carneiro, por parte da PT, e Carlos Santos Ferreira, presidente do banco – só se falou da emissão de obrigações do BCP e de telecomunicações. Mas, segundo as escutas, também terá existido outro tema: a entrada da PT na TVI e a compra da Cofina (dona dos jornais Correio da Manhã e Record) pela Ongoing (proprietária do Diário Económico).

A notícia do almoço foi adiantada pelo DN (ver edição de 11 de Fevereiro). Questionado no Parlamento sobre o conteúdo do almoço, Armando Vara declarou que o objectivo do BCP era apenas o de levar a PT a comprar obrigações da instituição financeira: “Foi isso que discutimos nesse almoço e mais nada”.

Só que, uma sequência de duas escutas telefónicas e um SMS, entre Armando Vara e Fernando Soares Carneiro (administrador da PT que pediu, há poucos dias, a demissão) indiciam que a TVI e a compra da Cofina foram dois assuntos abordados.

A primeira conversa reporta-se a 24 de Junho de 2009. Segundo o resumo da Polícia Judiciária, Armando Vara e Fernando Soares Carneiro “falam sobre o almoço que tiveram e que falaram das perpétuas”. Já no final da conversa, “Fernando pergunta se [Vara] pode dar um pontapé para cima em relação ao Paulo Fernandes [dono da Cofina] porque a Caixa borregou um bocado”. Soares Carneiro acrescentou que estava “previsto uma compra da parte dele de informação pela empresa do Nuno [alegadamente Nuno Vasconcelos, o dono da Ongoing] com conhecimento do amigo do Vara, por indução do amigo”.

Cinco minutos depois desta conversa, Soares Carneiro e Armando Vara voltam a falar, desta vez com mais pormenores: “Fernando diz que por indução de cima foi acordado que se tentaria comprar o ‘Correio da Manhã’ ou mesmo a Cofina e que isso foi colocado na empresa como objectivo”. O ex-administrador da PT acrescenta que “o colega de Armando Vara que estava no almoço teve contacto”. Ou seja, Carlos Santos Ferreira.

No mesmo dia, a PJ recolheu um conjunto de SMS trocados entrados os mesmos interlocutores, mas sem uma identificação clara sobre quem diz o quê a quem. Num SMS, é dito que “para não haver dúvidas, a operação que te referi há pouco integra-se, como não podia deixar de ser numa intenção estratégica do grupo Ongoing”. Fazendo-se questão de afirmar em maiúsculas: “SEM QUAISQUER CONTORNOS POLÍTICOS”. Noutra mensagem escrita, assinada SC (Soares Carneiro) refere-se que um telefonema foi feito “a pedido do NV [alegadamente Nuno Vasconcelos], porque à PT interessa ter um accionista forte no campo dos media e ainda mais se se consubstanciar uma operação com a Media Capital”.

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