Fernando Sobral: Crime e castigo


Para Winston Churchill a então União Soviética era uma charada, envolta num mistério dentro de um enigma. A justiça portuguesa começa também a parecer-se uma Matrioska da loja dos 300. E já não se sabe o que é verdade e o que é ficção. Sobretudo já se deixou de acreditar que a um crime corresponde o melhor castigo. Agora que o crime da violação de justiça se tornou o Darth Vader da sociedade portuguesa, a acreditar em José Sócrates ou em Cândida Almeida, não é de espantar que esteja aberta oficialmente a caça à liberdade.

O crime que origina esta tentação para saber o que é ocultado deixou de ser o inimigo público da sociedade portuguesa. O crime não é a corrupção: é a divulgação de que existe. A bomba de fumo atirada para o ar (para ver se pega) de que os magistrados também devem poder ser escutados para saber se é deles que partem as violações ao segredo de justiça, ameaça inaugurar um nome Estado policial. Em nome da democracia. O que é fantástico nesta tese é que ao referir-se a possibilidade dos magistrados poderem ser escutados, não se está
a abrir um precedente. Sabe-se que qualquer português pode ser escutado, dentro de um quadro legal. Mas ao referir-se os magistrados (e quem sabe, os investigadores da PJ) está a pressionar-se quem investiga em Portugal. O alvo é claro. O crime é a sociedade saber o que não deve. O que é silenciado não existe. É essa a nova tese hegemónica na elite política e judicial portuguesa. Kim Jong Il e Ahmedinejad não poderiam estar mais de acordo. Neste novo sistema os castigados são os que buscam justiça.

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