“Os medicamentos vão ser mais caros”, avisa Bloco


O retorno das margens de lucro das farmácias aos 20 por cento e das distribuidoras aos oito por cento configura um “bónus” do Governo à Associação Nacional de Farmácias, acusa do Bloco de Esquerda.

As medidas aprovadas ontem em Conselho de Ministros, que decretam a reposição do lucro das farmácias e dos grossistas (as reduções aconteceram em 2005, quando Correia de Campos assumiu a pasta da Saúde), foram hoje contestadas, em conferência de imprensa, no Parlamento, pelo deputado bloquista João Semedo. Que atenta nos resultados destas alterações: “Os medicamentos serão mais caros para a generalidade dos portugueses.”.

Neste âmbito, o Governo atribui um “bónus de 50 milhões de euros para as farmácias e de 30 milhões de euros para os distribuidores”, apontou Semedo, notando que o Executivo “sucumbiu mais uma vez às pressões” da ANF.

A medida consta do diploma aprovado em Conselho de Ministros, mas esta informação não chegou a ser anunciada na conferência de imprensa após a reunião dos governantes. Semedo tem uma explicação para esta omissão: “O Executivo quis evitar que os portugueses percebessem que é amigo da ANF, como chegou a dizer o próprio presidente da ANF, João Cordeiro.”

Ontem, foi ainda aprovada uma medida que prevê que os novos genéricos só sejam comparticipados se tiverem um preço inferior aos mais baratos já disponíveis no mercado. Para Semedo esta decisão não apenas está longe de promover os genéricos, como também vai produzir uma “guerra” entre médicos e utentes. Mais: “A maior parte das farmácias não têm à venda os cinco medicamentos genéricos mais baratos por acharem que o negócio não é rentável”, asseverou.

“O Governo tenta transferir toda a responsabilidades para os médicos e apela, de forma sub-reptícia, a uma guerra entre médicos e doentes”, afirmou o deputado. E, no âmbito das propostas do Bloco de Esquerda (que serão votadas no dia 11, aquando da votação final do Orçamento do Estado), sublinhou que “é necessário dar liberdade ao doente para decidir qual o medicamento que quer comprar, enquadrado no contexto da prescrição do médico”. “Enquanto não for o cidadão a determinar isto, dificilmente a taxa de venda de genéricos acompanhará as taxas dos outros países europeus”, acrescentou.

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