Vaticano: três mil acusações de pedofilia contra padres entre 2001 e 2010


Cerca de 3000 acusações de pedofilia contra padres foram tratadas pela justiça do Vaticano entre 2001 e 2010 por casos ocorridos nos últimos 50 anos, indicou hoje um responsável do Vaticano.

“De 2001 a 2010”, houve “cerca de 3000 acusações contra padres diocesanos ou religiosos por crimes cometidos nos últimos 50 anos”, declarou monsenhor Charles J. Scicluna do Ministério Público do Tribunal da Congregação para a Doutrina da Fé numa entrevista ao Avvenire, jornal da Conferência Episcopal italiana.

“Cerca de 60 por cento dos casos referem-se a atos de ‘efebofilia’, ou seja, atração física entre adolescentes do mesmo sexo, 30 por cento a relações heterossexuais e os restantes 10 por cento a verdadeira pedofilia, ou seja, uma atração sexual por rapazes impúberes”, refere o prelado.

Para Scicluna, “em nove anos, os casos de padres acusados de pedofilia são, portanto, cerca de 300”. “Demasiados, é certo, mas é necessário constatar que o fenómeno não está espalhado como se quer fazer crer”, adianta, recordando que há cerca de “400 mil padres diocesanos e religiosos” em todo o mundo.

Em 10 por cento das denúncias, “casos particularmente graves com provas indubitáveis”, os culpados foram reduzidos ao estado laico, ou seja, não podem mais dar sacramentos, precisou.

Na mesma proporção, são os próprios padres que pediram para ser libertados dos seus deveres sacerdotais.

Na muito grande maioria dos casos (60 por cento), “principalmente por causa da idade avançada dos acusados, não se inicia qualquer processo, mas são tomadas medidas disciplinares” como a “da interdição de celebrar a missa em público e de confessar, ou a da obrigação de levar uma vida retirada e de penitência”, explica Scicluna.

Para os restantes 20 por cento, “o processo penal ou administrativo” realizou-se “na diocese de competência”.

A maioria das denúncias emana dos Estados Unidos, “cerca de 80 por cento dos casos entre 2003 e 2004”, uma proporção que caiu para “25 por cento dos 223 novos dossiers provenientes do mundo inteiro” em 2009.

Entre 2007 e 2009, “a média anual dos casos assinalados foi de 250”, sublinha Scicluna, acrescentando que muitos países “apenas assinalaram um ou dois casos, apesar de estar a aumentar o número de países”.

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