Cover-Up


A lei da rolha não existe apenas nos estatutos do PSD. Tornou-se – de novo – uma estratégia meio disfarçada para evitar o ruído que tantoperturba os actores institucionais na área da Educação (que é a que agora me interessa).

Esta notícia sobre o caso de Fitares é sintomática de uma estratégia de tentativa de adormecimento, nada estranha a outros casos ocorridos recentemente desde o mais mediático do Leandro a outros, quantos outros, que surgem na comunicação social (Montijo, Moita).

Repare-se que a IGE parece mais preocupada em determinar a origem da denúncia para os jornais do que em qualquer outra coisa.

Alguns antigos e actuais professores da escola começaram esta semana a ser ouvidos pela IGE, sendo que a primeira linha condutora da investigação tem sido tentar perceber quem é que fez o caso chegar aos jornais.

E isto é absolutamente lamentável. A informação circulou na net desde dia 10 de Fevereiro. Eu recebi um mail da direcção da escola a 14 de Fevereiro com elementos adicionais sobre o assunto, tentando contextualizar o ocorrido.

A imprensa chegou lá um mês depois, ao que parece na base do empurrão de alguém da escola, inconformado com o silêncio geral.

A IGE entra agora em campo e em vez de se preocupar com outras coisas, quer saber quem foi a garganta funda, esquecendo-se que existem muitas pessoas com acesso à informação e que a comentaram em blogues e por mail.

Ao mesmo tempo, a norte, tenta fazer-se esquecer o caso do leandro, para que as consciências se apaziguem.

Um dos argumentos usados é falaccioso: não é por se falar nas coisas que se cria um clima de alarmismo ou descrédito da Escola Pública. Quem lá trabalha ou as famílias que conhecem de perto muitas situações, não é as verem nos jornais ou televisão que acordam. Já sabem o que se passa em diversos locais, assim apenas deixam de se sentir isolados nas suas preocupações.

A estratégia de ocultar a informação e querer extinguir o debate é errada.

Anote-se ainda que nem o programa oficial de debate da televisão pública se preocupou em dedicar-se ao assunto, enredado nos PEC e em ouvir os economistas do costume a discutir entre eles quem devem ser os remediados e pobres que pagam a crise da sua própria incompetência.

Sobre isso já se pode falar. Ad nauseum.

In A educação do meu umbigo

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