A minha história de “Mobbing” na Passos Manuel. Acreditem se quiserem!


A minha história de “Mobbing” na Passos Manuel. Acreditem se quiserem!

Passo a incluir o texto que as pessoas que referi fizeram o favor de publicar, embora anonimamente:

“Assunto: Coação psicológica de Direcção “bem-sucedida” sobre professora (no presente caso, eu).

Venho, pelo presente, expor uma questão que, julgo, de importância maior relativamente às questões que estão na ordem do dia quanto ao tema “Educação em Portugal”.
Gostava de ter a sua atenção neste contexto, dado que são falados, debatidos, assuntos relativos ao “bullying” nas escolas como um dos principais e graves problemas do funcionamento escolar sem, contudo, se debater, de forma abrangente e sem peias, uma questão que se encontra a montante daquela apontada, todavia, timidamente, sugerida.
Trata-se do “mobbing”, dito por outras palavras, pressão, coacção, prepotência e intimidação de professor para professor. Naturalmente que o conceito de “mobbing” abrange 2 vectores principais: conceito horizontal (professor para professor) e, outro, o vertical, de DIRECÇÃO contra professor.
É neste âmbito que apresento e venho, junto de si, suscitar uma reflexão que tem passado completamente despercebida (?) da parte da investigação jornalística séria que se faz no nosso país.
Com efeito, muitos dos casos mediáticos que conhecemos, de violência entre alunos-alunos e de alunos-professores, tem como “parceiro escondido” o “mobbing” nos dois eixos que acima apontámos.
É aqui que na minha opinião e por dolorosa experiência pessoal que, reside, dentro deste complexo problema, “Ensino em Portugal”, uma das razões mais importantes da incapacidade do sistema actuar consentaneamente com os desafios colocados.
Neste contexto, muito do que acontece e mediaticamente vem a lume tem por detrás actuações de “mobbing” entre Direcções e professores e entre professores e professores.
A minha experiência não se traduz na violência física e não trata de nada do que tem sido mediatizado, embora os danos emocionais, psicológicos e materiais causados sejam profundos e revestidos de extrema injustiça – estou impedida de trabalhar, devido à prepotência de um Director.
Naturalmente que o meu caso se aproxima de milhentos casos que existem neste país. Acontece que, não penso suicidar-me como aconteceu com o meu malogrado colega, nem, igualmente, penso calar-me.
Gostaria que perdesse alguns minutos, lendo o meu “relato”. Neste momento, a minha queixa já foi feita à Drel. Não tenho medo. Possuo em meu poder documentos que provam quem tem razão. Possuo uma carta intimidatória do meu Director, mentirosa, prepotente e abusiva. Possuo um relatório psiquiátrico que estabelece paralelo directo entre a minha situação psiquiátrica e a situação profissional em que me encontrava, numa manifestância clara de causa-efeito.
Estão em causa os seguintes artigos previstos na Constituição da República Portuguesa:
a)    – Princípio da prossecução do interesse público e da protecção dos direitos e interesses dos cidadãos;
b)    – Princípios da igualdade e da proporcionalidade;
c)    – Princípios da justiça e da imparcialidade;
d)    – Princípio da boa-fé;
e)    – Princípio da colaboração da Administração com os particulares.
A minha experiência, de forma resumida, resulta de um processo de “mobbing”, assente no assédio psicológico, assunto que não tem tido a atenção devida da parte do legislador.
Sou docente efectiva, preferindo, por conveniência, neste momento, manter o anonimato. Num momento em que a Exmª Senhora Ministra parece defender, contrariamente à sua antecessora, uma humanização do ensino, o meu assunto configura-se da seguinte forma:
No passado ano lectivo decidi mudar de escola e, portanto, entrei noutra, esta a que refiro, como professora do quadro.
Aquando da minha apresentação, a minha Coordenadora, em Julho, apresentou-me uma hipótese de cenário, quanto a horário e matérias a leccionar, perfeitamente razoável.
Qual não foi o meu espanto quando em Setembro, me foi dado um horário que não respeitava as mais elementares disposições legais, nomeadamente:
1º – as respeitantes à jornada diária de trabalho (permanecia no meu local de trabalho mais de sete horas, nalguns dias).
2º – as respeitantes a intervalos de descanso (tinha, por exemplo, 4 horas de “furo”).
Para além disso, atribuíram-me uma imensidade de níveis de matérias, às quais, humanamente, era impossível dar resposta (5 níveis distintos, co-secretariado de 3 Conselhos de Turma, apoio a alunos com dificuldades específicas.
Finalmente, e embora o Director o negue, as condições de trabalho não eram as melhores.
A Escola pertence ao grupo das que se encontram em fase de “reabilitação”, ou seja, imagina-se o que é trabalhar ao som de martelos pneumáticos? Imagina-se ter quase de gritar para ser ouvida pelos alunos e vice-versa?
Comparativamente a colegas da minha área, o meu horário foi, sem dúvida, o mais aberrante.
Tenho um filho de quase seis anos, totalmente a meu cargo. ao qual não tinha tempo para dar apoio, dado que, enquanto permaneci ao serviço, trabalhava todos os fins-de-semana para poder dar cumprimento ao “incumprível”.
Depois, por sua iniciativa, o Director, piorou ainda mais o meu horário, alargando de 3 para 4 horas, um dos dias em que tal tinha as tais horas de enormes “furos”.
Lembro que este senhor, aquando da entrega de horários, se mostrou disponível para fazer alterações “razoáveis” nos horários.
Recordo e tudo tenho registado, que manifestei à minha Coordenadora essa vontade de alteração. Mas a poucos dias de início de aulas, com os horários de alunos já feitos, referiram essa impossibilidade.

(Já agora, um bom Director, com TRÊS acessores, deve preocupar-se mais com o emendar erros ou prever-se contra eles???)
Não aguentei.
A gota de água foi ter sido posta em causa numa reunião, por uma colega, neste caso Directora de Turma, no sentido de não ter dado cumprimento, num prazo determinado, a uma planificação específica. Como poderia? Mas aguentei os ataques “educados”, perante a audiência que, era, neste caso, um Conselho de Turma.
Vim para casa, completamente esgotada, em pânico. Desanimada porque, malevolamente, estavam a fazer passar a imagem de uma pessoa não cumpridora, quando sempre o tentei ser, ao longo de 18 anos de ensino, com resultados comprovados.
Senti que me estavam a dar excesso de trabalho, precisamente para demonstrarem que era incapaz.
Estive 15 dias de baixa. Durante esse tempo, consultei um Sindicato, que confirmou as irregularidades horárias. Para além disso, houve alguma estupefacção perante o conteúdo e não só a forma do meu horário. Cinco matérias diferentes para preparar, aliadas a programas específicos para alunos com dificuldades específicas, mais vários co-secretariados de reuniões, digamos que não era pouco.
Aconselharam-me a enviar uma exposição escrita ao Director. Sabia que teria 30 dias para me responder. Não tive direito de resposta! Ignoraram-me, simplesmente. E o meu estado de saúde entrou em colapso. Foi-me diagnosticado stress pós- traumático, como já referi e esgotamento. Mantive a minha baixa, durante aqueles 30 dias, aguardando a cada dia, uma resposta na minha caixa de correio. Foi como que um jogo de forças psicológico.
Perante isto, recorri a um advogado que constituí meu procurador. Que lhe voltou a colocar a minha situação, por escrito, bem como perguntas de ordem prática. E só nessa altura, por seu intermédio, o sr. Director lhe deu a tal resposta.
Foi uma resposta lacónica e que não respondeu, na sua maioria, às questões colocadas. Afinal, quais teriam sido os critérios de atribuição horária? Sugeriu um reajustamento horário de 3 horas sem concretizar. Dizia que o Director era ele! Que era ale quem decidia! (Mentira: o próprio Regulamento Interno da Escola, contradizia. Isto é: um DIRECTOR não conhece o Regulamento Interno da sua Escola???) Totais inverdades. E concluía com uma tentativa velada de intimidação. Isso revoltou-me, magoou-me e piorou ainda mais a minha condição física e psicológica.
Perante isto, nova carta se lhe enviou, à qual nem se dignou responder.
Sinto, neste momento, que a intimidação, a coacção à distância, o jogo psicológico, continua.
O Sindicato aconselhou-me a não regressar (e como conseguiria?) até as questões estarem resolvidas.
Mas resolvidas, como?
Outras pessoas, aconselharam-me a voltar, tentando dialogar e solicitar um lugar, por ex, na Biblioteca. Risível!
Quando falo de pessoas que analisam apenas o ponto de vista legal é porque tenho a noção perfeita de que não valorizam, talvez por algum desconhecimento, situações como a perseguição, a intimidação. Pessoas há que não conseguem avaliar o resulta de um stress pós-traumático. A sensação de impotência, de pânico, perante o enfrentamento de situações perturbadoras, tão marcantes, porquanto, injustas e de má-fé. E isso tem de ser tomado em conta, quando se fala de Trabalho.
Neste momento, estou “condenada” a não trabalhar, a usar uma espécie de pulseira electrónica durante a maior parte da semana, dado que tenho de ficar em casa, para possível inspecção médica.
De qualquer modo, a queixa está feita às entidades competentes, como já referi.
Não abdicarei nunca dos meus valores e mais, sinto que não é só por mim que o faço mas pelos inúmeros colegas docentes que sofrem em silêncio e não denunciam por medo de represálias.
Estou em suspenso mas não tenho medo! Ainda confio na Justiça Terrestre e totalmente na Divina.

Bem-haja!

Com toda a minha estima pessoal”

Desenvolvimento do caso, à laia de P.S. – O meu processo foi enviado à Drel. Eu não solicitava qualquer “pena” para o Director. Quem sou eu? Apenas pedia o destacamento, por razões óbvias, de Escola, no próximo ano.
Liguei para a Drel para saber do caso há 2 ( mais coisa, menos coisa,) semanas. Sabem o que me responderam?

1º – Que aproveitasse o concurso por situações específicas (isto é, por doença) porque não transigiriam na mudança de escola;
Já agora, se ainda estou lúcida, concorrer a isso, seria afirmar-me como “louca”!
Quando perguntei se isso lhes cabia na cabeça porque, afinal, a razão do meu stress tinha sido a actuação de um superior… nada disseram de concreto.
2º – Comentaram que o processo que enviei era “extenso”;
3º Face à minha pergunta sobre quando me poderiam dar alguma resposta, falaram em 3 semanas….

Digam-me! Rio? Choro?

Olhem, é o que digo… vou lavar escadas!

O QUE NÃO ADMITO é QUE O SR. SÓCRATES TENHA IDO INAUGURAR AQUELA ESCOLA PARA COMEMORAR O 25 DE ABRIL!

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2 thoughts on “A minha história de “Mobbing” na Passos Manuel. Acreditem se quiserem!

  1. Inês

    Vai tudo de mal a pior… E com tudo o mais, sendo sincera, nunca tinha ouvido falar de “mobbing”. Com tantos casos de bullying e de violência dos alunos contra o professor e vice-versa, esses casos passam despercebidos.
    No entanto, permita-me que me apresente.
    Sou uma aluna do 10º ano da Escola Secundária Rainha Dona Leonor, em Alvalade, e agora que está prestes a chegar ao final mais um ano lectivo, estou a pensar pedir uma transferência para a Passos Manuel, por conveniência geográfica. A verdade é que tenho ouvido algumas histórias sobre aquela escola, e tenho algum receio, pois não me agradam as histórias que ouço (sejam verdade ou não). Pergunto-lhe, então, se poderia dispor apenas de uns minutos para me informar da escola.
    Aquilo que preciso de saber é sobre qual é o ambiente da escola, que tipo de pessoas (de que classe social) frequentam a escola e se existe algum historial de violência (nomeadamente de bullying, abuso de substâncias, assaltos com armas, etc).
    Obrigada desde já.

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  2. Isabel Basílio

    boa noite ,
    será que me poderia dar informações sobre um professor de Filosofia chamado Manuel Pereira que leccionou no Passos Manuel, esse professor este ano está na Escola Sec. de Mem Martins, a minha filha é aluna deste professor, e a turma tem tido enormes problemas de falta de respeito do professor com os alunos.
    Obrigada

    Isabel Basílio

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