Moody’s coloca sob análise rating português e admite corte


A agência de notação Moody’s colocou hoje o rating da República Portuguesa sob avaliação, admitindo uma revisão em baixa do mesmo, em um ou dois níveis. Esta possibilidade surge depois de outra agência, a Standard & Poor’s, ter revisto em baixa o rating português no dia 27 de Abril, de A+ para A-, fazendo os juros da dívida portuguesa bater recordes.

Em comunicado, a Moddy’s explica que esta revisão em baixa poderá ocorrer nos próximos três meses e poderá ser de um ou, no máximo dois níveis. Actualmente, o rating da República Portuguesa é o Aa2, sendo que o outlook do mesmo é já negativo, o que, por si só, indicia já que a avaliação de risco de crédito atribuída a Portugal poderia vir a baixa num horizonte de seis meses a dois anos.

A decisão da Moody’s reflecte a “recente deterioração das finanças públicas portuguesas, bem como os desafios que se colocam ao crescimento da economia a longo prazo”, refere a agência. De acordo com a agência, o contexto de crescimento económico reduzido e lento, associado aos números da dívida pública poderá não ser consistente com o rating de Aa2.

“O enfraquecimento da posição das finanças públicas portuguesas reflecte a falência de sucessivos executivos em limitar consistentemente os défices desde que Portugal se juntou à zona euro”, destaca a agência, salientando, contudo, que o Governo reiterou recentemente o objectivo de atingir ou mesmo ultrapassar a meta de redução do défice prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Custos de financiamento podem aumentar

A Moody’s acredita que o crescente risco de discriminação de Portugal nos mercados financeiros poderá aumentar os custos a que Portugal se financia durante algum tempo. Ainda assim, a agência salienta que, mesmo que haja uma revisão em baixa do rating para A ou Aa, a dívida pública não é “nem insustentável nem insuportável”.

De acordo com a agência, Portugal tem sofrido também o efeito de contágio da crise grega, mas a Grécia enfrenta dificuldades fiscais bem mais sérias do que Portugal.

Além de ir analisar os factores relacionados com a sustentabilidade da dívida pública, a avaliação da Moddy’s irá examinar outros aspectos, nomeadamente os passos que as autoridades nacionais estão a dar para resolver o problema da fraca competitividade económica do país e a baixa poupança doméstica, que, segundo a agência, “estão na raiz da baixa taxa de crescimento do país”. A Moody’s prevê um crescimento económico positivo, mas lento.

Já em Outubro de 2009, a Moddy’s tinha colocado sob outlook negativo o rating português. No dia 27 de Abril, a Standard & Poor’s reviu em baixa a sua notação de Portugal, gerando desconfiança entre os investidores e um aumento exponencial dos juros das obrigações do Tesouro.

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