“Estaremos no tempo errado?-Pedro Castro


“Estaremos no tempo errado?

Há uma sentimento que se instalou nos professores, o sentimento que estamos reivindicar no tempo errado.

Deixámos por culpa dos sindicatos ou por culpa nossa que fossem tomadas muitas medidas pela Maria de Lurdes Rodrigues sem uma resistência eficaz. Dir-me-ão, mas tivemos manifestações de centenas de milhares de professores em manifestações raramente vistas e até únicas numa classe profissional. Claro que tivemos, mas a consistência dos argumentos, a persistência e a tenacidade dos sindicatos e também dos professores não foi suficiente para mudar o rumo aos acontecimentos.

Tivemos uma incapacidade de comunicar com o exterior, jogando somente com argumentos salariais e de questões de estatuto, quando tivemos um maná de instruções e ordens do ministério que arrasaram o ensino público em Portugal e não os soubemos aproveitar para conseguir que a opinião pública estivesse do nosso lado. Não soubemos comunicar com a população, não soubemos comunicar com os média, ficámos ofendidos frequentemente com opiniões alheias com relativa facilidade, ostracizámos aqueles que por ignorância defenderam Maria de Lurdes Rodrigues. Quando conseguimos virar a opinião pública a nosso favor foi tarde demais. Já se avistava a crise económica e como todos sabemos alguém que reivindique para si melhores condições remuneratórias nesta altura é ostracizado.

Uma importante componente que nos devemos preocupar é com a mudança das atitudes sindicatos. Temos que ter sindicatos mais dinâmicos, mais preocupados com o dia a dia da escola, mais preocupados em compreender os sentimentos  dos professores. Os organismos sindicais devem preocupar-se em defender, não somente quanto ao estatuto remuneratório, como também, devem preocupar-se com a crescente frustração dos professores na escola. Os professores querem ensinar e não podem ter na escola um ambiente hostil à aprendizagem. Por muito que custe, cabe aos sindicatos deixar o “eduquês” e todas aquelas teorias que degradaram o ensino em Portugal. Cabe aos sindicatos acompanharem com mais afectividade o bem estar dos professores na escola. O sindicalismo do futuro não pode ser somente um sindicalismo de dedo em riste contra os nossos patrões, o ministério, deve também ser um sindicalismo que escute a alma dos professores: as suas ansiedades, os seus receios, as suas frustrações, no fundo devem cuidar dos seus professores.

Se houver um entrosamento dos sindicatos com os professores, se houver uma despartidarização dos sindicatos, então sim teremos as condições para lutarmos.

Não nos deixemos cair, ou melhor, temos que ser cada vez mais fortes e unidos.

O tempo não é o errado é o tempo que decorre da vontade de cada um de nós mudarmos as nossas atitudes.


Pedro Castro

In A educação do meu umbigo

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