Lula ataca “toda poderosa” Europa e Alemanha por demora a apoiar Grécia


por Lusa

O presidente brasileiro criticou hoje duramente a “toda poderosa” Europa, e especialmente a Alemanha, porque “demorou muito tempo” para ajudar a Grécia, com um modelo de decisão que “de colectivo, tem pouco”.

“Porque e que a Alemanha demorou tanto tempo para ajudar a Grécia? Como pode a toda poderosa Europa demorar três meses para resolver o problema a Grécia?”, questionou Lula da Silva, num seminário sobre a economia brasileira em Madrid.

“Só porque os países perderam o poder de fazer política monetária e dependem da decisão colectiva, que de colectiva não tem nada porque, ao fim ao cabo, quem tem mais dinheiro é que toma a decisão”, disse.

Um atraso, afirmou Lula da Silva, que “levou ao pânico” e que ajudou a espalhar os problemas a outros países.

O presidente do Brasil encerra hoje as jornadas “Brasil: Aliança para a nova economia global”, em Madrid, em que políticos e investidores vão discutir as oportunidades da economia brasileira.

“Estou a ver agora o Zapatero [primeiro ministro espanhol] a pagar por uma crise com a qual não teve nada que ver. E os responsáveis pela crise fazem de conta que não é nada com eles”, afirmou Lula da Silva.

“E países como Espanha e Portugal sofrem mais porque são menores, numa Europa de outros poderosos, mas fragilizada pela falta de seu controlo do sistema financeiro”, disse.

Num ataque ao atual sistema de governação global, Lula da Silva reclamou para o Brasil o direito a ser “um ator global”, tanto pela sua crescente importância – “pode ser a quinta economia em alguns anos” – como por não concordar com o actual sistema.

“A governação global de hoje representa o mundo político de 1945, mas não o mundo político de 2010. É preciso mudar. Ter em conta a existência de África, do Médio Oriente e todas as suas confusões, a América Latina, a Índia, o Japão”, disse.

“E nós estamos a brincar com isto há mais de sete anos, apesar de 140 países terem assinado a favor da reforma da ONU. Tudo porque quem já está sentado na cadeira não quer mudar”, disse.

Para Lula da Silva, a falta de actualização do sistema de governação global demonstra as suas fraquezas na crise económica que ainda perdura.

“Não é possível continuar assim. Não é possível numa crise económica como esta não ter uma instância multilateral que liderasse o debate. O G20 funcionou no primeiro momento, mas o poder de decisão do G20 é muito escasso. As pessoas não cumprem. Cada um vota pelo seu país e as pessoas não cumprem”, afirmou Lula da Silva.

“Qual é o organismo multilateral que evita paraísos fiscais, que garante a supervisão e regulação do sistema financeiro?”, questionou ainda.

Para o presidente brasileiro este é o momento para actuar porque “se o mundo continuar assim, haverá problemas sérios para todos”.

“Temo que as pessoas pensem que a crise acabou. Não acabou e não sabemos as consequências que vai ter”, disse.

“A crise está assim como o vulcão da Islândia, lançando uma bocadinho de cada vez para nos estragar as viagens”, afirmou.

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