Governantes público-privados


A história das parcerias público-privadas é a de uma profunda promiscuidade entre governos e conselhos de administração destes grupos económicos. Em ambos os lados desta promiscuidade, encontramos muitas vezes os mesmos protagonistas. Artigo de Jorge Costa.
 

Um dos ícones máximos entre os governantes público-privados – presidente da Mota-Engil, Jorge Coelho, inquilino do MOP durante vários anos. Foto de Estela Silva, Lusa.

Os concedentes e parceiros públicos de ontem são os concessionários e parceiros privados de hoje. Entre os ministros e secretários de Estado dos sectores estratégicos (saúde, obras públicas e transportes, economia, finanças), vamos encontrar expoentes dos parceiros privados do Estado.

É penoso, mas vale a pena dizer os nomes destes governantes público-privados, começando pelos dois ícones máximos, os presidentes da Mota-Engil, Jorge Coelho, e da Lusoponte, Ferreira do Amaral, inquilinos do MOP durante vários anos. Mas estes são apenas dois exemplos célebres de uma realidade bem mais vasta:

– António Sousa, Secretário de Estado da Indústria e depois do Comércio Externo de Cavaco, administrador da Brisa (grupo Mello) desde há 10 anos.

– António Vitorino, ministro da Presidência de Guterres, hoje presidente da Assembleia-Geral da Brisa.

– Valente de Oliveira, Ministro do Planeamento e Administração do Território de Cavaco, administrador da Mota-Engil;

– António Nogueira Leite, Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças de Guterres, hoje conselheiro económico de Passos Coelho e administrador de várias empresas do Grupo Mello, entre as quais a Brisa;

– Francisco Murteira Nabo, ministro do Equipamento Social de Guterres, mais presidente da Assembleia Geral da RAVE;

– Viana Baptista, MOP do governo AD pelo PSD, vice-presidente da Sonae nos anos 90, presidente da Edifer até 2005.

– Júlio Castro Caldas, fundador do PSD, ministro de Guterres, actual residente do Conselho Fiscal da Soares da Costa;

– Luís Todo-Bom, secretário de Estado da Indústria de Cavaco, administrador da Soares da Costa entre 2000 e 2005;

– Luís Parreirão, Secretário de Estado Adjunto e das Obras Públicas de Guterres, presidente da Ascendi, administrador da Mota Engil;

– José Lopes Martins, Secretário de Estado da Saúde de Cavaco, actual administrador da Mello Saúde;

– Pedro Dias Alves, Secretário de Estado da Administração da Saúde de Cavaco, administrador do Hospital Amadora-Sintra pelo grupo Mello, depois responsável pela avaliação de propostas de PPP para a gestão do Hospital do Algarve e do Hospital de Todos-os-Santos, hoje administrador da empresa Hospitais Privados de Portugal;

– Luís Filipe Pereira, ministro da Saúde de Durão Barroso depois de administrar a Mello Saúde, grupo a que depois regressou.

Nas administrações do grupo Mello sentaram-se ainda outros antigos governantes de primeira linha e influentes políticos no activo: Daniel Bessa, Eduardo Catroga, Couto dos Santos (administrador do hospital Amadora-Sintra entre 1994 e 2003).

A lista continuaria, extensa, e ainda mais se considerarmos o sector bancário, com duplo acesso à galinha dos ovos de ouro das PPP (integrando consórcios concessionários e financiando outros consórcios). Pelo BCP, têm passado Miguel Cadilhe, Miguel Beleza, Valente de Oliveira, Carlos Tavares, Fernando Nogueira, Pina Moura, António Monteiro, Armando Vara, Bagão Félix, entre muitos outros. Pelo BES, António Mexia, Rui Machete, Manuel Pinho, Horta e Costa, Manuel Lencastre. E a lista de governantes continuaria.

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