Grécia. Imagem que o país transmite é desoladora


Cerca de 10% da população está desempregada e os mais velhos fugiram para os campos para sobreviverem aos cortes nas pensões

O pedido de ajuda oficial da Grécia ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira foi apresentado a 23 de Abril de 2010, mas um ano depois o país continue mergulhado numa imensa crise. O desemprego atinge cerca de um milhão e meio dos seus cerca de 11 milhões de habitantes, o produto interno bruto (PIB) caiu 8,9 pontos percentuais e a imagem que o país transmite para o exterior é desoladora: milhares de lojas fecharam portas, o nível de vida dos gregos desceu abruptamente e milhares de reformados fugiram para os campos em consequência do corte nas pensões.

cortes A ajuda externa não atenuou sequer o cenário macroeconómico, que continua negro: para este ano prevê-se uma quebra da riqueza de 2,6%, se a situação na zona euro evoluir como previsto, ou de cerca de 4%, no pior dos cenários. Entretanto, o défice continua nos 7,4% do PIB. Não obstante os cortes nos salários dos trabalhadores dos sectores público e privado, o aumento dos impostos e a eliminação dos subsídios de férias e de Natal, a UE e o FMI continuam a exigir ao governo grego novas medidas de austeridade.

ajuda O pedido de ajuda de Atenas à UE e ao FMI surgiu na sequência de um aumento dos custos da dívida grega, avaliada em Abril do ano passado em 300 mil milhões de euros. A escalada dos juros aconteceu seis meses depois de o executivo chefiado por Papandreou ter tomado posse e ter encontrado um défice de 12,9%, em vez dos 6% oficiais, e uma dívida pública de 115% do PIB.

Em Abril do ano passado, os juros da dívida a dois anos tinham superado os 11%, quase ao nível da do Paquistão, obrigando o primeiro-ministro a recorrer à ajuda europeia, por os considerar incompatíveis com a redução do défice orçamental, que estava quatro vezes acima dos 3% permitidos no Pacto de Estabilidade e Crescimento para a zona euro.

Apesar do apoio europeu, o risco de incumprimento do país mantém-se. Ou seja, não é líquido que a Grécia consiga pagar o que deve e voltar a crescer quando o país regressar aos mercados.

Margarida Bon de Sousa

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