Bloco quer uma auditoria às contas da dívida pública


O Bloco de Esquerda não quer ficar de fora das negociações em torno da intervenção externa que começam esta terça-feira com a troika Comissão Europeia/Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional e o seu líder defendeu esta segunda-feira que esse trabalho “tem de começar por uma auditoria às contas da dívida externa”. “É preciso saber o que estamos a pagar, porquê e quando”, afirmou Francisco Louçã, em entrevista à SIC.

“O Bloco assumirá as suas responsabilidades e apresentará medidas concretas de como fazer a correcção do défice para este ano e como começar a recuperação da economia”, garantiu Louçã. E apontou desde logo três medidas: o registo obrigatório de todas as “transferências [financeiras] que são claramente evasões fiscais, um imposto sobre a banca e a renegociação das parcerias público-privadas (PPP).

Antes, porém, não deixou de criticar que o Governo tenha pedido intervenção externa: “Tinha que o ter evitado”, afirmou. E se não tivesse sido antes, pela via estrutural, então que fosse por uma solução de emergência: “O problema de liquidez dos últimos dias podia ter sido resolvido se a Caixa Geral de Depósitos tivesse pedido um empréstimo de urgência ao BCE, como antes fez a banca privada”.

Mas agora, com o mal feito, Louçã propõe atacar as PPP, até porque elas representam hoje “um pacote do mesmo tamanho que o do FMI, quase 60 mil milhões de euros, mas para os próximos 40 anos e com juros maiores”. E cobrar impostos à banca, cujas dificuldades desvaloriza: “Se está descapitalizada é porque os seus accionistas distribuíram dividendos e não recapitalizaram a sua própria empresa, como deviam ter feito”.

Sobre a “cimeira” da semana passada com o PCP, Louçã frisou que “o que se quer saber é se há um caminho para um futuro Governo de esquerda”. Com ou sem PS? “O desafio está colocado a toda a gente”, acabou por responder. Para o fim ficou a revelação de um pró-europeísmo do BE, quando Louçã se manifestou contra a saída do euro – “seria uma aventura lamentável” – e defendeu a integração europeia. “A Europa falhou, mas não pode continuar a falhar”, defendeu.

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