Instituto Alemão contra medidas ‘demasiado duras’ da troika


5 de Maio, 2011

O presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Económica Mundial de Kiel (IfW), Dennis Snower, alertou hoje contra medidas de austeridade «demasiado duras» na Grécia, na Irlanda e em Portugal.

«Ninguém ficará a ganhar se um país poupar [tanto] a ponto de destruir a sua economia», disse Snower ao jornal de economia alemão Handelsblatt, considerando «um sinal de alarme» as reflexões para se prorrogarem os prazos da dívida grega.

«A Grécia está a ser sufocada e destruída pelas duras medidas de poupança, e um país destruído não tem condições para pagar as dívidas», sublinhou Snower, advertindo que Portugal e a Irlanda «têm dificuldades idênticas».

Depois da Grécia e da Irlanda, Portugal pediu também ajuda externa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à União Europeia.

O Governo de gestão de José Sócrates assinou hoje mesmo o memorando para concessão de um empréstimo de 78 mil milhões de euros, a três anos, com numerosas contrapartidas que implicam cortes na despesa do Estado e nos apoios sociais, por exemplo, além da alienação de participações em várias empresas públicas.

Snower propôs na entrevista ao Handelsblatt um plano com dois itens, para controlar as dívidas dos países em dificuldades.

Assim, os respectivos governos deveriam estabelecer um corredor da dívida, com objectivos concretos para a conter, tendo em conta a evolução da conjuntura, a longo prazo, até atingirem o limite máximo de 60 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), como exige o Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia.

Além disso, Snower sugeriu que os países criem uma comissão de peritos, com 10 a 15 reputados economistas, que analise regularmente a evolução da conjuntura e faça recomendações sobre os limites do défice orçamental ou sobre formas de gerir receitas adicionais.

Um tal grémio daria mais confiança aos investidores e acalmaria os mercados, sem afectar, no entanto, a capacidade de decisão dos governos sobre as receitas e despesas do Estado, vincou o presidente do IfW.

«Os governos manteriam toda a responsabilidade política, e só não teriam liberdade para fazer uma política financeira irresponsável», explicou.

«Desta forma, a Grécia, a Irlanda e Portugal poderiam estimular as suas abaladas economias através de mais investimentos públicos, sem enervar os mercados», concluiu Snower.

Lusa/SOL

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